domingo, 30 de agosto de 2015

O EVANGELHO ENCOBERTO, A LUZ E O TESOURO EM VASOS DE BARRO

II Co. 4: 1 a 18 - "Pelo que, tendo este ministério, assim como já alcançamos misericórdia, não desfalecemos; pelo contrário, rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus. Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos; pois nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que em nós opera a morte, mas em vós a vida. Ora, temos o mesmo espírito de fé, conforme está escrito: cri, por isso falei; também nós cremos, por isso também falamos, sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará a nós com Jesus, e nos apresentará convosco. Pois tudo é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de Deus. Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas."
Nestes tempos de muita religião e pouca verdade, muita crendice e pouca fé, muita teologia e pouco evangelho, qualquer um que seja levantado para anunciar a verdade evangélica está sujeito a fortes retaliações e julgamentos. Entretanto, os eleitos e regenerados têm consciência disto e não se sentem agredidos quando diminuídos, insultados e denegridos. Eles sabem exatamente que, como nascidos de Deus, são enviados como ovelhas em meio aos lobos. Sabem ainda que não receberão honras dos homens e reconhecimento da sociedade. Têm plena certeza que o seu tesouro está guardado até o dia de Cristo. 
Há nas igrejas institucionais, nominais ou denominacionais uma enorme resistência a receber qualquer posição que seja diferente da usual consagrada por seus seguidores como verdade. Todavia, há muitas verdades no mundo, entretanto, todas relativizadas. A única verdade absoluta não é um conceito teológico, um dogma, uma crença ou um conjunto de rituais. Trata-se de uma pessoa, a saber, Jesus, o Cristo. Ele não tem apenas verdades para dizer, mas ele mesmo é a verdade, e o caminho, e a vida. Portanto, tomar para si um conjunto de preceitos, regras e rituais pode não estabelecer qualquer relação com Cristo, ainda que fale d'Ele, de Deus, de fé, de amor e de verdade. Há milhões de pessoas enganadas, sendo conduzidas ao inferno dentro de igrejas. São religiosos incrédulos, porque a fé não é uma virtude a ser desenvolvida pelo homem, mas é um dom de Deus. A mera emissão de conceitos e manifestações de religião exterior nada tem a ver com Cristo.
A primeira regra para reconhecer uma falsa crença é esquadrinhá-la e escrutiná-la nas páginas das Escrituras. Caso tal mensagem passe ilesa pelo espírito das Escrituras, essa tal deve ser considerada. A verdadeira mensagem do evangelho revelado, não é algo misterioso e oculto como alguns religiosos atribuem-se a si mesmos. Eles se põem na perspectiva de celebridades e virtuoses que recebem revelações ocultadas aos demais homens. O ensino bíblico é que todos nascidos de Deus devem procurar os dons e não dependerem de outro homem que se diz profeta, não o sendo. Este ensino errado sobre os dons é o que se chama de profundezas de Satanás conforme Ap. 2: 24 - "Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei." O texto é daqueles que possuem dupla referência, ou seja, tanto é escatológico, como se aplica ao comportamento do "espírito de Jezabel" dentro das igrejas do passado e das atuais. A prática a que alude o texto é uma referência às doutrina secretas e esotéricas. São aqueles religiosos que fingem ser os únicos a receber determinadas revelações de Deus, sendo estas, de fato, de Satanás. Não há pessoas exclusivas ou únicas portadoras da mensagem de Cristo na verdadeira Igreja. Todos os eleitos e regenerados possuem o dom de Deus para honrar e glorificar apenas a Cristo e não si mesmos.
A adulteração da Palavra de Deus é a prática mais comum nas religiões, especialmente naquelas que adquiriram caráter humanista para serem aceitas pela sociedade. O verbo adulterar, no texto bíblico, quase sempre nada tem a ver com questões de infidelidade conjugal. Trata-se da diluição da verdade junto à mentira. Também é a diluição da graça nos esforços de justiça própria como prática meritosa posta como essencial à salvação do pecador. Diluir algo é retirar-lhe a pureza e enfraquecê-lo pela mesclagem a outros componentes. 
A salvação é, invariavelmente, pela graça mediante a fé, sendo ambas procedentes de Deus. A salvação é um ato monergístico, enquanto a santificação é um processo igualmente monérgico ao longo da vida. É Deus quem conduz os pecadores eleitos até a cruz, para nela, incluí-los na morte de Cristo e em sua gloriosa ressurreição. A santificação, ou seja, a produção da semelhança de Cristo no regenerado é um processo pelo qual Deus desconstrói toda e qualquer noção de mérito e justiça própria. A consciência da verdade se dá pelo anúncio do evangelho, sendo um projeto absolutamente originado, conduzido e acabado por Deus em Cristo. Fora deste ensino, o evangelho permanecer encoberto aos que não podem crer. Os que perecem foram cegados pelo 'deus' deste século, a saber, Satanás. A religião é um fértil ambiente para ele cegar e entenebrecer os entendimentos, adulterando o evangelho. Tal adulteração consiste em ministrar meias verdades misturadas às meias mentiras. Nestes falsos cultos apresentam sempre Cristo mais os esforços humanos e, por vezes, invertem esta ordem. Alguns chegam a afirmar, categoricamente, que o pecador é cooperador com o Espírito Santo no ato do convencimento do pecado. Ora, as Escrituras desmentem cabalmente esta invenção teológica. Para os incrédulos religiosos não há diferença entre aceitar e receber, porque isto põe o mérito no homem e não em Cristo.
Qualquer anuncio do evangelho cuja centralidade está no homem e não em Jesus, o Cristo como Senhor único, suficiente e eficiente é anátema. O que se vê hodiernamente, é uma pregação do homem, pelo homem e para o homem. A centralidade não está em Cristo e na cruz, mas naquilo que gratifica a alma humana. A luz do evangelho da verdade brilha nas trevas para buscar e redimir os pecadores eleitos. Não são os homens que brilham nas trevas, mas a luz de Deus na face de Cristo. Luz no sentido bíblico, nada tem a ver com o fenômeno óptico, mas sim com o conhecimento da verdade. Os eleitos conhecem a luz da glória de Deus no rosto de Cristo, porque é Deus quem ilumina a face de Cristo, e este, reflete a sua luz nos eleitos. Hoje o que se se vê é religioso querendo dizer a Deus como ele deve agir. É o homem oferecendo sua falsa luz a Deus por meio de sues conhecimentos gnósticos. São um amontoado de misticismo disfarçado em preceitos, regras e rituais e não a verdade do evangelho revelado em Cristo.
Aos eleitos e regenerados é dada a graça, não apenas da regeneração, mas também da purificação dos seus atos pecaminosos. Todas as suas fraquezas e atos falhos são corrigidos por Cristo, permitindo a libertação dos poderes latentes da carne mortal. As tribulações, a perplexidade, as perseguições e abatimentos  são enviados pelo mal, mas instrumentos usados por Deus para nos iluminar, ensinar e libertar plenamente. Por que, ainda que o homem exterior tende a se degradar, o  homem interior vai se enchendo de Cristo até o dia da restauração final. 
Os eleitos e regenerados são vasos de barro frágeis, mas o conteúdo destes vasos é Cristo. O mundo jamais poderá ver e ter isto, porque é uma dádiva exclusiva aos eleitos e regenerados. O tesouro é o próprio Cristo vivendo em seus escolhidos conforme Gl. 2: 20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Estar crucificado com Cristo e ter a sua vida no homem interior não é religião, mas uma experiência que se recebe pela graça mediante a fé. É dom de Deus e não resultado do desempenho meritocrático do homem. O homem nascido de Deus realiza as boas obras de Deus. Ele não oferece suas obras como crédito para ganhar a vida de Cristo. Todas as obras de justiça dos homens são como trapos de imundícia, não servem para Deus conforme Mt. 7: 21 e 22
Finalmente, os nascidos do alto não se apegam a coisas, especialmente, naquelas que se podem ver, sentir e tocar. Eles são conduzidos a se atentarem para o invisível e o intocável que é o padrão da fé de Deus neles. Os verdadeiros eleitos e regenerados não têm fé em Deus, mas são possuídos pela fé de Deus nos termos de Rm. 4:17 - "... como está escrito: por pai de muitas nações te constituí perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem."
Sola Scriptura!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O HOMEM, A ETERNIDADE E A VIDA ETERNA

Jo. 17: 1 a 3 - "Depois de assim falar, Jesus, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o Filho te glorifique; assim como lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos aqueles que lhe tens dado. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste."
No texto neotestamentário há três palavras para o vocábulo 'vida'. A primeira é [βιος] 'bios' que se refere à vida no sentido biológico circunstanciada em um período de tempo. A segunda é [ψυχὴ] 'psikê' que é a vida almática ou ser vivente e animado. E a terceira é [ζωη] 'zoê' que é a vida espiritual ou do espírito inspirado por Deus. Das três, a mais significativa é a vida 'zoê', porque indica uma qualidade de vida plena, tanto em essência, como moralmente. A vida 'zoê' é de origem divina, sendo transferida por Deus pelo sopro do espírito. No velho testamento a palavra vida é [חָיָה] 'chayah' - lê-se 'raiá' com 'r' forte - e significa respirar. Esta vida foi transmitida por Deus ao primeiro Adão conforme Gn. 2:7 - "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente." No hebraico do texto original a palavra está no plural [חיים] 'chayim', indicando que são duas vidas: a da alma e a do espírito. Portanto, o homem foi formado do pó da terra, por isto, foi chamado Adamah, que é Adão, e quer dizer: 'barro vermelho'. Depois Deus soprou-lhe nas narinas o fôlego das vidas, a saber, deu-lhe a alma e o espírito.
Ao longo da jornada do homem na Terra, o seu maior desejo é a obtenção da vida eterna. Muitos deram tudo o que possuíam para os alquimistas do passado encontrarem a "pedra filosofal" e para atuais cientistas descobrirem o chamado "elixir da juventude." Entretanto, o fim da vida física é a única certeza que se pode ter. Ainda que muitos, atualmente, estejam congelados em Nitrogênio líquido esperando a cura de seus males, porém caminham para a morte. 
Em termos escriturísticos o homem é um ser tripartite, ou seja, possui corpo, alma e espírito. Por mais que teólogos defendam a dicotomia, mas o texto bíblico não deixa dúvidas da tricotomia humana. O corpo, como se sabe, perece desde o nascimento até o declínio e a degenerescência física e morte biológica. A alma é eterna e também o canal de comunicação entre o espírito e o corpo e, destes, com o ambiente externo. O espírito veio de Deus e a ele retorna com a morte física conforme Ec. 12:7 - "... e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu." O problema maior reside na alma, porque a sua vida está no sangue e, uma vez, derramado ela é libertada do corpo conforme Lv. 17:11 - "Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que faz expiação, em virtude da vida." Este era o sentido dos sacrifícios cujo sangue era espargido sobre o propiciatório no Santo dos Santos para indicar o sacrifício final e perfeito de Cristo na cruz. Desta forma o sangue de Jesus, o Cristo foi a execução da justiça de Deus sobre a natureza pecaminosa do homem. Sacrifício único, perfeito, eterno, eficiente e eficaz. Em todo o texto bíblico não se fala de salvação ou justificação do espírito, mas da alma, porque é nela que o pecado está impregnado. É a alma que é purificada na morte com Cristo! Esta é a razão porque os sacrifícios de bodes e touros não resolviam o problema da injustiça do pecado definitivamente. Apenas funcionavam como indicativo simbólico do verdadeiro e perfeito sacrifício de Cristo.
Portanto, o homem é um ser eterno e seu corpo será ressuscitado na restauração final, sua alma e espírito serão restituídos ao corpo ressuscitado neste tempo. Deus mesmo colocou o sentimento de eternidade no homem conforme Ec. 3:11 - "Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs na mente do homem a ideia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim." Entretanto, o assunto da eternidade e da vida eterna são diferenciados, no que tange ao homem, porque nem todos ganharão a vida eterna. A morte de Cristo foi para um grupo específico de pessoas, os pecadores eleitos. Ainda que alguns teólogos insistam na universalidade da salvação, mas a realidade objetiva indica que nem todos são salvos. A morte sacrificial de Cristo só tem eficácia para aqueles que foram conhecidos antes dos tempos eternos conforme Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." Verifica-se que os verbos estão todos no pretérito e que a ação é absolutamente de Deus e não do homem.
Mt. 25:46 - "E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna." Este versículo, como diversos outros, indica que a eternidade é uma coisa e a vida eterna é algo a mais, além dela. Os não eleitos irão para o castigo ou desprezo eterno, mas os eleitos e regenerados irão para a vida eterna. Portanto, é eterno, tanto um caminho, como o outro caminho. Os justos a que alude o texto, não são os bonzinhos, corretos e cheios de méritos próprios, mas aqueles os quais foram justificados em Cristo. Tal justificação é o ato de tornar alguém justo e não uma espécie de auto-justificação. Caso o homem pudesse justificar-se a si mesmo, Jesus, o Cristo seria absolutamente dispensável. 
O texto de abertura mostra com clareza meridiana que, apenas aqueles os quais Deus deu a Cristo ganharão a vida eterna. Isto é devidamente mostrado em Jo. 6:44 e 65 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.  E continuou: por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido." Vê-se que ir a Jesus depende de Deus conduzir o pecador e não depende da vontade. Não é uma questão de querer ou de escolha do homem, mas de poder ir até a cruz por concessão de Deus. Os religiosos cometem sempre o humanismo arrogante de afirmar que o pecador tem de aceitar a Jesus. Ora, é Jesus, o Cristo que aceita o pecador, e tão somente, se Deus o conduzir até a cruz para ser incluído na morte e na ressurreição de Cristo.
O texto de abertura esclarece que a vida eterna é conhecimento de Deus e não apenas um estado de consciência ou um lugar bonito e prazeroso. Quem não conhecer ao Pai como único e verdadeiro Deus e a Jesus, o Cristo como aquele a quem ele enviou, não terá a vida eterna. Portanto, viver eternamente é para todos os homens, mas ganhar a vida eterna é apenas para os eleitos e regenerados. Isto não é porque são melhores, merecedores e justos em relação aos demais homens, apenas foram justificados em Cristo conforme II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." No original em grego o texto fala em "nova geração", indicando que o pecador regenerado foi gerado de novo em Cristo para uma nova disposição eterna com a vida de Deus ou vida "zoê".
Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

