terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O NATAL É APENAS UMA EFEMÉRIDE RELIGIOSA SINCRÉTICA

Mt. 2: 1 a 6 - "Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam: onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo. O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele toda a Jerusalém; e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. Responderam-lhe eles: em Belém da Judeia; pois assim está escrito pelo profeta: e tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel." Há grande controvérsia entre analistas dos escritos sobre o nascimento de Jesus, o Cristo. Alguns afirmam que o seu nascimento foi entre os anos 6 e 4 a.C. Embora pareça anacrônico colocar a data do nascimento antes do nascituro, o fato é que, neste caso, considera-se o ano 1 da Era Cristã apenas como referência. Desta forma, o real ano de nascimento de Jesus teria, na verdade, ocorrido antes do ano considerado como o primeiro da Era Cristã no calendário gregoriano.
É sabido que, em nenhum dos únicos relatos nos evangelhos de Mateus e de Lucas foi registrado o dia e o mês em que Jesus, o Cristo nasceu. Há estimativas aproximadas em função de alguns elementos descritivos dos eventos relativos ao seu nascimento. Por exemplo, o fato de os pastores estarem vigiando os seus rebanhos indica que era inverno no hemisfério norte. Nesta estação do ano os pastores guardavam seus rebanhos em estrebarias por causa do frio. Considerando que Maria deu à luz a Jesus, em uma estrabaria nos arredores de Belém, e que os pastores foram ver o menino, julga-se que tenha sido no inverno. Isto situa o nascimento do Mestre entre dezembro e março, quando é inverno no hemisfério norte.
Herodes, o Grande viveu de 73 a. C. até 4 a. C., tendo morrido em Jericó neste último ano. Isto situa o nascimento de Jesus, o Cristo, no máximo, até o ano 4 a. C. Herodes era um edomita judeu que governou a Judeia de 37 a. C. até 4 a. C. Informado pelos magos sobre o nascimento de um menino que seria o rei dos judeus, Herodes se enfureceu e ordenou a execução de todas os meninos de dois anos para baixo. Este fato foi, inclusive, profetizado conforme Mt. 2: 18 - "Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem."
O Natal é a comemoração do nascimento de Jesus, o Cristo, entretanto, ninguém sabe a data do seu nascimento. Portanto, inventaram datas com base em certos eventos incorporados do sincretismo pagão. Pelo calendário gregoriano foi em 25 de dezembro e, pelo calendário juliano, em 7 de janeiro. O dia 25 dezembro é o início do solstício de inverno no hemisfério norte, segundo a cultura romana. Tal evento era denominado "natalis invicti solis", ou seja, "nascimento do sol vitorioso." Significava a adoração a um deus-sol poderoso e jamais vencido na cultura pagã persa dedicada ao deus Mitra. Sabe-se também que a comemoração do Natal é pré-cristã entre diversos povos ditos pagãos. Eram elementos das comemorações do natal entre povos pagãos: os madeiros ou árvores enfeitadas e a troca de presentes no "Festival da Saturnália." Na idade Media, o Natal passou a ter apenas caráter carnavalesco. Tornou-se uma festa familiar no século XIX. Foi proibido, diversas vezes, pelos cristãos reformados por ser considerado não cristão. 
Com a expansão do Cristianismo, a Igreja Católica deu uma ressignificação ao Natal pagão, tornando-o cristão no século III d. C. Segundo o que se sabe tal atitude visava estimular a conversão de pagãos. Deste modo, 25 de dezembro passou a ser a data da comemoração do nascimento de Jesus, o Cristo. Portanto, o Natal como praticado hoje é o resultado de uma intervenção da Igreja Católica sem qualquer fundamento bíblico ou registro cronológico comprovado. Apropriou-se de uma efeméride tipicamente pagã, para criar mais um acontecimento puramente humano e religioso sem paralelo nas Escrituras.
O Natal cresceu muito de importância aos comerciantes a partir da ascensão da burguesia mercantil. É uma data de grande movimentação financeira devido as compras e trocas de presentes. Portanto, possui também caráter eminentemente mercantilista. "Papai Noel" é uma figura retirada do folclore popular e não possui significação espiritual. Foi, inicialmente, inspirado na figura de um bispo da Ásia Menor chamado São Nicolau sobre o qual há muitas divergências sobre seu comportamento. Depois, na Alemanha, a figura do "bom velhinho" foi alterada para um velho gordo, barbudo, com roupas vermelhas e um saco de presentes nas costas. Tal como apresentado hoje trata-se, inclusive, de uma figura fundamentada na mentira e no engano, pois é dito às crianças que "Papai Noel" é um 'bom velhinho' que dá presentes a todos. Todavia, nem todas as crianças recebem os tais presentes. Por isso, criaram uma segundo mentira, a qual diz que só quem foi obediente e bom menino ao longo do ano receberá presentes. 
