segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O MANÁ NO DESERTO, O PÃO QUE DESCEU DO CÉU E AS RIQUEZAS INJUSTAS

Ec. 11: 1 e 2 - "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete, e ainda até com oito; porque não sabes que mal haverá sobre a Terra."
As Escrituras são formadas pelo Velho Testamento e pelo Novo Testamento. Um testamento, tanto em termos jurídicos, como em termos espirituais, é um registro documental que dá instruções sobre herança. Sabe-se que um herdeiro legítimo é sempre o filho e não um estranho, salvo se o testador desejar incluir alguém fora da sua linhagem no testamento. O conteúdo do Velho Testamento é descrito por sinais, profecias e revelações sobre a vinda do filho unigênito de Deus ao mundo. Falava-se por enigmas como propõe o apóstolo Paulo em I Co. 13:12 - "Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido." No Novo Testamento o filho de Deus é revelado por meio do homem histórico Jesus conforme Jo. 1:14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." Nas epístolas dos apóstolos os ensinos de Jesus, o Cristo é para edificação da Igreja que é o seu "Corpo Místico" formado por cada um dos eleitos e regenerados no tempo e no espaço.
A linguagem escriturística ocorre de duas formas: literal e figurada. A linguagem literal não exige e não necessita de qualquer interpretação, o texto fala por si só. Na linguagem figurada é necessário discerni-la e aplicá-la de modo correto para obter a revelação correta e completa. 
Em linguagem figurada são utilizados tipos e símbolos. Um tipo é uma representação, sendo interpretado com base nas características similares entre o tipo e o seu antítipo. Um tipo se imprime ou se aplica apenas uma vez e não pode ser totalmente compreendido enquanto o seu antítipo não se revela. Adão foi um tipo de Cristo, todavia só se pôde entender em que aspectos Adão era semelhante a Cristo após a vinda deste ao mundo. Eva, igualmente, foi um tipo da Igreja como a noiva de Cristo que, agora, se entende como sendo a esposa do Cordeiro. As sete igrejas do Apocalipse são tipos, porque prefiguram as igrejas que surgiriam ao longo da história. Um símbolo, por outro lado, possui significado determinado sem qualquer  referência a similaridades. Um símbolo pode ocorrer diversas vezes ou apenas uma única vez. Os símbolos podem ser entendidos antes do seu cumprimento, porém o seu sentido deve ser indicado no texto. O fermento é o símbolo do ensino enganoso e diabólico. A boa semente da parábola simboliza os filhos de Deus. Na linguagem simbólica a ação é sempre literal, apenas o sujeito da ação que é simbólico. Assim, deve-se encontrar o significado do símbolo, e então, aplicar a ação literalmente.
Jo. 6: 41, 50, 51 e 58 - "Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: eu sou o pão que desceu do céu; Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre." Os líderes religiosos judeus estavam se opondo a Jesus, por não reconhecê-lo como o Messias prometido no Velho Testamento. Quando Jesus, o Cristo se identificou como o Filho de Deus os religiosos o confrontaram, tentando reduzi-lo a um simples homem sem origem e sem autoridade. Ainda hoje este fato se repete aos que anunciam o evangelho. Para atacar o ensino da verdade o pecador ataca o mensageiro, porque o julga pela aparência e segundo a sua lógica humana decaída na natureza pecaminosa. Jesus, o Cristo disse que ele mesmo era o pão  que desceu do céu, utilizando um símbolo que é um alimento. O Cristo ainda demonstra que ele era fonte de alimento para saciar total e eternamente a fome do pecador. Ele afirma que é a fonte da vida eterna e que, quem dele se alimentar, jamais morrerá. Obviamente, ele não estava falando da morte física, mas da morte espiritual ou eterna. Jesus, também demonstra que o símbolo do maná dado ao povo hebreu no deserto era apenas um símbolo do verdadeiro pão vivo que desceria do céu. No texto de Eclesiastes, a expressão: "lança o teu pão sobre as águas" é uma alusão, tanto à pregação do evangelho, como a obra da caridade a quem necessita. O pão é o símbolo do Cristo, enquanto as águas são o símbolo das Escrituras e dos povos e nações. Desta forma, lançar o pão sobre as águas é anunciar o evangelho de Cristo por meio da pregação da sua morte e ressurreição. Isto porque, a fé vem pelo ouvir e o ouvir da Palavra de Deus.
