sexta-feira, 27 de julho de 2012

PROFUNDA DEI ET ALTITUDINES SATANAE VII

Mt. 13: 3 a 16 - "E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: eis que o semeador saiu a semear. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram. E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se. E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um. Quem tem ouvidos, ouça. E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: por que lhes falas por parábolas? Respondeu-lhes Jesus: porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: ouvindo, ouvireis, e de maneira alguma entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira alguma percebereis. Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure. Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem."
Foi colocado em instância anterior que as profundezas de Deus são a maneira que Ele age no universo, revelando a sua soberana vontade aos eleitos. Também foi colocado, na mesma instância, que as profundezas de Satanás, de fato, demonstram o seu programa de exaltação do homem contaminado pelo pecado, a saber, pela natureza decaída espiritualmente. São ações absolutamente opostas, e, por esta razão os que não experimentaram o nascimento espiritual, jamais poderão discernir as profundezas de Deus, salvo se Ele conceder a graça para isto. Elas se lhes parecem loucura, sendo isto identificado nas Escrituras em I Co. 1: 18 e 19 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria e o entendimento dos entendidos." Há um enorme e aparente paradoxo nestas palavras: a palavra da cruz é a essência do evangelho, visto que, sem a inclusão do pecador na morte de Cristo, não há salvação. Por outro lado, o sistema das profundezas de Satanás leva o homem com toda a sua carga pecaminosa a buscar a auto-suficiência. Os que perecem são os que, mortos para Deus, por causa da natureza pecaminosa, caminham e se orientam pelos poderes latentes da alma. Aos que perecem, quem dita as regras é a alma, pois o espírito deles está desligado do Espírito de Deus. É isto que é chamado de morte espiritual, a saber, o espírito do homem não tem comunhão com o Espírito de Deus. Sabe-se que a alma é a sede das volições, desejos, emoções e sensualidades. Sobre a tal sabedoria que conduz o homem não regenerado é dito o seguinte Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, almática e diabólica." Na tradução do grego koinê para o português tomaram almática por animal, o que dá no mesmo, pois animal provém do latim 'anima', que quer dizer alma. Assim, todo o programa das profundezas de Satanás se ocupa de incentivar a sabedoria humana que é, segundo o texto retromencionado, terrena, almática e diabólica. Portanto, por mais sábio que seja o homem, tal sapiência nada tem a ver com as profundezas de Deus. Acrescenta-se que os demônios eram chamados de 'Sabedoria' nos cultos pagãos da antiguidade. Na atualidade, são chamados de 'guias espirituais', 'mentores', 'mahatmas', 'avatares', etc.
Tudo o que põe o foco no homem sem que este tenha experiência de nascimento do alto, está dentro do programa das profundezas ou elevações de Satanás. Isto não quer dizer que  todos os homens não estejam engajados no sistema posto e mantido no mundo após a queda pelo pecado. Entretanto, o diferencial é a destinação final e eterna do homem, como ensina a parábola do joio e do trigo. O que conta não é o que o homem faz, mas o que ele é por natureza. Por esta razão o apóstolo Paulo inspirado pelo Espírito de Deus afirma em I Co. 3: 18 a 21 - "Ninguém se engane a si mesmo; se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e outra vez: O Senhor conhece as cogitações dos sábios, que são vãs. Portanto ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso." A orientação é que o homem nascido de Deus oriente a sua vida de acordo com as profundezas de Deus que é a verdadeira sabedoria. É uma proposta inaceitável aos que são teleguiados pelas profundezas de Satanás, porque, apoiar-se na sabedoria humana é a única realidade que podem alcançar. Ela se lhes parece mais segura e promove maior felicidade e auto-realização. Todavia, é dito nas Escrituras que toda a sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus, e, que, Ele apanhará todos os sábios em suas próprias astúcias. 
O texto de abertura deste artigo trata igualmente das profundezas de Deus, visto que Jesus, o Cristo fala à multidão por meio de parábolas. As parábolas são artifícios pedagógicos para ilustrar uma verdade, valendo-se de uma metáfora mais assimilável ou mais dificultosa aos que a ouve. Vê-se no texto citado que, os discípulos questionaram o significado da parábola e o Cristo lha explicou. Eles, porém questionaram o porquê dele não ter falado de modo mais claro aos demais. Ao que Cristo respondeu mostrando que a uns é dado o conhecimento das profundezas de Deus, mas a outros não. Concluiu mostrando que aos que não é dado o conhecimento da verdade, até a falsa verdade apoiada na sabedoria humana será retirada. 
Diante do exposto, a reação dos que, por condução do Espírito de Deus ler este artigo será: de recebimento ser for eleito, de refutação e indignação se não for eleito. É normal que seja assim, porque não é uma questão de doutrina ou de opinião, mas de soberania monérgica de Deus por meio da eleição da graça conforme Rm. 11: 5 e 6 - "Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça. Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça." Finalmente, antes que os que se acham em rebelião diga que este texto está fora do contexto, afirma-se que ele se aplica tanto aos israelitas que foram separados para crer, como ao Israel de Deus que é uma tipificação da Igreja verdadeira como um todo. Este é o princípio da dupla referência profética!
Sola Gratia!

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