quarta-feira, 31 de julho de 2013

A FÉ, AS OBRAS E A JUSTIFICAÇÃO

Tg. 2: 17 a 26 - "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem. Mas queres saber, ó homem insensato, que a fé sem as obras é inútil? Porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque? Vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E se cumpriu a escritura que diz: e creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé. E de igual modo não foi a meretriz Raabe também justificada pelas obras, quando acolheu os espias, e os fez sair por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta."
No mundo persistem dois sistemas: o da verdade e o da mentira. Ambos se assemelham em quase tudo, mas há um ponto que é o divisor de águas entre os dois: a justificação do pecador. O sistema da mentira afirma que o homem pecador é justificado por suas obras de justiça e que há uma possibilidade deste resistir a graça de Deus e optar por não receber a justificação ofertada em Cristo. O sistema da verdade afirma que a salvação é um ato monérgico e soberano de Deus, que o pecador não pode oferecer qualquer resistência à graça e que ele não possui "livre arbítrio" algum, porque está debaixo do pecado. As duas correntes da teologia histórica que sustentam ambos os sistemas é o Arminianismo e o Calvinismo. Entretanto, nem Tiago Armínio, nem João Calvino criou estes termos. Eles resultam das controvérsias geradas por seus seguidores ao longo do tempo.
O apóstolo Tiago, o qual acreditam ser um dos irmãos carnal de Jesus, o Cristo, apresenta em sua breve epístola uma análise muito interessante sobre fé, obras e justificação. Entretanto, a maioria dos cristãos lê as Escrituras apenas como um manual de religião, mas não como a Palavra de Deus. Por esta razão, cada segmento realiza e elabora a teologia que mais lhe agrada e confirma a base da sua crença. Por estas razões é que há tantas religiões e seitas no mundo, sendo cada uma mais distante da verdade que a outra. A verdade não é uma concepção, mas é uma pessoa, a saber, Cristo conforme Jo. 4:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Observe-se que, na gramática do texto foram utilizados artigos definidos. Isto implica em que não há uma diversidade de caminhos, verdades e vidas. Há apenas um caminho, uma verdade e uma vida. Desta maneira Jesus, o Cristo, não tem alguma verdade, algum caminho e alguma vida para distribuir, mas ele mesmo é o caminho, a verdade e a vida. E, por assim ser, ninguém poderá chegar à presença de Deus por conta própria ou com base em suas justiças e méritos como caminhos alternativos.
O apóstolo Tiago, no capítulo dois da sua missiva afirma que, "assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma." Ora, ele simplesmente está dizendo que não há uma consequência sem uma causa, como também não há uma causa sem uma consequência. Ele prossegui demonstrando que apresentar apenas a fé, sem o seu consequente resultado, é o mesmo que afirmar que Deus é um só, o que é o óbvio até para os demônios. A realidade de Deus único e soberano é tão incontestável, que, até os demônios também o afirma, temendo e tremendo. Portanto, a fé sem os resultados ou sem as consequentes obras é nula. 
Tiago especifica em sua homilia, dizendo que a fé que Deus concedeu a Abraão, o levou a realizar a obra concreta de obediência à ordem de Deus para sacrificar o seu único filho. Abraão tinha tudo para negar-se a esta obra, mas a fé o fez ver que, o mesmo Deus que lhe concedeu um filho na velhice, prometendo-lhe uma herança numerosa e abençoadora, iria manter a sua palavra, independentemente de Isaque ser sacrificado ou não. Assim, o que justificou a Abraão foi a concretização da sua obra de fé e não apenas a fé que recebeu. A sua atitude em obedecer e levar o filho para o sacrifício aperfeiçoou a fé recebida, tornando-se uma obra da fé e não uma fé na obra. Esta atitude lhe foi imputada por justiça, ou seja, foi justificado pela fé que o levou a ação.
Raabe era uma prostituta que habitava a cidade de Jericó. Quando Josué e Calebe conduziu o povo de Israel até a entrada na Terra Prometida, eles enviaram dez espias para avaliar estrategicamente a terra. Dos dez espias, apenas dois deram um relatório favorável. Eles viram que, a despeito das circunstâncias serem bastante desfavoráveis, era perfeitamente possível conquistar a terra. Ao saber da entrada dos hebreus em Canaã, o rei de Jericó enviou as tropas para prendê-los. A meretriz Raabe que, inclusive faz parte da genealogia de Jesus, os abrigou em sua casa. Quando os guardas chegaram ela os escondeu no terraço e disse que os mesmos não estavam ali. Após a saída dos guardas, ela os dispensou por outro caminho e, assim, eles foram salvos da morte. Ora, o que havia de honra na obra de Raabe? Nada! Ela poderia ter honrado o rei de Jericó como uma patriota, entregando os espias a serviço dos invasores israelitas. Ela mentiu ao rei e traiu o seu povo. O que há de honrado nesta obra? Nada! O apóstolo Tiago afirma que estas obras de Raabe a justificaram. O que Tiago está demonstrando é que, ao deixar fugir os espias isto foi imputado à Raabe como justiça. Raabe creu no relato dos espias sobre como foram libertos de Faraó, rei do Egito. Ela creu que Deus os libertou, abriu o mar vermelho, os sustentou com alimentos, roupas, sapatos, água e proteção contra inimigos por quarenta anos no deserto. Também disseram àquela mulher em tudo desonrada que, Deus lhes prometeu a terra de Canaã e que eles iriam conquistar Jericó pelo poder de Deus. Ora, então não foi a desonra, a mentira e a traição de Raabe que a justificou, mas a sua atitude movida pela fé que Deus certamente iria cumprir a sua promessa ao povo de Israel. Raabe não tinha nenhuma razão para crer no poder de um povo perambulando pelo deserto. Ela poderia confiar plenamente na superioridade dos exércitos de Jericó e nas potentes muralhas que cercavam a cidade. Entretanto, ela creu que, de alguma maneira tudo isso seria dominado pelo poder de Deus. Tudo quanto Raabe fez não redundou em boas obras, mas as suas obras foram a expressão da fé em Deus. Logo, o que conta para a justificação não é o conceito de certo ou errado, de bem e mal, mas creditar a obra à fé recebida por graça da parte de Deus. 
O que o cristão nascido do alto deve confiar é que as obras da carne não tem qualquer valor perante Deus. As obras podem ser boas ou más, mas se não resultam da fé, de nada adiantam espiritualmente. Na verdade, quem afirma que somente as boas obras salvam, tal religioso nunca foi conhecido por Cristo conforme Mt. 7:19 a 23 - "Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." Profetizar, expulsar demônios e curar em nome de Jesus são todas boas obras, porém foram taxadas de iniquidades por Jesus, o Cristo. Foram apenas obras da carne e não obras da fé.
Sola Fide!

sábado, 27 de julho de 2013

A CRUZ, OS CRUCIFICADOS E A MORTE EM CRISTO

Gl. 2: 20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
A crucificação foi uma prática dos dominadores romanos instalada poucos anos antes do nascimento de Jesus, o Cristo. Era, segundo o senso de juízo dos romanos, o pior castigo imposto a uma pessoa. Portanto, jamais praticado contra quem tivesse a cidadania romana. A palavra grega neotestamentária para cruz é 'staurós' [σταυρός], a qual significa; 'estaca reta' ou 'madeiro para tortura'. Segundo descrições bíblicas e extrabíblicas, o condenado carregava do local da condenação até o local da execução apenas a parte horizontal ou o braço da cruz. No local era perfurado um buraco no chão onde a estaca principal era fixada após a colocação do braço. Então, o condenado era pregado ou amarrado à cruz e levantado verticalmente, sofrendo uma morte lenta e cruel que durava horas ou até mesmo dias. O peso do corpo exercendo fortes pressões nos braços e pernas pregados, causa dores indescritíveis.
A Escritura afirma que o Salvador ou o Messias seria levantado em um madeiro conforme Dt. 21:23b - "...porquanto aquele que é pendurado é maldito de Deus." Isto é confirmado em Gl. 3:13 - "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro." 
No dia da crucificação de Jesus, o Cristo havia mais dois crucificados: um à sua direita e outro à sua esquerda. Dos dois, apenas um reconheceu que merecia estar naquela situação, pediu misericórdia e reconheceu a divindade de Cristo. O outro, não só não se via como merecedor do castigo, como também afrontava Jesus, negando-lhe a divindade. Tal cena é uma tipificação da humanidade: os desgraçados que recebem a graça e os não eleitos que permanecem desgraçados por incredulidade. O malfeitor que se humilhou representa o lado da humanidade que recebe a graça para a vida eterna. O malfeitor que permaneceu sem compreender a sua própria condição representa o lado da humanidade que perecerá em seus delitos e pecados. Verifica-se que ambos eram malfeitores, pois há sempre uma visão maniqueísta que divide a humanidade entre bons e maus. De fato, todos os homens são em suas naturezas maus, sendo o diferencial a misericórdia e a graça de Deus.
Acerca de Jesus, o Cristo foi dito que ele é o Cordeiro de Deus que foi imolado desde a fundação do mundo conforme Ap. 13:8b - "...esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." Desde o Éden há sinais deste sacrifício como imagens que apontavam para o sacrifício do Filho de Deus. Quando o próprio Deus providenciou peles de animais para cobrir a nudez do homem houve sacrifício. Igualmente, depois, quando Abel ofereceu o sacrifício de um cordeiro a Deus estabeleceu a fé no substituto perfeito. Por esta razão é perda de tempo discutir quem matou Jesus, pois este acordo transcende a própria história do homem na Terra. Os romanos, os judeus e todo o processo grotesco que envolveu o julgamento de Jesus, o Cristo foram apenas meios de cumprimento das Escrituras. 
Rm. 16:25c - "...conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos." O mistério guardado ao longo dos tempos era a morte substitutiva e inclusiva de Cristo. Além dos dois malfeitores que foram executados fisicamente no mesmo dia ao lado de Cristo, todos os eleitos e preordenados para a vida eterna também foram crucificados. A este processo o apóstolo Paulo chama de batismo na morte de Cristo conforme Rm. 6:3 a 6 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." Assim, Cristo não morreu sozinho naquela cruz, pois todos os eleitos foram incluídos em sua morte. A morte de Jesus, o Cristo não seria necessária se o pecador pudesse aniquilar o seu pecado original. Logo, todos os pecadores eleitos e predestinados foram atraídos em sua morte para destruição do corpo do pecado conforme Jo. 12:32 e 33 -"E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Este é um processo definido antes mesmo que o mundo existisse. Deus decidiu redimir os eleitos, criou todos os meios para executar o seu projeto e o executou concretamente quando aprove a ele executá-lo conforme Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou."
Nestes termos, a redenção do pecador é um ato estritamente monérgico, ou seja, depende exclusivamente da vontade soberana de Deus que leva os que conheceu antes dos tempos eternos até Cristo para que sejam incluídos em sua morte conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Vê-se, pelo texto, que não é uma questão de querer do pecador, mas de não poder ir até Jesus, o Cristo, por conta própria. O homem natural não tem o poder de ir até a verdade. Pode até ter capacidade e inclinação para procurar religião, mas não de ir a Cristo. É Deus quem conduz os pecadores eleitos para serem atraídos à cruz. Eles são despertados pela pregação do evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. 
Sola Scriptura!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A LUZ, O HOMEM E AS TREVAS

