sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS XIX

Tg. 5: 12 a 15 - "Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; seja, porém, o vosso sim, sim, e o vosso não, não, para não cairdes em condenação. Está aflito alguém entre vós? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." 
A maioria das pessoas faz da oração uma superstição, ou um escape psicológico para fugir às pressões, dores, sofrimentos, angústias e dificuldades. Fazem-no dentro de um automatismo condicionado para sentir alívio. Entretanto, a oração sem a fé não é nada, a não ser um amontoado de palavras repetitivas. 
Há aquelas pessoas que, no desespero, juram por tudo o que é mais sagrado, que vão fazer isto, ou aquilo, contanto que Deus as atenda. Porém, Ele está interessado em verdade, sinceridade e fé, pois sem fé é impossível agradá-Lo conforme Hb. 11:6 - "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." Por isso, o apóstolo Tiago ensina que não é necessário, e muito menos, correto jurar por qualquer coisa. Não são as muitas palavras e promessas do homem que inclina o coração de Deus, mas a fé. Sabendo-se que a verdadeira fé é dom de Deus conforme Jd. 3b - "...exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos." Confirmado em Ef. 2: 8 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus." Assim, nem a graça, nem a fé provém do homem, mas de Deus.
Não há nada de errado em orar quando se está aflito, angustiado, desesperado e em dores. A questão não é orar, ou não orar, mas quem e como orar, e orar com a fé de Cristo. Esta é uma questão fundamental, pois as pessoas, mesmo as que se dizem cristãs, oram com base em um tipo de esforço mental, emocional, ou sacrificial de si mesmas. Não é este o ensino escriturístico sobre a oração. Jesus ensina muito sobre a oração, porém nos termos da fé e não do mérito. 
Muitas pessoas inadvertidamente tomam os textos bíblicos para justificar os seus feitos e legitimar suas atitudes a fim de parecerem corretos diante de Deus e dos homens. Neste sentido erram duplamente, pois de Deus nada se pode ocultar, e dos homens nada se pode requerer no campo espiritual que venha trazer justiça. Os religiosos, que geralmente são incrédulos às Escrituras, costumam sempre lançar mão do argumento que "a oração de um justo pode muito em seus efeitos", ou que "o justo viverá pela fé." Estas são palavras extraídas da Bíblia, é verdade, mas a que custo e com que propósito? Rm. 1:17 - "Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: mas o justo viverá da fé." Este justo a que alude o texto é o homem nascido de Deus, que foi regenerado por meio de Cristo. Na verdade a real tradução deste texto é: "... mas o justificado viverá da fé." A palavra no grego do texto original é 'dikaios', que significa justo, inocente, aprovado, porém a ação recai em Deus e não no homem justificado. Ou seja, o justo do texto é o que foi justificado por Deus, a saber, o sujeito da justificação é Ele, e o objeto dela é o nascido do alto. Isto indica que o justo é aquele que está livre da condenação por meio da fé. É um estado de justificação para quem achou a graça de Deus mediante a fé na morte inclusiva e substitutiva de Cristo. 
De fato o justo não pode ser o próprio homem, pois, neste caso, ele teria de ser o justificador e o justificado ao mesmo tempo. Rm. 3:10 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um." O apóstolo Paulo não entraria em contradição ao afirmar que o homem é justo com base em si mesmo, e depois dizer que não há um justo, nenhum sequer. A base para afirmar que o Justo é Cristo está citada em Hb. 10:38 - "Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele." Esta é uma citação de Hc. 2: 3 e 4 - "Pois a visão é ainda para o tempo determinado, e até o fim falará, e não mentirá. Ainda que se demore, espera-o; porque certamente virá, não tardará. Eis o soberbo! A sua alma não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá." É uma referência à vinda de Cristo encarnado em Jesus.
Então, se está alguém aflito, ore, se está alguém contente, louve, se está alguém doente, ore sobre ele. O verbo "salvará" no texto de abertura é 'σώσει' [sôsei] e significa "livrará", no caso, da doença. Nada tem a ver com salvação espiritual em Cristo, porque o verbo para esta categoria de salvação é 'σωτηρία' [sôteria]. Entretanto, todas estas promessas são com base na fé do Justo de Deus, e não com base em quaisquer justiças próprias ou méritos humanos. O Justo é Cristo!
Sola Scriptura!

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