ANOMISMO, ANTINOMISMO E A ANULAÇÃO DA GRAÇA

Gl. 2: 16 a 21 - "... sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada. Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De modo nenhum. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Não faço nula a graça de Deus; porque, se a justiça vem mediante a lei, logo Cristo morreu em vão."
Há um constante antagonismo no homem desde a sua queda e depravação pelo pecado. Por pecado, no contexto presente, não se deve entender apenas o cometimento de atos falhos, ilegais, imorais e escandalosos. Fala-se, neste ponto, da natureza pecaminosa que é a incredulidade formada no coração do primeiro Adão conforme Gn. 2: 16 e 17 - "Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Após tal decreto divino ao qual Adão deveria crer e obedecer, surgiu outra proposta mais atraente conforme Gn. 3: 4 a 6 - "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu." A serpente serviu apenas de instrumento verbalizador para Satanás nesse episódio. Foi a primeira incorporação de espírito na história da humanidade. Satanás propôs, não apenas, a oposição à norma divina original, mas induziu à ideia de desonestidade do Criador. Entre, "certamente morrerás" e "certamente não morrereis" o homem preferiu crer na segunda mensagem que é a de Satanás. Por esta razão tornou-se incrédulo à palavra de Deus. Jesus, o Cristo confirma que o pecado original é a incredulidade em Jo. 16: 9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Não crer que Jesus, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus, é redentor e justificador do pecador é a evidência mais clara da natureza pecaminosa inoculada no homem por Satanás. É a repetição da incredulidade do Éden se perpetuando na natureza humana.
Desde a aurora dos tempos, após a expulsão dos primeiros ancestrais do Éden, o homem tornou-se um antagonista por natureza. Ser contraditório e rebelde não é uma questão de escolha como pretendem os falsos ensinos de caráter gnóstico, como é o caso do "livre-arbítrio." É uma questão de depravação espiritual e de destituição da glória de Deus conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Todos herdaram a natureza pecaminosa dos primeiros ancestrais, a saber, não podem crer à verdade. Estão destituídos da glória de Deus, ou seja, estão separados da natureza d'Ele. A única forma de reconciliar-se é pela graça mediante a fé na inclusão na morte de Cristo, bem como na sua consequente ressurreição. Assim, há uma constante dualidade que se opõe entre alma e espírito, ou se preferir, entre a carne e o espírito. A carne inclina-se para buscar sua própria satisfação, enquanto o espírito anseia para ser reconciliado com Deus.
A anomia é uma anomalia patológica subjacente no homem que o faz perder a identidade pela ruptura dos valores perante a sociedade. É como se cada pessoa fosse perdendo cada vez mais e intensamente a noção de referencial dos valores consagrados em uma sociedade. Tal tendência é perceptível até mesmo na música popular que diz: "... deixa a vida me levar..." É um estilo de vida à deriva e à margem dos sistemas de valores. Tal processo vai se potencializando e aumentando a cada nova geração, levando a sociedade como um todo e os indivíduos de per si a um obscurecimento da consciência e da identidade como pessoa e grupo. É do caos social e moral que a humanidade experimentará, que surgirá o Anticristo, prometendo uma restauração plena e total.
Émile Durkeim tratou a anomia como uma patologia social. Afirmava que há uma crescente falta de harmonia na sociedade. Aos poucos, a anomia vai estabelecendo um caos social pela tendência ao não cumprimento dos códigos. O anomismo ocorre pela substituição das regras consagradas por outras regras que promovem o isolamento e, até mesmo, a eliminação dos valores já estabelecidos. Robert Merton trata a anomia com uma incapacidade de atingir os fins da vida em sociedade. Para Merton, a incapacidade de atingir os fins culturais, leva o indivíduo a adotar uma conduta desviante. Ele demonstra que, tal desvio das finalidades e objetivos da sociedade leva os indivíduos das classes menos favorecidas ao marginalismo. Tais indivíduos perdem as referências e se põem em um caminho de auto-destruição pelo alcoolismo, pelo uso de drogas tóxicas, violência e rebeliões. O resultado da anomia é a degradação do indivíduo e da sociedade como um todo.
O antinomismo é, de fato, uma controvérsia já resolvida, mas sustentada e mantida por legalistas para justificar suas posições maniqueístas. Em Filosofia, antinomismo é a oposição de dois argumentos coerentes e críveis, porém antagônicos. Portanto, trata-se de um recurso de confronto crítico e não uma anomalia social.
No campo da doutrina jurídico-política, ao pé da letra, antinomismo significa "contra a lei" ou "anti-lei." Os anarquistas dizem que, "Se uma lei é injusta, um homem está, não apenas certo em desobedecê-la, ele é obrigado a fazê-lo." Na teoria doutrinária de John Rawls há forte ensino sobre a desobediência civil no caso de a lei ser injusta. Mahatma Gandhi afirmou a necessidade da desobediência de leis injustas em suas ações libertadoras na Índia. A desobediência civil é uma forma de protesto político, feito pacificamente, que se opõe a alguma ordem que possui um comportamento de injustiça ou contra um governo visto como opressor pelos desobedientes. Foi um conceito formulado originalmente por Henry David Thoreau e aplicado com sucesso por Mahatma Gandhi no processo de independência da Índia e do Paquistão. Igualmente utilizado por Martin Luther King na luta pelos direitos civis e o fim da segregação racial nos Estados Unidos.
Porém, na esfera religiosa, o antinomismo é algo mais específico e alegado como sendo heresia. Marcião foi um rico construtor de navios convertido ao Cristianismo por volta de 140 d.C. Marcião considerava o velho testamento e a lei irrelevantes após o advento de Cristo. Para ele, Cristo veio estabelecer uma nova relação com os homens. Entretanto, Marcião não advogava que a partir de Cristo os homens justificados pela graça mediante a fé estavam liberados para cometer todo e qualquer tipo de pecado. Quem afirmou que ele defendia isto foram religiosos seus adversários, mas nunca apresentaram nenhuma prova concreta, até porque, elas não existem. Marcião foi excomungado em 144 d. C. por crer que apenas a justificação pela fé em Cristo era suficiente ao pecador. Ora, Lutero e todos os demais reformadores também foram acusados de hereges por esta mesma razão.
No século XVI, Johannes Agricola, discípulo de Lutero afirmava que o homem, uma vez justificado em Cristo, não perderia a sua salvação. Ele afirmava que a lei não era fundamental para santificar o cristão. Este foi o "pecado" de João Agrícola, pelo qual é considerado herege por muitos religiosos hoje. Mesmo após ir a Berlim onde expôs sua maneira de interpretar as Escrituras e dizer que não pretendia incentivar o pecado ou o erro, os religiosos continuam chamando-o de herege. É óbvio que muitas pessoas dizem por aí que a lei não justifica o pecador, o que é confirmado por Paulo em Romanos. Ora, se pela lei o regenerado morreu para a lei, logo, ela não tem mais domínio sobre ele. Até porque o papel da lei não era justificar o pecador, mas tão somente evidenciar a gravidade do pecado. A lei foi dada para que o homem percebesse a sua incapacidade para se livrar da natureza pecaminosa sem um justificador. Entretanto, a maioria dos religiosos prefere dar à lei apenas um papel de regulação moral na sociedade como evidência de espiritualidade. Esta é uma falácia, pois com ou sem lei o homem continuou pecador e cometendo toda sorte de erros morais desde o antigo testamento até os dias de hoje. Segundo as Escrituras esta tendência pecaminosa irá aumentar cada vez mais até o retorno do Grande Rei Jesus, o Cristo. 
Rm. 8:7 e 8 - "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus." Ora, o texto mostra com clareza que a inclinação da natureza humana é inimizade contra Deus, porque não se sujeita à lei de Deus. Quem está na carne não pode jamais cumprir a lei e, muito menos, agradar a Deus, porque ele é Espírito e apenas recebe adoração dos que estão em espírito. Quem torna o pecador apresentável aos olhos de Deus é Cristo, porque Deus olha para ele no pecador que foi por ele regenerado. Desta forma, o antinomismo enquanto explicação que a lei não justifica e não torna ninguém santo não é heresia. Entretanto, se alguém postular que o cristão não deve considerar a lei e as ordenanças para ficar livre e cometer todo tipo de pecado, erro moral, desobediência e rebelião, aí sim, é um incrédulo. Ora, incrédulos sequer podem ser considerados hereges, porque não creem em nada, salvo em si mesmos e em seus ventres.
Portanto, a sustentação destas posições antagônicas entre Lei e Graça interessa aos legalistas que, por não conhecerem a Graça, preferem amarrar e arrastar a todos para debaixo da lei. Imaginam em seus corações tolos que a justiça própria apaziguará a ira de Deus contra a natureza pecaminosa ao tentarem produzir a própria santificação pela lei. No velho testamento foi dito que, "creu Abraão e isto lhe foi imputado por justiça."  Assim, Abraão foi justificado, primeiramente, pela fé e foi obediente em obras de justiça pela mesma razão. Jamais ao contrário como querem arminianos e religiosos de todo gênero.
Sola Scriptura!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