A árvore de natal é outro elemento de origem pagã e não cristã. Tal como utilizada hoje, tem a sua origem na cultura germânica. São Bonifácio substituiu o "Carvalho Sagrado de Odin" pela árvore de natal. Odin era um deus germano relacionado a guerra. Segundo a lenda germânica, Odin sacrificou o seu cavalo Sleipnir na "Árvore do Mundo". Como os líderes religiosos não conseguiam acabar com estas crenças, transformou o "Carvalho Sagrado de Odin" ou "Árvore do Mundo", na árvore de Natal, na qual eram colocados presentes para as crianças pegar. 
Hoje se vê um Natal puramente comercial e desumano, pois, enquanto uns comem exageradamente, muitos não tem o que comer. Enquanto, alguns compram diversos itens desnecessários, outros padecem de roupas e sapatos. Enquanto prefeituras gastam milhões em decorações natalinas, os hospitais estão absolutamente abandonados. Enquanto as igrejas se enfeitam com luzes piscando e símbolos que nada significam, pessoas passam frio, fome e sede. Enquanto compõem canções melosas e falsas, milhões não conhecem a verdadeira história do nascimento de Jesus, o Cristo por negligência das igrejas e seus pregadores que desprezam as Escrituras.
O sincretismo religioso é uma das mais fortes armas utilizadas pelo Diabo para dissuadir os homens da verdade. Ele permite miscigenar ideias, valores e princípios eternos em meras concepções humanistas aceitáveis. O homem em seu estado decaído não suporta nada que seja principiológico, eterno e soberano. Sempre diluem a verdade com a mentira, transformando-a em meias verdades.
Sola Scriptura!

domingo, 20 de dezembro de 2015

A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO E A CERTEZA NO INVISÍVEL V

Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem."
A fé como doutrinada no texto acima significa a plena confiança, a garantia ou a "escritura" nas promessas de Deus. Desta forma, a fé é a certeza, no espírito, que a Palavra de Deus é fiel, independentemente, do homem e seus pressupostos. A expressão traduzida por "firme fundamento" no grego koinê é [υποστασις] 'hipostasis', ou seja, substância. Tal expressão aparece também traduzida como 'certeza', indicando que a fé bíblica é  que produz absoluta certeza, confiança e garantia no espírito dos eleitos e regenerados. Não é uma mera esperança ou expectativa, mas algo como uma "escritura" lavrada por Deus para testemunho da sua graça e misericórdia para com os eleitos. Assim como a escritura de um imóvel é a garantia de propriedade do dono, também a fé é a garantia da fidelidade de Deus para com a sua própria promessa redentora. Não é por causa do homem, mas por causa d'Ele mesmo.
O texto de abertura na língua original do Novo Testamento é grafado da seguinte forma: "εστιν δε πιστις ελπιζομενων υποστασις πραγματων ελεγχος ου βλεπομενων." 'Estin' é o verbo ser no presente do indicativo da 3ª pessoa do singular. 'De' é uma partícula primária com função de conjunção, significando "além do mais." 'Pistis' é o substantivo feminino fé. 'Elpizomenõn' é o verbo esperar na 1ª pessoa do plural, no genitivo passivo. 'Hipostasis' é um substantivo normativo feminino, significando: certeza, substância, garantia, fundamento, essência, persuasão. 'Pragmatõn' é substantivo neutro genitivo plural, indicando a ideia de 'das coisas' no sentido pragmático. 'Elegssos' significa prova, certeza, convicção e evidência. Possui a ideia de uma sentença com provas irrefutáveis ao espírito do homem e não em evidências exteriores. 'Ou' é um advérbio de negação, significando 'não'. E, finalmente, 'blepomenôn' que é verbo particípio passivo, neutro plural genitivo. Significa 'vemos' e se refere a visão física e não metafórica. Portanto, uma tradução livre deste verso seria: "Fé é o alicerce firme sobre o qual repousam todas as promessas de Deus apenas por sua palavra." A ênfase do versículo é que a fé está conectada a dois substantivos: 'substancia' e 'convicção'. Assim, FÉ = CERTEZA + CONVICÇÃO, porém tudo é invisível e intangível, porque se trata de um dom e não de uma virtude humana.
A fé não é uma luta mental travada por alguém para forçar algum acontecimento desejado. O alimento ou combustível que Deus utiliza para gerar a fé nos seus eleitos e regenerados são os obstáculos. Isto se dá, porque a natureza humana tende a insistir em padrões estabelecidos pela alma contaminada por atos pecaminosos. Neste sentido, a alma tem a tendência de buscar gratificação, satisfação e prazer em si mesma. Leva o homem a uma espécie de êxtase prazeroso como evidência de alguma manifestação sobrenatural. A maioria dos religiosos experimenta apenas poderes latentes da alma, na suposição que são experiências espirituais. Desta forma, são enganados e enganam-se mutuamente sendo presa fácil aos interesses do Diabo.
