sábado, 20 de agosto de 2016

PARA VIVER ETERNAMENTE É NECESSÁRIO MORRER PRIMEIRO

Jo. 12: 24 a 25 - "Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará."
Morte é um substantivo feminino cuja significação é 'interrupção definitiva da vida de um organismo vivo.' Tal substantivo deriva do verbo morrer que, por sua vez, significa: 'perder a vida, finar-se, falecer, expirar,' enquanto verbo pronominal, intransitivo e predicativo. A morte é a única certeza que alguém passa a ter após atingir a consciência plena. Para a maioria a morte é uma certeza aterrorizante. Por esta razão muitos gastam tudo o que têm e até o que não têm em busca de adiar ou eliminar a morte. Há hoje diversos centros de pesquisas contratados para congelar pessoas portadoras de doenças, até agora, incuráveis. O medo da morte, em sua maior parte, se justifica pela incerteza quanto ao prosseguimento após cessar a existência terrena. Para alguns, a morte é o limite final da vida biológica e da existência do ser; para outros, a morte é um evento que define estágios na escala evolutiva do homem; para outros ainda, a morte é a certeza de uma vida eterna, redimida; finalmente, para uma grande parte de pessoas, a morte é a certeza apenas da condenação por seus atos falhos. 
As Escrituras ensinam que a destinação do homem após a morte é a seguinte: o corpo retorna ao pó de onde foi tomado e o espírito retorna a Deus que o assoprou nas narinas do primeiro Adão conforme Gn. 3:19 - "... porquanto és pó, e ao pó tornarás." Na cultura judaica veterotestamentária, a menção ao espírito é dupla, pois se refere à alma e ao espírito. Por esta razão boa parte dos teólogos modernos não aceita a tripartição do homem em corpo, alma e espírito. Isto é esclarecido em Gênesis, quando é afirmado o seguinte: "... e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente." A expressão hebraica traduzida, nas línguas ocidentais, para "fôlego da vida" é "nefesh lehayym", ou seja, o 'fôlego das vidas'. Muitos tradutores, por não terem revelação sobre o assunto, reduz tal expressão a uma série de explicações gramaticais mirabolantes. Todavia, o texto faz referência à alma e ao espírito. A alma não é uma entidade que incorpora no homem juntamente com o espírito, mas é uma dimensão sensorial que caracteriza cada pessoa. Desta forma, a expressão é uma referência à vida almática e à vida espiritual inoculadas no primeiro ancestral e passada à toda humanidade.
Desta forma, o corpo é a dimensão físico-biológica, a alma é a dimensão psíquica ou a consciência, e o espírito é a essência divina que retorna a Deus após a morte física. A alma é, portanto, aquilo que o homem é em sua consciência existencial, ou seja, emoções, volições, decisões. Desta forma, Adão recebeu o corpo formado dos elementos químicos do barro, a alma ou o corpo psíquico e o espírito eterno conforme I Co. 15:45 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente." Assim, Adão, o ancestral comum comunicou aos seus descendentes esta estrutura corporal, almática e espiritual. O espírito só se comunica com o Espírito de Deus; a alma é a parte sensitiva ou sensorial que percebe a realidade; e o corpo sente, agindo e reagindo ao comando da alma. A alma é a dimensão vivente para a realidade terrena, enquanto o espírito é a dimensão viva em relação a Deus. Porém, o pecado original fez que o espírito se tornasse morto para Deus. Tal ruptura só se resolve com a reconciliação e o novo nascimento.
O texto que abre esta instância é uma parábola cujo ensino é sobre a necessidade da morte da natureza pecaminosa do homem e do seu novo nascimento. A explicação de Jesus, o Cristo é muito simples e se utiliza de elementos da natureza e comuns ao dia-a-dia daqueles que o ouviam. Ao semear um grão de trigo ele tem duas possibilidades: germinar e se desfazer para dar lugar a uma nova planta, a qual produzirá diversas espigas com novos grãos de trigo; permanecer ressequido na terra e não produzir nada de novo. 
O ensino é igualmente muito simples: para que o homem natural, representado pelo grão de trigo, seja semeado e experimente o nascimento do alto, terá de morrer em Cristo e ressuscitar juntamente com ele conforme Ef. 2:4 a 6 - "Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..." Desta forma, o espírito do homem tornou-se morto para Deus, isto é, perdeu o elo com o Espírito Santo. Por isto, Jesus, o Cristo veio para morrer a nossa morte, incluindo-nos em sua morte de cruz conforme Rm. 6: 3 a 6 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." Então, o pecado que fez o homem morrer para Deus foi destruído na cruz, em Cristo e este ganhou a vida eterna na ressurreição com ele. Tudo isto se apropria pela fé que é dada aos eleitos por graça e misericórdia d'Ele mesmo.
O resumo desta doutrina, a saber, da inclusão do pecador na morte de Cristo consiste na seguinte sequência:
a) Apenas Deus conduz os pecadores eleitos até Cristo para ganharem a vida eterna conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer..."
b) Jesus, o Cristo inclui o pecador eleito em sua morte conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer."
c) Cristo Jesus, nos traz a vida eterna na sua ressurreição conforme Gl. 2: 20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
Portanto, para ter certeza que há vida eterna e perfeita após a morte é necessário ganhar fé para confiar plenamente na graça que redime o homem da culpa do pecado. Tal redenção é pela fé, pois ninguém estava lá fisicamente no dia da morte e da ressurreição de Cristo. Desta maneira os eleitos são ensinados pelo Espírito de Deus que podem crer que foram incluídos na morte e na ressurreição de Cristo. É esta a fé que mostra a graça que salva e vivifica o homem seja ele quem for. 
Sola Gratia!
Sola Fide!
Sola Scriptura!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A EXPERIÊNCIA DO NOVO NASCIMENTO III