OS ESCÂNDALOS, A FÉ E OS SERVOS INÚTEIS

Lc. 17: 1 a 10 - "Disse Jesus a seus discípulos: é impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos. Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: arrependo-me; tu lhe perdoarás. Disseram então os apóstolos ao Senhor: aumenta-nos a fé. Respondeu o Senhor: se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: desarraiga-te, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria. Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, ao voltar ele do campo: chega-te já, e reclina-te à mesa? Não lhe dirá antes: prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que eu tenha comido e bebido, e depois comerás tu e beberás? Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado? Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer."
Escândalo é definido como fato ou sentimento que ofende e contraria sentimentos, crenças, convenções morais, sociais e religiosas. É também aquilo que pode conduzir ao erro, mau procedimento e ao pecado. Este substantivo masculino se insere na esfera dos fatos revoltantes, inaceitáveis e na quebra da ordem estabelecida pela civilidade. É uma violação dos códigos de conduta aceitos e praticados por uma determinada sociedade, em determinado período histórico.
Jesus, o Cristo afirma que é impossível que não venham os escândalos. Isto porque ele conhece a natureza pecaminosa que subjaz no homem e que o inclina, invariavelmente, aos escândalos e tropeços. I Rs. 8: 46 - "...Quando pecarem contra ti, pois não há homem que não peque..." Embora nem todos os homens são apanhados em escândalos e atos pecaminosos, todos guardam latente dentro de si a natureza pecaminosa que os pode gerar. Os atos pecaminosos não são apenas atos e atitudes de tropeços exteriores e perceptíveis. Não se restringem apenas ao que pode ser constatado e julgado pelas pessoas. Há atos pecaminosos ocultos na mente, pelos desejos e pensamentos conforme Mt. 5:28 - "Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela." Trata-se de uma referência que, ampliada e aplicada a outras áreas da vida a conclusão é a mesma. Muitos homens se dizem fieis às suas esposas, porque nunca consumou o ato sexual com outra mulher. Entretanto, tomando por parâmetro a afirmação de Jesus, o Cristo não há homem que não olhe para alguma mulher sem incorrer em desejos. Então, os atos pecaminosos são também de caráter subjetivo. Por esta razão é que ao homem não é possível libertar-se sozinho.
A libertação verdadeira é, primeiramente, no campo espiritual e depois na esfera almática e carnal. Por esta razão Jesus, o Cristo afirma em Jo. 8:36 - "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." O autocontrole e a disciplina servem para manter os padrões ético-morais em equilíbrio, garantindo uma convivência pacífica e respeitosa entre os homens. Entretanto, em se tratando da esfera espiritual o homem carece de um salvador superior a ele e que tenha o absoluto controle sobre o pecado. É nesse ponto que surge a diferença entre a impossibilidade humana e a possibilidade divina conforme Mt. 19: 24 a 26 - "E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. Quando os seus discípulos ouviram isso, ficaram grandemente maravilhados, e perguntaram: quem pode, então, ser salvo? Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível." Vê-se que, os discípulos sentiram a total incompetência humana para lidar com a questão da redenção. A citação mostra, com clareza que, não é do campo das possibilidades do homem o libertar-se, mas tão somente da competência divina. 
A fé, no sentido bíblico, não é uma virtude humana. É um dom de Deus aos que ele deseja concedê-la para os devidos fins. A fé não é algo momentâneo e determinado pelas circunstâncias desesperadas. É algo concedido por Deus para sempre conforme Jd. 3 - "... exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos". Desta maneira a fé não se confunde com determinados comportamentos efervescentes vistos na religião exterior em certos arraiais religiosos. Pulam, gritam, cantam, dançam, pronunciam palavras incompreensíveis, afirmando ser isto demonstração de fé. Na verdade, é apenas exteriorização da emocionalidade almática. Deus não está nisto e não necessita disto para ser longânimo e gracioso para com os que sofrem. A fé é o sólido fundamento daquilo que não se pode ver e que não está em substância diante dos olhos nos termos de Hb. 11:1. A fé não é um exercício mental e corporal demonstrável por aparência de exultação, resignação e humilhação. É antes algo que o próprio homem não pode desenvolver e demonstrar. É um estado de total e absoluta dependência e confiança em Deus. A verdadeira fé se consolida, exatamente, quando não há a menor possibilidade da intervenção humana. Quando Jesus, o Cristo disse aos discípulos que deveriam perdoar os seus inimigos sete vezes ao dia, desesperados, disseram: "aumenta-nos a fé." Ou seja, para que alguém seja capaz deste desprendimento é necessário agir exclusivamente pela fé, porque a natureza carnal não nos dá esta capacidade. Também o Mestre disse que, se alguém tiver fé do tamanho do grão de mostarda dirá a uma amoreira, desarraiga-te e planta-te no mar e ela os obedeceria. Entretanto, nestes últimos 2.000 anos, não se viu ninguém fazendo amoreiras se transferir da terra para o mar. 
Finalmente, Jesus, o Cristo ensina que, quando alguém faz tudo o que lhe é determinado, consegue alcançar o honroso posto de servo inútil. Este ensino demonstra, com clareza, a diferença entre os filhos e herdeiros do reino e os servos. Os servos são apenas cumpridores de ordens por recompensas, mas sem a graça. Isto implica naquela classe de religioso que se põe apenas na perspectiva de servo e não de filho. Alguns fazem menção de outros homens como "grandes servos de Deus." Porém, alguém afirmou sobre isto que, "se é servo não é grande, se é grande não é servo." Servo, até Satanás é, pois está sob o controle soberano de Deus. O maravilhoso é ganhar a filiação divina por meio do novo nascimento. Visto que nenhum homem é naturalmente filho de Deus, ele então, resolveu fazer alguns homens como filhos adotivos por meio da inclusão deles na morte com Cristo. Isto fica evidente em Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." A filiação divina se dá pela graça mediante a fé e isto não procede da descendência, nem da geração biológica, nem do desejo do homem. É uma obra absolutamente soberana!
Soli Deo Gloria!