George Mueller escreveu: "muitas pessoas estão prontas a crer nas coisas que lhes parecem prováveis." Neste caso a fé destas pessoas está repousada em probabilidades e não em certezas. Ora, há fatos e acontecimentos altamente prováveis, mas nada têm a ver com fé, visto que esta repousa exatamente no improvável pelo homem. A fé bíblica começa, exatamente, onde o reino das probabilidades humanas termina. Quando os sentidos naturais do homem fracassam, aí começa o domínio da fé. Por esta razão o apóstolo Paulo afirma em II Co. 5: 6 e 7 - "Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos presentes no corpo, estamos ausentes do Senhor porque andamos por fé, e não por vista." Isto mostra que não são as sensações ou experiências emocionais e sensoreáveis que nos põem no domínio da fé. Não é pelo que se vê, mas pela certeza absoluta no que Deus diz em sua palavra.
Gl. 2:20b - "... e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus..." Não é o "eu" que vive, mas Cristo vive nos nascidos de Deus. A vida natural é vivida na fé do filho de Deus e não mais nas possibilidades, probabilidades, impressões e sensações almáticas. Desta forma, fica claro o porquê de a grande maioria dos homens não alcançarem a verdade espiritual. Por isto criam alternativas na religião e na crendice para ocupar o imenso vazio de Deus em seus corações. Outros, preferem negar e abnegar de qualquer coisa relacionada a fé. De fato, o apóstolo Paulo tem toda razão quando afirma que "... a fé não é de todos." Entretanto, aqueles que são possuídos pela fé verdadeira não são perfeitos e melhores que os demais. Apenas receberam a graça para crer e depender de Deus. 
Cl. 2:6 e 7 - "Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também nele andai, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças." Veja que os eleitos e regenerados não aceitaram a Cristo, mas apenas o receberam. O ensino é que os eleitos andem em Cristo e não ao lado d'Ele. É a ideia de andar na plena dependência da vida de Cristo que neles habita. A partir desta condição espiritual é que a fé é confirmada nos corações dos nascidos do alto. A fé é a consequência natural do nascido de Deus que, por esta razão, está sempre abundando em ações de graças.
Sola Fide!
Sola Gratia!
Solo Christus!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO E A CERTEZA NO INVISÍVEL IV

Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem."
Já foi dito que a fé é um dom e não uma virtude humana. Também foi dito que a fé não é sensoreável. Agora pode-se acrescentar que a fé situa-se no âmbito das impossibilidades humanas. Entretanto, a fé é perfeita e absolutamente possível a Deus. O homem, em sua condição decaída diante de Deus, não pode gerar a fé por conta própria. Por esta razão os discípulos responderam ao Mestre Jesus, o Cristo o seguinte conforme Lc. 17: 3 a 6 - "Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: arrependo-me; tu lhe perdoarás. Disseram então os apóstolos ao Senhor: aumenta-nos a fé. Respondeu o Senhor: se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: desarraiga-te, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria." De fato, perdoar alguém uma vez é algo difícil, imagine sete vezes ao dia; e mover uma montanha de um lugar para o outro pela fé é algo inalcançável pelo homem natural. Apenas pela graça e misericórdia de Deus alguém pode chegar ao nível de fé verdadeira. Pelo visto, tal fé está desaparecida do mundo, porque não se vê muitos perdoando outros tantos, e, tão pouco, amoreiras se transportando de um lado para o outro. Possivelmente, por esta razão, Cristo faz a seguinte indagação em Lc. 18:8b "Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na Terra?"
A dimensão da verdadeira fé está devidamente doutrinada em Rm. 4:17 - "... como está escrito: por pai de muitas nações te constituí perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem." Esta foi a fé concedida a Abraão para que ele fosse justificado pela fé e não por obras de justiça própria. Ele creu que Deus pode vivificar os mortos e chamar à existências as coisas que não existem. Portanto, esta fé que apenas faz declarações por sentenças elaboradas para tentar chantagear Deus, nada tem a ver com a fé estritamente bíblica. Trata-se, outrossim, de uma expectativa emocional ou sensorial e almática. A fé bíblica se resume em crer como Deus crê, a saber, ele diz o que quer e os efeitos se fazem presentes. A fé, portanto, não se expressa por atos e atitudes exteriores.
Jesus deu um exemplo muito singelo do padrão de fé que procede de Deus em Mc. 4:35 - "Naquele dia, quando já era tarde, disse-lhes: passemos para o outro lado." Neste evento, ocorreu que, quando estavam atravessando o Mar de Tiberíades, assoprou um forte vento e veio sobre eles uma grande tempestade. Jesus, o Cristo dormia profundamente, quando os discípulos o acordaram aos gritos: "Mestre, não se te dá que morramos, como podes assim dormir?" Ao que o Mestre disse: "... por que sois assim tímidos? Ainda não tendes fé?" A timidez do homem consiste em formar juízo de derrota antes de se dirigir a Deus para peticionar. Pede, porém duvida que Deus o responderá, porque pede com base nas suas possibilidades e não nas suas impossibilidades. Quando pedimos a Deus com plena consciência de que somos indignos e incompetentes, confessamos que a ele cabe todo o poder, a graça e a misericórdia. A fé vinda do alto dá ao menor e mais indouto dos homens a intrepidez da certeza absoluta na ação de Deus. Ora, quando entraram no barco, Jesus, o Cristo disse: "passemos para a outra banda". Os discípulos olharam apenas para a impetuosidade do vento e para a fúria da tempestade. Não confessaram a afirmação de Jesus como verdade dita e afirmada por Deus. Os discípulos teriam de confiar na palavra de Cristo, e não nas possibilidades do barco, dos seus braços para remar, da firmeza das mãos do timoneiro. Eles não creram na palavra de Jesus, o Cristo. Todavia, não creram porque não podiam e não porque não queriam. Ter ou não ter fé, não é uma questão de escolha, mas de ter recebido a graça para crer conforme as Escrituras. 
