sábado, 18 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO VI

II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas."
Considerando o tema, "cristianismo sem Cristo" ao questionar qualquer religioso sobre sua religião, crença e convicções o tal dirá que é membro de uma igreja a qual possui doutrina verdadeiramente bíblica. Isto ocorre, porque estas pessoas são convencidas pela repetitividade dos dogmas, preceitos, regras e normas ditas pelos seus líderes. Elas sofrem um intenso processo de aliciamento e internalização de tais ideias as quais julgam ser procedentes, porque são ditas por alguém credenciado em teologia ou que afirma ter recebido um dom especial de Deus. Tais ideias assessórias são anunciadas e enunciadas repetidamente até que as pessoas se achem plenamente convencidas de que são verdades. O fato de alguém ter títulos, formação em seminários, alegar por si e  para si mesmo dons espirituais, citar textos bíblicos, não o torna portador da verdade cristã. Não por estas razões apenas!
Por não ter passado pela experiência de novo nascimento, muitos religiosos desistem de procurar a verdade, porque não têm inclinação espiritual para as coisas espirituais. Tais pessoas têm inclinações apenas religiosas ou para um sistema de crenças que lhes dê alguma esperança neste e para este mundo. Confundem convencimento intelectivo com a fé doada e dada pelo Espírito Santo. Por cegueira, preferem crer apenas no que ouvem sem buscar a confirmação nas Escrituras, sofrendo por isto, os danos decorrentes.
Os cristãos sem Cristo consideram, em primeiro grau, os anos de existência da denominação religiosa a que pertencem; contabilizam o conjunto das normas, preceitos e regras estabelecidos ao longo da história eclesiástica; analisam as lutas e conflitos sofridos ao longo da história da sua igreja e tudo o que os antigos membros sofreram para manter as suas crenças; elas também comparam o número de pessoas que creem como elas naquela determinada denominação; imaginam que, dentre os membros daquela igreja ou seita há pessoas ilustres e muito esclarecidas intelectualmente, portanto, tudo deve estar certo. Confiam nas pessoas dotadas de grande sabedoria evangélica, porque já leram a Bíblia diversas vezes; evocam como grande validade os tantos líderes que são teólogos, autores de livros e pessoas distintas e queridas pela sociedade como retas, integras, tementes a Deus e que se desviam do mal. Tudo isto funciona como uma espécie de conforto e legitimação, fazendo-as imaginar que estão igualmente certas e que não há com o que se preocupar.
Ao colocar na balança todas as suas ponderações concluem que estão em uma igreja verdadeira e que sua crença é a única genuinamente cristã. Buscam textos, evidências, experiências de outros  ou próprias para legitimar as bases do seu sistema de crença, validando-o e confirmando-o como autêntico. Também, coletam textos bíblicos citados nos documentos, declarações de fé, confissões e credos antigos para amparar a sua firme convicção religiosa.
Ora, o inusitado é que todos em todas as religiões fazem as mesmas aferições para justificar suas crenças. Portanto, todos alegam estarem com a verdade em seu favor. Ora, se a verdade é uma só, como pode haver tantos possuindo-a? Não sabem que as Escrituras mostram que é a verdade que possui o nascido de Deus e não o contrário, como se supõe comumente.
A verdade não é uma concepção religiosa, um conceito, uma definição, um conjunto de práticas exteriores. A verdade é uma pessoa, a saber, o Cristo conforme Ele mesmo se define em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Estas pessoas, ainda que bem intencionadas, buscam subsidiar sua crença e religião, mas deixam de considerar o essencial. O que conta, de fato, é se tais ponderações, julgamentos e considerações são a sã doutrina ou doutrinas de demônios reveladas por espírito enganadores. Elas não observam se as antigas confissões de fé e os antigos credos dos cristãos primitivos continuam sendo levados em conta ou se são apenas um amontoado de escritos puramente históricos. Elas argumentam que o mundo e a sociedade evoluíram e, portanto, o sistema de crença também deve acompanhar tais evoluções. Elas conservam costumes e modificam as doutrinas bíblicas, enganando-se e enganando a outros.