terça-feira, 11 de agosto de 2015

ANTINOMISMO, LEGALISMO E AS ESCRITURAS


Rm. 3: 19 a 28 - "Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que se cale toda boca e todo o mundo fique sujeito ao juízo de Deus; porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que creem; pois não há distinção. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde está logo a jactância? Foi excluída. Por que lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei."
Religiosos de quase todos os matizes gostam de duas coisas: polemizar e acusar os que não professam seus sistemas de crença de praticar heresias. Apontam heresia em qualquer afirmação que não coincide com o código dogmático defendido por suas seitas e denominações religiosas. Há algo muito anômalo nisto, pois a verdade é una e uma só, posto que é uma pessoa e não um conceito. A verdade é Cristo e ele mesmo se auto-define como tal em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Do texto se pode entender, sem qualquer interpretação, que Jesus não tem porções de verdade para borrifar seus servos. Ele mesmo é a verdade personificada, como também é o caminho, e também é a vida. Ele não tem coisas para dar aos seus eleitos e regenerados. Ele próprio é o doador e a doação. Desta forma, como se explica tantas religiões e todas alegarem para si a posse da verdade?
O mau hábito de polemizar resulta da insegurança pessoal a qual leva o religioso a buscar confirmação, pelo confronto, para certificar-se de que suas crenças são válidas. Muitos destes polêmicos são versados em fazer eisegese nos textos bíblicos. Eisegese é o oposto de exegese e consiste em inserir no texto bíblico o pensamento originado nos conceitos humanistas confundidos com verdades. Tais pessoas não permitem, porque não podem, que as Escrituras os esquadrinhem e os revelem como pecadores. Jesus, o Cristo os confrontou conforme Jo. 5: 39 e 40 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida!" Estas pessoas têm o seu querer entenebrecido pelo 'deus' deste século e não podem ver Jesus como revelado nas Escrituras. A religião destes toma o lugar de Cristo e se torna, para eles, como uma divindade adorada. Os religiosos legalistas se sentem incomodados com a liberdade dos eleitos e regenerados. O medo de sofrer consequências, não permite largar seu sistema de crença, os mantêm atados à lei moral e à lei cerimonial. Desta maneira, nem cumprem a lei, porque nenhum homem a pode cumprir, nem adoram a Cristo em espírito e em verdade, porque não nasceram do alto. Vivem uma dupla escravidão: religiosa e legalista.
É comum quando um eleito e regenerado afirma que não está debaixo da lei, mas da graça, os tais religiosos polemizadores dizem que o tal é herege. Eles afirmam isso sem qualquer piedade ou misericórdia exigida ao cristão pelo próprio Cristo. Isto se dá por duas razões básicas: não conhecem a graça plena e porque têm medo de soltar as amarras da lei e dos preceitos e, consequentemente, naufragarem em atos pecaminosos. Temem cair em uma espécie de buraco negro e perderem o referencial da verdade que, de fato, não possuem. Alguns chegam ao ponto de defender que, quem se afasta da igreja ou abandona os dogmas e preceitos acabam sucumbindo aos prazeres e acenos do mundo. Ora, quem sucumbe e cede a qualquer coisa fora de Cristo, nunca foi conhecido por ele conforme Mt. 7:21 e 23 - "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." Estes religiosos citados por Jesus, o Cristo estavam praticando boas coisas: profetizando, fazendo milagres e curando. Entretanto, Jesus declarou abertamente que não os conhecia. Solicitou-lhes que se apartassem d'Ele, isto é, não usassem o seu nome, porque estavam praticando a iniquidade. Por que era iniquidade? Por que qualquer ato ou atitude de obras de justiça própria fora de Cristo, não possui valor espiritual. Possui apenas valor social e coisas desejadas pelos homens.
O texto de abertura deixa muito claro que, o que a lei prescreve, prescreve-o para os que estão debaixo dela. Os que estão debaixo dos ditames da lei, estão debaixo do juízo de Deus e não da graça em Cristo. Tanto a lei cerimonial, como a lei moral funcionam, respectivamente, para indicar a morte de Cristo na cruz pelos ritos simbólicos e para evidenciar a natureza pecaminosa no homem. Por esta razão, a lei não possui poder de salvar e, muito menos, de santificar o pecador. A salvação é um ato exclusivo da soberania de Deus e a santificação é um processo em que os eleitos e regenerados ganham a semelhança de Cristo. Não há justificação pela lei, mas apenas o pecado sendo revelado por ela. A aniquilação da natureza pecaminosa foi realizada na cruz conforme Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Os religiosos não conseguem diferenciar a natureza pecaminosa dos atos pecaminosos. Generalizam tudo e dizem: 'pecado é pecado diante de Deus'. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo é Jesus, o Cristo. Ele veio para aniquilar a natureza pecaminosa que é a incredulidade e para purificar os eleitos dos atos falhos de moralidade. Jesus esclarece isso em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." De fato a queda do homem se deu no Éden por ter sido incrédulo à ordem de Deus e crédulo à mentira de Satanás. Os atos pecaminosos são consequências do pecado e não a causa dele. No texto grego original quando se refere à natureza pecaminosa ou ao pecado original utiliza-se do termo 'hamartiós' que significa 'errar o alvo." Ao homem foi exigido crer na sentença de Deus: "... porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Tal fé o levaria ao alvo de tornar-se semelhante a Cristo e viver eternamente. Muitos religiosos pensam que o homem é pecador porque comete atos pecaminosos. É exatamente o oposto, pois cometem atos pecaminosos porque possuem natureza pecaminosa, isto é, possui a incredulidade. Isto nada tem a ver com religiosidade, pois há inúmeros religiosos que são incrédulos. É uma questão de nascer do alto conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Quem não nascer do alto, não vê. Quem não nascer pela fé ao ouvir a Palavra de Deus pelo convencimento do pecado pelo Espírito Santo, não entra. Não vê e não entra! A água nas escrituras simbolizam a Palavra de Deus e o Espírito Santo é o que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo.
A justiça de Deus contra a injustiça do pecado, a saber, da natureza de incredulidade, foi executada e satisfeita plenamente na cruz, onde Jesus, o Cristo incluiu os pecadores eleitos em sua morte e os substituiu espiritualmente para torná-los aceitáveis diante de Deus. Assim, Deus é o Justo e o Justificador por meio de Cristo. Paulo pergunta: onde está a jactância? Ou seja a arrogância, a presunção de si mesmo como o promotor da sua própria justificação e santificação? Pela lei das obras de justiça própria? Não! Pela fé, entretanto, até a fé é dom de Deus e não virtude do homem. Assim, qual é a participação do homem no processo? Nenhuma, ele apenas recebe pela graça. 
Obviamente que, todos os eleitos e regenerados não autorizam e não estão autorizados por ninguém a cometer pecados contra si, contra outros homens e contra Deus em nome da graça. Ao contrário, os eleitos e regenerados foram libertados da culpa do pecado pela inclusão na morte com Cristo, estão sendo libertos da influência do pecado pela santificação, e serão libertos da presença do pecado na restauração final. Esta é a essência do ensino de Romanos e das Escrituras como um todo. 
Os religiosos confundem legalismo, que é absolutamente anti-cristão, com santificação, desqualificando a obra de Cristo na cruz. Confundem antinomismo com anomia que são coisas absolutamente diferentes. O antinomismo foi uma forma de entendimento de João Agrícola discípulo de Lutero. Entretanto, ele não se opunha à lei por desejar praticar atos pecaminosos a vontade. Ele apenas afirmava que o cristão genuíno não precisa de se preocupar com a lei para sua justificação e santificação. A prova que João Agrícola não se apoiava numa posição doutrinária anti-lei, é que, pouco tempo depois, explicou sua posição em uma reunião na cidade de Berlim e o assunto foi encerrado. Tal atitude é típica de um nascido de Deus, pois não visa trazer controvérsia sobre questões desnecessárias. Assim, o que chamam de Antinomismo ou 'anti-lei', na verdade é a Anomia, uma patologia social retratada por Emile Durkeim e por Robert Merton. Nada tem a ver com questões espirituais, mas apenas sociológicas. 
Sola Scriptura!