Hb. 11: 3 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê." Este texto demonstra o mesmo padrão de fé bíblica dos textos já mencionados. É pela fé na palavra de Deus que os nascidos de Deus creem que os mundos foram criados. Todavia, a maioria absoluta prefere crer que foi por evolução ao acaso. Outros tentam ingloriamente conciliar teorias científicas com a fé bíblica, produzindo um misto de mitologia e ciência. Acabam por transformar a fé em misticismo e a ciência em uma nova religião. O que é visível foi feito apenas pelo poder da palavra que saiu da boca de Deus. Entretanto, sem experimentar o nascimento do alto, tal fé é impossível ao homem. 
Sola Fide!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO E A CERTEZA NO INVISÍVEL III

Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem."
A fé não é demonstrável, porque não se situa na esfera do sensoreável. Isto implica que a fé se insere em outro domínio, a saber, o do sobrenatural. Assim é, porque ela exige que o homem confie sem duvidar daquilo que não vê e não toca. A fé é um fundamento firme, porém não pode ser tocado, é algo que é provado apenas ao que a recebe, porém invisível aos outros. Por estas razões é que o apóstolo Paulo ensina em II Ts. 3:2b - "... porque a fé não é de todos." Mesmo que algumas pessoas façam parte do roll de membros de uma igreja, seita ou comunidade, cumpra tudo o que lhes é exigido em termos de rituais, contribuições e obras de justiça própria, ainda assim, tais pessoas podem não ser objeto da fé autêntica. 
A alma é a sede das emoções, volições e desejos, portanto, o homem que não nasceu do alto, confunde as ações almáticas com a fé bíblica. Um impulso forte sobre algo ou alguém é apenas emocional. Uma impressão ou presságio sobre algo ou alguém pode ser apenas desejo bom ou ruim. Uma vontade incontrolável de fazer algo a favor ou contra alguém pode ser apenas volição da alma sequiosa por ser gratificada e reconhecida. Por esta razão, Jesus, o Cristo ensina que a diferença entre o joio e o trigo só é perceptível quando ambos estão maduros. A diferença se dá pelos frutos de ambos e não pela beleza e aparência exterior. O ensino é que para Deus o que conta é o invisível e verdadeiro e não as declarações da religião exterior.
Miles J. Stanford em seu opúsculo "Normas para o Crescimento Espiritual" afirma que a fé verdadeira repousa sobre fatos. É verídico, entretanto, os fatos exigidos são fatos bíblicos e não fatos circunstanciais e almáticos.  O primeiro fato bíblico é que a fé vem pelo ouvir conforme Rm. 10:17 - "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo." Desta forma, fica evidente que este ouvir não é qualquer audição, pois milhões de pessoas ouvem pregações e mensagens por anos a fio, e nem por isso, creem à verdade. Tal ouvir é operado e operacionalizado pelo Espírito Santo. Sl. 40:6 - "Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos; holocausto e oferta de expiação pelo pecado não reclamaste." Muitos religiosos são crentes incrédulos, exatamente, porque sua religião consiste em uma categoria de fé puramente almática depositada em circunstâncias. Oferecem sacrifícios de tolos aos domingos em uma igreja com base em declarações de fé, em tradição histórica, em tradição denominacional. Supõem que, o fato de ir a todos os cultos, "pagar" os dízimos e ofertas, exercer algum cargo na igreja representa sacrifício agradável a Deus. O segundo fato bíblico que agrada a Deus é a fé conforme Hb. 11:6a - "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus." Portanto, se a fé não estiver fundamentada sobre fatos estritamente bíblicos, será apenas ilações, conjecturas, misticismo, especulação e presunção soberba da alma decaída. A mera afirmação que a sua fé está repousada em Jesus, o Cristo pode não significar nada diante de Deus, porque está repousada apenas na sua declaração e não em uma confissão bíblica.
A fé está na esfera daquelas realidades impossíveis ao homem, mas perfeitamente possível a Deus. Por esta razão é que ela não é uma virtude natural do homem, mas um dom sobrenatural. Aliás, foi justamente por não ter tido fé na Palavra de Deus que o primeiro Adão perdeu o resplendor da glória d'Ele. Deus disse: "... porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Satanás veio e fez uma outra proposta: "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis." Em qual das mensagens o homem creu? Na segunda, obviamente! Isto confirma o ensino de Cristo que o pecado é a incredulidade, a saber, a negação da fé conforme Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Desta forma os ancestrais comuns caíram, porque colocaram a fé sobre fatos visíveis, sensoreáveis e tangíveis. Foram induzidos a desejar e buscar a semelhança de Deus por meio de fatos humanos e não por meio de fatos fundamentados na Palavra de Deus conforme "... Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Estes são os fatos sobre os quais Adão e Eva colocaram sua fé. Desejo de ser e ter o o mesmo poder de conhecimento e a capacidade de julgamento de Deus.
