quarta-feira, 15 de agosto de 2012

TIRA O PRIMEIRO PARA ESTABELECER O SEGUNDO

Hb. 10: 1 a 10 - "Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus. Doutra maneira, não teriam deixado de ser oferecidos? pois tendo sido uma vez purificados os que prestavam o culto, nunca mais teriam consciência de pecado. Mas nesses sacrifícios cada ano se faz recordação dos pecados, porque é impossível que o sangue de touros e de bodes tire pecados. Pelo que, entrando no mundo, diz: sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado. Então eu disse: eis-me aqui no rolo do livro está escrito de mim para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tendo dito acima: sacrifício e ofertas e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei; agora disse: eis-me aqui para fazer a tua vontade. Ele tira o primeiro, para estabelecer o segundo. É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre."
A lei a que Paulo alude neste e em diversos textos é o conjunto de preceitos e regras ordenados por Deus por meio dos profetas. É um corpo de doutrina cujo objetivo era disciplinar o homem por causa da sua natureza pecaminosa. Tal disciplina objetivava preparar os eleitos para a redenção pela fé. A lei de Moisés foi um conjunto de normas fortes, que, em suma, mostrou ao homem decaído que era impossível a ele cumprir pactos e preceitos para a santificação diante de Deus. Por esta razão é dito que a lei foi apenas uma espécie de aio ou professor ao homem em estado pecaminoso conforme Gl. 3: 22 a 25 - "Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos que creem. Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio." Também é mostrado no Novo Testamento que a lei não pode salvar ninguém conforme Gl. 3:11 - "É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus." Portanto, embora a lei não seja contra a fé, todavia, por ela nenhuma carne se salva. Isto porque nenhum homem portador da natureza pecaminosa possui capacidade para cumprir todas as exigências da lei. Cumpre uma ou outra norma,mas nunca todas as normas; cumpre por algum tempo, mas não por todo o tempo.
O texto de abertura mostra que os sacrifícios e ofertas pelo pecado eram apenas indicativos de como seria executada a justiça eterna e definitiva em Cristo. Os preceitos estabelecidos na vigência da lei, apenas mostravam por enigmas, símbolos e tipos como seria feito o sacrifício único suficiente e eficiente na morte de Cristo. Paulo mostra, que, se os sacrifícios e ofertas estabelecidos no pacto da lei fossem suficientes e eficazes, não necessitariam ser repetidos por séculos e séculos. É registrado claramente, que, "... sacrifício e ofertas e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei." Estava preordenado, antes da fundação do mundo, que o Filho de Deus viria para ocupar o corpo de um homem histórico sem pecado e ser sacrificado para aniquilar definitivamente a culpa do pecado conforme Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Assim, o pecado original, a saber, a culpa pela incredulidade de Adão que foi transmitida aos seus descendentes foi retirada pela morte de Cristo. A Sua morte foi substitutiva e inclusiva na medida em que Jesus, o homem histórico substituiu o pecador fisicamente e o Cristo, Filho Unigênito de Deus, o substituiu espiritualmente. Isto se define pelo fato de Jesus, o Cristo não ter nenhum pecado, mas Deus o fez pecado, inoculando n'Ele os pecados de todos os eleitos conforme II Co. 5:21 - "Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." Desta maneira, Deus executou a exigência da Sua lei contra o pecado, ou seja, a morte, justificando o pecador uma única vez e para sempre. Por isto John Owen disse: 'a morte, da morte, na morte de Cristo'.
Então fica evidente, pelas Escrituras, que Deus retirou o primeiro pacto, a saber, a lei que não poderia justificar o pecador, para estabelecer o segundo pacto pela justificação em Cristo. Assim, há grande contraste entre a verdade ensinada nas Escrituras e o que crê a maioria dos religiosos. Estes continuam praticando atos da religião exterior por meio do cumprimento de preceito sobre preceito, regra sobre regra, rito sobre rito. Os tais tentam, ingloriamente cumprir a lei e a graça ao mesmo tempo, entretanto, não conseguem nem um, nem o outro. Portanto, a religião é uma invenção da vaidade humana em querer que o pecador produza a sua própria redenção por meio de sacrifícios e ofertas de justiça própria. Negam, portanto, o sacrifício único e perfeito de Jesus, o Cristo. 
Sola Scriptura!

Nenhum comentário: