terça-feira, 2 de agosto de 2016

A EXPERIÊNCIA DO NOVO NASCIMENTO III

Jo. 1: 11 a 14 - "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."
Viu-se nos estudos anteriores que o nascimento do alto ou novo nascimento é uma experiência sobrenatural, porém destinada ao homem natural, decaído e totalmente corrompido. O homem natural, a saber, antes de experimentar o novo nascimento, não é capaz de discernir as coisas espirituais conforme I Co. 2:14 a 16 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." Tal discernimento é dado aos eleitos e regenerados, não é mera presunção, fruto da arrogância religiosa, mas o fruto da ação monérgica de Deus. Também, não se pode confundir discernimento religioso com discernimento espiritual. Assim é, porque os pecadores eleitos têm consciência, primeiramente, que não são dignos e merecedores. Portanto, recebem este fato, não por recompensas de supostos feitos, mas por graça e misericórdia de Deus. Desta forma, se reconhecem portadores da natureza pecaminosa. Ora, como alguém poderia receber perdão, se não se reconhece pecador? Os religiosos não se veem desta maneira, porque tentam alcançar a graça pela lei do esforço e dos méritos. A questão é muito clara no texto que vem de ser lido: "... o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus..." Para os cegos pela natureza pecaminosa há um fio de luz ou de inclinação do pecador para aceitar a salvação. Todavia, as Escrituras não ensinam isto! É o fruto da própria soberba religiosa sem a regeneração pelo novo nascimento. Aquilo que só se discerne espiritualmente jamais poderá ser compreendido e recebido pelo homem natural. Os eleitos e regenerados ganham a vida de Cristo e, aos poucos, vão recebendo luz para discernir tudo e todos pelo espírito reconciliado. Em nada são melhores que quaisquer outros homens, mas receberam a espiritualidade pela Graça por meio de Cristo.
Assim, reitera-se que o novo nascimento é uma experiência de origem espiritual dirigida a homens naturais para que se tornem espirituais. Em hipótese alguma isto significa que se tornarão perfeitos nesta vida. O nascimento do alto é um ato instantâneo para o pecador e decidido antes dos tempos eternos por Deus conforme Ef. 1: 3 a 6 - "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado." O aperfeiçoamento, todavia, é um processo desenvolvido no deserto. O deserto é uma figura da solidão, aspereza, inospitalidade e perda dos atos pecaminosos, resultantes da velha natureza adâmica. Os eleitos e regenerados são os únicos homens que sofrem neste deserto e sentem prazer neste sofrimento. A cada época vão sendo libertados dos antigos hábitos e inclinações até atingirem a estatura de Cristo conforme Ef. 4: 12 e 13 - "... tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo."
O texto que abre esta instância demonstra com infinita propriedade a realidade do novo nascimento. Primeiramente, mostra que é Cristo quem aceita o pecador e, este, apenas recebe esta graça. Há profunda diferença entre aceitar e receber: 'aceitar é uma atitude ativa, enquanto receber é uma atitude passiva.' O que há de significativo em tal diferença é que o homem natural não tem capacidade para aceitar ativamente a Deus, sem que antes tenha recebido a graça para se ver como pecador imerecedor. Na impossibilidade de aceitar, porque seu espírito está morto para Deus, o próprio Deus o conduz à cruz para que Jesus, o Cristo o aceite conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Portanto, se ninguém pode ir por conta própria até a cruz para ser nela incluído na morte de Cristo, resta aos pecadores eleitos serem conduzidos pelo Espírito Santo até a sua inclusão na morte de Cristo. Assim, são substituído por Jesus, o Cristo e têm suas naturezas pecaminosas anuladas. É este o sentido do texto que diz que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A doutrina da anulação da culpa do pecado encontra-se claramente em Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Secundariamente o texto de João capítulo um, mostra que o novo nascimento não depende da origem étnicas ou da nacionalidade, não depende dos planos humanos, tão pouco da genealogia. Depende exclusivamente da vontade de Deus, porque ele é eternamente soberano. A ele, pois a glória eternamente!
Soli Deo Gloria!

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