sábado, 5 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO V

Gl. 3: 9 a 13 - "De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão. Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: o justo viverá da fé; ora, a lei não é da fé, mas: o que fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: maldito todo aquele que for pendurado no madeiro."
Os pregadores do engano sempre se utilizam das Escrituras, mas não para anunciar a verdade. Utilizam-nas para sobrepor as visões dos seus corações enganados e não regenerados. Por serem apenas religiosos, falam conforme a base das suas crendices e do caldo cultural a que foram submetidos ao longo da vida. Eles desprezam a exegese e lançam mão da eixegese, pois ao invés de extrair o que as Escrituras, de fato, afiram, os tais acrescentam a elas as suas próprias palavras. 
Os textos que os pregadores de maldições mais utilizam são o de Ex. 20:5 e de Dt. 25:15. Entretanto nenhum destes textos mencionam qualquer das palavras hebraicas para maldição. Estes pregadores de maledicências afirmam, por conta própria, que se um ancestral cometeu adultérios, alcoolismo, furtos, homicídios, roubos ou tiveram doenças mentais, dificuldades financeiras, vícios e insucesso na vida, isto é transmitido aos seus descendentes. Para tanto, pregam rituais de quebras de maldições hereditárias e outras práticas relacionadas. Ora, o texto de abertura mostra que viver debaixo da lei e não da graça é que é maldição. Isto porque a lei foi dada para evidenciar a natureza pecaminosa do homem. A lei mostra que ninguém é capaz de cumprir regras para sua salvação. 
Estes pregadores do anátema usam o texto de Mt. 12: 29 - "Ou, como pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente? e então lhe saquear a casa." Eles apregoam a crença que se deve amarrar o Diabo para fazer cessar os infortúnios e sofrimentos na vida dos homens. Ora, há tanta gente amarrando o Diabo por tanto tempo, que admira-se que ele ainda esteja solto. O contexto, o texto e os textos correlatos não dizem que o valente é Satanás, mas interpretam assim à revelia. Entretanto, a Palavra de Deus ensina com clareza que Satanás somente será amarrado no retorno do Grande Rei, quando ficará preso por mil anos conforme Ap. 20: 1 e 2 - "E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos. Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem. Depois disto é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo." Ninguém entre os viventes tem o poder de amarrar Satanás. Apenas Cristo que o venceu na cruz irá derrotá-lo para sempre ao final do milênio.
O que normalmente acontece nestes sistemas de crenças místicas sobre maldições é que o religioso não tem experiência de novo nascimento, e, portanto, não se conforma com o sofrimento e os infortúnios. Julga que, ao cumprir preceitos, regras e normas legalistas passa a obter méritos perante Deus. Então, conclui erroneamente que, se algo ruim está acontecendo é porque o Diabo o está atacando. Quando seus rituais de orações, jejuns e sacrifícios já não o alivia, passa a desconfiar de Deus e inicia um longo período de autocomiseração, pois imagina em seu coração que não merece passar por dificuldades porque é fiel. Nestes casos, geralmente, o religioso entra em grande esgotamento almático e vai se tornando cada vez mais místico, podendo chegar ao nível de intenso fanatismo.
Pv. 26:2 - "Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu voar, assim a maldição sem causa não encontra pouso." De fato a fé genuína e originada na vida de Cristo retira dos nascidos de Deus o medo. Sem o medo, os regenerados vivem e experimentam a graça que não os permite crer em ensinos enganosos. É certo que Deus é soberano nos céus, na Terra e em todos os recônditos do universo. Nenhuma folha cai no ermo da floresta sem que Deus tenha o controle. Nenhum fio de cabelo cai da cabeça do homem sem que Deus saiba. Portanto, como pode alguém que afirma crer nas Escrituras acreditar que qualquer pecador ou incrédulo tem o poder de amaldiçoar outras pessoas? A maldade do coração do homem não tem limites, mas a maldição não encontrará pouso se não houver as causas determinantes. Como já foi dito por diversas vezes, a maior maldição é o pecado. Quem vive pelo cumprimento de regra sobre regra, preceito sobre preceito estará na dependência destes e não da graça do Altíssimo. 
Pv. 3:33 - "A maldição do Senhor habita na casa do ímpio, mas ele abençoa a habitação dos justos." O ímpio é o homem cuja natureza pecaminosa não foi substituída pela vida de Cristo por meio da inclusão na sua morte de cruz. A impiedade é a injustiça, e, esta, é o pecado. Isto fica claro em Rm. 1:18 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça." Contrariamente, os justificados em Cristo são abençoados até mesmo nos infortúnios, pois tudo quanto sucede aos filhos de Deus é para o seu aperfeiçoamento e vida eterna. Deus está preparando um povo todo seu e zeloso de boas obras para habitar com ele eternamente.
Soli Deo Gloria!

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