sábado, 4 de agosto de 2012

PROFUNDA DEI ET ALTITUDINES SATANAE X

Cl. 1: 21 a 28 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro. Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que resta das aflições de Cristo, por amor do seu corpo, que é a igreja; da qual eu fui constituído ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, a fim de cumprir a palavra de Deus, o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo."
As profundezas de Satanás se manifestam por meio de crenças, sistemas teológicos, sistema educacional, ciência, tecnologias, política, sistema financeiro, movimentos ideológicos. Em todas as ações, subprodutos da mente humana decaída, há profundo apelo às tais profundezas. Algumas atividades, que, por vezes passam desapercebidas e são aceitas como boas e corretas estão absolutamente impregnadas das profundezas do maligno. Não são, necessariamente, jogo de palavras ou opiniões sobre alguém ou alguma atividades que determinam o envolvimento com  as profundezas de Satanás ou com as profundezas de Deus. Vez por outra veem-se pessoas ou grupos religiosos acusando que esta ou aquela empresa, este ou aquele artista, musicas como sendo ligados a satanismo. Ora, as Escrituras afirmam que o mundo inteiro jaz no maligno! Porém, a maioria desconhece o significado desta e de tantas outras afirmações bíblicas. Os verdadeiros servos das profundezas de Satanás são, geralmente, confiáveis, amigos, caridosos, simpáticos e gentis. As pessoas com aspectos demoníacos ou comportamentos anormais são, de fato, vítimas de opressão e de suas próprias almas decaídas. 
Há, inclusive, grandes possibilidades de um cristão autêntico ser considerado  maléfico, estranho, frio e insensível, do que um satanista declarado. Isto porque, o senso comum julga e discerne quase tudo pela noção maniqueísta de bem e mal, certo e errado, divino e profano, aceitável e não aceitável. O mundo age e reage pelo que se vê, Deus age onde o homem não vê. Os eleitos de Deus não silenciam diante do pecado, e não ilude o pecador, protegendo-o e enganando-o no sentido de lhe afirmar que é filho de Deus, que é bom, justo e cheio de merecimentos. Ao contrário, ele certamente lhe comunicará que as Escrituras afirmam que todo homem é pecador por natureza, não merece absolutamente nada e necessita ser liberto por Cristo. Entretanto, um satanista, ao contrário, procura sempre dizer ao homem natural que é senhor de si mesmo, que pode traçar seu próprio destino, superar os obstáculos e evoluir material e espiritualmente. O inimigo das almas dos homens, invariavelmente, o ilude com as mesmas falácias de sempre, sendo uma das principais, a lenda do "livre arbítrio", que, nem é livre, nem pode arbitrar nada. Em qual das duas teses uma pessoa é propensa a acreditar?
Há muitos movimentos destinados a enobrecer o homem, propor sua melhorar física, psíquica e moral. Todavia, o mundo e seus habitantes estão indo de mal a pior. Há uma profunda doença individual e coletiva internalizada na sociedade. A mensagem cristã genuína, mas não religiosa, mostra que o coração do homem é continuamente mau conforme Gn. 8:21 - "...porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice." Não é uma questão de praticar ou deixar de praticar o que é mau, pois a questão é de natureza e não de comportamento exterior e visível. O coração, no sentido bíblico, é a sede das decisões, desejos, emoções, envolvendo a alma e o espírito morto para Deus. Comumente algumas pessoas, em função de questões comportamentais, religião ou ética se põem fora desta afirmação acima. Elas tomam por parâmetro apenas os atos exteriores, deixando de considerar a inclinação natural dos seus corações. Entretanto, as Escrituras reafirmam em Rm. 3: 10 e 11 - "...como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus." O que ocorre, nestes casos, é que as pessoas tomam apenas os efeitos pelas causas, imaginando que, se têm uma religião, se praticam boas obras e cumprem leis e preceitos, estão salvas. Porém, muitos seres humanos não praticam coisas horrendas apenas por medo. Medo do inferno, medo de castigo divino, medo de uma suposta lei do retorno, medo de ser apanhado pela norma jurídica, medo de se expor tal como é interiormente e ser rejeitado, medo de desfazer imagens que foram construídas à base do engano de si mesmo e do engano de outros. Algumas pessoas quando se acham sozinhas em determinados compartimentos de uma casa falam e fazem coisas que jamais fariam ou falariam publicamente. Muitos são uma pessoa em casa, outra no trabalho, outra na escola e outra na igreja. Daí é que surgiu a ideia de personalidade no teatro grego: a 'personalis' eram as máscaras que os atores usavam em cada ato da apresentação, pois em muitos casos era apenas um ator representando. Desta forma, o homem, é ele e as circunstâncias que o rodeiam ao longo da existência.
No texto que abre esta instância, Paulo, apóstolo está mostrando a condição do homem antes de ser regenerado e após sê-lo. Ele mostra que o homem natural não tem entendimento e suas obras, quer sejam aceitáveis ou recusáveis, são más por natureza e não por juízo de valor. Mostra ainda que o diferencial é o pecador ter sido incluído no corpo de Cristo em sua morte de cruz para perder a natureza pecaminosa e tornar-se uma nova criatura nos padrões de II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." O novo nascimento, ou melhor, o nascimento do alto é sobrenatural e independe de mérito e justiça própria, visto que a graça é para o desgraçado, a saber, aquele que não é portador de quaisquer merecimentos.
A regeneração apenas nos torna apresentáveis perante Deus, por meio de Cristo. Não é fruto do comportamento moral e ético, religioso ou sacrificial do homem. Por esta razão ninguém, por mais correto que seja, aos olhos da sociedade pode reivindicar a salvação. Ninguém pode "aceitar" a Cristo, pois quem conduz o pecador a Ele é Deus conforme Jo. 6:65 - "Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido." É uma questão de concessão e não de direito! A verdade é que, Ele é quem aceita o pecador eleito para tal fim conforme Jo. 1: 12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Ao eleito cabe apenas receber a eleição e não aceitar como se presume no mundo religioso.
Finalmente, "o mistério que esteve oculto dos séculos e das gerações", é, de fato, a vida de Cristo no nascido do alto, visto que Ele mesmo é a ressurreição e a vida conforme Jo. 11:25 - "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá." Estas verdades esplendentes se constituem na verdadeira mensagem da cruz e nas profundezas de Deus, a saber, "Cristo em vós, a esperança da glória".
Sola Gratia!
Sola Fidei!
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

Nenhum comentário: