segunda-feira, 29 de setembro de 2014

OS SOBERBOS x OS MANSOS

At. 18: 24 a 26 - "Ora, chegou a Éfeso certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus, conhecendo entretanto somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga: mas quando Priscila e Áquila o ouviram, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais precisão o caminho de Deus."
Soberba é um substantivo feminino proveniente do latim 'superbia' ou 'superbiae'. O vocábulo traz as seguintes significações: altivez, orgulho, arrogância, presunção. Indica uma atitude em que o indivíduo se coloca a si mesmo em posição mais elevada à que de fato tem. Tal presunção faz que o soberbo não abra o filtro para averiguar e avaliar seus próprios princípios. Quando confrontado, geralmente, se fecha, ficando no ataque, ou na defesa. O soberbo lança mão dos argumentos que assimilou, geralmente de terceiros, os quais considera como única verdade plausível. 
Os mansos são aquelas pessoas, as quais consideram seus princípios, ideais, crenças e valores, porém, sem desconsiderar que podem apreender mais. São capazes de reconhecer erros e são dispostos a mudar para alcançar o que há de melhor. Manso é um adjetivo que caracteriza uma pessoa afável, sossegada, dócil, tranquila, serena. O termo provém do latim 'mansus' e de 'mansuetudinis' que é mansidão, brandura, bondade. 
Mt. 5:5 - "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra." No sermão da montanha Jesus, o Cristo afirma que os mansos herdarão a Terra. Mas, quanto aos soberbos é dito em Tg. 4:6 - "Todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes." Desta forma é revelado que é Deus mesmo quem resiste aos soberbos. Tremenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo. No 'magnificat' de Maria, a mãe de Jesus é dito que "...Deus dissipa os soberbos nos pensamentos dos seus corações." Tal processo começa, dando-lhes a oportunidade de ouvir a verdade. O modo como reagirão à verdade é que determinará o que está em seus corações: soberba ou mansidão.
O texto de abertura revela com clareza e sem qualquer interpretação, que, Apolo, natural da cidade de Alexandria era um homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Isto quer dizer apenas que ele falava com desenvoltura e boa oratória e, que conhecia os textos sagrados. Nem mais, nem menos que isto! Também este judeu Apolo era instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso no espírito falava e ensinava com precisão as coisas concernentes ao Senhor Jesus, o Cristo. Desta forma se pode apreender que Apolo havia recebido alguma instrução sobre os ensinamentos de Cristo e que era muito entusiasmado. Utilizava sua capacidade de comunicação para ensinar com precisão coisas que diziam respeito à pessoa de Jesus. É notório que muitos ateus podem fazer o mesmo ou melhor que Apolo. Tal capacidade é apenas didática, ou seja, a pessoa lê, estuda e entende um assunto e é capaz de reproduzi-lo aos outros.  Isto não implica, absolutamente, que houve qualquer experiência espiritual.
É demonstrado que Apolo recebeu ensino instrutivo e reprodutivo e apenas o batismo nas águas. Tal batismo era praticado por João, o batista nas águas do rio Jordão. Era uma prática comum no judaísmo como parte da lei cerimonial como oblação em água para purificação de pecados. Entretanto, o batismo de João era apenas um símbolo da morte e ressurreição de Cristo. Ao imergir em águas indica a morte e o sepultamento do pecador na morte de Cristo. Ao emergir das águas indica a ressurreição do regenerado com Cristo. Portanto, o batismo de João era apenas uma simbologia da morte e da ressurreição. Com base apenas nestas realidades Apolo tomou da palavra e falava ousadamente na Sinagoga dos judeus na cidade de Éfeso. Hoje se vê, por muito menos, pessoas se auto-intitulando de doutores em divindades, apóstolos e outros títulos a mais.
Todavia, Priscila e Áquila, membros da Igreja em Éfeso, o ouviu e percebeu, pelo espírito, que lhe faltava mais exatidão. Tomaram a Apolo,  e, conduzindo-o, possivelmente, à sua casa o instruíram com mais precisão, o caminho de Deus. Verifica-se que, em nenhum contexto das Escrituras se registra qualquer resistência de Apolo. Ele simplesmente recebeu com mansidão a orientação mais exata do caminho de Deus. Vê-se que Priscila e Áquila não lhe expôs os caminhos da religião, mas o caminho de Deus. Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Deus não tem diversos caminhos, como propõem os espiritistas e universalistas. O caminho de Deus não é um conjunto de preceitos, regras, normas ou leis. É uma pessoa, a saber, o seu próprio Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Caminho significa método, portanto, Jesus, o Cristo é o método de Deus para reconduzir o pecador eleito à comunhão eterna.
Apolo poderia ter se aferrado aos seus conhecimentos adquiridos de terceiros. Eram conhecimentos apenas descritivos ou narrativos acerca do caminho de Deus. Apolo não conhecia o próprio caminho de Deus, mas apenas coisas concernentes a ele. Este é o dilema da maioria dos religiosos dos tempos atuais: conhecem muito sobre a bíblia, sobre pregadores, sobre autores de livros, sobre músicas soberbamente chamadas de 'gospel'. De evangelho mesmo, a maior parte das tais músicas nada possui. Muitos religiosos possuem apenas conhecimento intelectivo sobre as Escrituras, sobre Cristo, sobre Deus, sobre igrejas. Usam os textos bíblicos apenas como uma espécie de auto-afirmação para manter suas posições conseguidas de homens. Tais religiosos são soberbos e inchados em seus conhecimentos. A primeira evidência desta pobreza de espírito é a forma em que reagem aos que os procuram para lhes fornecer algo a mais. Respondem com uma gama de textos bíblicos desconexos, com agressões e ofensas. Levantam dúvidas sobre o interlocutor para refutar sua mensagem. Este é um processo diabólico: desqualificar o pregador, imaginando com isto, desqualificará a mensagem. Ora, o pregador pode ser, absolutamente, desqualificado, atacado, xingado e ofendido, mas a mensagem jamais. Enquanto o pregador é homem sujeito a falhas, a mensagem é eterna e de origem divina. Portanto, é perda de tempo desqualificar o mensageiro imaginando que desqualificará a mensagem.
É natural que uma pessoa sem experiência de nascimento do alto reaja ao que lhe é estranho e diferente, pois não recebeu revelação. Uma coisa é conhecer as Escrituras apenas como 'logos', outra é conhecê-las como 'rhema'. Jó esclarece este dilema quando diz: "... com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza." Os mansos, ainda que possuam grande conhecimento, recebem a verdade com simplicidade e singeleza de coração. Depois que são ensinados pelo Espírito Santo, eles se abominam e se reconhecem necessitados, incompetentes e carentes da glória de Deus. Os soberbos, ao contrário, se aferram aos seus méritos, conhecimentos humanos e doutrinas de homens.
Sola Scriptura!

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