O texto de abertura informa solenemente que haverá um tempo que os religiosos não suportarão a sã doutrina. Mas, o que é suportar? O verbo suportar tem diversas acepções, das quais separam-se as seguintes: 'ter contra si algo ou alguém e não ceder, aguentar, resistir; ser capaz de segurar, transportar; ser firme diante de algo penoso.' E o que é sã doutrina? É o ensino puro, sem adulterações e de acordo apenas com as Escrituras. Não o que alguém pensa ou afirma sobre as Escrituras, mas o que elas mesmas afirmam acerca de Deus, Jesus, o Cristo, o Espírito Santo e a Igreja. II Co. 2: 17 - "Porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, como tantos outros; mas é com sinceridade, é da parte de Deus e na presença do próprio Deus que, em Cristo, falamos." Não falsificar, é falar realmente segundo o que foi  dito por Deus, com sinceridade, na presença de Deus e de Cristo. Nestes termos não há como haver riscos de a doutrina ser doentia e contaminada por espíritos enganadores e demônios. Entretanto, este tipo de ensino é desagradável aos que perecem, porque eles querem um ensino suave, encorajador, estimulante, multiplicador, exaltador e trunfante sobre os dilemas da vida. Oferecem uma doutrina segundo os seus próprios desejos e seus desejos próprios. Tais religiosos alegam em favor de algo sempre renovado e revolucionário, porque a sociedade é dinâmica. Neste sentido, eles mudam suas crenças conforme a mudança dos costumes. Assim, o cristianismo delas é de cunho puramente cultural e não espiritual. Dão ouvidos apenas a quem tenha credenciais que conferem e conformam aos seus desejos de serem consultados, admirados, considerados e prestigiados. Isto confirma o que Cristo diz em Jo. 12:43 - "...porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus." A amar a glória de Deus implica em desnudar-se do próprio "eu", render-se diante da graça e reconhecer-se incompetente para promover a própria redenção e santificação. Não amar a glória dos homens é colocar-se como menos que nada, reconhecendo que, se Cristo é tudo em todos, logo, os  todos nada são. Não há como Cristo ser tudo e os seus seguidores serem tudo também.
Amar a glória de Deus é abdicar-se dos desejos próprios e receber como verdade absoluta e incontestável a autoridade de Cristo e a culpa do pecado que destituiu o homem da glória de Deus. Esta glória só pode ser restituída na morte de cruz e na ressurreição juntamente com Cristo.
Amar a glória de Deus é negar-se a si mesmo, abandonar pai, mãe, filhos, bens, fama, prestígio, honra e glória própria. Estas realidades não são agradáveis e o homem natural não é capaz de executá-las. Ele as odeia e rejeita por mais que isto seja velado e oculto a si mesmo. 
Assim, se cumpre o texto de abertura que diz: "... e não só se desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas." O que se vê hoje em muitos círculos da religião sem Cristo é exatamente isto. São inumeráveis unções; são ordenanças fora das Escrituras; ensinos de curas interiores e exteriores; exaltação do esforço e da justiça própria como base meritória para ganhar a vida eterna; são buscas por escrituras apócrifas como uma reengenharia da Palavra de Deus, produzindo com isto diversas e diferentes teologias. Voltam-se mais ao humanismo que à essência do Cristianismo autêntico. Esforçam-se em conciliar a verdade cristã com as verdades filosóficas, gnósticas, políticas e científicas, imaginando que isto dá autenticidade e aceitação do Cristianismo. Ledo engano!
Sola Fides!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO V

I Jo. 2: 22 e 23 - "Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai."
Já foi dito alhures que é possível haver cristianismo sem Cristo. Em termos de instituição, denominação e religião exterior qualquer um, individual ou coletivamente, pode identificar-se como cristão. Nada o impede e até há grandes encorajamentos, pois o homem natural busca desesperadamente aceitação social. Todavia é impossível ser cristão verdadeiro fora de Cristo por definição, posição, relação e natureza. O que define um cristão não é a nominalidade por atribuição humana, mas a marca de Cristo em suas narrativas doutrinárias parametrizadas na centralidade d'Ele, da cruz e das Escrituras. Embora a maioria dos religiosos toma por  parâmetro apenas a questão comportamental, esta, neste caso, é secundária. Pode ser que um autêntico cristão tenha uma vida moral e ética sem muita expressividade ou um passado condenável, enquanto um falso cristão seja uma pessoa de vida inatacável. Assim, a verdade é que, no primeiro, a primazia é Cristo e não as obras de justiça própria, enquanto, no segundo, o seu 'eu' é quem promove a auto-santificação. O fato é que, sem Cristo nenhum comportamento moral produz a santidade e a vida d'Ele no homem. Entretanto, com Cristo, a produção da sua semelhança é um processo contínuo e operacionalizado por Deus até a restauração final. 
O que caracteriza o cristianismo sem Cristo é a apostasia, a saber, o afastamento da centralidade de Cristo, da cruz como um princípio interior e das Escrituras como verdade absoluta. Desta forma quando o apóstolo Paulo afirma: "mas o Espírito expressamente diz ...", isto significa que o Espírito Santo diz por meio de palavras precisas, claras e explícitas e não por religião exterior. É uma afirmação com finalidade definida, com um único objetivo ou de modo especial e sem chances de contestações. Na sequência do texto de I Tm. 4:1 é dito que nos últimos tempos alguns se apostatarão da fé. A fé neste sentido pode ser a doutrina cristã autêntica como um todo, como também, a fé como a expressão do dom de Deus dado aos cristãos. A fé humana é uma fé em si e de si mesmo! Muitos têm fé na fé e não a fé de Deus.
A razão dada para a apostasia é exteriorizada como um forte apelo ao que não provém de Cristo e das Escrituras. Tal erro é prevenido pelo apóstolo Paulo em I Co. 4:6 - "... aprendais a não ir além do que está escrito..." Esta é a causa fundamental de religiosos bem intencionados ou não darem ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. Quando alguém dentro de uma igreja ouve estas palavras imagina, imediatamente, em seitas e crenças que pregam oferendas a orixás, invocam espíritos, sacrificam animais ou adotem rituais místicos e estranhos. Todavia, os espíritos enganadores e as doutrinas de demônios estão exatamente dentro de muitas igrejas que não praticam nada disto. O religioso que não tem experiência de novo nascimento, logo imagina que um anticristo é alguém que abre a boca dizendo coisas fortes contra o nome e a pessoa de Jesus, o Cristo. Ledo engano, pois um anticristo não é apenas alguém ou um sistema que se opõe a Cristo. É antes alguém ou um sistema que intenta ocupar o lugar de Cristo por semelhança e não por oposição. O espírito do anticristo se impõe por tentar ocupar o lugar de Cristo por um processo de substituição e a oferta de uma compreensão mais aproximada do homem. São geralmente pessoas as quais pregam a paz, o amor, a justiça e o bem-estar do homem. Jamais um cristão verá o anticristo exaltando a Satanás e diminuindo a Cristo. Ao contrário, ele falará em nome de Jesus, o Cristo, mas não o que este, de fato,  é e disse. Eles sobrepõem uma doutrina que sempre vai além do que está nas Escrituras.
Necessário é que se receba o Espírito Santo como o guardião da Igreja, como o único ensinador ou consolador dos eleitos e predestinados e como aquele que sela os cristãos nascidos de Deus para guardá-los  como penhorados para a vida eterna. É sempre oportuno reportar-se ao que as Escrituras ensinam e não às opiniões dos homens. II Co. 11:14 e 15 - "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." Assim fica evidente que, o próprio Satanás se passa por anjo de luz e os seus enviados se passam por ministradores da justiça. Logo, não é por meio de cultos e religiões estranhas e sujas que o Diabo engana, mas por meio daquilo que as pessoas julgam ser procedente de Deus. Por isto as Escrituras ensinam que se deve provar os espíritos conforme I Jo. 4: 1 a 3 - "Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo." Espíritos neste texto são pessoas e não a manifestações e incorporações ou de possessões de entes invisíveis. Quando alguém recebe a graça como mensageiro do evangelho é o Espírito Santo quem fala por ele e não ele mesmo. O dialeto, o sotaque e o conteúdo da mensagem só pode ter uma centralidade, a saber, Cristo e este crucificado. O que passa disto é anátema e reflete o espírito do anticristo. O pregador ou mensageiro que não confessa a Jesus, o Cristo como Filho de Deus, e, portanto, também Deus, falha em sua mensagem. Todo aquele que confessa que Jesus, o Cristo foi nascido de mulher, crucificado para incluir os eleitos em sua morte, bem como, na sua ressurreição ao terceiro dia, este tem o Espírito de Deus. Veja, confessar é absolutamente diferente de declarar. Os espíritos enganadores e que anunciam doutrinas de demônios nunca confessam, apenas declaram. Confessar é dizer por fé e não por evidências, sinais, prodígios e convicções fundamentadas no conhecimento intelectivo. Confessar nada tem de sensorial e almático, pois é o resultado da ação do Espírito Santo sobre o espírito no homem.
Por todas estas razões é que Paulo ensina em II Co. 11: 3 e 4 - "Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais!"
Solo Christus!

Post Scriptum: gramaticalmente, os dizeres do adorno deste estudo deveriam estar escritos assim: "a bíblia é a única arma que atira no morto e o faz viver." Isto porque o homem natural já nasce morto espiritualmente. Apenas por meio da Palavra de Deus que é vivificado para a vida eterna.

domingo, 12 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO IV

I Tm. 4: 1 a 5 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas."
Apostasia é um substantivo feminino que traz diversas acepções. Entretanto, neste estudo interessam apenas algumas das suas conotações: 'abandono da fé', 'renegação' e 'ato de renúncia.' É neste sentido que se permite falar sobre "Cristianismo sem Cristo". Verifica-se claramente, pelo texto de abertura, que os apóstatas dão as costas, não às igrejas ou às religiões, mas à fé. A razão é também dada, a saber, eles preferem dar ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. As pessoas responsáveis pela doutrina e ensino adotam uma postura hipócrita, dizendo apenas aquilo que o homem pecador prefere ouvir. É relevante o fato que o texto situa tais realidades dentro da igreja e não fora dela. Por esta razão se pode falar em um tipo de cristianismo diabólico! Na verdade, é um cristianismo onde Cristo não possui a centralidade e a preeminência. É um cristianismo fora das Escrituras e fora da cruz. É uma fé em um mundo sem rumo comandado por um Deus que não sabe o que faz e por um salvador desconhecido. É o cristianismo relativizado pelo homem e não absoluto como ensinado por Cristo.
