sexta-feira, 29 de maio de 2015

O FATOR DILUVIANO I

Gn. 6: 17 e 18 - "Porque eis que eu trago o dilúvio sobre a Terra, para destruir, de debaixo do céu, toda a carne em que há espírito de vida; tudo o que há na Terra expirará. Mas contigo estabelecerei o meu pacto; entrarás na arca, tu e contigo teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos."
Dilúvio se define como uma grande quantidade de chuvas capazes de inundar e devastar toda uma região ou um espaço geográfico. Também entende-se por dilúvio, uma catastrófica inundação que teria cobrido todo o mundo formado pelas terras ancestrais. Há registros históricos de tal catástrofe em todas as culturas de todos os continentes. Ainda que existam variações nas narrativas, todas convergem para a mesma história ou o mesmo foco.
O fato de o dilúvio ter sido registrado entre todos os povos e em todas as regiões da Terra, justifica, em parte, sua universalidade. Há evidências paleontológicas do dilúvio em todas as partes do mundo. Tais narrativas de um dilúvio universal levaram alguns pesquisadores a buscar evidências sobre este evento. Em 1998, os geólogos da Universidade de Colúmbia William Rayan e Walter Pittman concluíram que o dilúvio é um mito derivado de uma enorme catástrofe natural ocorrida por volta de 5.600 anos na região do atual Mar Negro. Segundo eles, o acontecimento teria causado a migração de diversos grupos humanos, o que fez que a história de uma grande inundação se espalhasse para diversos povos da Terra. Entretanto, nesse tempo recuado da História, como tais narrativas teriam chegado à América, onde se registram as mesmas narrativas entre os povos pré colombianos? Os povos uro, inca, asteca, maia, mapuche e pascuense (da Ilha da Páscoa) relatam o mesmo evento de uma grande inundação. Há os mesmos registros entre os povos antigos, tais como, egípcios, sumérios, babilônios, assírios, armênios, persas, chineses, etc.
Eusébio de Cesareia, em sua Crônica 26, a "Crônica Hebraica" aponta evidências paleontológicas do dilúvio. Já na sua época foram registrados fósseis de peixes no cume do Monte Líbano. Eusébio nasceu em 263 d. C. e foi um historiador da chamada Igreja Primitiva. Foi evangelizado por Doroteu de Tiro em Antioquia. Depois foi para Cesareia onde recebeu ensinamentos cristãos de Pânfilo e estudou a Bíblia e a Hexapla de Orígenes. Eusébio chegou a participar do primeiro Concilio de Niceia em 325 d. C. 
Os defensores do Criacionismo admitem que o dilúvio foi universal tal como registrado nas Escrituras. Para eles, as objeções levantadas pelos paleontólogos e geólogos de que as evidências não são contínuas na coluna geológica das camadas da Terra, não anulam os fatos bíblicos. Segundo os Criacionistas, tais descontinuidades se explicam pelos movimentos tectônicos que teriam contorcido as colunas geológicas. Assim, creem que as evidências são datadas de uma mesma época e não de épocas diferentes. Eles se apegam ao fato constatável da presença de evidências fossilíferas em diversas camadas da crosta terrestre de acordo com um padrão definido. Criticam a posição de alguns cientistas que atribuem aos registros fósseis à evolução das espécies que se sucederam ao longo das Eras Geológicas. Entretanto, os Criacionistas afirmam que antes do evolucionismo de Charles Darwin ser publicado, já haviam registros de pesquisadores dando conta das evidências do dilúvio nas camadas geológicas em diversos e diferentes lugares da Terra. Os Criacionistas também contestam os métodos de datação radiométricos, pois apontam a chamada "trilha dos dinossauros" em Glen Rose no Texas (EUA) como evidência que o homem e os dinossauros coexistiram na mesma época. Isto se deve ao fato que foram encontradas pegadas de humanos gigantes ao lado de pegadas de dinossauros em lama fóssil. Desta forma, se o homem coexistiu com os dinossauros toda a história geológica baseada nos processos de datação está errada.
Levanta-se, nesta série de estudos, a questão da necessidade de um dilúvio na Terra. O fato é que, no relato bíblico, Deus se arrependeu de ter feito o homem e, por isso, resolveu destruí-lo, bem como, todos os seres viventes na Terra. O texto, aparentemente, afirma que a razão desta decisão era o estado de impiedade ou de maldade humana na Terra. Registra-se em Gn. 6: 5 a 7 - "Viu o Senhor que era grande a impiedade do homem na Terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na Terra, e isso lhe pesou no coração E disse o Senhor: destruirei da face da Terra o homem que criei, tanto o homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito."
Qual a justificativa para o dilúvio que destruiu o homem e todos os seres viventes da Terra? O texto acima, por si só, não justificaria tal catástrofe, porque então seriam necessários inúmeros dilúvios ou outras catástrofes destruidoras periodicamente. Porque, a maldade do coração humano em nada mudou desde a queda de Adão no Éden. Obviamente há uma razão mais profunda que justifique o dilúvio e todas as suas consequências para o homem e a vida na Terra. Vê-se, pelo texto, que a questão não se restringiu à maldade do homem, porque o dilúvio afetou todos os animais, répteis e aves. Que maldade ou impiedade tais seres sem consciência moral teria cometido? Tal questão nos permite levantar três hipóteses para justificar o dilúvio:
  • Deus não é Onisciente, e, portanto, não foi capaz de prever que o homem teria o coração corrompido e mau.
  • O registro de Gênesis é uma fraude.
  • Houve algo ou um fato determinante muito grave para justificar o dilúvio.
Das três hipóteses acima, ressalta-se a última como a mais plausível, pois as outras duas estão fora de qualquer aceitação para quem crê, segundo o ensino cristão. Para ateus, agnósticos e materialistas as outras duas são perfeitamente possíveis.
Sola Fides!

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