quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS III

Tg. 4: 1 a 6 - "Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou pensais que em vão diz a escritura: o Espírito que ele fez habitar em nós anseia por nós até o ciúme? Todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes."
Grande número de pessoas se magoam com Deus, porque não são respondidas em suas orações de petições. Magoam-se com Ele a ponto de dizer que o abandonaram e se consideram excluídas do Seu amor. Ora, todas estas atitudes estão perfeitamente dentro da normalidade, partindo-se do fato que Ele é soberano e responde como quer, e que, o homem natural está morto para Ele. Ao fim de tudo, não houve abandono algum, pois sequer havia ligação alguma. Após estas experiências, o homem natural se enfurece e quer resolver tudo à sua maneira, despertando contendas, guerras, cobiças, invejas, mortes. 
O religioso é tão arrogante que passa por cima de toda a Bíblia para justificar suas atitudes, e de resto, quer ser professor de Deus. Julga ser tão reto, íntegro, temente e desvia-se do mal, que pretende dizer a Deus como Ele deve se comportar. Supõe ter uma relação com Deus que jamais existiu, pois seus atos de justiça não anulam a sua natureza pecaminosa persistente, resistente, e residente. O profeta Isaías já afirma que "as vossas justiças são como panos podres de menstruação". Não se escandalize, pois é exatamente assim que se acha no texto original hebraico. Boa parte dos religiosos elaboram um sistema teológico de si para consigo, chamando isto de relação com Deus. Falta-lhes, primeiramente, uma posição para com Ele. Querem manter uma relação com a alguém com quem não mantêm nenhuma posição. Confundem religião exterior e ritualística com relação e posição. A religião é apenas uma prática criada e desenvolvida pelo homem.
Registra-se nas Escrituras que Deus não ouve a pecadores conforme Jo. 9: 31 - "... sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve." Neste ponto o religioso e legalista diz: isso é uma heresia, pois eu não sou pecador, uma vez que "me converti", sou batizado, frequento tal igreja, contribuo nos dízimos e ofertas, participo de todas as atividades da minha igreja. Ora, então nesse caso, falta-lhe conhecer as Escrituras com mais exatidão, pois há profunda diferença entre ser pecador e cometer atos pecaminosos. Todos os homens nascem com a natureza pecaminosa por herança adâmica. Este pecado original só pode ser aniquilado por meio da morte na cruz conforme Rm. 6:6 e 7 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado." Entretanto, o homem natural, a saber, que não foi regenerado, comete atos pecaminosos consequentes da natureza pecaminosa. E, independentemente, de cometer muitos ou poucos atos pecaminosos, ele continua pecador por causa da natureza pecaminosa. Então, o homem natural é pecador, não apenas porque comete pecados, mas porque possui uma natureza pecaminosa. Enquanto esta matriz adâmica não morre, ele continua morto para Deus. Por esta razão as suas bondades, justiças e méritos não servem para reaproximá-lo de d'Ele. Somente o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo anula a culpa do pecado perante a face de Deus. A isto dá-se o nome de justificação!
O texto de abertura mostra que a questão fulcral são as petições para o próprio deleite, ou seja, apenas por prazer, desejos e cobiças. Por não alcançar e satisfazer os desejos do coração dominado pela natureza pecaminosa, começam a cobiçar, invejar, contender, matar, e fazer guerras. Tudo isto prova que se trata de um homem natural, logo, como pode Deus ouvi-lo se Ele não ouve a pecadores? Por vezes não pedem, e, quando pedem, pedem mal, porque pedem segundo as suas vontades e não segundo a vontade de Deus. A vontade de Deus é que as orações sejam feitas por meio do Seu Espírito Santo que, na realidade, é quem intercede pelo homem, pois este nem orar sabe conforme Rm. 8:26 - "Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis." Portanto, a primeira confissão de quem ora, é pedir a Deus para conceder a sabedoria do Espírito Santo para orar. 
E, finalmente, se alguém quer ser ouvido por Deus, necessário é que experimente o novo nascimento, pois sem ele, não vê, e não entra nos domínios de Deus conforme Jo. 3:3 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Na mesma sequência do texto Jesus ajunta: "o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." Pergunta-se pode a carne invadir os domínios do Espírito? São naturezas absolutamente opostas e diferentes.
Sola Gratia!

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