quarta-feira, 14 de novembro de 2012

FELIZ É O HOMEM I

Pv. 28: 13 e 14 - "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia. Feliz é o homem que teme ao Senhor continuamente; mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal."
O dicionário traz, no verbete felicidade, as seguintes acepções: 'qualidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar, boa fortuna; sorte, bom êxito, acerto, sucesso'. É por via de consequência também um adjetivo de dois gêneros que significa: 'favorecido pela sorte; ditoso, afortunado, venturoso.' Percebe-se, claramente, que todas as acepções têm como referência aquilo que o homem idealiza, deseja, quer e busca para sua vida. Vê-se que toda a carga dos significados deste significante está centrada apenas no desejo do homem. O desejo de felicidade é uma carência do homem projetada por ele e que se dirige a ele, como sinônimo de alegria, satisfação e completude da vida. 
Sabe-se, no entanto, que há pessoas as quais lutam por toda existência para obter aquilo que julga ser a felicidade, e, ainda assim, não são felizes. Outros homens nada fazem para buscar a felicidade, e, também não são felizes. Outros ainda, não lutam demasiadamente, nem deixa de almejar a felicidade, quer por palavras, quer por ações e reações, e, ainda assim, não são também felizes. A questão é que ninguém é feliz apenas por buscar a felicidade, porque dar-se-ia que ela se reduziria a uma mercadoria comprável, elaborável ou construível a partir das ações humanas. As questões do ser feliz e do estar feliz necessitam ser consideradas, porque aquela é um estado contínuo, resultante de alguém ser completo e perfeito, já, esta, é mera consequência da dose de expectativa que o homem projeta sobre si, sobre os outros homens e sobre o mundo. Neste sentido, o que produz o estado de felicidade para um, pode produzir a tristeza e a desgraça de outro. O estar feliz é efêmero, mas o ser feliz é um princípio inerente e imanente daquele que é portador da felicidade. Portanto, feliz é o homem que ganha a felicidade de Cristo.
Pv. 8:34 - "Feliz é o homem que me dá ouvidos, velando cada dia às minhas entradas, esperando junto às ombreiras da minha porta." O texto demonstra na sua essencial significação que o homem é feliz quando ouve a Palavra de Deus e a considera, guardando ou internalizando cada dia aquilo que Deus estabelece como verdadeiro e justo. Ele espera e guarda as coisas espirituais como um processo natural e não como um ritual de religião exterior.
Pv. 3:13 - "Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento." o estado de ser feliz é a consequência de o homem achar a sabedoria e obter o entendimento a partir dela. Sabe-se que há duas naturezas de sabedoria: a terrena e do alto. A terrena é humana e diabólica conforme informa Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." É um estado passageiro, porque sediado na Terra, é originada na alma, porque é animal e também diabólica, porque as Escrituras afirmam que quem cogita das coisas do homem é o Diabo conforme Mc. 8:33b - "Para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." A razão porque a sabedoria humana é desqualificada é o que consta no verso 14 da epístola de Tiago: "Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade." O que é o ciúme senão o desejo que algo ou alguém lhe seja por exclusiva propriedade? O sentimento dividido conduz o homem infeliz a dar glória e a mentir contra a verdade. Sabe-se que a verdade não é uma mera concepção, mas uma pessoa, a saber, Cristo. Ele mesmo afirma que é 'a verdade, o caminho, e a vida.'
A sabedoria que provém do alto, ou seja, de Deus difere substancialmente da sabedoria terrena conforme Tg. 3: 17 e 18 - "Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz." Uma coisa será pura quando não se deixa contaminar ou poluir por outras coisas de naturezas diferentes. O ato de ser pacífico resulta de ter a paz, e, esta é também uma pessoa, isto é, Cristo. Ele mesmo diz: 'a minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá.' O mundo presume produzir a paz a partir de coisas, mas Cristo doa-se a si mesmo. A moderação é o equilíbrio, ou seja, evitar os extremos. Ser tratável é aquele que é aberto às manifestações e reações externas. A plenitude da misericórdia ocorre quando se tem perfeita consciência que o coração do homem é miserável e carece da graça de Deus em Cristo. Os bons frutos não são o resultado da ação que parte da iniciativa do homem, mas que resulta da ação de Deus no homem. A imparcialidade é a condução sem pender, nem para a direita, nem para a esquerda sobre as demandas do mundo e dos homens. Por isso Jesus, o Cristo afirma em Jo. 12:43 - "... porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus." Assim, a felicidade do homem está naquilo em que ele põe o seu coração, o seu entendimento e de onde busca a sabedoria. A glória dos homens é terrena, almática e diabólica. Portanto, é transitória, mas a glória de Deus é espiritual, celeste e divina. Deus é felicidade, não apenas  possui felicidade como que uma porção mágica que se dispensa aos homens e depois acaba, necessitando de maiores porções a cada momento. Ele é a própria felicidade, porque completo, pleno e absoluto.
A infelicidade humana consiste em encobrir as suas transgressões, ou seja,  em não reconhecer quem de fato é. Na maior parte das vezes o homem apenas declara verbalmente algum erro ou mau comportamento, mas isto não é confissão. Ao conhecer e reconhecer-se o homem decaído tem a graça para confessar-se pecador e de suplicar a misericórdia de Deus para remissão das suas transgressões. Assim, feliz só poderá ser o homem que achou a graça que salva mediante a fé, e, ambas não são resultantes dos seus atos de justiça própria, mas da misericórdia graciosa d'Aquele que é a própria felicidade.
Solo Christus!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A NEGAÇÃO DE SI MESMO