Lc. 16:9 - "E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos." Todo religioso é legalista consciente ou inconscientemente. Muitos vivem se regulando e regulando a vida dos outros pelo que fazem ou deixam de fazer, presumindo contribuir para a sua espiritualidade. Alguns estimam que são mais abençoados, porque ganham a vida com o fruto do trabalho honesto. Outros não jogam em loterias, porque estimam que é pecado. Todavia, Jesus, o Cristo está ensinando no texto acima que toda riqueza é de origem injusta. Isto porque o plano eterno de Deus é que o homem viva absoluta e totalmente na dependência da sua graça. Cristo mostra que, mesmo sendo as riquezas de origem injusta devem ser aplicadas no anúncio e proclamação da verdade, porque este é o sentido de "fazer amigos" no texto. Demonstra que ao investir a sua riqueza de origem injusta na verdade estará granjeando amigos para a eternidade. Ao granjear amigos, isto é, irmãos espirituais, ainda que, com riquezas injustas estes lhes serão eternos, quando as riquezas injustas não mais existirem. Tais riquezas, não significam apenas dinheiro ganhado de maneira considerada honesta ou desonesta, mas também a doação de si mesmo. Muitos julgam que ao dar coisas estão ganhando pontos com Deus para uma suposta evolução. Outros ainda, supõem que estarão ganhando mais bênçãos materiais como recompensa. Ainda outros julgam que ganharão a própria salvação ao dar coisas. As vezes um pecador necessita apenas do pão que alimenta para a vida eterna. Nada mais!!!
Sola Gratia!

domingo, 28 de dezembro de 2014

FÉ AUTÊNTICA x CRENDICE RELIGIOSA

Rm. 12: 1 a 3 - "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um."
Fé é uma minúscula palavra em língua portuguesa que provém do grego koinê neotestamentário. No grego bíblico fé é 'pistis' e no latim eclesial é 'fides'. Na língua original do novo testamento fé é algo intangível e invisível. Portanto, não é algo sensoreável ou seja, que se pode sentir. Havendo sentimentos ou sensações naturais já não é fé, mas apenas ciência. O sentido bíblico de fé é a absoluta confiança na justificação do pecador na morte com Cristo. É também a dependência plena do poder, da bondade e da sabedoria de Jesus, o Cristo como salvador do pecador. A fé só vem após a metanoia, a saber, o arrependimento concedido por Deus por graça e misericórdia e não por mérito humano. Após o arrependimento que é o reconhecimento da própria natureza pecaminosa e morta para Deus, o homem recebe o dom da fé para descansar n'Ele. A fé como citada acima é ensinada em Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem." Portanto, fé é uma base firme, porém invisível e a absoluta certeza daquilo que não está materialmente diante do homem.
No sentido de mero assentimento intelectual ou crenças religiosas a fé não pode salvar ou regenerar o pecador. Esta categoria de fé é comum aos homens decaídos e aos demônios conforme Tg. 2:19 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem." Vê-se que, no quesito de fé puramente racional e emocional, os demônios são mais eficientes que muitos homens, pois não apenas creem, mas também estremecem diante de Deus. Esta natureza de fé nada mais é que a soma das doutrinas, dogmas, preceitos de sistemas religiosos, crenças e conteúdos objetivos do cristianismo teórico ou nominal. É uma espécie de fé na fé, recaindo em um tipo de saber humano e não no dom de Deus. 
No texto bíblico de abertura o apóstolo Paulo apela aos cristãos em Roma que apresentassem seus membros como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Isto implica, não em justiça própria ou mérito para agradar a Deus, mas em viver com a mente renovada e inclinada para ele. Não se trata de votos de abstinências ou de auto-flagelo, mas de uma devoção por fé. Tal oferta não é o fator determinante para agradar a Deus, mas a consequência da própria ação monergística d'Ele após a regeneração do pecador. A oferta dos membros em sacrifício vivo é um contraste aos sacrifícios de animais que, agora, não têm mais sentido, visto que o sacrifício de Jesus, o Cristo foi feito na cruz. A oferta morta de bodes, touros, cordeiros e aves eram apenas indicação do sacrifício final de Jesus, o Cristo na cruz. Após o arrependimento dado por Deus e o recebimento da fé como dom d'Ele, o regenerado tem prazer em oferecer suas habilidades, separando-se da mentalidade mundana e volta-se com alegria para oferecer-se como instrumento para a honra e a glória de Cristo. O regenerado não se transforma em um super homem perfeito, mas em alguém no qual a fé de Cristo age para glorificar a Deus.