Mt. 6: 22 e 23 - "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!"
Luz é um substantivo feminino que traz diversas significações. A luz enquanto fenômeno óptico é o único que não é poluído por nenhum outro fenômeno. Entretanto, neste estudo interessam os sentidos figurativos da luz aplicáveis à Teologia Bíblica. No texto acima a palavra grega para luz é 'phôs', enquanto trevas é 'skótos'. O termo 'phôs' em grego koinê é a figura da verdade e o conhecimento dela, juntamente com a pureza espiritual que lhe é por consequência. Refere-se, no homem, à verdade salvífica centrada em Cristo, revelada e dada aos pecadores por graça e misericórdia. O outro termo grego, 'skótos' é o oposto de luz, ou seja, é a ausência da verdade e do conhecimento dela. São trevas como referência à obscuridade espiritual e à falta do conhecimento de Cristo. É uma referência apenas ao conhecimento intelectual do homem. É a sabedoria terrena, almática e diabólica conforme o registro de Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." Lembrando-se que animal provém de 'anima' que quer dizer alma.
O texto de abertura é parte de um contexto em que Cristo doutrina os seus discípulos, mostrando que o verdadeiro conhecimento não consiste em coisas, bens e riquezas materiais. Indica que a verdadeira luz é a luz que há em Cristo. A ausência da vida de Cristo no homem o faz tenebroso, a saber, desenvolve uma vida fora do conhecimento verdadeiro e eterno.
Sl. 139: 11 e 12 - "Se eu disser: ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda; nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa." O homem pode se ocultar nas trevas de outro homem, mas jamais poderá ocultar-se de Deus, porque Ele é luz, e, na presença da luz, não pode haver trevas. I Jo. 1:5 - "E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas." Deus é luz! Ele não apenas possui luz, mas é luz. Portanto, ainda que o homem tenha o mais alto nível de conhecimento científico, intelectivo, filosófico e teológico, se estas luzes forem fora de Cristo, estará em trevas diante de Deus. Há nos círculos religiosos grande confusão entre conhecimento de fatos e conhecimento de Deus. Ao homem de nada adianta ter conhecimento acerca de Deus, de Cristo e das Escrituras. O que conta é ganhar a luz de Deus, a saber, conhecer a própria luz d'Ele. O que importa é conhecê-lo, porque ele mesmo é a luz conforme Jo. 1:4 e 5 - "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." João mostra neste texto que Cristo é a vida e que a vida é a luz, então, quem conhece Cristo, conhece, não uma pessoa apenas, mas recebe o seu próprio conhecimento. A luz resplandece nas trevas e não as trevas obscurecem a luz, como se vê nas religiões humanistas e gnósticas predominantes no mundo. 
II Co. 4: 3 a 6 - "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo." A verdadeira luz que é Cristo se manifesta por meio do evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Sem Cristo, o homem permanece em trevas, continua perecendo e é incrédulo. O "deus" deste século é Satanás e o seu sistema que domina o mundo e as mentes dos que vivem nas trevas. Isto não quer dizer que estas pessoas vivem praticando o mal e a maldade todos os dias e contra todos os outros homens. Significa apenas que não têm o conhecimento de Deus em Cristo, porque o pecado criou uma falsa autonomia apostatada da verdade de Deus. A luz de Cristo é comunicada aos homens por meio do evangelho, neste caso, a luz brilha nas trevas dissipando-as e iluminando o espírito e a alma do homem que foi eleito e predestinado para isto. Então, os eleitos e regenerados recebem a luz de Deus por meio da face de Cristo. Neste ponto a luz própria deles é substituída pela luz de Cristo e os mesmos são transportados das trevas para a maravilhosa luz conforme I Pd. 2: 9 - "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz."
Sola Gratia!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O CAMELO, O FUNDO DA AGULHA E AS POSSIBILIDADES