Richard Niebuhr afirmou sobre o liberalismo teológico moderno o seguinte: "um Deus sem ira trouxe homens sem pecado a um reino sem julgamento por meio das ministrações de um Cristo sem uma cruz." Isto é contrário ao ensino bíblico, porque as Escrituras afirmam em Rm. 1:18 "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça." Ora, sabe-se que impiedade se refere às atitudes de alguém que não conhece e não tem inclinação para Deus. A injustiça é a consequência imediata da natureza pecaminosa no homem decaído. Esta é razão porque a única maneira eficiente e eficaz para destruir tal natureza é matando-a na morte compartilhada de Cristo na cruz. Ali na cruz é que Deus aplicou a reta justiça contra a injustiça do pecado inoculado no homem por Satanás. Desta forma o oposto de verdade espiritual é a injustiça pecaminosa. É o estado de ausência de justeza em relação à natureza de Deus e não o sentido forense de justiça. Por isto se diz que o homem foi corrompido e caiu por causa do pecado. Tal corrupção representou a ruptura da relação divina no homem pecador, o qual passou a ter por natureza uma relação decaída alinhada a Satanás.
Então, o autor Richard Niebhur faz tal afirmação veemente aos que não possuem experiência de novo nascimento. Ao contrário do que ele diz, o mundo religioso e sem Cristo busca um Deus sócio e não um Deus soberano. Apresentar Deus como um velhinho de barbas brancas flutuando no ar e cercado de anjinhos é uma visão falsa da religião medieval e dominante. A ira de Deus  é contra a natureza pecaminosa e isto traz juízos eternos conforme palavras do próprio Cristo em Mt. 25:46 - "E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna." Observa-se que, tanto a vida, como a condenação são ambas realidades eternas. Estes justos não são pessoas perfeitas que obtiveram justiça com base em seus atos meritórios, mas são aqueles que receberam a justiça de Deus executada em Cristo e na inclusão deles na sua morte e consequente ressurreição. As Escrituras mostram em diversas instâncias que o homem não pode desenvolver justiça que o isenta da sua natureza pecaminosa. A justiça atribuída aos homens, enquanto questões ético-morais são úteis apenas sociologicamente. Não lhes rende dividendos espirituais para a salvação! Este é um erro grosseiro desenvolvido por religiosos sem qualquer base escriturística. O pecador gosta de pensar que é ele mesmo o promotor da sua redenção, mas as Escrituras não ensinam isto.
Apresentar ao mundo um Cristo vitorioso, glamouroso e que se põe à disposição para atender aos caprichos do homem decaído é uma falácia religiosa. Este mesmo erro foi cometido pelos líderes religiosos da Israel no tempo de Jesus, o Cristo. Eles esperavam e, ainda esperam, um Cristo libertador político. O Messias da promessa, especialmente, em Isaías é essencialmente um libertador espiritual. Por esta razão os próprios judeus foram "idiotas úteis" no processo de acusação, julgamento e execução da pena de Jesus, o Cristo. Eles julgavam estar livrando a fé judaica de um impostor, mas realmente, estavam cumprindo as Escrituras. 
Assim, de um lado a cegueira espiritual e do outro a carência e descompensação geradas pelo pecado levam ao desenvolvimento de um Cristianismo apócrifo e apenas nominal. Neste cristianismo Cristo é absolutamente  dispensável e dispensado. A cruz é apenas um emblema simbólico e não um caminho interior a ser trilhado como um princípio fundamental. Deus é um ser passivo e incompetente para cumprir seus decretos eternos. As Escrituras são como um manual de lendas e mitos apenas lido para dar um ar de mistério aos assistentes destas plateias cegas as quais chamam de igrejas. São ambientes extremamente arrogantes, dados á maledicência, sem amor e afeto natural não fingido, sem Cristo, sem Cruz, sem Justiça e, finalmente sem Deus.
Sola Scriptura!

Post Scriptum: o símbolo que adorna este estudo foi utilizado por cristãos dos primeiros séculos da Igreja. Os dizeres em grego koinê significam: 'Jesus Cristo Filho de Deus e Salvador.'

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO III

Rm. 1: 18 a 21 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu."