Sola Fide!

domingo, 13 de dezembro de 2015

A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO E A CERTEZA NO INVISÍVEL II

Hb. 11: 1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem."
A palavra fé na nossa língua vernacular é formada por duas letras apenas. Entretanto, expressa o poder de Deus que faz homens andar sobre as águas, cegos de nascença ver, aleijados andar, mortos ressuscitar e pecadores serem regenerados. É fundamental a quem aspira ganhar a fé desconstruir tudo o que foi inoculado na mente por crenças e religiões. Deve-se pedir a fé de Deus e não a fé em Deus. Tal fé é despertada por meio das Escrituras e não por bom comportamento ou méritos. Portanto, a fé não é um exercício mental em que alguém emprega enorme energia para obter algum resultado. A fé não exige um exercício psicológico para forçar a imagem daquilo que se almeja que aconteça, isto é meditação e não fé. A fé não se expressa por meio de rituais e práticas místicas a fim de forçar uma resposta favorável aos dramas e queixas do homem, isto é crendice. 
Muitos esperam que, por oferecer sacrifícios como tributo de fé, Deus lhes recompense. Outros esperam comover o coração de Deus a lhes ser favorável, porque exercitam a caridade para com os necessitados. Nenhuma destas atitudes estão dentro da esfera da fé verdadeira. Tais atitudes devem ser encaradas como o dever moral de qualquer pessoa. Por vezes são apenas expressões de crenças e tentativas de barganhar com Deus algum benefício. A fé humana assemelha-se ao placebo que o médico receita ao paciente, porque sabe que ele não tem qualquer mal físico. Após tomar o placebo, o paciente se sente melhor, porque precisava de algo para justificar sua necessidade psicológica. A maior parte dos males do homem são, primeiramente, de caráter psicológico ou almático. É a alma que está impregnada de pecado e os resultados acabam por refletir no corpo.
I Jo. 5: 4 e 5 - "Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" A fé como dom de Deus é concedida apenas aos nascidos d'Ele. A vitória sobre o mundo e seu sistema iníquo só é possível pela fé, implicando em manter-se íntegro no mundo sem ser arrastado por ele. Tal fé é definida no texto acima como o dom de crer que Jesus, o Cristo é o Filho de Deus. Nem mais, nem menos! Muitos supõem crer apenas porque pertencem a um sistema de crença. Outros assumem que creem apenas porque praticam ritos, cumprem preceitos e realizam obras de justiça própria. Todavia, crer que Jesus, o Cristo é o Filho de Deus é algo operado e operacionalizado pelo Espírito Santo. Tal operação se dá por meio da pregação do evangelho conforme Rm. 10: 16 e 17 - "Mas nem todos deram ouvidos ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem deu crédito à nossa mensagem? Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo." Escutar o evangelho apenas como uma peça de retórica não é o mesmo que ouvir o evangelho com os ouvidos da alma. A fé, portanto, é pelo ouvir e o ouvir da palavra de Cristo. Há religiosos que ouvem pregações quarenta anos, cinquenta anos, sessenta anos e, ainda assim, seus ouvidos permanecem fechados para o evangelho de Cristo.
A recomendação do Espírito Santo por instrumentação do apóstolo Paulo em II Co. 13:5a é: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé..." Isto demonstra que, muitos podem estar em um sistema religioso e não ter ganhado a fé. Estar na fé é o mesmo que estar em a fé, a saber, estar nela, e não a ter como um alvo distante a ser perseguido até que se consiga obter algum resultado. O homem natural possui apenas esperança, expectativa e desejos almáticos, os quais confundem com fé. Trata-se de meras declarações e não de confissões pela fé. Desta forma, sem confessar a fé que vem de Deus como dom, é impossível agradar a Deus conforme Hb. 11:6a - "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus."
Jd. v. 3 - "... senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos." Primeiramente a fé é um dom e não uma virtude humana. Secundariamente, a fé foi entregue aos santificados de uma vez para sempre. Não se trata de ter lapsos de fé apenas nos momentos de grande angústia e dificuldade. Trata-se de algo permanente que permite aos santificados em Cristo perseverar até o fim. Qualquer virtude humana vem como acréscimo à fé e não para gerar a fé conforme I Pd. 1: 5 a 7 - "E por isso mesmo vós, empregando toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência o domínio próprio, e ao domínio próprio a perseverança, e à perseverança a piedade, e à piedade a fraternidade, e à fraternidade o amor." O ensino claro é que à fé deve-se acrescentar as virtudes e praticar a perseverança, a piedade, a fraternidade e o amor. Comumente, os religiosos invertem esta ordem, porque tentam produzir sua própria salvação por obras de justiça própria e de méritos humanos. Este não é o ensino das Escrituras.
