quinta-feira, 7 de junho de 2012

A DIFERENÇA ENTRE OS DONS ESPIRITUAIS E AS HABILIDADES ALMÁTICAS III

At. 10: 9 a 20 - "No dia seguinte, indo eles em seu caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado para orar, cerca da hora sexta. E tendo fome, quis comer; mas enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase, e via o céu aberto e um objeto descendo, como se fosse um grande lençol, sendo baixado pelas quatro pontas sobre a terra, no qual havia de todos os quadrúpedes e répteis da terra e aves do céu. E uma voz lhe disse: levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro respondeu: de modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. Pela segunda vez lhe falou a voz: não chames tu comum ao que Deus purificou. Sucedeu isto por três vezes; e logo foi o objeto recolhido ao céu. Enquanto Pedro refletia, perplexo, sobre o que seria a visão que tivera, eis que os homens enviados por Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam à porta. E, chamando, indagavam se ali estava hospedado Simão, que tinha por sobrenome Pedro. Estando Pedro ainda a meditar sobre a visão, o Espírito lhe disse: eis que dois homens te procuram. Levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu tos enviei."
Doravante tratar-se-á do dom da 'palavra de conhecimento' seguindo a ordem em que os 9 dons foram apresentados no artigo número I. Primeiramente é fundamental reforçar que se trata de dom espiritual e não de habilidades mental, intelectual ou gnoseológica do homem. Estas habilidades são inatas nos seres humanos como parte da sua constituição inteligente dada por Deus quando da sua formação. Elas são necessárias para que o homem possa realizar os seus objetivos terrenos de acordo com o plano divino.
O dom a que alude este estudo é oriundo da inspiração divina ao homem consoante o que afirma I Co. 12:7 - "A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum." Trata-se apenas da 'palavra de conhecimento' e não do conhecimento divino em si, pois o homem não tem a menor competência para abrigá-lo em sua condição terrena. Tal dom é destinado ao aperfeiçoamento dos eleitos no conhecimento de si mesmos e de Deus.
Conhecimento na língua original do Novo Testamento, o grego koinê, é 'phos', ou seja, é luz. De maneira que o conhecimento  que Deus deseja conceder ao homem é o conhecimento d'Ele mesmo conforme Gl. 4: 8 e 9 - "... outrora, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses; agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus..." De fato, quanto mais os eleitos e regenerados prosseguem conhecendo a Deus, mais  d'Ele se revela a eles. Este projeto de Deus está expresso no Velho Testamento da seguinte forma Is. 11: 9b - "... porque a Terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar." Deus é luz e, para conhecê-lo plenamente, o homem se tornará em luz conforme I Jo. 1:5 - "E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas." Neste sentido, pode-se dizer que Deus é conhecimento absoluto e os que são d'Ele estão sendo iluminados pelo seu conhecimento pleno de eternidade em eternidade conforme Os. 6:3 - "Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor."
É revelado nas Escrituras que o mundo inteiro jaz no maligno, e, que, desta forma, prevalecem as trevas no mundo. Ao enviar Cristo, Deus propôs fazer que os seus eleitos sejam iluminados conhecendo-o conforme Jo. 1: 9 e 10 - " Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu." O homem natural não pode conhecer a luz, a saber, o conhecimento da verdade, porque a sua natureza pecaminosa ama prioritariamente as trevas conforme Jo. 3:19  -  "A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más." É uma questão de natureza, antes do que de atos e atitudes. As ações do homem decaído são consequências da sua natureza morta para Deus. Por isso, não podem conhecer a verdade, sem que antes Deus a revele por meio de Cristo. A ação é sempre monérgica e soberana!
