terça-feira, 1 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO I

Gn. 3:17 - "E ao homem disse: porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: não comerás dela; maldita é a Terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida."
Vivemos um tempo de muita busca e pouco encontro. As igrejas institucionais estão, em geral, lotadas. Seus líderes disputam entre si quem oferece mais poder, santidade, curas, libertação da opressão do Diabo. Seus cultos são extensos e recheados de rituais os quais chamam de adoração e de ministração. Suas prédicas são exaltadas e cheias de desafios. Desafiam Deus a ser fiel às suas promessas, mas também desafiam a Satanás a afastar-se dos seus fiéis. Declaram muitas vitórias e contam muitas vantagens para fortalecer suas crenças e atrair mais seguidores. Quanto mais as tais igrejas se enchem, mais soberbos e arrogantes se tornam seus líderes. Logo pensam em dominar os cenários social e político investindo na grande mídia. Adquirem jornais, revistas, rádios e emissoras de televisão. Publicam suas crenças em outdoors, banners e panfletos distribuídos por seus seguidores ardorosos. Aparelham as igrejas com a mais alta tecnologia eletrônica. Há igrejas, dessas institucionais, cujos membros já não leem mais as Escrituras diretamente: os textos são projetados em um telão para que os mesmos leiam. 
Ora, a despeito de todos os aparatos disponíveis e disponibilizados, as igrejas vão de mal em mal, ensinando apenas vaidades que satisfazem aos egos contaminados pela natureza pecaminosa. De todos os pecadores, o pior deles é o pecador religioso, porque vive em uma ambiguidade:  proclama conhecer o evangelho, mas suas mentes são perturbadas e cheias de medos. Temem perder o que possuem, temem o que os outros poderão dizer acerca deles, temem o castigo de Deus e, sobretudo, temem as ações do Diabo e seus demônios. Vivem numa espécie de religião exorcista, na qual os ritos e práticas são para apaziguar seus dramas, desejos e consciências carregadas pelos atos pecaminosos. Disto tudo resulta um culto ufanista que apregoa um evangelicalismo retumbante que só existe no ideário destas pobres almas. No fundo e na intimidade são pessoas cheias de crendices sujeitas aos mesmos problemas que os outros os quais não professam suas crenças. 
Jr. 23:16, 17, 21 e 30 - "Assim diz o Senhor dos exércitos: não deis ouvidos as palavras dos profetas, que vos profetizam a vós, ensinando-vos vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor. Dizem continuamente aos que desprezam a palavra do Senhor: paz tereis; e a todo o que anda na teimosia do seu coração, dizem: não virá mal sobre vós. Não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram. Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu próximo." O contexto destes versos é uma advertência aos líderes religiosos de Israel que procediam com soberba e arrogância dizendo o que Deus não disse. Era uma religião puramente humana, porque dissociada da Palavra de Deus.  Hoje se vê o retorno destas mesmas práticas nos círculos religiosos ditos cristãos. Falam de tudo em seus cultos, menos da verdade que está nas Escrituras. Quando abrem a Bíblia, o fazem apenas por hábito e para criar uma atmosfera de legitimidade ao pregador. Os textos são tratados à luz do que o sistema de crenças de cada um defende. Não permitem que as Escrituras falem como Palavra de Deus, mas apenas como manuais de preceitos, regras, normas e práticas adaptadas às exigências de uma sociedade doente pela contaminação pecaminosa herdada de Adão.
O texto de abertura mostra com meridiana clareza que Deus amaldiçoou a Terra por causa do pecado. Não foi o Diabo quem a amaldiçoou, portanto, criar mecanismos ou crendices contra a maldição é perda de tempo. Dentre as fórmulas religiosas se veem frequentemente duas: blindagem dos casamentos e do sucesso de empresários por rituais de puro misticismo. Realizam grandes campanhas e reformulam constantemente os métodos para atrair as pessoas com dificuldades de relacionamento conjugal e insucesso nos negócios. Deus não ordena tais práticas e, muito menos, as suas fórmulas mentirosas e enganadoras. 
A única forma de escapar da pior das maldições é morrendo em Cristo e ressuscitando juntamente com ele. Por isto John Owen escreveu um resumo da verdadeira doutrina há mais de 400 anos: "A Morte, da Morte, na Morte de Cristo." A única maldição que condena o homem eternamente é a maldição do pecado. Por esta razão é que esta morte para Deus deve ser aniquilada na morte com Cristo conforme Hb.  9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
O que passa disto é anátema!
Sola Scriptura!

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