domingo, 14 de fevereiro de 2016

BATISMO BÍBLICO x BATISMO RELIGIOSO II


Mc. 1: 2 a 8 - "Conforme está escrito no profeta Isaías: eis que envio ante a tua face o meu mensageiro, que há de preparar o teu caminho; voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; assim apareceu João, o batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. E saíam a ter com ele toda a terra da Judeia, e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. E pregava, dizendo: após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das alparcas. Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo."
O batismo em águas era uma prática comum entre os judeus, na vigência do Velho Testamento, em função da Lei Cerimonial. Era um ritual de purificação que, por figura, indicava o futuro batismo espiritual em Cristo na Nova Aliança. Portanto, João, o batista apareceu batizando no rio Jordão como um pregoeiro do advento de Jesus, o Cristo como aquele que purificaria o pecador definitivamente. Sabe-se que a imersão em águas simboliza a morte com Cristo, enquanto a emersão das águas simboliza a ressurreição em Cristo. Tudo o que era praticado na Velha Aliança eram apenas sinais indicativos daquilo que se concretizaria na pessoa de Jesus, o Cristo na Nova Aliança. A palavra ablução foi translitera do hebraico para o grego do Novo Testamento como sendo 'katharismós'. Após a morte e a ressurreição de Jesus, o Cristo, passou a ser 'baptimós' com uma significação mais específica. O verbo batizar 'baptizô' em sua forma original traz o sentido de uma esponja imersa em água. Possui as seguintes acepções: lavar, purificar, imergir, banhar, tingir e cobrir. Obviamente, é necessário levar em conta o contexto em que tal verbo aparece para lhe conferir a significação adequada. Entretanto, sempre traz o sentido da morte e da ressurreição em Cristo. 
Na Velha Aliança, o batismo era com água, óleo, sangue e com o Espírito Santo. Os levitas eram purificados, para o exercício de suas funções no Templo, por meio de abluções com água. O óleo era utilizado apenas na consagração dos profetas e na unção de escolha de um novo rei de Israel. O sangue era usado na purificação de pecados, indicando a aliança entre o pecador regenerado e Deus por meio do sacrifício de animais. O batismo no Espírito Santo foi anunciado como promessa daquilo que seria realizado por Cristo quando este se manifestasse na Terra. Isto é comprovado em Ez. 36: 25 a 27 - "Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis." Este mesmo ensino veterotestamentário é achado em Isaías capítulo quarenta e quatro.
Na Nova Aliança, o batismo é possível com água, sangue, no Espírito Santo e com Fogo. Com água possui apenas valor simbólico, tendo sido ordenado por Cristo que, submeteu-se a ele conforme Mt. 3: 13 a 15 - "Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João o impedia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, lhe respondeu: consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu." Com sangue é indicado pelo próprio Jesus, o Cristo em Mc. 10: 38 e 39 - "Mas Jesus lhes disse: não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo, e ser batizados no batismo em que eu sou batizado? E lhe responderam: podemos. Mas Jesus lhes disse: o cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo, e no batismo em que eu sou batizado, haveis de ser batizados." Foi uma clara referência à sua morte e à inclusão do pecador nela. No Espírito Santo se cumpriu no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi enviado aos discípulos. Desta forma, aquilo que era simbolizado pelo óleo no Velho Testamento, era agora concretizado no envio do Espírito de Deus aos nascidos do alto. Finalmente, com o fogo é uma advertência sobre o juízo de Deus sobre todos aqueles que não estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro. Portanto, o ensino do batismo com fogo é para aqueles cujas obras são de palha e se queimarão em fogo eterno. Este batismo torna concreto o batismo com cinzas do Antigo Testamento. O fogo, em termos bíblicos, sempre está associado à destruição e juízo eterno. Muitos religiosos fazem apologia ao fogo como sendo manifestação do poder de Deus como bênção, mas estão totalmente equivocados.
No Novo Testamento, o batismo recebe diversos paralelismos em sua significação e aplicação. Com a circuncisão em Cl. 2: 11 e 12 - "... no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos." Também há um paralelo com a Arca de Noé conforme I Pd. 3: 20 e 21 - "... os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água, que também agora, por uma verdadeira figura-o batismo, vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo..." Ainda outro paralelo se faz com a nuvem e o mar da travessia dos hebreus do Egito à Canaã conforme I Co. 10: 1 e 2 - "Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés..." Vê-se, neste caso, que Moisés era um tipo de Cristo e o batismo uma figura de bens futuros.
Há grande celeuma entre os diferentes cultos que se auto-intitulam cristãos sobre a forma e a eficácia do batismo. Todavia, poucos se aprofundam no texto bíblico para, nele, encontrar revelação espiritual. O resultado dessa superficialidade é a multiplicação de dogmas, preceitos, regra sobre regra que de nada adiantam ao pecador.
Sola Gratia!

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