domingo, 9 de agosto de 2015

A IGREJA APROVADA POR CRISTO

Mt. 16:13 a 19 - "Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus."
Jesus, o Cristo mencionou a palavra igreja apenas duas vezes, uma delas encontra-se no texto que abre este estudo e a outra em Mateus 18. A palavra igreja provém do grego koinê no qual o Novo Testamento foi escrito. São Jerônimo a traduziu, para a Vulgata, da expressão hebraica 'Qehal Yahweh' ou 'Congregação do Senhor' como sendo 'ekklesía'. O termo grego [εκκλησία] 'ekklesía' significa 'chamado para fora' ou 'convocado'. Tal vocábulo na língua grega tinha caráter político e se referia à assembléia convocada que se reunia para tomar decisões na polis grega. No texto neotestamentário, a palavra grega 'ekklesía' provém de 'ek' (para fora) + 'klesía' (chamado). Desta forma a palavra igreja, quando aplicada biblicamente, significa um conjunto de pessoas que se reúne fora dos padrões e dos interesses político-econômicos do Estado. A convocação ou chamado para fora significa para fora do sistema que rege e domina o mundo. Esta é a evidência que se deve fazer separação entre Igreja e Estado. A Igreja verdadeira e aprovada não serve a nenhum propósito fora de Cristo. Não é uma confraria para satisfazer egos, grupos, desejos humanos e para enriquecer homens incrédulos. É uma união de "pedrinhas" justificadas sobre a Rocha que é Cristo.
Em termos bíblicos Igreja é um conjunto de pessoas que se reúne para adorar e cultuar a Deus por meio de Jesus, o Cristo. Uma igreja não está, necessariamente, associada a uma edificação chamada templo. As demais funções da Igreja decorrem das contingências humanas e não de mandamentos. A função precípua da Igreja é adorar a Deus. Até o século IV d. C. não haviam templos ou edificações como locais de reuniões cristãs. Os templos surgiram da necessidade de espaços maiores para abrigar grandes quantidades de pessoas que se ajuntavam após a falsa adesão do Império Romano ao Cristianismo. A partir do século X d. C. com a mudança do império para Bizâncio, as Basílicas foram adaptadas ao culto cristão nos moldes do cristianismo romano. As basílicas romanas eram espaços multifuncionais, destacando-se as questões judiciais e políticas do Império Romano. Antes desta fase, as Igrejas eram pequenos grupos que se reuniam em casas uns dos outros, em catacumbas nos períodos de maior perseguição, em cavernas, e nas Sinagogas judaicas no denominado protocristianismo.
Ap. 3: 7 a 13 - "Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: conheço as tuas obras (eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar), que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." É interessante que, das sete igrejas descritas no Apocalipse, apenas duas não foram objeto de reprimendas por erros doutrinários. A Igreja em Filadélfia foi a mais elogiada. O anjo da igreja, não é um ente espiritual que guarda ou vigia a igreja, mas é uma referência ao mensageiro dela. É o presbítero, ancião, bispo ou pastor designado para presidir e conduzir o anúncio e o ensino das Escrituras. A palavra anjo provém do grego [ἄγγελος] 'aggelos' que significa mensageiro. As Igrejas descritas no Apocalipse eram igrejas reais, mas também são igrejas tipos das igrejas que surgiriam ao longo da História. Verifica-se que sempre são referidas como: "... da Igreja que está em..." Logo, não eram templos suntuosos com centenas ou milhares de membros. Eram grupos que se reuniam em uma determinada cidade da Ásia Menor em suas casas e, eventualmente, faziam uma reunião pública para comungar e testemunhar.
Quem fala ao mensageiro da Igreja é o Senhor Jesus, o Cristo e isto se vê pelos seus títulos: santo, verdadeiro, possui a chave de Davi e que abre e ninguém fecha, fecha e ninguém abre. É Cristo que possui todo o conhecimento do exterior e do interior dos homens. Ele afirma que colocou uma porta aberta diante da Igreja, mesmo sabendo que ela tinha pouca força. Isto indica que não é a quantidade de membros e o poder econômico da Igreja que a torna mais eficiente. O que conta é o cabeça da Igreja colocar a porta aberta diante dela. Não é a Igreja que abre ou fecha a porta, mas o Senhor dela. A Igreja fiel é aquela que, mesmo tendo pouca força, guarda a Palavra e não nega o nome de Cristo. A Igreja verdadeira faz, pelo poder da palavra, que os homens decaídos e portadores da natureza pecaminosa venham e adorem. Mesmo aqueles que odeiam a Cristo sabem que ele ama a sua verdadeira igreja. A perseverança no guardar a verdade tem como recíproca a constante vigilância de Cristo na hora da perseguição e da provação. Cristo não diz que a Igreja não passará por provações, apenas afirma que a guardará na hora da angústia. Hoje é muito comum religiosos destilarem discursos triunfalistas e de agressão contra o mundo, o qual consideram incrédulo. Entretanto, a verdadeira Igreja sofre a provação na dependência da Graça de Deus. A vitória da Igreja é espiritual e não política ou econômica. 
Ao questionar qualquer membro dessas igrejas institucionais e denominacionais se a sua igreja é aprovada por Cristo dirão que sim. Para tanto, dão uma enorme lista de características. Por vezes, são opiniões baseadas apenas em preceitos e regras de moralidade, por vezes, citam algum texto bíblico. Entretanto, a Igreja aprovada pode não se enquadrar em nenhum destes parâmetros apresentados. Isto porque, ao se enquadrar nos parâmetros estritamente bíblicos, uma Igreja foge quase totalmente aos modelos tidos como verdadeiros e aprovados. Não se pode confundir agregação de pessoas que se dizem fiéis a uma determinada doutrina com a congregação onde Cristo de fato preside e é adorado. Não é pelo muito falar, pela cantoria e pelo barulho na oração que Cristo é adorado. Na verdade, ele é adorado em espírito e em verdade. É Igreja a partir do padrão estabelecido em Mt. 18:20 - "Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles."
Há diversas promessas aos que perseverarem até o fim em meio às perseguições e provações. Contar vitórias em tempos de bonança é muito fácil, mas continuar adorando e sendo fiel na perseguição é por graça. Hoje o que se vê é uma igreja ativista, adorando coisas e valorizando o homem no pecado. Funcionam como agências de auto-ajuda e de culto ao egoísmo. A centralidade é o homem e suas exigências e não a cruz como um princípio interior a ser desenvolvido. Tentam se impor pela força do voto e das barganhas políticas. Abandonam a porta aberta colocada diante de si pelo jogo político e pela ambição de construir templos suntuosos. Seus líderes são homens desprovidos da sabedoria do alto e do conhecimento de Cristo. Sabem tudo sobre qualquer assunto, menos sobre a "palavra da fé" ou da "palavra da cruz."
No texto de abertura Jesus, o Cristo afirma que ele é a rocha sobre a qual a Igreja verdadeira é construída. Não é Pedro a rocha, porque é utilizado o pronome demonstrativo 'esta' e não 'essa' ou 'aquela'. Jesus mudou o nome de Pedro que era Simão. Pedro provém de 'Petrus' no latim e de 'Cefas' no aramaico, significando 'pedrinha', enquanto 'pedra' provém de 'petra' que é rocha firme. De fato, não faria qualquer sentido Cristo edificar a sua Igreja sobre uma pedrinha. As chaves do reino dos céus é dada à verdadeira Igreja e não a um homem em particular. A Igreja, corpo de Cristo, liga e desliga na medida em que anuncia o evangelho da cruz, porque ao ouvi-lo o pecador ou recebe a graça da redenção, ou se mantém em sua natureza pecaminosa latente. O evangelho produz sempre um entre dois efeitos: a redenção ou a condenação.
Sola Scriptura!

