domingo, 12 de agosto de 2012

ADORADO, ADORAÇÃO E ADORADORES

Jo. 4: 20 a 23 - "Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade."
Adoração é um substantivo feminino que provém do verbo adorar. Este verbo é transitivo direto e intransitivo, significando genericamente, admirar, amar, apreciar, corujar, estimar, gostar, idolatrar, prezar, querer, venerar. Considerando apenas o sentido de adorar como prestar culto a Deus implica em que haja um ser adorável, um ser adorador e um ato de adoração. A palavra adorar é de origem do latim 'adorare', que, em última análise, significa apenas 'orar', 'pedir orando', 'adorar'. Portanto, a adoração é um ato pelo qual a criatura se dirige ao Criador em palavras, cânticos e gestos, reconhecendo-o como único digno de tal reverência, consideração, confiança, veneração, estima, amor, admiração, apreço. Obviamente, que, neste artigo o objeto de adoração em questão é apenas Deus. Há muitos que adoram outros seres naturais e sobrenaturais, porém, isto é da responsabilidade eterna de tais pessoas. Cristo ensina que somente Deus é digno de adoração conforme Lc. 4:8 - "Respondeu-lhe Jesus: está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás."
A maioria dos religiosos entende que adoração é apenas por meio de músicas e tornam, em muitos casos, o louvor musical como o centro da adoração. De fato, pode-se adorar a Deus por meio de músicas, entretanto, tais músicas devem realmente render o verdadeiro reconhecimento do que Ele é e não do que o homem deseja que Ele seja. Grande parte do que é gravado e cantado como sendo adoração, nada tem a ver com este ato. O famigerado estilo 'gospel', serve, em grande parte, à projeção de artistas no mercado da música e de 'gospel' não tem nada. Tais artistas não realizam nenhuma adoração, mas dão shows e buscam encantar plateias e receber aplausos. Não reverenciam evangelicalmente ao Senhor dos senhores e Rei dos reis. Outros ainda, produzem uma teologia humana em torno da adoração por meio da música, alegando que estão evangelizando. Ledo engano, pois a evangelização é o ato de anunciar apenas o evangelho, ou seja, as boas novas que Cristo veio ao mundo para libertar verdadeiramente o pecador por meio da inclusão em Sua morte e da ressurreição juntamente com Ele. Tecer composições melodiosas, rítmicas e harmoniosas sobre Deus e Jesus, nem sempre reduz-se a um ato de adoração. Tais composições mexem apenas com a sensualidade almática, mas nada tem a ver com o espírito.
O próprio Jesus, o Cristo demonstra claramente que há adoradores verdadeiros e adoradores falsos conforme Mt. 15: 9 - "Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem." Estes que não têm experiência de nascimento do alto, a saber, regeneração espiritual, invariavelmente, irão adorar em vão, pois partem de um sistema teológico que lhes agrada. Isto acontece, porque invertem a verdade do evangelho em mentira religiosa e humana conforme Rm. 1:25 - "... pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente."
Os adoradores verdadeiros põem o foco da sua adoração na pessoa de Cristo e não nas circunstâncias e benefícios que d'Ele imaginam poder retirar. O adorador verdadeiro tem por objeto a pessoa de Cristo conforme Jo. 12: 20 e 21 - "Ora, entre os que tinham subido a adorar na festa havia alguns gregos. Estes, pois, dirigiram-se a Felipe, que era de Betsaida da Galileia  e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus." Enquanto os judeus pediam sinais e demonstrações sensoriais, estes gregos queriam ver a Jesus, nada mais. Estes são os adoradores que veem o reino de Deus e não o que podem obter de lucro dele conforme ensino do Mestre em Jo. 3:3 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer do alto, não pode ver o reino de Deus." Vê-se, que, nascer do alto não é uma questão de desejos, escolhas e vontade humana, mas de poder. Sem novo nascimento, não há visão do reino de Deus. Quem pode ver o reino de Deus? Aquele a quem é concedida a graça e a misericórdia por meio da fé conforme Ef. 2:8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie."
No texto de abertura verifica-se um diálogo entre uma mulher samaritana e Jesus, o Cristo. No decorrer da conversa fala-se em lugar de adoração, sendo isto típico dos religiosos. Se preocupam com o que é periférico, abandonando o que é a centralidade do evangelho, a saber, o próprio Cristo. Os lugares não importam, porque a adoração é um ato espiritual e não de religião exterior. Não são as palavras, as músicas, os gestos feitos com as mãos estendidas que convencem a Deus ser favorável a alguém. A adoração verdadeira é em espírito e não em um monte, do contrário, adorar-se-á o monte e não a Deus. Aliás, esta história de adorar em montes e outeiros era típica dos adoradores de 'deuses' pagãos. Do texto também se depreende que é Deus quem procura os adoradores verdadeiros, pois o religioso invariavelmente, imagina que a iniciativa é sua. Os homens que não conhecem a verdade, envidam esforços para convencer Deus a lhes conceder coisas e a vida eterna. Entretanto Jesus afirma sobre a vida eterna o seguinte conforme Jo. 3:26 - "Quem crê no Filho tem a vida eterna..." Quem tem o Filho Unigênito e Primogênito de Deus tem a vida eterna, porque Ele mesmo é a vida conforme Jo. 17:3 - "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste."
O texto afirma que só se adora a Deus em espírito e em verdade, sabendo-se que a verdade é o próprio Cristo conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Então, Jesus, o Cristo não tem caminho para indicar, verdade para pregar, ou vida para dar. Ele mesmo é o caminho, a verdade e a vida. Quem tem Cristo tem tudo, porque é Ele o tudo de Deus.
Sola Scriptura!

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