De fato, a maioria dos religiosos anda a cata de conhecimentos esotéricos e não do conhecimento do Altíssimo como propõem as Escrituras. Tal busca os leva diretamente aos propósitos de Satanás, pois se enveredam por um círculo de conhecimento gnóstico e hermético. Neste sentido acabam travando contatos com as profundezas de Satanás conforme Ap. 2:24 - "Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei." A referida doutrina é disseminada pela falsa profetiza Jezabel, assim descrita: "... mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos." Jezabel, neste texto escatológico, é uma tipologia da mulher de um antigo rei chamado Acabe, a qual mantinha a doutrina hermética e o culto a 'deuses' diversos, que, na verdade, eram demônios. Na antiguidade, os demônios eram chamados de sabedoria, pois os homens supunham receber deles o conhecimento oculto e sobrenatural. A doutrina jezabeliana é uma prostituição no sentido em que semeia o engano e a mentira, valendo-se de argumentos aparentemente verdadeiros. Quanto a comer das coisas sacrificadas a ídolos equivale dizer, figurativamente, à busca de luz interior ou do autoconhecimento, em detrimento à verdadeira luz que é Cristo. Significa alimentar as suas almas com a luz dos conhecimentos de entidades e supostos seres iluminados chamados de "Mestres" ou "Kadoshim". Tais ensinos de busca da luz interior e de seres iluminados e  ocultos despreza a Cristo como o enviado de Deus para aniquilar o pecado. Estes falsos mestres, geralmente, rejeitam os textos bíblicos sob a alegação de falhas e erros, sobrepondo-se a eles suas próprias teologias esotéricas e espiritualistas. Insistem naquilo que realmente satisfaz as suas naturezas decaídas e entregues aos poderes latentes da alma. Atuam por meio do ensino e da sedução de habilidades almáticas, se autointitulam de profetas por conta própria. Buscam o reconhecimento de suas supostas virtudes, ensinando e seduzindo os homens por meio dos seus poderes almáticos.
As profundezas de Satanás são doutrinas e ensinos que se opõem à verdade e que se caracterizam por serem extremamente agradáveis ao homem natural, especialmente, aos religiosos. Enquanto o evangelho de Cristo afirma que a filha se levantará contra a mãe, o pai contra o filho, que um homem erguerá a espada contra o outro, o ensino gnóstico e hermético de Satanás propõe a paz e a harmonia entre os homens. Tal propositura luta por uma sociedade pacífica e progressista, visando a formação de uma grande fraternidade na Terra. Enquanto Deus arrasta o homem pecador ao fundo do poço para que este conheça e reconheça a profundidade do seu pecado, Satanás o exalta e o glorifica a fim de manter o seu orgulho almático pecaminoso original. As profundezas de Satanás advogam a excelência em educação, em tecnologia, em conhecimento, além do cultivo e o apelo ao que "de melhor há dentro de nós". Objetiva tornar o mundo um habitat altamente confortável e apropriado, até que a ausência de Cristo no mundo, não seja percebida, e Deus será necessário. É este o sentido das profundezas de Satanás, a saber, o cultivo do mundo ou de uma energia interior e da luz própria do homem decaído. Neste sentido há milhões de milhões de religiosos enganados e enganadores.
O texto de abertura deste estudo mostra que a palavra de conhecimento dada a Pedro foi que ele aprendesse que Deus é soberano e que as suas determinações estão acima dos preceitos, regras e normas religiosas. A visão do lençol cheio de animais tidos como imundos pelos judeus era uma simbologia dos homens que Deus toma e os purifica na inclusão na morte do seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Por isto Pedro responde aos emissários do oficial romano em At. 10:28 - "... e disse-lhes: vós bem sabeis que não é lícito a um judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem devo chamar comum ou imundo."
Assim, o dom da palavra de conhecimento destina-se aos aperfeiçoados em Cristo para que honrem e glorifiquem o nome d'Ele. Não se destina a exaltar homens cujas naturezas estão contaminadas pelo pecado original. Os eleitos estão sendo iluminados pelo conhecimento do Eterno até que sejam luz como Ele é luz conforme I Co. 13: 12b - "... agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido."
Sola Fidei!

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