O ensino do texto é que o verdadeiro culto é racional no sentido espiritual e não da simples racionalidade intelectiva. A palavra utilizada no texto para 'racional' é 'lógico' [λογικoς]. O sentido do termo 'racional' no contexto é metafórico e não literal conforme I Pd. 2:2 - "...desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação..." O termo 'puro' neste texto é grafado com a mesma palavra 'racional' do texto de Rm. 12:1. Assim, o sentido de "culto racional" é buscar agradar a Deus de modo puro, ou seja, não misturado às crenças, dogmas, preceitos e doutrinas religiosas ou resultantes apenas dos sentimentos da alma humana não regenerada. O texto não ensina que a fé é o resultado de um exercício intelectual ou da racionalização lógica  do homem. Alguém afirmou em uma entrevista no programa do Jô Soares que a fé é racional, porque do contrário ela seria apenas fideísmo. Ora, ele foi bem em 99% da entrevista sobre assuntos de cunho histórico. Porém, quando adentrou no campo da verdade espiritual escorregou feio. A questão é que, ao afirmar por confrontação entre fé e fideísmo ele lançou mão de um axioma de caráter lógico no sentido puramente intelectual. Apelou apenas para a semântica do assunto, mas não atentou para o sentido espiritual do mesmo. Fideísmo é por definição uma doutrina teológica que, desprezando a razão, afirma a existência de verdades absolutas fundamentadas na revelação e na fé. Ora, é exatamente isto que é fé no ensino de Jesus, o Cristo, como também dos apóstolos e discípulos. Portanto, fé não pode ser racionalizada e produzida pela mente ou a inteligência do homem. Talvez ele devesse afirmar que não é correto ter fé na fé, mas não  dizer que a fé é o subproduto da razão humana decaída e absolutamente corrompida diante de Deus.
Quando uma pessoa, por mais bem intencionada que seja, coloca a fé nos termos racionalistas está caindo exatamente naquilo que o apóstolo Paulo previne para que os cristãos não façam: "porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um." Quando o homem possui de si mesmo tão alto conceito acima do que é ensinado nas Escrituras, elimina o sentido verdadeiro e genuíno da fé. O foco estará centrado no homem e não em Cristo. Isto se explica pelo fato que a fé é um dom de Deus e não uma virtude humana. Portanto, a fé que há no cristão não é da sua própria autoria, mas é a fé de Cristo nele para que possa se aproximar de Deus por meio dela. Por esta razão o correto não é dizer que se tem fé em Deus, mas dizer que tem a fé de Deus.
A expressão "... vosso culto racional" é uma forma de confrontar a fé formal praticada pela religião humana e a fé salvífica dada por graça e misericórdia ao pecador para que ele viva e ofereça seus membros a Deus.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A VERDADE É UNA E UMA SÓ

Ef. 4: 4 a 7 - "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos. Mas a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo."
Verdade é um substantivo feminino que significa: 'propriedade de estar conforme com os fatos e a realidade'. Portanto, a verdade  requer perfeita conformidade e fidelidade genuínas. Não pode ser um símile ou uma imitação da realidade. Por mais que a mentira e o engano se assemelhem à verdade, estes não podem substitui-la.
No tocante a esfera espiritual a verdade não é um conceito ou uma concepção filosófica. É, antes, uma pessoa, a saber, Jesus, o Cristo conforme sua própria autodefinição em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Esta é a única verdade que reconcilia o homem decaído a Deus pela justificação na morte de Cristo. Deus, o pai conduz o homem decaído até a cruz para ser incluído na morte de Jesus, o Cristo, ali o pecado original ou a 'morte' é aniquilado. Ao ressuscitar juntamente com Cristo, a nova criatura é reconciliada  a Deus por meio de Cristo, fechando um círculo completo de 360°. Este era o segredo oculto nos séculos conforme Rm. 16:25b - "...conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos..."
