sábado, 25 de fevereiro de 2012

O MEU EVANGELHO

Rm. 16:25 a 28 - "Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé; ao único Deus sábio seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém."
A diferença básica entre egoísmo e egotismo, é, que, naquele há um amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem, e neste é um apreço, ou amor exagerado pela própria personalidade, revelando pouca ou nenhuma consideração pelas opiniões dos outros. Assim, enquanto no egoísmo há um culto aos interesses próprios, no egotismo há reduzido interesse nas ideias e opiniões das outras pessoas, porque o egotista considera apenas a si e as suas ideias. Não há espaço para o outro, ele se basta a si mesmo.
O mundo é um celeiro de egoístas e egotistas, pois o eu é o "deuzinho" entronizado e inchado em suas próprias presunções. É comum ouvir pregadores exaltados se referindo aos seus feitos de curas, exorcismos e soluções de problemas atribuindo os resultados das suas práticas místicas a si mesmos. Dizem eles: "a minha oração", "o meu poder", "o meu ministério" e assim por diante. Cristo é alguém estranho a estes arraiais do egoísmo e do egotismo, pois teriam de ceder lugar a outro, que não eles mesmos. De fato, a maior parte do que se faz e se consegue nestas seitas e religiões humanas, é produzido pelo homem. São resultados obtidos pelo poder latente da alma, e não pela operação soberana do poder de Deus. A fé genuína não se baseia em evidências e resultados.
No texto de abertura lê-se que, o apóstolo Paulo se refere ao evangelho como "... meu evangelho." Muitos poderiam atribuir atitude egocêntrica nessa expressão, não fosse o vasto acervo de auto-humilhação de Paulo. Alguém que se coloca como o principal dos pecadores, como desventurado homem que faz o que não quer, e deixa de fazer o que quer, que considera todo o seu conhecimento e status como esterco, e se põe como o menor entre os apóstolos, não pode ser classificado como egoísta e egotista. Não se faz aqui a defesa do apóstolo Paulo, porque não é necessária, mas colocam-se as coisas no seu devido lugar conforme o conjunto das Escrituras. O evangelho de Paulo não é, senão a exposição da pregação de Cristo, e da revelação do mistério preservado em silêncio desde os tempos eternos. O evangelho de Paulo é dele, no sentido e na extensão do que lhe foi incumbido pregar aos gentios. Não foi ele quem produziu tais ensinos, mas o que ele recebeu, isto mesmo anuncia conforme I Co. 11:23a - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei..." O que Paulo recebeu do Senhor? Que ele morreu, entregando o seu corpo para a morte de cruz, e que derramou o seu sangue para justificação dos pecadores. Esta é a essência do evangelho que Paulo recebeu e transmitiu com elevadíssima fidelidade. Ninguém, no novo testamento, pregou mais sobre a morte inclusiva e substitutiva do que Paulo.
O evangelho de Paulo é o verdadeiro e autêntico evangelho, visto que foi manifesto pelas Escrituras proféticas, segundo o mandamento de Deus, e revelado ao conhecimento dos pecadores em todas as nações para obediência e fé.
At. 20:24 - "...mas em nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus." Desta forma, Paulo, não tinha qualquer traço de egoísmo e egotismo, pois a sua vida não lhe pertencia mais. Possuía um ministério recebido e não autoproduzido. Deu testemunho do evangelho e não inventou um evangelho próprio. Por isso, Paulo ora: "ao único Deus sábio seja dada a glória por Jesus Cristo para todo sempre. Amém."
Quisera os "evangelistas" de hoje possuíssem tal evangelho comissionado para anunciar. Pregam suas próprias ideias e concepções religiosas desprovidas de verdade, chamando isto de ministério. É a confirmação da profecia de Oséias: "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos."
Sola Fidei!

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