Sola Fide!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO E A CERTEZA NO INVISÍVEL I

Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem."
Fé em língua portuguesa é uma palavra minúscula, mas a sua aplicação real é gigantesca quando alguém é por ela possuído. Muitos receberam apenas informações sobre a fé, portanto, acreditam que são possuidores dela. Isto implica em uma espécie de "ter fé na fé" e não no ser o objeto da fé. Todavia, a fé é um dom e não uma virtude humana como presume, erroneamente, grande parte da cristandade nominal. Reputam-na como uma virtude teologal e não como ensinam as escrituras.
O texto bíblico foi escrito, predominantemente, em hebraico, no caso do Velho Testamento, e em grego koinê, no caso do Novo Testamento. Em hebraico a palavra fé provém do termo 'אֵמוּן' que se pronuncia 'emun'. O sentido dado pelos profetas e sacerdotes a esta palavra é 'fiel', como por exemplo, em II Sm. 20:19 - "Eu sou uma das pacíficas e das fiéis em Israel..." Ou 'fidelidade', como em Dt. 32:20 - "... e disse: esconderei deles o meu rosto, verei qual será o seu fim, porque geração perversa são eles, filhos em quem não há fidelidade.
Enquanto substantivo feminino, a palavra fé em hebraico veterotestamentário é 'אמונה' transliterada como 'emunah' e aparece apenas cinco vezes. Nesta função gramatical possui o mesmo sentido que no grego neotestamentário, a saber, é a firme convicção, a plena confiança e obediência à Palavra de Deus. Especificamente em hebraico a fé significa confirmar no que está dito nas Escrituras. É o mesmo que crer incondicionalmente na Palavra de Deus e se manter firme e dependente dela.
Em grego, a palavra fé é grafada como 'πιστις' cuja transliteração é 'pistis'. Tal vocábulo pode ter diversos sentidos, dependendo do contexto em que aparece e das flexões que sofre em função das declinações e dos termos que o antecede. Pode significar o dom de Deus aos seus eleitos e regenerados conforme a essência do ensino bíblico. Também pode significar um sistema de crença religiosa, ou uma religião. No grego koinê, no qual o Novo Testamento foi escrito, também aparece a variante 'pisten', no sentido de fidelidade e não da fé como o dom de Deus. Neste caso, trata-se de uma atitude humana e não do dom da fé em si. Uma pessoa pode ter fidelidade a algum dogma religioso sem ser fiel a Deus, necessariamente. Um ateu pode ser absolutamente fiel ao seu ateísmo, e isto não o afasta ou o aproxima de Deus. Um religioso pode ser totalmente fiel à sua religião e estar muito distante da verdade. Esta é a fé como fidelidade a um sistema de crença e não como o dom de Deus.
No contexto social fé pode ter diversos sentidos, tais como: 'fé pública' que se refere a um documento autenticado e selado por autoridade competente como sendo autêntico e válido perante a lei. 'Má-fé' designa uma pessoa, grupo ou instituição que age de modo a suplantar os direitos de outrem. 'Boa-fé', por sua vez, indica uma pessoa, grupo ou instituição que age dentro dos princípios morais de boa conduta e fidelidade. 'Boto fé', como expressão popular, no sentido de alguém apoiar as atitudes e atos de outras pessoas.
O texto que abre este estudo é bastante enigmático pelo teor da sua significação, visto que coloca o homem diante de algo que ainda não chegou e repousado sobre algo que não se pode ver. Portanto, a fé autêntica é crer naquilo ou em alguém que não é visível e palpável. É crer para ver e não ver para crer conforme o costume dominante nas mentes humanas decaídas. Ora, crer no que se pode provar e ver é ciência experimental e não fé verdadeira. 
A fé é algo particular e intransferível conforme Rm. 14:22 - "A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova." O que o apóstolo Paulo está ensinando pela inspiração do Espírito Santo é que a fé é dada a cada um e apenas o possuído por ela tem consciência da fé que o possui. Também o ensino é que, pela fé pessoal, o homem é responsável pelos atos que assume por meio dela, a saber tudo o que é assumido por dúvida e não por fé é pecado condenável. As Escrituras não ensinam fé irresponsável e inconsequente como se vê nos dias de hoje. Pregadores induzindo pessoas carentes e necessitadas a assumir atitudes absolutamente inconsequentes, trazendo graves consequências morais, legais e emocionais às suas vidas. 
Muitos têm cometido graves pecados contra si e contra outros em nome de uma fé puramente dogmática e humana. Aprovam, em nome de uma fé presumida, coisas que são naturalmente contra a verdade e contra os homens. Esta não é a verdadeira e genuína fé dada aos santos e justificados.
Sola Fide!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A GRAÇA DE AMAR INIMIGOS

II Co. 5: 18 a 21 - "Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus. Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus."