Segisfredo Wanderley é o autor de um livro intitulado: "Cristianismo Diabólico: Sem Cristo, Sem Cruz, Sem Santificação." Na sinopse da editora Danprewan sobre o referido livro leem-se as seguintes ponderações: "Nas últimas décadas, assistimos o surgimento de uma falsa igreja, que vem coexistindo ao lado da verdadeira igreja, e com isso confundindo milhares de fiéis, levando-os a acreditar em princípios, valores e práticas que simplesmente não existem na Bíblia, nem em qualquer ministério verdadeiramente cristão. A imensa responsabilidade que nos cabe hoje é — urgentemente — começar a separar radicalmente o joio do trigo, pois as novas gerações devem receber uma colheita sadia para levar adiante a verdadeira palavra de Deus, tal e qual foi ensinada por Jesus aos cristãos. Nas palavras do autor: “A melhor coisa que um homem ou uma mulher pode fazer por si mesmo e pelo bem comum da cidade e do país onde vive é unir-se a Deus. Ser um com Deus, andar com Deus. Viver no Espírito. Pois negar-se a Deus, dando o primeiro lugar em nossa vida a qualquer outra pessoa, coisa ou condição — seja dinheiro, poder, status ou privilégio social — é concessão ao diabólico. E tem desastrosas consequências pessoais e sociais: a sociedade injusta, os sistemas políticos iníquos e a religião espúria; inclusive, e principalmente, o ‘cristianismo’ diabólico."
Inegavelmente são palavras muito duras, entretanto são palavras inegáveis, considerando o que se deve considerar. Todavia, a proposta neste estudo não é por em crise os valores humanistas estabelecidos, praticados e aceitos. Igualmente não objetiva denegrir a imagem de uma igreja ou religião especificamente. Tais realidades descritas no comentário acima  ocorrem no Cristianismo Histórico, porque a longanimidade de Deus tem permitido e, de certa forma, isto foi previsto conforme Mc. 14:27 - "Disse-lhes então Jesus: todos vós vos escandalizareis; porque escrito está: ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão." Enquanto Jesus, o Cristo vivia todos eram unânimes em segui-lo, obedecê-lo e até mesmo defendê-lo, como fez Pedro cortando a orelha do servo do sumo sacerdote no episódio da prisão de Jesus. Bastou Cristo ser julgado, condenado e crucificado para a coragem e a bravura se desfazer em medo e negação. Qual o significado de tudo isto? Demonstrar que o homem decaído e absolutamente depravado, por melhor que seja moralmente, não tem inclinação para o que  é de Deus conforme Rm. 3: 10 a 12 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." Neste ponto o preciosista, perfeccionista e legalista diz: "há sim quem faz o bem" e se põe a citar exemplos e mais exemplos. Obviamente, o sentido bíblico de bem e mal não é exatamente o mesmo concebido pelos valores humanistas e religiosos. E ainda que alguém se entregue a vida toda para fazer o bem social, ainda assim, tal bem é apenas sociológico e não espiritual. A questão é que, por não conhecer Deus e glorificá-lo como Deus, sobrepõem-se práticas morais, éticas e obras de justiça própria como evidência de Deus no homem. A questão da inutilidade das obras humanas se dá porque todo o seu ser está contaminado pela natureza pecaminosa. Assim, qualquer que seja a sua história de vida, não serve como parâmetro espiritual que o conduzirá à presença eterna de Deus.
Atualmente igrejas que se auto-identificam como cristãs se aproximam cada vez mais deste viés de obras de justiça e méritos como prova de legitimidade cristã. É um enorme equívoco estabelecer valores humanistas como expressão de espiritualidade, porque não são estas práticas que exprimem a essência do que é espiritual. As religiões se inclinam a promover reforma moral no homem portador da natureza pecaminosa, sem contudo, destruir tal natureza. Acreditam que alguma mudança comportamental seja evidência de Cristo na vida do pecador. Não é! Muitos ateus e outros tantos satanistas têm vidas inatacáveis do ponto de vista moral e ético. O fato é que religião exterior não possui qualquer valor espiritual. Possui apenas valor sociológico e humanitário, sendo isto muito bom para a sociedade. Todavia, se todos os homens se convertessem a uma determinada religião cristã e mudassem radicalmente de comportamento, ainda assim não seriam cristãos só por isto. Produziriam uma sociedade mais justa e igualitária, mas não obteriam a redenção das suas naturezas pecaminosas. Fora de Cristo, da cruz e do nascimento do alto, não há redenção. Não são as boas práticas que espiritualizam o homem, mas o homem espiritualizado pratica as obras de Deus. As religiões ditas cristãs estão invertendo esta ordem para sua própria perdição.