O universalismo é uma doutrina filosófica a qual presume ensinar ao homem, em sua sabedoria contaminada pela natureza pecaminosa, que há inumeráveis formas e caminhos de superar a questão do pecado, do mal moral e da morte espiritual. Também presume que a redenção é para todos e por diversos meios. Alguns clichês populares indicam esta linha de pensamento, como por exemplo: "Deus é um só, mas há diversos caminhos para se chegar a ele." Entretanto, o ensino puro das Escrituras anula todas as presunções do universalismo, ainda que pareçam lógicos e atraentes ao homem. As Escrituras não fazem concessões à natureza pecaminosa no homem e não estimula a busca da alma decaída por gratificação. A verdade dá ao homem decaído a exata dimensão da sua condenação e indica o único caminho possível à redenção.
O fato é que, se há uma única verdade, algo está muito errado, pois há grande diversidade de crenças e práticas. Todos afirmam estar com a verdade, fazendo-a uma espécie de propriedade particular. Todos se arvoram como senhores da verdade, porém, tal concepção, por si só aniquila todas estas verdades humanas, reduzindo-as à mentira e ao engano religioso de cunho gnóstico.
O texto que abre este estudo mostra que há uma única igreja identificada como o corpo, há um só Espírito Santo, uma só esperança na eleição e predestinação ou vocação. Há um só Senhor, um só batismo, e um só Deus. Neste caso, justificam-se as tantas e diferentes igrejas e seitas? Por que o Espírito Santo ensinaria diferentes verdades? Por que haveria tantas e diferentes vocações entre os homens? Por que Deus estabeleceria tantos senhores neste mundo? Por que os diferentes modos de batismos? Por que Deus, sendo único e soberano seria crido e caracterizado de modos os mais diversos?
Segundo o texto, o único dom que é dado a cada um conforme a medida de Deus é a graça. Por graça entende-se a ação monérgica de Deus, concedendo salvação e seus consequentes benefícios a quem não merece absolutamente nada. 
Não há diversas e diferentes verdades, porque ela é uma só conforme Sl. 119:160 - "A soma da tua palavra é a verdade, e cada uma das tuas justas ordenanças dura para sempre." Muitas são as formas de ensino procedentes palavra de Deus, mas a verdade é una e uma só. Tal verdade é a mesma do começo ao fim e dura eternamente. Todavia, as verdades do homem duram enquanto satisfazem os seus desejos da carnalidade.
I Co. 8: 5 a 7 - "Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também. Entretanto, nem em todos há esse conhecimento." Desta forma  Paulo ensina que há os que se auto-proclamam "deuses", tanto no mundo espiritual, como no mundo material. Entretanto, aos eleitos e preordenados antes dos tempos eternos há um só Deus, o Pai, e um só Senhor, Jesus, o Cristo. Todas as coisas foram feitas por ele e para ele. A questão é que, nem todos os homens recebem o dom da graça para ver e entrar no  reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Sem nascer do alto, o homem não vê e não entra. Por esta razão há tantos deuses, tantas verdades e modos diferentes de operacionalizar tais religiões. 
Por não poder ver e entrar mediante o caminho único, o homem recria novos fundamentos apoiados em sua mente contaminada pela natureza pecaminosa. Isto lhe proporciona gratificação na alma que, contaminada, tenta reencontrar o caminho de volta para o Paraíso com base em si mesma. Tal situação  acaba por produzir a cada dia novas exigências cerimoniais, sacrificiais, rituais e carnais. Por esta razão religiosos são tão legalistas e críticos em relação a todos e a tudo que lhes parece fora do controle.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

COMO SATANÁS USA A RELIGIÃO PARA PREGAR O ENGANO

Lc. 21: 12 e 19 - "Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho. Proponde, pois, em vossos corações não premeditar como haveis de fazer a vossa defesa; porque eu vos darei boca e sabedoria, a que nenhum dos vossos adversário poderá resistir nem contradizer. E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós; e sereis odiados de todos por causa do meu nome. Mas não se perderá um único cabelo da vossa cabeça. Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas."