Jo. 1: 11 a 14 - "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."
Viu-se nos estudos anteriores que o nascimento do alto ou novo nascimento é uma experiência sobrenatural, porém destinada ao homem natural, decaído e totalmente corrompido. O homem natural, a saber, antes de experimentar o novo nascimento, não é capaz de discernir as coisas espirituais conforme I Co. 2:14 a 16 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." Tal discernimento é dado aos eleitos e regenerados, não é mera presunção, fruto da arrogância religiosa, mas o fruto da ação monérgica de Deus. Também, não se pode confundir discernimento religioso com discernimento espiritual. Assim é, porque os pecadores eleitos têm consciência, primeiramente, que não são dignos e merecedores. Portanto, recebem este fato, não por recompensas de supostos feitos, mas por graça e misericórdia de Deus. Desta forma, se reconhecem portadores da natureza pecaminosa. Ora, como alguém poderia receber perdão, se não se reconhece pecador? Os religiosos não se veem desta maneira, porque tentam alcançar a graça pela lei do esforço e dos méritos. A questão é muito clara no texto que vem de ser lido: "... o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus..." Para os cegos pela natureza pecaminosa há um fio de luz ou de inclinação do pecador para aceitar a salvação. Todavia, as Escrituras não ensinam isto! É o fruto da própria soberba religiosa sem a regeneração pelo novo nascimento. Aquilo que só se discerne espiritualmente jamais poderá ser compreendido e recebido pelo homem natural. Os eleitos e regenerados ganham a vida de Cristo e, aos poucos, vão recebendo luz para discernir tudo e todos pelo espírito reconciliado. Em nada são melhores que quaisquer outros homens, mas receberam a espiritualidade pela Graça por meio de Cristo.
Assim, reitera-se que o novo nascimento é uma experiência de origem espiritual dirigida a homens naturais para que se tornem espirituais. Em hipótese alguma isto significa que se tornarão perfeitos nesta vida. O nascimento do alto é um ato instantâneo para o pecador e decidido antes dos tempos eternos por Deus conforme Ef. 1: 3 a 6 - "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado." O aperfeiçoamento, todavia, é um processo desenvolvido no deserto. O deserto é uma figura da solidão, aspereza, inospitalidade e perda dos atos pecaminosos, resultantes da velha natureza adâmica. Os eleitos e regenerados são os únicos homens que sofrem neste deserto e sentem prazer neste sofrimento. A cada época vão sendo libertados dos antigos hábitos e inclinações até atingirem a estatura de Cristo conforme Ef. 4: 12 e 13 - "... tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo."
O texto que abre esta instância demonstra com infinita propriedade a realidade do novo nascimento. Primeiramente, mostra que é Cristo quem aceita o pecador e, este, apenas recebe esta graça. Há profunda diferença entre aceitar e receber: 'aceitar é uma atitude ativa, enquanto receber é uma atitude passiva.' O que há de significativo em tal diferença é que o homem natural não tem capacidade para aceitar ativamente a Deus, sem que antes tenha recebido a graça para se ver como pecador imerecedor. Na impossibilidade de aceitar, porque seu espírito está morto para Deus, o próprio Deus o conduz à cruz para que Jesus, o Cristo o aceite conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Portanto, se ninguém pode ir por conta própria até a cruz para ser nela incluído na morte de Cristo, resta aos pecadores eleitos serem conduzidos pelo Espírito Santo até a sua inclusão na morte de Cristo. Assim, são substituído por Jesus, o Cristo e têm suas naturezas pecaminosas anuladas. É este o sentido do texto que diz que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A doutrina da anulação da culpa do pecado encontra-se claramente em Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Secundariamente o texto de João capítulo um, mostra que o novo nascimento não depende da origem étnicas ou da nacionalidade, não depende dos planos humanos, tão pouco da genealogia. Depende exclusivamente da vontade de Deus, porque ele é eternamente soberano. A ele, pois a glória eternamente!
Soli Deo Gloria!