Há uma tendência natural e recorrente entre religiosos de diferentes matizes ao considerar, após ouvir uma mensagem contundente, que a tal se aplica, tão somente, às outras pessoas. Ao ler um texto bíblico que expõe as mazelas, pecados e fraquezas imaginam que tal texto serve a algumas pessoas, especialmente aos desafetos. Muitos, no afã de usar a Palavra de Deus como agulha de crochê para espetar os outros, se valem dos textos escriturísticos como instrumento de vingança. Quase nunca tais pessoas recebem os textos e mensagens duras para si ou para a sua crença, porque suas mentes carnais apoiam-se em evidências históricas, dogmas, preceitos e ritos, os quais declaram ser inatacáveis. Este estado de torpor leva milhões de religiosos ao esgotamento almático e às doenças mentais. Alguns saem à procura de novidades e experiências diferentes. Outros permanecem ali por uma questão de tradicionalismo, pouco se importando com os profundos apelos das Escrituras. Suas mentes estão cauterizadas conforme I Tm. 4: 1 e 2 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada..."
Neste sentido, quando um pregador, escritor ou expositor das Escrituras afirma que todos os homens são, por natureza, inimigos de Deus, isto gera um grande mal-estar e, por vezes, duras reações. Estes fatos apenas comprovam que, realmente são inimigos de Deus. O veneno da serpente que foi inoculado no primeiro Adão foi repassado aos seus descendentes conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O pecado a que alude o texto é a natureza pecaminosa que, por sua vez, gera os atos pecaminosos. A morte referida no texto não é apenas a morte física, mas a morte espiritual, a saber, a separação entre o espírito do homem e o Espírito de Deus, implicando em perda da comunhão. 
Fl. 3:18 e 19 - "... porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo; cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre; e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas." A inimizade à cruz é a expressão exterior da inimizade interior a Deus. A cruz é o lugar onde Deus, acordou na eternidade pretérita, a redenção dos pecadores eleitos. A cruz é o lugar no tempo e no espaço onde o projeto de Deus se concretizou em Cristo, reconciliando os seus inimigos, os quais escolheu de antemão e os predestinou para serem conformes à imagem e à semelhança de si mesmo. A cruz não é um símbolo religioso, mas um princípio interior a ser seguido. A cruz não é um emblema de religião exterior, mas um caminho a ser percorrido conforme Gl. 2:20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Não é o "eu" quem vive, mas Cristo vive no interior dos eleitos que foram incluídos em sua morte e em sua posterior ressurreição. O "eu" humano, também chamado de "homem interior" pelo apóstolo Paulo, é o inimigo de Deus. Este ciclo só se rompe quando a maldição eterna do pecado é quebrada e a alma redimida pelo sacrifício d'Aquele que amou os inimigos e, por eles, deu a sua vida.
Cl. 1:21 e 22- "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..." Muitos religiosos imaginam que, ao executar as exigências de suas religiões estão salvos. Outros imaginam que, além de executar todos os ritos, normas e preceitos, ainda terão de executar muitas obras para ganhar algo mais perante Deus. Todavia, enquanto seus espíritos mortos para Deus, suas almas impregnadas da natureza pecaminosa, e seus corpos que se degeneram para o pó, não forem redimidos e reconciliados, de nada valem seus sacrifícios de tolos. Isto está claro em Sl. 40:6 - "Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos; holocausto e oferta de expiação pelo pecado não reclamaste." Deus não precisa, não reclama e não deseja sacrifícios dos homens cujas almas estão contaminadas pela natureza pecaminosa e os espíritos mortos para ele. É como alguém que caiu na latrina e, ao sair de lá todo imundo, toma um pão e oferece aos amigos. Abrir os ouvidos significa a graça do amor de Deus mediante a fé e, tanto a graça, quanto a fé são dons de Deus e não virtudes humanas. É Deus quem abre os ouvidos dos pecadores eleitos. A ação é monérgica e jamais sinérgica!
Watchman Nee afirma em seu livro "Cristo, a Essência de Tudo o que é Espiritual" que, após o nascimento do alto, Deus destrói todos os atos, atitudes e obras ruins no regenerado, mas da mesma forma destrói todos os atos, atitudes e boas obras dos eleitos e regenerados. Muitos se escandalizam ao ler estas palavras, entretanto, é tudo muito simples. Todos os atos dos homens antes da experiência da regeneração estão contaminados pela natureza do pecado. Ainda que moralmente corretos e religiosamente praticantes estão irreconciliados espiritualmente. Suas experiências são apenas almáticas e não espirituais. Por isso se vê tantos desentendimentos, dores, sofrimentos, agressões, disputas, maledicência dentro de igrejas.
Sola Gratia!
Sola Fides!
Sola Scriptura!

domingo, 6 de dezembro de 2015

A GRANDEZA DA GRAÇA DO SACRIFÍCIO PELOS INIMIGOS

Rm. 8: 7 e 8 - "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus."
Deus, em Cristo, é o único caso em que alguém se sacrificou por seus inimigos. Um inimigo é, por natureza, um adversário e opositor ostensivo ou velado. Não se faz inimigo apenas por atos e atitudes, mas por natureza, posição e relação. Por exemplo, muitos entendem intelectualmente que anticristo é um ser maligno que se opõe a Cristo. Entretanto, há outra significação menos usual a qual indica que é anticristo, toda e qualquer pessoa, que pretende ocupar o lugar de Cristo, e não necessariamente, aquele que se lhe opõe. A oposição é consequência do desejo de querer usurpar o lugar de Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Neste sentido, todo homem já nasce anticristo! Isto porque todos já nascem portadores da natureza pecaminosa e antagônica ao Filho de Deus por posição e relação.