Mc. 10: 17 a 27 - "Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus. Sabes os mandamentos: não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; a ninguém defraudarás; honra a teu pai e a tua mãe. Ele, porém, lhe replicou: Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha juventude. E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: uma coisa te falta; vai vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitos bens. Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! E os discípulos se maravilharam destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. Com isso eles ficaram sobremaneira maravilhados, dizendo entre si: quem pode, então, ser salvo? Jesus, fixando os olhos neles, respondeu: para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível."
A agulha é um dos menores objetos usados pelo homem há milênios. É um instrumento de trabalho utilizado para perfurar superfícies e costurar tecidos. A agulha caracteriza-se por ser uma pequena haste, geralmente metálica, afilada em uma das extremidades, possuindo um orifício na outra extremidade por onde passa a linha. É útil para a costura, a qual consiste em unir peças de tecidos e confeccionar roupas em geral. 
O camelo é um animal da ordem artiodactyla, ungulado, isto é, com dois dedos de apoio nas patas. Há duas espécies de camelos: o dromedário que possui apenas uma corcova no dorso e o bactriano com duas corcovas. É um animal grande, forte e resistente, pois é nativo das áreas desérticas da Ásia e do Norte da África. Um camelo adulto possui 1,85 m de altura e 2,15 m de comprimento e vive entre 40 e 50 anos. 
Possível é um adjetivo de dois gêneros, que significa: 'que pode ser, acontecer ou praticar-se'. Também é um substantivo masculino, significando: 'aquilo que é possível ou factível'. Filosoficamente, possibilidade é o que não implica em contradição, o que satisfaz as condições gerais da experiência empírica e o que não contraria nenhuma norma moral. A possibilidade é, portanto, um substantivo feminino com o sentido daquilo que é possível. A impossibilidade é o antônimo da possibilidade. Ao homem, como ser limitado pelo tempo e pelo espaço, bem como por questões de consciência e moralidade, há muitas possibilidades, como também muitas impossibilidades.
O texto de abertura mostra uma cena em que um homem procura Jesus, o Cristo e se coloca ajoelhado diante dele, declarando a seguinte indagação: "bom Mestre, o que hei de fazer para herdar a vida eterna." Ao que Jesus lhe refutou, dizendo que ninguém é bom, senão Deus. Esta resposta faz grande sentido, na medida em que, o homem natural sempre procura Deus por meio de artifícios de agradabilidade e bajulação. Visa, com isto, uma espécie de sedução pela qual espera receber o que deseja. Deus, no entanto, não se deixa impressionar ou comover por tal comportamento, porque este resulta da sensorialidade almática e enganosa. Também acrescenta-se que na pergunta do homem há uma armadilha, pois herança é um direito garantido por nascimento e não por esforço. A vida eterna só é possível aos que são feitos filhos de Deus, a saber, os que creem no nome de Jesus, o Cristo conforme Jo. 1: 12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." O texto retromencionado mostra que tornar-se filho de Deus é algo externo ao homem, ou seja, compete apenas a Deus. Não depende da linhagem genealógica, nem da ação da natureza almática, nem da geração biológica. É um ato soberano da vontade de Deus, cabendo ao homem pecador apenas receber a graça mediante a fé. Tanto a graça, quanto a fé são absolutamente abstratas e dons de Deus. Jesus, o Cristo perscrutou o íntimo daquele homem e jogou o cumprimento da lei como forma de demonstrar a impossibilidade de o homem herdar a vida eterna por esforço próprio. Embora o homem da cena tenha dito que cumpria os mandamentos desde a infância, sabe-se que estava apenas na suposição ou presunção, pois ninguém cumpre todos os mandamentos. Isto ficou evidente, quando em um segundo momento, Jesus lhe disse para vender tudo quanto possuía e que desse o produto da venda aos pobres. O homem imediatamente entrou em profundo pesar, porque não estava disposto a perder o que possuía. Logo, isto demonstra que ele não cumpria o primeiro mandamento que exige que se ame a Deus acima de qualquer e de todas as coisas.
Os discípulos, atônitos, ante aquela cena de confrontação entre o pecador e o Salvador, disseram: "....quem pode, então ser salvo?". Cristo, porém, lhes disse: "para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível." Jesus, usa a figura do camelo passando pelo orifício de uma agulha para magnificar a impossibilidade humana e a possibilidade divina. Ainda que alguns não tenham entendido e afirmam que o fundo da agulha era um buraco nas muralhas de Jerusalém, mas o ensino é claro.
Sola Fides!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O SALVADOR, A SALVAÇÃO E OS SALVOS

Is. 45: 5 a 12 - "Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cinjo, ainda que tu não me conheças. Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas. Destilai vós, céus, dessas alturas a justiça, e chovam-na as nuvens; abra-se a Terra, e produza a salvação e ao mesmo tempo faça nascer a justiça; eu, o Senhor, as criei: ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: que fazes? ou dirá a tua obra: não tens mãos? Ai daquele que diz ao pai: que é o que geras? e à mulher: que dás tu à luz? Assim diz o Senhor, o Santo de Israel, aquele que o formou: perguntai-me as coisas futuras; demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos. Eu é que fiz a Terra, e nela criei o homem; as minhas mãos estenderam os céus, e a todo o seu exército dei as minhas ordens."
Etimologicamente 'salvação' provém do grego koinê 'soteria' e do latim 'salvare'. Tomando, primeiramente, o termo grego salvação significa cura, redenção, remédio e resgate. No latim, o mesmo termo, tal como está grafado acima significa apenas salvar. Genericamente salvação é um substantivo que indica libertação de uma condição ou estado indesejável. Em teologia, a salvação se refere apenas à libertação da alma da condenação eterna pelo pecado original. Em quase todas as crenças e religiões há ostensiva ou veladamente a ideia de salvação. Isto é resultante da consciência de pecado, juízo e justiça que há no homem. À medida em que o homem vai se deparando com o seu próprio mal moral ou com o mal moral dos outros e da sociedade, ele sente algo indesejável em sua natureza. Esta situação é denominada de culpa e precisa ser extirpada em sua origem pecaminosa.
Então, pode-se afirmar com plena segurança que, no ensino cristão puro há o salvador, a alma condenada e o meio para salvá-la. O salvador é o Filho Unigênito de Deus, a saber, Cristo que se fez homem histórico em Jesus conforme Jo. 1:14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." O termo "verbo" é a versão da palavra "logos" com o sentido de Palavra de Deus, ou mesmo, o princípio vital e ativo de Deus. Desta forma, o verbo divino que sempre existiu junto ao Pai, se encarnou no homem Jesus e veio habitar na humanidade, para, em tudo ser experimentado como os homens. Embora, Jesus, o Cristo não tivesse o pecado, Deus o fez pecado, para salvação de pecadores conforme II Co. 5:21 -"Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." A este processo dá-se o nome de redenção, justificação ou salvação. Vê-se que o texto possui implícita a ideia de inclusão do pecador na morte de Cristo, onde faz menção a "...para que n'Ele...". Esta verdade faz todo o sentido, na medida em que, se há o salvador é porque há o pecador. Sendo o homem pecador, não apenas porque comete pecados, mas porque possui a natureza pecaminosa, logo, necessita do salvador. O pecador não pode jamais ser o salvador de si mesmo e às suas próprias expensas. Caso o pecador pudesse promover a sua própria redenção, dar-se-ia que o salvador seria absolutamente dispensável, para não dizer, absurdo.
A salvação, portanto, é um ato estritamente monérgico, a saber, depende única e exclusivamente da soberana vontade de Deus. Embora em quase todas as crenças se desenvolve uma noção universalista e sinérgica, as Escrituras, por sua vez ensinam que a salvação não é para todos. O uso da palavra todos só pode ser compreendido no contexto em que aparece. Quando se refere à salvação, invariavelmente, se refere a homens de todas as tribos e nações e não a todos os homens. Até porque, caso Deus tivesse decidido salvar a todos, certamente Ele o faria, pois nada e ninguém pode contradizê-lo em sua vontade soberana. Tal mente universalista coaduna com o pensamento do homem decaído, no afã de reencontrar a porta do Paraíso perdido. Isto se dá por meio dos ensinos e doutrinas humanistas baseadas no gnosticismo. Para tanto, produziram uma doutrina esdrúxula chamada de "livre arbítrio" que, nem é livre, e, muito menos, pode arbitrar qualquer coisa. Genericamente as pessoas confundem escolhas naturais dadas ao homem para a sua sobrevivência, com escolhas espirituais para a sua salvação. Esta última compete exclusivamente a Deus conforme Jn. 2: 9 - "Ao Senhor pertence a salvação." Em nenhum contexto das Escrituras acha-se que a salvação pertence ao homem. É Deus que conduz o pecado até Cristo para a salvação conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Trata-se, portanto, de uma cláusula pétrea e excludente, pois se ninguém pode ir a Jesus, o Cristo, logo, só os que Deus vivifica para tanto irão. Não é uma questão de "livre arbítrio", mas de graça. Não é uma questão de querer, mas de poder, no sentido de não ter a capacidade para ver a salvação por si mesmo. A salvação só passa a ser perceptível como um caminho quando ocorre a desobstrução dos ouvidos conforme Sl. 40:6 - "Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos; holocausto e oferta de expiação pelo pecado não reclamaste." Vê-se, inclusive, que não são por ofertas e sacrifícios que Deus se apieda do homem, mas por Ele mesmo abrir os seus ouvidos. 
Os salvos, portanto, são aqueles os quais foram eleitos e regenerados nos termos de Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." Àqueles que Deus conheceu com afeição antes dos tempos eternos, ele os predestinou, chamou, justificou e glorificou. Observa-se que os verbos estão todos no passado, logo, elimina-se qualquer possibilidade de "livre arbítrio". O objetivo da eleição, predestinação e dos meios para salvar é tornar os eleitos conforme à semelhança de Cristo que agora é, não apenas, o Filho Unigênito, mas também o Filho Primogênito, a saber, o primeiro de uma família de filhos gerados de novo ou regenerados.
Sola Gratia!

