sábado, 18 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO VI

II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas."
Considerando o tema, "cristianismo sem Cristo" ao questionar qualquer religioso sobre sua religião, crença e convicções o tal dirá que é membro de uma igreja a qual possui doutrina verdadeiramente bíblica. Isto ocorre, porque estas pessoas são convencidas pela repetitividade dos dogmas, preceitos, regras e normas ditas pelos seus líderes. Elas sofrem um intenso processo de aliciamento e internalização de tais ideias as quais julgam ser procedentes, porque são ditas por alguém credenciado em teologia ou que afirma ter recebido um dom especial de Deus. Tais ideias assessórias são anunciadas e enunciadas repetidamente até que as pessoas se achem plenamente convencidas de que são verdades. O fato de alguém ter títulos, formação em seminários, alegar por si e  para si mesmo dons espirituais, citar textos bíblicos, não o torna portador da verdade cristã. Não por estas razões apenas!
Por não ter passado pela experiência de novo nascimento, muitos religiosos desistem de procurar a verdade, porque não têm inclinação espiritual para as coisas espirituais. Tais pessoas têm inclinações apenas religiosas ou para um sistema de crenças que lhes dê alguma esperança neste e para este mundo. Confundem convencimento intelectivo com a fé doada e dada pelo Espírito Santo. Por cegueira, preferem crer apenas no que ouvem sem buscar a confirmação nas Escrituras, sofrendo por isto, os danos decorrentes.
Os cristãos sem Cristo consideram, em primeiro grau, os anos de existência da denominação religiosa a que pertencem; contabilizam o conjunto das normas, preceitos e regras estabelecidos ao longo da história eclesiástica; analisam as lutas e conflitos sofridos ao longo da história da sua igreja e tudo o que os antigos membros sofreram para manter as suas crenças; elas também comparam o número de pessoas que creem como elas naquela determinada denominação; imaginam que, dentre os membros daquela igreja ou seita há pessoas ilustres e muito esclarecidas intelectualmente, portanto, tudo deve estar certo. Confiam nas pessoas dotadas de grande sabedoria evangélica, porque já leram a Bíblia diversas vezes; evocam como grande validade os tantos líderes que são teólogos, autores de livros e pessoas distintas e queridas pela sociedade como retas, integras, tementes a Deus e que se desviam do mal. Tudo isto funciona como uma espécie de conforto e legitimação, fazendo-as imaginar que estão igualmente certas e que não há com o que se preocupar.
Ao colocar na balança todas as suas ponderações concluem que estão em uma igreja verdadeira e que sua crença é a única genuinamente cristã. Buscam textos, evidências, experiências de outros  ou próprias para legitimar as bases do seu sistema de crença, validando-o e confirmando-o como autêntico. Também, coletam textos bíblicos citados nos documentos, declarações de fé, confissões e credos antigos para amparar a sua firme convicção religiosa.
Ora, o inusitado é que todos em todas as religiões fazem as mesmas aferições para justificar suas crenças. Portanto, todos alegam estarem com a verdade em seu favor. Ora, se a verdade é uma só, como pode haver tantos possuindo-a? Não sabem que as Escrituras mostram que é a verdade que possui o nascido de Deus e não o contrário, como se supõe comumente.
A verdade não é uma concepção religiosa, um conceito, uma definição, um conjunto de práticas exteriores. A verdade é uma pessoa, a saber, o Cristo conforme Ele mesmo se define em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Estas pessoas, ainda que bem intencionadas, buscam subsidiar sua crença e religião, mas deixam de considerar o essencial. O que conta, de fato, é se tais ponderações, julgamentos e considerações são a sã doutrina ou doutrinas de demônios reveladas por espírito enganadores. Elas não observam se as antigas confissões de fé e os antigos credos dos cristãos primitivos continuam sendo levados em conta ou se são apenas um amontoado de escritos puramente históricos. Elas argumentam que o mundo e a sociedade evoluíram e, portanto, o sistema de crença também deve acompanhar tais evoluções. Elas conservam costumes e modificam as doutrinas bíblicas, enganando-se e enganando a outros.
O texto de abertura informa solenemente que haverá um tempo que os religiosos não suportarão a sã doutrina. Mas, o que é suportar? O verbo suportar tem diversas acepções, das quais separam-se as seguintes: 'ter contra si algo ou alguém e não ceder, aguentar, resistir; ser capaz de segurar, transportar; ser firme diante de algo penoso.' E o que é sã doutrina? É o ensino puro, sem adulterações e de acordo apenas com as Escrituras. Não o que alguém pensa ou afirma sobre as Escrituras, mas o que elas mesmas afirmam acerca de Deus, Jesus, o Cristo, o Espírito Santo e a Igreja. II Co. 2: 17 - "Porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, como tantos outros; mas é com sinceridade, é da parte de Deus e na presença do próprio Deus que, em Cristo, falamos." Não falsificar, é falar realmente segundo o que foi  dito por Deus, com sinceridade, na presença de Deus e de Cristo. Nestes termos não há como haver riscos de a doutrina ser doentia e contaminada por espíritos enganadores e demônios. Entretanto, este tipo de ensino é desagradável aos que perecem, porque eles querem um ensino suave, encorajador, estimulante, multiplicador, exaltador e trunfante sobre os dilemas da vida. Oferecem uma doutrina segundo os seus próprios desejos e seus desejos próprios. Tais religiosos alegam em favor de algo sempre renovado e revolucionário, porque a sociedade é dinâmica. Neste sentido, eles mudam suas crenças conforme a mudança dos costumes. Assim, o cristianismo delas é de cunho puramente cultural e não espiritual. Dão ouvidos apenas a quem tenha credenciais que conferem e conformam aos seus desejos de serem consultados, admirados, considerados e prestigiados. Isto confirma o que Cristo diz em Jo. 12:43 - "...porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus." A amar a glória de Deus implica em desnudar-se do próprio "eu", render-se diante da graça e reconhecer-se incompetente para promover a própria redenção e santificação. Não amar a glória dos homens é colocar-se como menos que nada, reconhecendo que, se Cristo é tudo em todos, logo, os  todos nada são. Não há como Cristo ser tudo e os seus seguidores serem tudo também.
Amar a glória de Deus é abdicar-se dos desejos próprios e receber como verdade absoluta e incontestável a autoridade de Cristo e a culpa do pecado que destituiu o homem da glória de Deus. Esta glória só pode ser restituída na morte de cruz e na ressurreição juntamente com Cristo.
Amar a glória de Deus é negar-se a si mesmo, abandonar pai, mãe, filhos, bens, fama, prestígio, honra e glória própria. Estas realidades não são agradáveis e o homem natural não é capaz de executá-las. Ele as odeia e rejeita por mais que isto seja velado e oculto a si mesmo. 
Assim, se cumpre o texto de abertura que diz: "... e não só se desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas." O que se vê hoje em muitos círculos da religião sem Cristo é exatamente isto. São inumeráveis unções; são ordenanças fora das Escrituras; ensinos de curas interiores e exteriores; exaltação do esforço e da justiça própria como base meritória para ganhar a vida eterna; são buscas por escrituras apócrifas como uma reengenharia da Palavra de Deus, produzindo com isto diversas e diferentes teologias. Voltam-se mais ao humanismo que à essência do Cristianismo autêntico. Esforçam-se em conciliar a verdade cristã com as verdades filosóficas, gnósticas, políticas e científicas, imaginando que isto dá autenticidade e aceitação do Cristianismo. Ledo engano!
Sola Fides!

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