sábado, 8 de agosto de 2015

PARA QUEM É A SALVAÇÃO? V

Jo. 10: 14 a 17 e 24 a 29 - "Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor. Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Rodearam-no, pois, os judeus e lhe perguntavam: até quando nos deixarás perplexos? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente. Respondeu-lhes Jesus: já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho de mim. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.
A primeira conclusão simples a que se pode chegar sobre o universalismo da salvação é, se ela fosse para todos, a condenação eterna seria desnecessária. Visto que todos os homens seriam irrevogavelmente salvos pela obra de Cristo na cruz, o inferno, tal como popularmente pregado, não se justifica. Outra questão é, se Deus intentou em seu plano eterno salvar todos os homens, todos os homens deveriam ser salvos, porque os seus eternos decretos não podem ser contraditados. Desta forma, o argumento universalista cai por terra, posto que, muitos homens são, sabidamente, condenados à separação eterna conforme palavras do profeta Daniel em Dn. 12:2 - "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.
A salvação é pela graça mediante a fé conforme Ef. 2: 8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Graça, segundo Phillip Yancey, é Deus fazendo tudo por quem nada merece. Obviamente que, se entrasse qualquer traço de mérito humano, não seria graça, mas recompensa. Fé é simplesmente crer no que diz a palavra de Deus sem qualquer evidência ou sinal exterior. Portanto, graça e fé são operações sobrenaturais, não necessitando do concurso do homem, pois este se acha absolutamente contaminado pela natureza pecaminosa.
Outro erro doutrinário amplamente disseminado pelas religiões ditas cristãs é que o eleito e regenerado poderá perder a salvação. Este engodo é mantido, especialmente, em grupos que apelam para a emocionalidade e a moralidade. Entretanto, as Escrituras não ensinam tal falsa doutrina. Rm. 8: 33 a 39 - "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." Ou seja, nem as angústias e provações experimentadas pelas pressões externas, nem as pressões internas da própria alma podem separar os eleitos e regenerados ao amor de Deus. 
I Ts. 4: 16 e 17 - "Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor." O mistério guardado nos séculos e revelado em Jesus, o Cristo é este: "... e os que morreram em Cristo..." Quando o homem caiu pelo pecado, o seu espírito se tornou morto para Deus, porque ele só se comunica com o espírito. Esta foi a primeira morte! Portanto, para matar a morte do homem é que Cristo se manifestou. Ele atraiu a todos os eleitos para a cruz conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." É este o sentido de "morrer em Cristo". Após a destruição da condenação do pecado na cruz, Cristo ressuscitou, trazendo todos os eleitos em sua ressurreição conforme Cl. 3:1 - "Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus." Desta forma os eleitos e regenerados experimentam a morte da morte, na morte com Cristo. Este é o sentido de 'novo nascimento' que, no texto original é 'nascimento do alto" conforme Jo. 3: 3 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus."
O texto de abertura não deixa qualquer dúvida que a morte inclusiva e substitutiva de Cristo na cruz foi para um grupo de pessoas em especial. Ele se identifica como o bom pastor. Ele fiz que conhece as suas ovelhas e não todas as ovelhas. Ele afirma que as suas ovelhas ouvem a sua voz e o segue. Ele deixa claro que dá a sua vida por estas ovelhas e não por todas as ovelhas. Jesus, o Cristo respondeu aos que o interrogavam, dizendo que ele era o Salvador, mas disse-lhes eles não podiam crer nele, porque não era das suas ovelhas. É Cristo quem dá a vida eterna que não permite que suas ovelhas pereçam e morram eternamente. É Cristo a garantia que ninguém pode arrebatar as suas ovelhas da sua mão. Ele reafirma que foi Deus quem deu as suas ovelhas para que fossem salvas e guardadas. Logo, onde está qualquer forma de concurso do homem pecador em sua salvação?
Sola Gratia!
Sola Fides!
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PARA QUEM É A SALVAÇÃO? IV

Mc. 4: 2 a 12 - "Então lhes ensinava muitas coisas por parábolas, e lhes dizia no seu ensino: ouvi: eis que o semeador saiu a semear; e aconteceu que, quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra caiu no solo pedregoso, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se. E outra caiu entre espinhos; e cresceram os espinhos, e a sufocaram; e não deu fruto. Mas outras caíram em boa terra e, vingando e crescendo, davam fruto; e um grão produzia trinta, outro sessenta, e outro cem. E disse-lhes: quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Quando se achou só, os que estavam ao redor dele, com os doze, interrogaram-no acerca da parábola. E ele lhes disse: a vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas; para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam e sejam perdoados."
As teorias teológico-religiosas que afirmam que a salvação é para todos os homens são denominadas universalistas. Elas têm forte influência de ensinos exotéricos originados do gnosticismo. Todas elas possuem um mesmo eixo, a saber, a salvação é para todos. Entretanto, como nem todos são salvos, invetam que o homem possui capacidade para fazer escolhas livres. A esta suposta capacidade dão o nome pomposo e, não menos antropocêntrico, de 'livre-arbítrio'. Todavia, o conceito humanista de 'livre-arbítrio' não se sustenta sequer na análise filosófica, pois esbarra na realidade do mal moral no mundo. Também é negado pela impossibilidade de o homem bastar-se a si mesmo e não depender da necessidade e de fatores determinantes.
Alguns religiosos tentam encontrar o meio termo, afirmando que embora a justificação em Jesus, o Cristo seja para todos, mas nem todos são alcançados, porque não creem. Isto é, no mínimo, contraditório, pois se a expiação de Cristo foi para salvar a todos e não salvou, logo seria uma farsa. Acontece, porém, que a fé não é virtude humana, mas um dom de Deus. Logo, eles não creem porque não podem e não porque não querem. Há este ensino em abundância nas Escrituras, como por exemplo, II Ts. 3:2 - " ... e para que sejamos livres de homens perversos e maus; porque a fé não é de todos." A fé que é o meio para receber a graça da vivificação é dom conforme Jd. verso 3 - "Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos." Assim que, a fé não é virtude humana que Jesus, o Cristo afirma o seguinte em Lc. 18:8 - "Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?" Caso a fé fosse uma virtude humana, no retorno do Grande Rei a mesma seria achada na Terra.
O texto de abertura revela um recurso pedagógico de anunciar o evangelho da verdade por Cristo. Trata-se da parábola, ou seja, falar por enigmas ou por meio de ilustrações para anunciar uma verdade. A parábola do semeador é uma retratação de como Deus anuncia o evangelho por meio da pregação da palavra que é a semente. Os que estão junto ao caminho representam a classe de pecadores que, ao ouvir a palavra não a retêm, porque suas mentes são controladas por Satanás representado pelas aves. A semente que foi semeada no pedregal representa aquela pregação onde a verdade não cria raízes profundas, porque os ouvintes são superficiais. Eles ouvem com entusiasmo, mas ficam apenas na superficialidade das emoções, porque veem o evangelho apenas como uma forma de aliviar suas dores e angústias. A semente que caiu no meio do espinheiro representa aquela classe de pecadores que estão tão aturdidos com seus afazeres para ganhar o mundo, que não percebem a profundidade da mensagem da verdade. O mundo é mais interessante e urgente para eles. A semente semeada em boa terra representa a pregação do evangelho àqueles cujos corações foram preparados de antemão para que ouvindo, cressem. A boa terra representa o coração fértil para gerar resultados espirituais. Isto confirma a promessa de Deus em Ez. 36:26 - "Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
Na sequência, quando a multidão havia se retirado e a sós com os discípulos Jesus, o Cristo foi interpelado por eles. A questão era: porque o Mestre fala por parábolas? Cristo, então, respondeu-lhes: "... a vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas." A partir do momento em que um mistério é confiado a alguém, deixa de ser mistério e passa a ser revelação. Desta forma, aos eleitos e predestinados, é dado conhecer o mistério de Deus, mas aos outros, cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro, não é dado ou confiado o mistério de Deus. O mistério é revelado em Cl. 1: 24 a 27 - "Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que resta das aflições de Cristo, por amor do seu corpo, que é a igreja; da qual eu fui constituído ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, a fim de cumprir a palavra de Deus, o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória." Este mistério, o anúncio do evangelho aos eleitos estava oculto em Deus por milhões de anos conforme Ef. 3: 8 a 12 - "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou, para que agora seja manifestada, por meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, no qual temos ousadia e acesso em confiança, pela nossa fé nele."
Finalmente, é revelado aos discípulos que há uma categoria de homens aos quais não é dado conhecer o mistério que esteve oculto em Deus, a saber, a justificação por meio da morte na morte de Cristo. Isto fica claro e sem qualquer interpretação conforme: ".. mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas; para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam e sejam perdoados." Podem ver e ouvir o evangelho, mas não podem crê-lo com o coração e confessá-lo com a boca para que sejam salvos. Se alguém acha isto injusto, antipático ou desumano, marque uma audiência com Deus e questiona-o, pois ele assim o decidiu.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PARA QUEM É A SALVAÇÃO? III