O texto de abertura traz o seguinte: "...porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu." O homem natural pode conhecer muitas coisas sobre Deus, Jesus, o Cristo, a Bíblia, Igrejas e Religiões, mas se não nascer do alto, não vê e não entra no reino de Deus. Isto quem afirma é Cristo em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." A expressão traduzida para a língua portuguesa como "nascer de novo" é, de fato, no texto grego original, "nascer do alto", ou seja, nascer espiritualmente. Isto fica claro quando Jesus diz a Nicodemos no mesmo contexto: "... o que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é espírito." Nascer do alto ocorre quando o pecador crê que foi incluído na morte com Cristo e com ele ressuscitou para uma nova disposição. Tal verdade não depende da vontade do homem, não depende da sua origem étnica e, muito menos das suas práticas sociais e religiosas. Depende tão somente que o seu nome tenha sido escrito no livro da vida do Cordeiro.
Sola Fides!

sábado, 4 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO II

II Ts. 2: 1 a 12 - "Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamos-vos, irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus. Não vos lembrais de que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém para que a seu próprio tempo seja revelado. Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora; e então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará como o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda; a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça."
O Cristianismo histórico nada tem a ver, em essência, com o Cristo. Ainda que tenha suas constituições dogmáticas, declarações de fé, seus princípios norteadores e suas confissões doutrinárias estão longe da pessoa de Cristo. Talvez tal institucionalização da fé por meio de estatutos e bases declaratórias foi o fator responsável pelo afastamento entre o Cristianismo e o Cristo. Não se pode institucionalizar uma pessoa, visto que a pessoa de Cristo e a sua Igreja são a mesma coisa conforme Ef. 4: 15 a 18 - "... antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual o corpo inteiro bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor. Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na verdade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração." No contexto, estes versetos estão mostrando que a Igreja é o corpo e Cristo é a cabeça deste corpo. É Cristo quem opera em amor os ajustamentos entre os seus filhos, formando a Igreja verdadeira que não está retida entre quatro paredes. É Cristo quem efetua o perfeito crescimento para edificação do seu reino eterno e não para encher igrejas institucionais de membros que não o conhece. No Cristianismo histórico há inchados que andam segundo as verdades de suas mentes entenebrecidas nos seus próprios entendimentos de Deus, de Cristo, das Escrituras e da Igreja. Tal ignorância se dá pelo fato de eles estarem separados da vida de Deus, a saber, de Cristo. Ele mesmo confessa ser o caminho, e a verdade, e a vida, portanto é ele o portador, o doador e a própria doação. Em um coração endurecido por ignorar a vida de Cristo pode até haver Cristianismo, mas jamais haverá Cristo. Assim, Cristianismo sem a vida de Cristo pode ser qualquer coisa, menos a verdade cristã autêntica. O Cristianismo não se reduz a uma mera declaração de fé, mas exige uma confissão da vida de Cristo em substituição a vida almática.
O texto de abertura afirma: "... a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos." O referido iníquo é uma pessoa no comando de um sistema político-religioso e econômico. As características deste sistema satânico, operando no Cristianismo Nominal são: poder, sinais e prodígios de mentira, como também todo o engano da injustiça. O que se vê hoje na maior parte do sistema religioso do cristianismo institucional é a frenética busca por poder, manifestações de sinais e realização de maravilhas e prodígios. Entretanto, tais operações são apenas nos que perecem, a saber, naqueles que não experimentaram o novo nascimento, nos moldes neotestamentários. Eles não receberam o amor da verdade, que é o próprio Cristo, por isto são presas fáceis. Estes alegam aceitar a Jesus para serem redimidos, embora as Escrituras não ensinem que o pecador possa aceitá-lo às próprias expensas. Este é o fundamento de todo o engano e mentira, pois tudo é operado pelo homem e para o próprio homem. Na suposição de que creem e pregam a verdade são, de fato, servos de um sistema de crenças que semeia tais enganos sutis e, por isso, enganam-se a si mesmos e entre si mesmos. Satanás não engana ao pecador mais do que ele mesmo se engana e é enganado por outros pecadores. O maligno inoculou neles a sua natureza pecaminosa, atuando apenas como treinador.
O panfleto que serve de adorno a este estudo foi entregue por uma pobre alma que julgava estar evangelizando. No referido panfleto estão as seguintes palavras: "quando Jesus morreu na cruz, ele entregou um recibo a Deus com os nomes de todos os que creem n'Ele. Neste recibo está claramente especificado: 'PREÇO PAGO por  todos os pecados.' A dívida está paga, e os devedores perdoados. As vezes é difícil acreditar que alguém pudesse fazer isso por você. Você sabe que a dívida é sua, e você então fica imaginando qual será o truque. Mas não há truque. Tudo o que você tem a fazer é arrepender-se e crer e então aceitar este prêmio maravilhoso que o maravilhoso Pai quer oferecer." 
