domingo, 28 de outubro de 2012

PREGADORES DO ANÁTEMA

Gl. 1: 6 a 12 - "Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo."
Anátema é um substantivo masculino procedente do latim eclesial 'anathèma' e significa literalmente 'excomunhão' ou a pessoa 'excomungada'. Excomungar é retirar alguém da comunhão, ou seja, da comum união. É óbvio que ninguém pode anatematizar outra pessoa por bel prazer, simplesmente por julgar o outro um incrédulo ou indígno. Este processo foi largamente utilizado pela religião romanista, especialmente durante a vigência do Tribunal do Santo Ofício ou Inquisição. No texto grego neotestamentário, anátema significa praguejar, entregar à maldição ou jurar sob pena de maldição. 
O apóstolo Paulo utiliza o expediente do anátema no texto de abertura em relação aos falsos ensinos e não em relação aos cristãos da Galácia. Os gálatas estavam sendo fascinados pelos pregadores de um evangelho híbrido, a saber, queriam misturar a lei à graça de Cristo, entretanto são aspectos opostos. Tal doutrina esdrúxula contrapunha-se ao evangelho verdadeiro já anunciado aos gálatas. Por esta razão Paulo está afirmando que estava admirado que estivessem deserdando da graça para as obras. Informou aos gálatas que este ensino híbrido nada mais era que outro evangelho pervertido. Tal evangelho causou espanto em Paulo naquela época, entretanto, hoje é o evangelho predominante nas religiões e igrejas comuns. Observando o corpo de doutrina que prevalece nas religiões institucionais, verifica-se maior ensino da lei que o ensino da salvação pela graça conforme Ef. 2: 8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Veja que é pela graça e não pelas obras que o pecador é regenerado e redimido. A fé é o meio e não o fim em si mesma. Tanto graça quanto fé não são originados no homem, mas em Deus e concretizados por meio de Cristo. Graça e fé são dons de Deus, precisamente para que não haja glória no pecador, pois senão dar-se-ia que do imundo poder-se-ia produzir o puro, negando Jó 14:4 - "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém."
O ensino de Paulo é muito duro sobre este falso evangelho que tenta misturar obras de justiça própria à graça de Cristo. Ele afirma, que, ainda que um anjo do céu desça e pregue outro evangelho que não seja o da graça, seja tal evangelho anátema. Neste sentido o anátema é uma sentença de maldição que refuta tal pregação. Anátema, ainda pode ser reprovação enérgica; condenação, repreensão, maldição, execração. Nos tempos de hoje qualquer um que pregue aquilo que agrada e satisfaz a carência humana é recebido como grande virtude de Deus. Imagine se tais pessoas pudessem receber um anjo vindo do céu pregando a graça de Cristo, mas também as obras de justiça para merecer a salvação? Certamente se encurvariam para adorar tal criatura. Há grupos que pregam exatamente isto! Ensinam como base da doutrina que não há inferno, não há pecado e não há condenação eterna. Contrariamente, Cristo ensina que há todas estas coisas conforme Mt. 25:46 - "E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna." Vê-se que, tanto o castigo, como a vida são eternos.
O mais inusitado nestes ensinos errôneos é que os doutrinadores querem refundar o cristianismo por uma teologia própria, o que os tornam mais anatematizantes e anatematizáveis. Produzem e reproduzem outros evangelhos mais lógicos e mais aceitáveis, porém absolutamente apostatados da verdade. Eles tomam apenas as porções que lhes interessam para justificar suas falsas doutrinas, negando todo restante que lhes condena. Ora, as Escrituras são una, ou seja, ensinam a mesma verdade do início ao fim. Não há partes aceitáveis e partes refutáveis. Este é um típico ensino humanista e errôneo típico dos anatematizantes inspirados por espíritos enganadores que se passam por anjos de luz e ministradores da justiça conforme II Co. 11: 14 e 15 - "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." Tais ensinos estão centralizados no inimigo das almas dos homens disfarçado de guias, espíritos ministradores e no próprio homem. O verdadeiro evangelho está centralizado em Cristo, na graça e não nas obras de justiça humana. A graça é extremamente ofensiva ao homem cuja natureza é contaminada pelo pecado. A graça retira do homem a possibilidade de salvar-se a si mesmo numa espécie de evolução e sublimação pela prática de boas obras. O texto de Efésios 2 demonstra que as boas obras são de Deus e que foram preparadas antes que houvesse o mundo e os homens para que estes andassem nelas depois de regenerados pelo verdadeiro evangelho. Muitos religiosos se comportam exatamente em oposição a este ensino, invertendo e transformando a verdade em mentira conforme previsto em Rm. 1:25 - "... pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente." É claro que analisadas humanisticamente, tais doutrinas são boas, pois ensinam a caridade, o amor ao próximo, a resignação diante das vicissitudes da vida. Entretanto, estas coisas não retiram a natureza decaída do homem. Tal remoção só é possível pela inclusão do pecador na morte de Cristo para destruição da sua natureza adâmica conforme Rm. 6: 6 a 8 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos..." O velho homem é a velha natureza contaminada pelo pecado e o corpo do pecado é exatamente a natureza pecaminosa inoculada no homem por Satanás. Observe que o texto se refere ao "velho homem" e não ao "homem velho." Não é uma questão de idade, mas de natureza!
Estes ensinos anatemáticos tentam convencer os incautos levantando dúvidas sobre as Escrituras. Entretanto, eles mesmos lançam mão de partes dela para justificar seus erros e desvios. Desconhecem diversos princípios da Palavra de Deus e entram em contradição em seus dogmas. Não sabem, por exemplo, que os códices da Bíblia são sempre os mesmos, o que tem erros e desvios são as traduções que os religiosos fazem destes códices. Cada um traduz os textos originais com base no seu sistema de crença, logo desvirtuam as Escrituras para que elas se curvem às suas crendices erroneamente chamadas de cristãs.
Finalmente em Jo. 12: 24 e 25 - "Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna." O grão de trigo a que alude o texto é, em princípio, o próprio Jesus, o Cristo que teria de morrer para regenerar os eleitos. É, ainda, uma alusão à morte e à ressurreição de Cristo como o meio de destruição do corpo do pecado, ou seja, da natureza pecaminosa do homem. Quem é o que ama a sua vida? O que crê que sua redenção depende das suas ações e não da graça de Cristo. O ensino de Cristo neste texto de João é que, aquele que tenta promover a sua própria redenção perderá a sua vida eternamente, mas aquele que, rendendo-se à cruz e crendo que foi crucificado com Cristo ganhará a vida eterna. A vida a que alude o texto de João é 'psiken', ou seja, a vida almática e não a vida do espírito. Isto porque a salvação é da alma e não do espírito. Este veio de Deus pelo sopro da vida e a Deus retornará quando for separado do corpo e da alma.
Sola Gratia!

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