domingo, 9 de agosto de 2015

A IGREJA APROVADA POR CRISTO

Mt. 16:13 a 19 - "Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus."
Jesus, o Cristo mencionou a palavra igreja apenas duas vezes, uma delas encontra-se no texto que abre este estudo e a outra em Mateus 18. A palavra igreja provém do grego koinê no qual o Novo Testamento foi escrito. São Jerônimo a traduziu, para a Vulgata, da expressão hebraica 'Qehal Yahweh' ou 'Congregação do Senhor' como sendo 'ekklesía'. O termo grego [εκκλησία] 'ekklesía' significa 'chamado para fora' ou 'convocado'. Tal vocábulo na língua grega tinha caráter político e se referia à assembléia convocada que se reunia para tomar decisões na polis grega. No texto neotestamentário, a palavra grega 'ekklesía' provém de 'ek' (para fora) + 'klesía' (chamado). Desta forma a palavra igreja, quando aplicada biblicamente, significa um conjunto de pessoas que se reúne fora dos padrões e dos interesses político-econômicos do Estado. A convocação ou chamado para fora significa para fora do sistema que rege e domina o mundo. Esta é a evidência que se deve fazer separação entre Igreja e Estado. A Igreja verdadeira e aprovada não serve a nenhum propósito fora de Cristo. Não é uma confraria para satisfazer egos, grupos, desejos humanos e para enriquecer homens incrédulos. É uma união de "pedrinhas" justificadas sobre a Rocha que é Cristo.
Em termos bíblicos Igreja é um conjunto de pessoas que se reúne para adorar e cultuar a Deus por meio de Jesus, o Cristo. Uma igreja não está, necessariamente, associada a uma edificação chamada templo. As demais funções da Igreja decorrem das contingências humanas e não de mandamentos. A função precípua da Igreja é adorar a Deus. Até o século IV d. C. não haviam templos ou edificações como locais de reuniões cristãs. Os templos surgiram da necessidade de espaços maiores para abrigar grandes quantidades de pessoas que se ajuntavam após a falsa adesão do Império Romano ao Cristianismo. A partir do século X d. C. com a mudança do império para Bizâncio, as Basílicas foram adaptadas ao culto cristão nos moldes do cristianismo romano. As basílicas romanas eram espaços multifuncionais, destacando-se as questões judiciais e políticas do Império Romano. Antes desta fase, as Igrejas eram pequenos grupos que se reuniam em casas uns dos outros, em catacumbas nos períodos de maior perseguição, em cavernas, e nas Sinagogas judaicas no denominado protocristianismo.
Ap. 3: 7 a 13 - "Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: conheço as tuas obras (eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar), que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." É interessante que, das sete igrejas descritas no Apocalipse, apenas duas não foram objeto de reprimendas por erros doutrinários. A Igreja em Filadélfia foi a mais elogiada. O anjo da igreja, não é um ente espiritual que guarda ou vigia a igreja, mas é uma referência ao mensageiro dela. É o presbítero, ancião, bispo ou pastor designado para presidir e conduzir o anúncio e o ensino das Escrituras. A palavra anjo provém do grego [ἄγγελος] 'aggelos' que significa mensageiro. As Igrejas descritas no Apocalipse eram igrejas reais, mas também são igrejas tipos das igrejas que surgiriam ao longo da História. Verifica-se que sempre são referidas como: "... da Igreja que está em..." Logo, não eram templos suntuosos com centenas ou milhares de membros. Eram grupos que se reuniam em uma determinada cidade da Ásia Menor em suas casas e, eventualmente, faziam uma reunião pública para comungar e testemunhar.