Rm. 10: 11 a 16 - "Porque a Escritura diz: ninguém que nele crê será confundido. Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? assim como está escrito: quão formosos os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos deram ouvidos ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem deu crédito à nossa mensagem?"
Um dos aspectos mais perturbadores no tocante à salvação é saber se ela é definitiva e incondicional ou condicionada à moralidade humana. Caso Deus tivesse condicionado a salvação do pecador à sua moralidade, ninguém seria salvo. Isto porque, o pecador é pecador por natureza e não apenas por atos falhos. Há nas religiões, grosso modo, o mecanismo maniqueísta, o qual instiga na mente dos seguidores que, se se afastarem da igreja poderão acontecer coisas ruins. Também metem medo nos ditos fiéis que o desvio poderá acarretar a perda da salvação. Tal mecanismo visa manter controle psicológico sobre os seguidores a fim de não sofrer redução numérica. Neste sentido, tais religiões se tornam cangas como aquelas que se colocam sobre os pescoços dos bois para que puxem a carga. Caracterizam-se pela multiplicação de preceitos, regras e normas, causando grande peso sobre os ombros dos seguidores. Torna-se em duplo fardo pesado, porque, nem os liberta da natureza pecaminosa, e os mantêm escravizados a um sistema religioso que os controla e manipula. A maior parte dos religiosos são amargos e sempre prontos a condenar e excluir os que não professam a mesma religião deles.
Jesus acusou os líderes religiosos do seu tempo da prática abominável do maniqueísmo conforme Mt. 23: 2 a 11 - "Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus. Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam. Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los. Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam os seus filactérios, e aumentam as franjas dos seus mantos; gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas, das saudações nas praças, e de serem chamados pelos homens: Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo. Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo." Os escribas eram chamados doutores da lei, porque, de tanto copiar as Escrituras decoraram-nas. Os fariseus formavam uma seita político-religiosa muito influente que detinha grande controle sobre o Sinédrio e a sociedade. Juntos ditavam o que era certo e o que era errado. Eles impunham muitas normas a serem seguidas, mas eles mesmos, sequer movia um dedo para cumpri-las. Há grande semelhança dos líderes dos dias atuais. Ainda hoje os que se fazem autoridade sobre outros gostam mesmo é de receber a glória dos homens e de obter privilégios. Jesus, o Cristo está dizendo aos discípulos: tudo o que eles disser a vocês no tocante as Escriturais fazei, mas não se comportem conforme seus padrões ético-morais. Ou seja, a mensagem da verdade nada tem a ver com o mensageiro. Rabi em hebraico significa "mestre", "meu mestre", ou "grande mestre". Portanto, nenhum homem está autorizado a se fazer de mestre perante os outros. Era, igualmente, costume destacar alguns homens sábios segundo a sabedoria humana e a posição social e chamá-los de pai. Entretanto, o Grande Rei também veda este costume, porque somente Deus é pai dos eleitos e regenerados. Também está desautorizado o costume de constituir determinadas pessoas como guias, pois como poderia um cego guiar outro cego?
O texto de abertura afirma categoricamente que ninguém que crê em Cristo será confundido. Isto equivale dizer que, uma vez recebendo a fé como dom de Deus o eleito jamais perderá a sua redenção. Jamais perderá a confiança na salvação recebida de uma vez para sempre. A distinção que os homens criam entre classes sociais, níveis de intelectualidade, origem étnica, cor da pele e gênero é tratada no texto. Jesus, o Cristo afirma que, a partir do momento em que o pecador é regenerado todas as distinções desaparecem. Quando tais distinções persistem é porque o homem ainda não teve experiência de novo nascimento. 
Outro aspecto bastante sensível no texto de abertura é a afirmação: "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." Tal afirmação não pode ser genérica ou universal, pois está condicionada ao que vem na sequência, a saber, aquele que invocar o nome do Senhor, porque recebeu o dom da fé por meio do evangelho. Não é, como já foi dito, uma simples emissão de voz afirmando que Deus é seu pai, que Jesus é seu Senhor. Isto qualquer pessoa pode fazer sem gerar qualquer consequência espiritual. 
Desta forma é Deus quem envia os mensageiros e não eles mesmos que se auto-enviam. Os mensageiros têm uma única mensagem a ser anunciada, a saber, a "palavra da cruz" ou "palavra da fé". Ao ouvir a mensagem os ouvidos dos pecadores são abertos pela ação monérgica de Deus por meio do Espírito Santo. Tal ação desperta os pecadores eleitos para a vivificação que, por sua vez, gera a regeneração. Assim, se cumpre o que está em I Pd. 2:9 - "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." Um eleito é alguém que foi preordenado pela soberana vontade de Deus e não alguém que se auto-elege por meio de justiça própria. Assim, o conjunto dos eleitos e regenerados segundo a vontade soberana de Deus forma um povo adquirido pela morte inclusiva e substitutiva de Jesus, o Cristo. Tudo o que passa disto é anátema!
Sola Gratia!