quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O RICO, O MENDIGO E A VIDA ETERNA

Lc. 16: 19 a 31 - "Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."
Os néscios, incrédulos e místicos veem nos textos das Escrituras apenas lendas e mitos. Como não alcançam revelação espiritual, preferem reduzir a Palavra de Deus a uma mera fábula inventada por homens para oprimir os pobres e desfavorecidos. Estas ideias foram disseminadas pelo marxismo cultural e correntes dele derivadas. O materialismo dialético, bem como a natureza pecaminosa levam o homem natural a substituir o que é da esfera espiritual pelo que é da esfera humana. Assim, servem ao propósito de Satanás que lhes incutiu a ideia de serem como Deus, portadores de autonomia plena, conforme o registro de Gn. 3:5 - "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Tais ideias são disseminadas hoje por meio de uma falsa doutrina denominada de "livre arbítrio". Todavia, o homem, nem é livre, nem possui poder de arbitrar nada.
O texto que abre esta instância é um dos mais profundos ensinamentos de Jesus, o Cristo. Por meio do recurso didático de parábola, o Mestre ensina que há sim, o céu, o inferno e a impossibilidade de movimento entre os mortos e os vivos. Todavia, na contramão dos ensinos de Cristo estão as doutrinas espiritistas, as quais postulam que não há condenação, pecado, Satanás e inferno. É exatamente esta ideia que o Diabo quer que se divulgue, pois isto mantém o homem engajado em seus sistemas religiosos e humanistas que não produzem a regeneração. Em muitos casos tais crenças e religiões produzem gente arrogante, perversa, enganada e enganadora. Isto porque, os tais presumem ser algo que não o são.
As figuras do rico e do mendigo não se propõem a condenar um por suas posses e a exaltar o outro por sua pobreza. A questão tratada no texto não se circunscreve à esfera do bem e do mal. O rico é uma tipificação de pessoas que confiam apenas em si mesmas e no que possuem. o mendigo é o tipo dos que, desprovidos de bens e prestígio, se põem humilhados e dependentes do que lhes é dado. O rico é o tipo dos que se julgam autossuficientes, enquanto o mendigo é o tipo dos que dependem plenamente da graça e da misericórdia. Verifica-se que, tanto a riqueza do rico, como a pobreza do pobre foram recebidas por eles e não como fruto do esforço ou do ócio de ambos.
Verifica-se ainda que, tanto o mendigo como o rico morreram indicando o fim comum a todos os homens. Todavia, a destinação final de ambos é que foi diferente. O seio de Abraão simboliza a bem aventurança eterna ou aqueles que foram redimidos pela graça mediante a fé. Visto que Abraão creu e isto lhe foi imputado por justiça, semelhantemente os que vivem da fé são chamados de filhos de Abraão. O inferno para onde foi o rico, não porque era rico, mas porque se julgava autossuficiente é, na verdade, o mundo dos mortos denominado no texto grego de Hades ou Tártaro. É um lugar de trevas e de tristeza e angústia daqueles que aguardam o juízo final. O inferno como lugar de tormento eterno ainda está sendo preparado para Satanás e seus seguidores conforme o texto apocalíptico. Neste caso é chamado de "lago de fogo e enxofre".
O texto, em seu contexto, ensina claramente que não há qualquer chance de os mortos se comunicarem com os vivos e vivos se comunicarem com os mortos. É dito que existe um grande abismo entre o mundo dos mortos e o mundo dos regenerados no céu, como também do mundo dos vivos. O rico ao ver a felicidade do mendigo no céu pediu que se permitisse a algum dentre os mortos ir à casa dos seus familiares para lhes anunciar a verdade. Entretanto, é dito ao rico, agora atormentando, que isto não produz os efeitos que se esperam. É exigido que os vivos busquem a verdade simbolizada por Moisés e pelos profetas. Moisés, neste caso, representa a lei moral estipulada por Deus aos homens. Os profetas representam os ensinos sobre a vinda do Redentor Filho de Deus e Salvador. Todas as profecias apontavam para Jesus, o Cristo, portanto é ele a centralidade do texto bíblico e não o homem. O ensino central é que a justificação do pecador é pela fé e não por sinais e evidências de seres do mundo dos mortos.
Ainda sobre o apelo do rico para que fosse enviado alguém dos mortos a fim de pregar a verdade aos seus parentes observa-se a negação irrevogável. Foi-lhe dito que este método não funcionaria, pois quem não ouve e não crê nas Escrituras, tão pouco crerá ainda que alguém dentre os mortos ressurgisse para lhes anunciar qualquer ensino ou mensagem. Desta forma fica evidente, pela Escrituras, que quaisquer ensino que põe em contato vivos e mortos não procede da verdade do Deus Altíssimo.
Sola Gratia!

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