Alguém alhures afirmou que o melhor engano é aquele que mais se assemelha à verdade. Faz todo sentido, pois se o engano se apresentar como engano, ninguém o crerá. Em espionagem o agente usa diversos disfarces para não parecer ser quem realmente é. Por isto é chamado de agente secreto, pois deverá cumprir a sua missão e não ser descoberto. A descoberta do disfarce coloca o agente em exposição e ao risco de morte.
No cristianismo nominal, histórico e apenas institucional se vê uma grande efervescência e movimentação com base apenas no engano. Muitos tomam tais sinais como evidência da aprovação de Deus. Outros tomam tais manifestações da religião exterior como um novo avivamento que evangelizará o mundo. Ledo engano, pois tais movimentações são de cunho puramente emocional. Têm mais a ver com ativismo e evangelicalismo do que com a verdade evangélica.  São apenas disfarces do engano e não a verdadeira face da verdade. Deus nunca trabalha com as maiorias e, muito menos, com os que se acham sábios e poderosos neste mundo. Ele sempre usou e usa os menos prováveis e os menos óbvios, justamente para que não seja dada a glória ao ensino de homens. Tudo o que estiver fora da centralidade de Cristo na cruz é mero disfarce diabólico, ainda que bem intencionado. Não é pelo fato que alguém dentro de uma igreja pronuncia o nome de Cristo, canta hinos, cumpre rituais e ordenanças que está com a verdade.
Milan Kundera, autor do livro "A Insustentável Leveza do Ser" afirmou: "percebi com espanto que as coisas concebidas pelo engano são tão reais quanto as coisas concebidas pela razão e pela necessidade." Guardadas as devidas distâncias entre a posição puramente filosófica e a verdade de Deus, ele tem toda razão em sua percepção. Muitos tolos imaginam que o engano é algo subjetivo e jamais produz algum resultado. Ao contrário, o engano vem justamente para gratificar a alma do homem decaído. Portanto, ele sempre é mais eficiente em satisfazer os desejos do coração humano. A verdade, entretanto, é sempre muito dura e desconcertante aos desejos almáticos.
Observam-se hoje pessoas que se auto-intitulam cristãs bastante motivadas e cheias de boas intenções, porém praticando o engano. Elas não aceitam este fato quando confrontadas pelo evangelho da verdade, porque a primeira evidência do engano é a  vaidade religiosa. Ninguém, por mais religioso e enganado que seja, admite esta posição por conta própria. Tais pessoas já chegaram a um limite de programação neuroreligiosa que é muito difícil reconhecer-se enganadas e retroceder desta posição. Esta é uma obra realizada apenas pela ação monérgica do Espírito Santo através das Escrituras. Entretanto, o dificultador é o fato de a mensagem ser apresentada por outra pessoa susceptível a falhas e portadora de defeitos. Assim, o religioso olha, não para a mensagem anunciada, mas para o mensageiro que a anuncia e, ao encontrar falhas nele, rejeita a mensagem por causa do mensageiro. É tudo o que o Diabo quer fazer nesse mundo para afastar o homem da cruz!
Determinados líderes religiosos que se metem a pregar o que não conhecem acabam por gerar uma doutrina mística e, por vezes, mítica. O limite entre o que é verdade e o que é engano é muito tênue. Por esta razão os seguidores destes falsos mestres não percebem e saem reproduzindo o erro.  Um desses líderes afirmou: "a obra que Deus quer fazer em você o libertará de toda opressão, paixões e demais sofrimentos. O Senhor não está endossando ou propagando religião alguma, e sim levando quem acredita em sua Palavra a experimentar o melhor d'Ele nesta vida e, depois, na eternidade. Porque não pesquisar, orar e pedir ao Altíssimo que lhe mostre a verdade? O fanatismo faz as pessoas se fecharem e não observarem as escrituras. Ora, por trás de todo fanatismo há uma fé mental ou maligna. Jesus disse que todos deveriam examinar as Escrituras, pois nelas há a vida eterna  e são elas que testificam d'Ele (Jo. 5:39) e de nós também." 
Primeiramente, Jesus, o Cristo é o único libertador do homem e Deus, o Pai, quem leva o pecador até a Cruz para ser libertado conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer..." Cristo liberta do pecado, a saber, do que o homem é e não apenas do que faz. Este é o primeiro engano, pois o religioso está preocupado com a libertação de circunstâncias, tais como, opressão, paixões e sofrimentos. Este tipo de ensino é enganoso, porque ainda que uma pessoa sinta-se aliviada após um culto em um certo credo, não significa que foi libertada da sua natureza pecaminosa. Ela continuará portadora da causa determinante dos atos pecaminosos e os erros retornarão cada vez mais fortes. É como tentar cortar uma erva daninha em uma plantação, aparando apenas os galhos e as folhas desta praga. Pela raiz, a praga crescerá cada vez mais resistente e forte. Muitos filhos de Deus nascidos de novo permanecem com graves problemas psicológicos, físicos e comportamentais até o último dia de vida. Não há nenhuma garantia de livramento instantâneo de problemas na vida de um nascido de Deus. Há total garantia da aniquilação da sua natureza pecaminosa e do tratamento constante da sua alma em suas fraquezas e falhas ao longo da vida. Quando o tal pregador afirma que o Senhor não está endossando ou propagando religião é uma verdade, porém ele mesmo serve, se serve e propaga uma religião. Desta forma prega-se o que não vive e vive o que não prega. Deus não leva uma pessoa a acreditar em sua Palavra, ele convence o homem do pecado, da justiça e do juízo por meio das Escrituras. É outro processo, pois uma pessoa que apenas acredita na Palavra de Deus pode não ter a fé salvadora. Acreditar por acreditar até os demônios acreditam conforme Tg. 2:19 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem.
Secundariamente, falar de fanatismo é algo muito relativo também, pois na visão de um incrédulo qualquer pregação da cruz é vista como fanatismo. Também é fato que os fanáticos acreditam veementemente que estão servindo a Deus. Portanto, é necessário que se defina exatamente o que é e o que  não é fanatismo. Jesus não afirmou que a vida eterna está nas Escrituras. Ele afirmou que os religiosos judeus buscavam a vida eterna nas Escrituras. São afirmações absolutamente diferentes. Tanto é que, na sequência, Cristo lhes disse que a vida eterna era ele mesmo, porém os tais não podiam recebê-lo conforme Jo. 5:40 - "... mas não quereis vir a mim para terdes vida!" Desta forma a vida eterna é Cristo e não as Escrituras. As Escrituras apenas relatam o ensino verdadeiro. Portanto, é muito fácil enganar milhões de pessoas usando a própria Bíblia. Estes pregadores do anátema não sabem nada a respeito da verdade. Eles buscam apenas a glória dos homens, por isso, não conseguem ver e entrar no reino de Deus nos termos de Jo. 3: 3 e 5.
Ao contrário do que é ensinado nas igrejas institucionais e na religião comum, o mundo não se curva à simpatia dos que pregam a verdade. O texto de abertura, que é escatológico, demonstra com clareza que, ao contrário, o mundo aumentará gradativamente o ódio à verdade e àqueles que a anunciam. Isto é o mais óbvio, pois há uma permanente inimizade entre o mundo e os que foram libertados dele pela cruz. Não se sabe de onde tais pregadores da mentira retiram este 'evangelho água com açúcar', no qual os crentes são amados por todos os que amam o mundo. O que Cristo afirma sobre as relações entre os nascidos do alto e o mundo são as seguintes: "... e até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós; e sereis odiados de todos por causa do meu nome." Os inimigos dos santos serão os da sua própria casa em primeiro lugar e depois os amigos. Porque são estes os que convivem mais de perto e, portanto, sentirão primeiramente o ódio pelos filhos de Deus. Depois os amigos serão inimigos e os eleitos sofrerão todo o dano para que o testemunho da verdade seja dado ao mundo. Isto não quer dizer que o mundo se curva ao evangelho, mas que o evangelho seja pregado a toda criatura. O ódio é por causa do nome de Jesus, o Cristo e não se os eleitos são corretos ou aprovados.
At. 2:47 - "E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos." Os cristãos primitivos caíam na graça do povo por seus exemplos, acima de tudo, Deus acrescentava os eleitos à Igreja para serem salvos. A ação era, é e sempre será unicamente de Deus. As pessoas percebiam a graça de Deus nas vidas dos seus eleitos e regenerados.
Sola Fide!