domingo, 1 de julho de 2012

A DIFERENÇA ENTRE OS DONS ESPIRITUAIS E AS HABILIDADES ALMÁTICAS VII

I Co. 14: 9 a 19 - "Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar. Há, por exemplo, tantas espécies de vozes no mundo, e nenhuma delas sem significação. Se, pois, eu não souber o sentido da voz, serei estrangeiro para aquele que fala, e o que fala será estrangeiro para mim. Assim também vós, já que estais desejosos de dons espirituais, procurai abundar neles para a edificação da igreja. Por isso, o que fala em  outra língua, ore para que a possa interpretar. Porque se eu orar em língua, o meu espírito ora, sim, mas o meu entendimento fica infrutífero. Que fazer, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o amém sobre a tua ação de graças aquele que ocupa o lugar de indouto, visto que não sabe o que dizes? Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado. Dou graças a Deus, que falo em línguas mais do que vós todos. Todavia, na Igreja eu antes quero falar cinco palavras com o meu entendimento, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em outra língua."
Nesta instância tratar-se-á do dom de interpretar outras línguas. Tal dom é uma consequência natural do dom de falar em outras línguas. No artigo anterior já foi  explicada a diferença entre traduzir e interpretar conforme o texto grego do Novo Testamento. Recentemente ocorreu no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas para questões de meio ambiente e de desenvolvimento, a Rio+20. Observou-se que, nesta conferência,  estiveram presentes representantes de diversas nações. Por isso, houve a necessidade de contratar um grande número de interpretes denominados tradutores simultâneos. Eles se distribuíam cada um em um guichê com seus fones de ouvidos ligados aos microfones dos palestrantes. Na medida em que os palestrantes iam falando, os tradutores iam traduzindo para o serviço de som a fim de que os ouvintes pudessem entender e avaliar o que se falava acerca dos temas propostos. Entretanto, o que os tradutores fazem, nestes casos, não é simplesmente uma tradução ao pé da letra, mas uma interpretação instantânea do que se ouve, de modo que os ouvintes possam compreender melhor a mensagem. Ora, mesmo quando alguém se põe a falar a outra pessoa em sua língua nativa, tal pessoa faz uma avaliação interpretativa própria a fim de processar inteligivelmente os sentidos das palavras. Isto porque na comunicação há um emissor, um canal, uma linguagem e um receptor. Qualquer falha em um destes elementos determinará falha em todos os outros.
O que o apóstolo Paulo está afirmando no texto de abertura é exatamente a tarefa de dizer com clareza as palavras, pois do contrário não haverá proveito algum. Orar ou cantar em outra língua que os presentes não entendem, não edifica em nada a Igreja. Todavia, muitos fazem estas coisas em algumas igrejas como que, tendo necessidade de se diferenciar e se colocar numa perspectiva de superioridade em relação aos outros. É como se quisessem ser vistos como mais espirituais. Isto é um jogo muito perigoso, porque dá lugar à arrogância e ao orgulho. Estas pessoas sempre procuram ser  vistas e consultadas como se fossem grandes virtuoses de Deus na Terra. Na verdade acabam por se tornar instrumento do maligno, pois o ensino escriturístico não autoriza este tipo de atitude. De fato, o regenerado e nascido do alto se torna forte, quando se vê como fraco; se torna grande, quando se diminui para que Cristo seja engrandecido; se torna tudo quando se coloca como sendo nada.
Dn. 5: 11 e 12 - "Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos encantadores, dos caldeus, e dos adivinhadores; porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e conhecimento e entendimento para interpretar sonhos, explicar enigmas e resolver dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar. Chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará a interpretação." O rei da Babilônia festejava com mil dos mais importantes convidados do seu reino. Resolveu exibir o seu poder e começou a beber vinho nos vasos sagrados que o seu pai, Nabucodonosor, havia retirado do templo de Salomão, em Jerusalém. Enquanto bebiam e adoravam os seus falsos deuses, uma mão sobrenatural escreveu na parede do salão real as seguintes palavras: "MENE, MENE TEQUEL UFARSIM". O rei, perturbado, fez entrar no recinto os seus encantadores, magos e adivinhos para dar a interpretação desta escrita. Entretanto, os tais embusteiros nada souberam dizer. Não se tratava de traduzir a escrita, pois a mesma estava em língua nativa da Babilônia. Tratava-se, outrossim, de dar a sua significação prática para que o rei soubesse o que Deus estava por fazer a respeito dele e do seu reino temporal. Ao pé da letra estas palavras querem dizer em língua caldaica, o seguinte: a) MENE = está medido e avaliado; b) TEQUEL = está pesado na balança; c) PARSIM = divisões, persas. O rei Belsazar havia compreendido perfeitamente estas palavras, pois estavam em sua língua nativa. Porém, elas tinham um significado mais extenso e profundo que a simples leitura literal. Vê-se que foram apenas quatro palavras, mas a sua interpretação foi bem mais ampla. Daniel, pois, deu a interpretação ao rei: "... os dias do teu reino foram numerados e considerados, o rei foi avaliado e pesado na balança, porém achado como nada. O julgamento divino está pronunciado a teu respeito e a respeito do teu reino. O teu reino será tirado do teu comando e entregue aos medos e persas." Na mesma noite o rei Dario do império formado pela Média e a Pérsia entrou em Babilônia e conquistou o reino para si. Algumas traduções trazem "PERES" ao invés de "PARSIM". Todavia, "parsim" é o plural de "peres" e quer dizer divisões ou persas.
I Co. 14:36 - "Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?." Paulo indaga aos coríntios se eles haviam produzido a Palavra de Deus, ou se ela teria sido dada apenas a eles por graça, porque estavam extrapolando no uso dos dons espirituais. O apóstolo termina a sua missiva aos crentes de Corinto dizendo que tudo deve ter decência e ordem no que concerne às coisas de Deus conforme I Co. 14:39 e 40 - "Portanto, irmãos, procurai com zelo o profetizar, e não proibais o falar em outras línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem."  O que se vê por aí, em determinados ciclos religiosos, não é, nem decente, muito menos ordeiro no tocante ao dom de falar em outras línguas e de interpretá-las. Desconsideram que Deus, não é de confusão, mas de paz e que tudo deve ser feito para edificação do corpo de Cristo conforme I Co. 14:33 e 14:26 - "... porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz. Que fazer, pois, irmãos? Quando vos congregais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação." O que se vê, em geral, é um desejo enorme de exercer os dons, mas pouco interesse em obedecer as Escrituras sobre a devida ordem e edificação. 
Quantas pessoas têm se confundido e perdido a paz por conta de profecias mentirosas? Quantos saem de um determinado "culto" confusos por conta de falação por palavras incompreensíveis e que em nada edificam a Igreja? Quantos deixam de crer nas Escrituras para crer em homens dissolutos e enganadores?
Sola Scriptura!

Um comentário:

Anônimo disse...
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