domingo, 7 de julho de 2013

O PODER DA MORTE EM CRISTO E A VIDA RESSURRETA

Cl. 3: 3 e 4 - "... porque morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória."
Atualmente, quase tudo no Cristianismo não está relacionado a Cristo, logo, estas crenças, religiões e seitas não pertencem ao Cristianismo, mas a um tipo de cristianismo nominal e puramente conceitual. É paradoxal dizer-se cristão e negar a Cristo por natureza, atos e confissão. Há profunda diferença entre declarar-se cristão e confessar a Cristo. É como se alguém plantasse uma laranjeira, esperando dela colher, no futuro, abacates. É como pintar um urubu de amarelo, colocar alpistes para ele comer e dizer-lhe: canta meu canário! Alguns imaginam que o cristianismo se resume em fazer caridade apenas. O amor caritativo é um dos mais sublimes em uma pessoa, mas ainda não é a essência do Cristianismo. Outros imaginam que cristianismo é um conjunto de regras rígidas para corrigir e reformar o homem. Um homem correto, íntegro, temente e que evita o mal é uma das melhores coisas para a sociedade, mas não representa toda abrangência do Cristianismo. Ainda outros imaginam que o cristianismo é cumprir ritos e prescrições dogmáticas herdadas por tradição. Executar preceitos, ritos e regras é algo que disciplina o homem e o faz ter alguma ocupação, mas não responde pela amplitude do Cristianismo. Na verdade, o Cristianismo é o próprio Cristo conforme Rm. 11:36 - "Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Tudo se origina e converge para Cristo, inclusive toda a glória por toda a eternidade. Esta fé genuína não é conseguida por herança, por esforço, por cumprir preceito sobre preceito e regra sobre regra, por sacrifício de si mesmo, por méritos, por justiça própria. Fé é dom de Deus e não habilidade ou virtude humana. Por isto, para quem não ganha a fé, o cristianismo é apenas um fato histórico ridicularizado pelas religiões ao longo da história. Há, atualmente, a peremptória afirmação que o mundo entrou na Era Pós-cristã. O fato é que, para quem não experimentou o novo nascimento, sempre foi e será uma Era Pós-cristã. Tal experiência nada tem a ver com religião institucionalizada, mas com a eleição da graça.
A primeira exigência da graça da eleição é a fé que, de fato, o pecador morre em Cristo, a saber, que é incluído em sua morte na cruz. A expressão do texto que abre este estudo diz: "... porque morrestes...". Observa-se que é utilizado o termo 'porque' como consequência e não como causa. A morte inclusiva do pecador eleito em Cristo é incompreensível antes de ganhar a graça da fé. O que ainda tem os olhos cobertos por escamas e os ouvidos obstruídos por cera da incredulidade, não concebe esta verdade, porque ela foge à lógica limitada do homem e é discernida apenas espiritualmente. A primeira objeção é que, um indivíduo anterior ou posterior ao evento da crucificação, não poderia ter sido incluído na morte de Cristo. Alega-se que, apenas um dos malfeitores crucificado ao lado d'Ele participou de tal evento, e, tendo confessado e crido foi salvo. Entretanto, a morte de Cristo foi eficiente e suficiente de uma vez para sempre na aniquilação do pecado de todos os eleitos conforme Hb. 9:26 a 28 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." Então, a execução da justiça de Deus contra o pecado foi validada para todos os eleitos em todos os tempos e lugares. Acrescenta-se que Deus não está limitado no tempo e no espaço.
A inclusão do pecador é mostrada com clareza meridiana em Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, o Cristo foi levantado da Terra três vezes: na crucificação, na ressurreição e na assunção ao céu. Todas estas realidades são interdependentes e consequentes uma da outra. No texto anterior é demonstrado que ele se referiu à sua morte de cruz. Estes todos que ele atraiu a si em sua morte, não são todos os homens, mas os todos eleitos e arrolados para a vida. É o sentido de homens de todos povos, tribos e nações. O pensamento universalista reinante nas igrejas institucionais acomodam o "todos" a todos os homens. Entretanto, isto não é confirmado pela realidade espiritual dos homens no tempo e no espaço. Além do que, se Deus intencionasse salvar todos os homens, certamente todos seriam salvos, porque a sua Palavra não retorna sem executar a sua destinação. Assim, há um 'todos' que não são todos dos homens, mas os 'todos' eleitos e predestinados conforme Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." Ora, "os que..." são uma categoria específica e não universal. Igualmente "... entre muitos irmãos" não são todos os homens que se tornariam irmãos de Cristo.
Desta forma o ensino da inclusão da morte do homem, na morte de Cristo, a saber, a aniquilação da culpa do pecado pela inclusão na cruz com Cristo é uma questão de fé. O processo denominado de 'novo nascimento' se constitui da morte inclusiva, da morte substitutiva e da ressurreição para a vida. A morte inclusiva é a que acaba de ser demonstrada. A morte inclusiva se dá na pessoa de Cristo, o Filho Unigênito e agora Primogênito de Deus. A morte substitutiva se dá na pessoa do homem histórico Jesus. Enquanto o Cristo eterno substitui o pecador espiritualmente, o homem histórico Jesus substitui o pecador fisicamente na cruz. Quando o pecador é vivificado para receber a graça da fé, automaticamente recebe esta verdade apenas por fé. Visto que o pecador não tem inclinação para Deus o suficiente para promover sua própria redenção e, também, não estava fisicamente presente na crucificação, ele foi incluído e substituído por Jesus, o Cristo. Ao ressuscitar dentre os mortos o pecador regenerado ganha a vida de Cristo que, nele fica oculta até a manifestação d'Ele no fim dos tempos. 
O que se chama de vida ressurrecta é a fé que conduz o pecador eleito e regenerado a confessar que a vida de Cristo está escondida nele, porque morreu e ressuscitou com Ele conforme Ef. 2:6 - "... e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..." Ora, alguém só ressuscita juntamente com alguém se morreu juntamente com esse alguém. Assim a morte e a ressurreição de Cristo foram compartilhadas com os eleitos de Deus.
Solo Christus!!!