O texto de abertura mostra com clareza meridiana que a inclinação da carne é inimizade contra Deus. A carne a que alude o texto não é apenas a dimensão físico-biológica do homem. É, sobretudo, o conjunto dos comportamentos morais que se caracteriza pelos desejos, habilidade e competências puramente terrenas, humanas e diabólicas. O apóstolo Tiago traz luz sobre esta questão conforme Tg. 3: 13 a 15 - "Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." Há larga distância entre conhecimento, sabedoria e entendimento. A evidência que alguém possui a sabedoria espiritual, aquela que provém de Deus, é o bem proceder e as consequentes obras de mansidão. Na maioria das vezes os religiosos invertem tal ordem, colocando os comportamentos como causa da sabedoria espiritual. Na verdade, o bom comportamento moral é consequência e não causa de espiritualidade. Então, a sabedoria humana possui três dimensões: é terrena, almática e diabólica. Terrena, porque toma por referência apenas o ponto de vista das realidades deste mundo; almática, porque é consequência dos desejos, habilidades e competências oriundos da alma humana; diabólica, porque todo homem possui a natureza contaminada pelo pecado inoculado pelo Diabo no primeiro Adão.
Por todas estas razões e outras tantas é que o homem se inclina invariavelmente para a inimizade contra Deus. Não se iluda, tal inimizade se dá, tanto por boas obras, como por obras más. Não é uma questão de escolha, mas de natureza inclinada. Do estudo da fitobiologia apreende-se que o vegetal possui duas inclinações: o geotropismo, quando busca o solo para dele se alimentar, e o fototropismo, quando busca a luz solar para com ela realizar a fotossíntese e sintetizar o alimento. Assim são os homens, se inclinam sempre para serem inimigos de Deus, consciente ou inconscientemente. Este é um fato duro de se reconhecer, porque cada um avalia sua relação com o sagrado por meio de comportamentos ritualísticos e religiosos. Estes, todavia, nem sempre são exigidos ou inspirados por Deus. São frutos da concepção humana na busca frenética pela pacificação dos seus medos, dores e angústias almáticos.
Não se pode agradar a Deus estando na carne. Esta sentença é fulminante, porque não dá margem à qualquer recurso. Percebe-se que, "estar na carne", não se limita apenas à esfera do biofísico. É, de fato, ser guiado pelos desejos, vontades e decisões baseadas apenas no que é terreno, almático e diabólico. Por esta razão todos os homens são inimigos naturais de Deus, ainda que sejam bons cidadãos, bons religiosos, ou bons ateus. O texto bíblico afirma que não há ninguém justo, que entenda, e que busca a Deus conforme Rm. 3:10 e 11 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus." Todavia, a própria natureza inimiga de Deus faz que os melhores entre os homens desviem o entendimento de textos desta categoria. O orgulho e a presunção de bondade e retidão ofuscam a verdade bíblica.
O oposto de estar na carne é andar no Espírito, ou seja, é ter sido reconciliado com Deus por meio da inclusão na morte de Cristo e na sua consequente ressurreição. Tudo isto é por fé e não por atos e atitudes como exercício de religião. Andar no Espírito é receber a sabedoria do alto conforme Tg. 3: 17 e 18 - "Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz." Isto não implica em perfeição, mas em reconciliação com Deus que passa a determinar o querer e o efetuar da vontade humana. Cristo, na cruz, mudou o cativeiro dos eleitos e regenerados. Isto foi previsto em Ez. 11: 19 e 20 - " E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne, para que andem nos meus estatutos, e guardem as minhas ordenanças e as cumpram; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus." Este ensino é paralelo ao ensino do nascimento do alto que Jesus ministra a Nicodemos em João capítulo 3.
I Pd. 3:18 - "Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito." A morte de Cristo foi inclusiva e substitutiva, visto que na cruz o pecador eleito foi incluído para perder sua natureza inimiga de Deus, e substituído espiritualmente no tempo e no espaço para a vida eterna. Isto é confirmado em Jo. 12:32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." É evidente que, apenas por meio da substituição dos injustos pelo Justo de Deus que as naturezas pecaminosas e inimigas de Deus seriam aniquiladas conforme o registro de Hb. 9:26. Também em Rm. 5: 8 a 12 se vê claramente a relação de inimizade natural do homem contra Deus - "Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação. Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
A grandiosa graça de Deus consiste em que o Justo sacrificou-se pelos injustos, fazendo de Deus em Cristo o único caso em que alguém se oferece em sacrifício pelos inimigos conforme Cl. 1: 21 e 22 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..." Foi esta Graça que levou Jesus, o Cristo a perguntar a Judas Iscariotes na noite da traição: "... a que vieste, amigo?"
Sola Gratia!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!