Muito bem, o nome da igreja que produziu o folheto não interessa, porque não se pretende por em crítica esta ou aquela igreja. O objetivo é mostrar como o Cristianismo Institucionalizado mistura verdade escriturística com verdades da mente do homem decaído. Até a parte que mostra que Jesus, o Cristo morreu para pagar a dívida que o pecador tem com Satanás está tudo correto e amparado nas Escrituras. Entretanto, quando afirma que o recibo foi para todos os pecadores começa o processo do engano. Visto que os atos e decretos eternos de Deus não podem ser revogados, logo, a salvação não é para todos os homens, pois, do contrário, todos os homens seriam salvos obrigatoriamente. Então, a expiação de Cristo não foi para todos os homens, mas para todos os eleitos, sendo este o sentido do vocábulo 'todos' nos contextos referentes à salvação. 
O que sustenta a mentira religiosa do 'livre arbítrio' é o subproduto da mente humana proveniente do Gnosticismo e do Espiritismo. Jesus afirma aos religiosos que todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado. Logo, como pode um escravo ser livre ou arbitrar qualquer coisa? Na verdade, Charles Spurgeon demonstra que o famigerado 'livre arbítrio', é de fato, 'servo arbítrio'. Logo, no recibo entregue por Jesus, o Cristo após sua ascensão, não estão os nomes de todos os homens, mas apenas os nomes dos todos eleitos que receberam a graça para crer. Acrescenta-se como engano crasso, o fato que os dizeres afirmam que o pecador tem de se arrepender e crer. Ora, se fosse possível o pecador produzir seu próprio arrependimento e fé própria, Jesus e sua morte de cruz, seria absolutamente dispensáveis. O pecado tirou do homem até a capacidade para crer, pois isto lhe é dado por meio da graça conforme Ef. 2: 8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Portanto, o pecador não pode arrepender-se e crer conforme Rm. 3: 10 a 11 - "...como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus."
Assim, há milhões de religiosos bem intencionados, porém distribuindo falácia e engano em supostas igrejas as quais pregam um Cristianismo sem Cristo.
Sola Gratia!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO I

At. 11:26 - "E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos."
Cristianismo é um substantivo masculino oriundo do latim eclesial 'christianismus' e do grego também eclesial 'kristianismós'. O termo Cristianismo, por sua vez, provém de 'Christus' e o substantivo cristão provém de 'christianus'. Cristo não é nome próprio ou mesmo o sobrenome de Jesus, como muitos supõem. É um título originado do hebraico do velho testamento e quer dizer Ungido ou Escolhido. Portanto, o correto é dizer: Jesus, o Cristo. À luz destas asseverações, pergunta-se: é possível existir cristianismo sem Cristo? Sim, perfeitamente possível! Possível e recorrente nestes tempos de muita religião e pouco Cristianismo verdadeiro. Em tempos de muito ritualismo e pouco evangelho autêntico. É possível porque, enquanto religião é apenas subproduto artificial da mente humana, a verdade é uma pessoa e não um conceito. Cristo não fundou nenhuma religião, muito menos, usando o termo cristianismo. Deixou apenas ensinos os quais conduzem ao caminho, à verdade, e à vida eterna. Nenhum destes três princípios são encontrados em essência nas religiões. Em tese, todas as religiões afirmam possuir estes pilares, mas de fato, nenhuma os pratica. Como poderiam ensinar e vivenciar o que não conhecem?
O texto de abertura demonstra que os cristãos primitivos eram tão semelhantes a Cristo em sua fé, que os antioquienses os chamaram de cristãos pela primeira vez. O adjetivo 'christianus' traz em sua etimologia o sentido daquele que é conforme ou compatível com a pessoa de Cristo. Portanto, não era uma questão de imitação exterior, mas de identidade espiritual. Assim, ser cristão não é apenas uma compatibilidade e conformidade com princípios, dogmas ou declarações de fé de uma ou outra religião dita cristã. Não é uma questão ritualística, institucional ou de práticas religiosas exteriores, mas de alguém em quem a vida de Cristo está presente como um caminho interior. Um ladrão é identificado como alguém que rouba ou furta; um cristão é identificado com a pessoa de Cristo. Ser cristão é ter a qualidade do sujeito que  é Cristo. O cristão é identificado por sua natureza reconciliada com Deus e não apenas por definição,  por conceito religioso ou dicionarístico. Ser cristão é uma questão de posição e de relação com a pessoa de Cristo e não com uma igreja, seita ou religião. Portanto, é possível ter cristianismo sem Cristo, mas jamais haverá um cristão sem o Cristo. É possível ter religioso em igrejas, mas jamais fé sem o autor e consumador da fé, a saber, Cristo.