sábado, 6 de julho de 2013

ASAS DA ALVA


UMA DAS MAIS BELAS E TOCANTES MELODIAS QUE SE PODE OUVIR
É UMA INTERPRETAÇÃO DO SALMO 139 PELO GRUPO PRISMA



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quinta-feira, 4 de julho de 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS L

Ap. 22: 1 a 21 - "E mostrou-me o rio da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações. Ali não haverá jamais maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão, e verão a sua face; e nas suas frontes estará o seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do Sol, porque o Senhor Deus os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos. E disse-me: estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer. Eis que cedo venho! Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. Eu, João, sou o que ouvi e vi estas coisas. E quando as ouvi e vi, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar. Mas ele me disse: olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus. Disse-me ainda: não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo. Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda. Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã. E o Espírito e a noiva dizem: vem. E quem ouve, diga: vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida. Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro. Aquele que testifica estas coisas diz: certamente cedo venho. Amém; vem, Senhor Jesus. A graça do Senhor Jesus seja com todos."
Neste último capítulo de Apocalipse é retratada a eternidade e como é viver em perfeição e em um lugar perfeito onde o mal jamais poderá penetrar. É descrito um rio de água da vida ladeado por árvores cujos frutos são produzidos em estação própria. Nas duas margens do rio da vida existem duas ruas: uma de um lado e outra do outro. Por isto Cristo se identifica como o caminho, a verdade e a vida em João capítulo quatorze verso seis. É do trono d'Ele que sai o rio, as árvores da vida e as ruas que permitem entrar e sair da cidade santa.
Os redimidos que tiveram suas vidas regeneradas pelo Cordeiro de Deus, participaram da primeira ressurreição e se tornaram imortais irão viver na Cidade Santa como reis e sacerdotes, os que estiverem na Terra só terão vida permanente se comerem do fruo da árvore da vida. Esta árvore nunca mais será plantada na Terra, por isso os reis da Terra levarão a honra e a glória das nações até o trono de Cristo na Nova Jerusalém. As folhas da árvore da vida servirá como o remédio para quaisquer males aos homens que viverem na Terra.
Aos eleitos e redimidos é dada a elevadíssima honra de contemplar a face de Deus e de Cristo. Em suas testas estará escrito o nome d'Ele, porque foram justificados n'Ele, por Ele e para Ele. Naquela cidade eterna não haverá noite e os seus portões jamais se fecharão. Embora apenas os imortais possam entrar e sair da Cidade Santa, os seus portões estarão sempre abertos, indicando que eles não são prisioneiros nela. Por isto o profeta Isaías indaga: "quem são estes que veem voando como nuvens, e como pombas ao seu pombal?" A luz da Santa Cidade emanará do próprio Deus, por isto é uma cidade luminosa e não iluminada, porque Ele mesmo estará ali. Nas Escrituras, a vida e o conhecimento sempre estão associados à luz. Ali será o centro de toda a luz do universo.
É dito neste capítulo que ninguém pode acrescentar ou retira qualquer palavra desta profecia. São as palavras dos últimos tempos, no último livro do Canon Sagrado. É dito também que, neste tempo quem é justo, ou seja, foi justificado em Cristo permanecerá assim eternamente, enquanto os injustos, ou injustificados também permanecerão assim eternamente. No tocante às coisas espirituais não haverá mais quaisquer alterações. Também é indicado o modo como Jesus, o Cristo voltará: 'sem demora'. Isto indica que Ele se manifestará visivelmente de forma muito rápida. Com ele estará a recompensa aos seus eleitos pelas obras de Deus executadas por eles.
O livro encerra afirmando a bem-aventurança dos que foram purificados pelo sangue de Cristo. Isto lhes dará a graça de acesso à árvore da vida e poderão distribuir os seus benefícios aos povos e nações que estarão na superfície terrestre. Por isto os eleitos e redimidos são reis e sacerdotes de Cristo eternamente conforme I Pd. 2:9 - "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." Também é dito neste capítulo que ficarão de fora da Cidade Eterna os cães, feiticeiros, adúlteros, homicidas, idólatras e todos os que amam e praticam a mentira. A maioria dos religiosos toma estes conceitos apenas como comportamentos morais. Entretanto, vão muito além disto, pois indicam o estado da natureza pecaminosa que não foi regenerada em Cristo, e não apenas os atos pecaminosos indicados por tais palavras. É, portanto, uma questão de princípio e não apenas comportamental.
Nos últimos versos Jesus se identifica novamente como a raiz e a geração de Davi e a resplandescente estrela da manhã. Esta é uma clara indicação da linhagem de Jesus, a saber, a casa de Jessé, pai do rei Davi. O Espírito Santo e a Igreja dizem: vem e aos que ouvem com sede e fome de justiça dizem: vem.
E, eu, mendigo entre tantos mendigos digo: ora, vem Senhor Jesus, o Cristo, o Grande Rei Eterno e Imortal.
Amém!