Quem fala ao mensageiro da Igreja é o Senhor Jesus, o Cristo e isto se vê pelos seus títulos: santo, verdadeiro, possui a chave de Davi e que abre e ninguém fecha, fecha e ninguém abre. É Cristo que possui todo o conhecimento do exterior e do interior dos homens. Ele afirma que colocou uma porta aberta diante da Igreja, mesmo sabendo que ela tinha pouca força. Isto indica que não é a quantidade de membros e o poder econômico da Igreja que a torna mais eficiente. O que conta é o cabeça da Igreja colocar a porta aberta diante dela. Não é a Igreja que abre ou fecha a porta, mas o Senhor dela. A Igreja fiel é aquela que, mesmo tendo pouca força, guarda a Palavra e não nega o nome de Cristo. A Igreja verdadeira faz, pelo poder da palavra, que os homens decaídos e portadores da natureza pecaminosa venham e adorem. Mesmo aqueles que odeiam a Cristo sabem que ele ama a sua verdadeira igreja. A perseverança no guardar a verdade tem como recíproca a constante vigilância de Cristo na hora da perseguição e da provação. Cristo não diz que a Igreja não passará por provações, apenas afirma que a guardará na hora da angústia. Hoje é muito comum religiosos destilarem discursos triunfalistas e de agressão contra o mundo, o qual consideram incrédulo. Entretanto, a verdadeira Igreja sofre a provação na dependência da Graça de Deus. A vitória da Igreja é espiritual e não política ou econômica. 
Ao questionar qualquer membro dessas igrejas institucionais e denominacionais se a sua igreja é aprovada por Cristo dirão que sim. Para tanto, dão uma enorme lista de características. Por vezes, são opiniões baseadas apenas em preceitos e regras de moralidade, por vezes, citam algum texto bíblico. Entretanto, a Igreja aprovada pode não se enquadrar em nenhum destes parâmetros apresentados. Isto porque, ao se enquadrar nos parâmetros estritamente bíblicos, uma Igreja foge quase totalmente aos modelos tidos como verdadeiros e aprovados. Não se pode confundir agregação de pessoas que se dizem fiéis a uma determinada doutrina com a congregação onde Cristo de fato preside e é adorado. Não é pelo muito falar, pela cantoria e pelo barulho na oração que Cristo é adorado. Na verdade, ele é adorado em espírito e em verdade. É Igreja a partir do padrão estabelecido em Mt. 18:20 - "Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles."
Há diversas promessas aos que perseverarem até o fim em meio às perseguições e provações. Contar vitórias em tempos de bonança é muito fácil, mas continuar adorando e sendo fiel na perseguição é por graça. Hoje o que se vê é uma igreja ativista, adorando coisas e valorizando o homem no pecado. Funcionam como agências de auto-ajuda e de culto ao egoísmo. A centralidade é o homem e suas exigências e não a cruz como um princípio interior a ser desenvolvido. Tentam se impor pela força do voto e das barganhas políticas. Abandonam a porta aberta colocada diante de si pelo jogo político e pela ambição de construir templos suntuosos. Seus líderes são homens desprovidos da sabedoria do alto e do conhecimento de Cristo. Sabem tudo sobre qualquer assunto, menos sobre a "palavra da fé" ou da "palavra da cruz."
No texto de abertura Jesus, o Cristo afirma que ele é a rocha sobre a qual a Igreja verdadeira é construída. Não é Pedro a rocha, porque é utilizado o pronome demonstrativo 'esta' e não 'essa' ou 'aquela'. Jesus mudou o nome de Pedro que era Simão. Pedro provém de 'Petrus' no latim e de 'Cefas' no aramaico, significando 'pedrinha', enquanto 'pedra' provém de 'petra' que é rocha firme. De fato, não faria qualquer sentido Cristo edificar a sua Igreja sobre uma pedrinha. As chaves do reino dos céus é dada à verdadeira Igreja e não a um homem em particular. A Igreja, corpo de Cristo, liga e desliga na medida em que anuncia o evangelho da cruz, porque ao ouvi-lo o pecador ou recebe a graça da redenção, ou se mantém em sua natureza pecaminosa latente. O evangelho produz sempre um entre dois efeitos: a redenção ou a condenação.
Sola Scriptura!

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