Neste ponto é fundamental desmistificar a ideia que um cristão, nos termos definidos anteriormente, deve ser um santarrão, perfeito e imune a erros e falhas. A perfeição é sempre evocada quando um cristão é apanhado em alguma falha moral. Quando achado em falta é acusado de ser um falso cristão e outras ofensas, expulso do convívio da igreja, maltratado pelos "irmãos". Isto ocorre porque a mente humana, não regenerada, só crê naquilo que pode ser parametrizado por meio de dogmas e conceitos humanistas. Nas igrejas institucionais, quando um membro comete um erro, logo viram a cara para ele ou o reprimem severamente sem sequer buscar as razões do seu comportamento. Dão mais valor às questões morais, eclesiásticas e comportamentais, que ao cristão, o qual é o objeto do amor de Cristo. Muitas vezes o comportamento anômalo de um membro de igreja se deve ao fato dele não ter nascido do alto por não conhecer a verdade. Sem a regeneração uma pessoa é apenas um religioso e continua portador da natureza pecaminosa. Se a fonte do erro não for cessada, os erros permanecerão e aparecerão irrevogavelmente. Tais religiões reagem contundentemente contra os erros dos seus membros, porque entendem que a reprovação deles é o fracasso delas. De fato fracassam, porque não conhecem a verdade fora dos parâmetros religiosos, ritualísticos e místicos nos quais creem.
A produção da semelhança de Cristo nos eleitos e regenerados se dá pelo espírito e não por comportamentos. A religião humana é que se preocupa em fazer reformas morais nos seus seguidores e os tais permanecem cristãos sem Cristo. Deus opera nos nascidos do alto a reconciliação do espírito, a purificação da alma e a restauração final do corpo na ressurreição. A salvação do pecador regenerado é plena e total. No seu espírito ocorre restauração da glória de Deus. Na alma tratamento e cura por meio da fé genuína. No corpo degradação física para restaurá-lo incorruptível na ressurreição. 
Quando John Wesley conheceu Charles Spurgeon pessoalmente este lhe disse: "como pode Deus usar tanto um homem que fuma charutos?" Ao que respondeu Wesley: "como pode Deus usar tremendamente um glutão?". Isto porque Wesley fumava e Spurgeon era obeso. Em muitas igrejas de hoje verdadeiros filhos de Deus seriam barrados na entrada por questões puramente comportamentais, culturais ou de costumes. Na restauração final, quando todos os homens comparecerem perante o trono de Deus, muitos ficarão surpresos ao ver entre os redimidos pessoas cujas vidas não foram em nada brilhantes nos padrões exigidos pela falsa moralidade humana. O que conta não é o que o homem faz, mas o que Deus faz nele por meio de Cristo. O que importa no ato da regeneração é o que o homem é, a saber, pecador e incompetente para promover sua própria salvação. O que o pecador faz é uma questão de tratamento e purificação até o seu último dia de vida terrena.
Com um pouco de honestidade pode-se ver que Jesus, o Cristo não fundou nenhuma religião, e, muito menos, lhe deu a designação de Cristianismo. Ele trouxe ensinos que conduzem o homem ao reconhecimento de sua própria miséria e pecado. Ele ensinou sobre a graça e a misericórdia de Deus, mas também mostrou claramente a justiça eterna contra o pecado. Charles Sproul, um escritor de fé reformada afirma: "se há dois grupos de homens no mundo: os eleitos e os não eleitos; um grupo recebe a graça de Deus; o outro grupo recebe a justiça de Deus; mas nenhum homem recebe a injustiça de Deus." Esta é uma palavra muito dura aos que perecem conforme I Co. 1: 18 e 19 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria o entendimento dos entendidos." Todavia, nenhum cristão verdadeiro se curva aos caprichos dos homens decaídos para amenizar a verdade. Isto é por amor às suas próprias almas, pois, do contrário, estaria tentando introduzir na presença de Deus homens com suas naturezas pecaminosas. A verdade expõe o homem perante a si mesmo e não perante Deus, pois Ele já os conheceu antes dos tempos eternos. A revelação da natureza decaída e separada de Deus deve ser feita ao homem pecador a fim de que conheça a sua natureza e ganhe arrependimento. Como alguém poderia arrepender-se se não se considera culpado do pecado?
Neste sentido é que a maior parte das doutrinas e crenças ditas cristãs não inclui o Cristo, porque o desconhecem. Conhecem apenas dados e informações sobre Cristo, mas não o conhecem como pessoa e como Deus. Tomam a cruz apenas como um emblema, mas não como um caminho a ser percorrido. Tomam o continente, mas não o conteúdo. Tomam os conceitos, mas não a substância. A cruz é um princípio interior a ser vivido e percorrido para adquirir a semelhança de Cristo. Muitos cristãos permanecem apenas como seres feitos à imagem criada por Deus, mas não ganham a semelhança de Cristo, sem a qual jamais verão a face do Altíssimo.
Sola Scriptura!