terça-feira, 2 de julho de 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS IL

Ap. 21: 1 a 27 - "E vi um novo céu e uma nova Terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira Terra, e o mar já não existe. E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo. E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: está cumprido: Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei a beber da fonte da água da vida. Aquele que vencer herdará estas coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte. E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, tendo a glória de Deus; e o seu brilho era semelhante a uma pedra preciosíssima, como se fosse jaspe cristalino; e tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Ao oriente havia três portas, ao norte três portas, ao sul três portas, e ao ocidente três portas. O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. E aquele que falava comigo tinha por medida uma cana de ouro, para medir a cidade, as suas portas e o seu muro. A cidade era quadrangular; e o seu comprimento era igual à sua largura. E mediu a cidade com a cana e tinha ela doze mil estádios; e o seu cumprimento, largura e altura eram iguais. Também mediu o seu muro, e era de cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida de homem, isto é, de anjo. O muro era construído de jaspe, e a cidade era de ouro puro, semelhante a vidro límpido. Os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento era de jaspe; o segundo, de safira; o terceiro, de calcedônia; o quarto, de esmeralda; o quinto, de sardônica; o sexto, de sárdio; o sétimo, de crisólito; o oitavo, de berilo; o nono, de topázio; o décimo, de crisópraso; o undécimo, de jacinto; o duodécimo, de ametista. As doze portas eram doze pérolas: cada uma das portas era de uma só pérola; e a praça da cidade era de ouro puro, transparente como vidro. Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro. A cidade não necessita nem do sol, nem da lua, para que nela resplandeçam, porém a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. As nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória. As suas portas não se fecharão de dia, e noite ali não haverá; e a ela trarão a glória e a honra das nações. E não entrará nela coisa alguma impura, nem o que pratica abominação ou mentira; mas somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro."
O capítulo vinte e um da profecia apocalíptica reverencia a "Cidade Santa", lar eterno dos imortais, a saber, dos eleitos e regenerados de todos os tempos que participarão da primeira ressurreição. Será a capital do universo, a partir do final do milênio e para sempre. Neste capítulo contemplam-se a formação de novo céu e da nova Terra pela restauração plena realizada por Cristo. Alguns acreditam ingloriamente em uma espécie de Cosmogonia pela qual os céus e a Terra atuais seriam destruídos e criados novos. O texto grego original diz: "e vi um céu novo e uma Terra nova". O termo grego para 'novo' e 'nova' neste texto é 'kainon' e 'keinen', significando que é algo novo em qualidade apenas e não em origem. Isto é confirmado em II Co. 5:17 - "... e as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."
Quando o texto diz que "o mar já não existe" não quer dizer que não haverá água na Terra. Significa que houve uma redistribuição entre terra firme e as águas. A Terra toda será restaurada à posição original descrita em Gn. 1: 6 a 10 - "E disse Deus: haja um firmamento no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento, e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam por cima do firmamento. E assim foi. Chamou Deus ao firmamento céu. E foi a tarde e a manhã, o dia segundo. E disse Deus: ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça o elemento seco. E assim foi. Chamou Deus ao elemento seco terra, e ao ajuntamento das águas mares. E viu Deus que isso era bom." Desta forma parte das águas que estão na superfície terrestre será levada de volta à atmosfera como era no princípio. Alguns dizem que esta camada de águas entre o firmamento terrestre e o espaço sideral é que dava longevidade aos seres vivos, pois funcionava como um filtro aos raios nocivos à vida. 
A "Cidade Santa" é também chamada de "A Noiva" e a "Esposa do Cordeiro". Esta é uma alusão à morada eterna dos imortais que foram regenerados por Cristo, também conhecidos coletivamente como a Igreja. Esta cidade eterna não será construída na Terra com tecnologia humana, mas descerá do céu pronta. Isto é perfeitamente indicado por Cristo em Jo. 14:2 - "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar." O texto indica que a cidade eterna não estará sobre a superfície terrestre, mas ficará próximo à Terra. Os povos e nações andarão sob a luz desta cidade. Será uma cidade esplendorosa e a forma que João descreve é utilizando o brilho do jaspe. É dito que a "Nova Jerusalém" terá aspecto de ouro transparente, entretanto este tipo de recurso não é conhecido na Terra hoje. Esta cidade é um imenso cubo de 250 km³ de acordo com a descrição do texto. É uma cidade que produz luz própria, não necessitando de corpos celestes para iluminá-la, pois a glória de Cristo a iluminará. Terá muralhas de 80 metros de altura com portões fundidos na própria muralha e são guardados, cada um, por um anjo. Estas portas são feitas de pérolas inteiriças como uma única peça. Os alicerces da muralha possuem doze fundamentos simbolizando  os doze apóstolos da nova aliança. 
Estas são, portanto, as descrições da glória da morada eterna dos imortais, a Igreja, a Noiva de Cristo, a Nova Jerusalém, a Cidade Eterna.
Maranata!