Lc. 9: 22 a 24 - "... e disse-lhes: é necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e escribas, que seja morto, e que ao terceiro dia ressuscite. Em seguida dizia a todos: se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará."
Há nos círculos religiosos, especialmente, os que se autodenominam evangélicos, uma afirmação que o homem é a coroa da criação, um ser especial, dotado de maior inteligência que os demais, criado à imagem e à semelhança de Deus. Afirmam ainda, que, apesar da queda, restou no homem uma fagulha de luz, bondade e desejo de buscar a Deus. Segundo eles, isto confere ao homem a capacidade de fazer escolhas livres entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, entre Deus e o Diabo, entre o céu e o inferno. Nunca se viu tanta desfaçatez como estas afirmações sem qualquer embasamento escriturístico. É exatamente isto que a religião, subproduto da arrogância humana, produz no mundo: ignorância e soberba. Refundam o evangelho, retirando o fundamento já colocado por Cristo e pelos apóstolos, produzindo teologias anômalas para satisfação dos seus próprios egos decaídos. Assim, permanecem com suas mentes cauterizadas e enganadas pelo "deus" deste século conforme II Co. 4:4 - "... nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus."
O homem não foi criado por Deus do nada como as demais coisas, mas a partir do barro, por esta razão, é que foi chamado 'Adão' ou 'homem' que provém de 'adamah', significando no hebraico 'barro vermelho' e no latim 'húmus'. Todas as demais coisas foram criadas do nada pelo poder da Palavra de Deus, mas o homem foi feito a partir de algo já existente. Por isso, no processo criatório é utilizado no texto original o verbo 'barah'. Entretanto, na formação do homem foi utilizado o verbo 'asah', ou seja, 'fazer', indicando que foi a partir de algo. Mc. 10:6 - "Mas desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher." Fazer é uma alusão à inspiração das vidas no corpo físico de barro inerte formado por Deus conforme Gn. 2:7 - "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente." No texto hebraico diz 'nefesh hayim', ou seja, 'folego das vidas' e não da vida no singular. Isto indica a inspiração da alma e do espírito no homem criado do barro. A partir daí é que ele se tornou animado, ou seja, alma vivente.
As Escrituras não autorizam a ninguém dizer que o homem é a coroa da criação, ao contrário, diz que até Jesus, o Cristo foi feito um pouco menor que os anjos conforme Hb. 2: 7 a 10 - "Fizeste-o um pouco menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste, todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe fosse sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele; vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e por meio de quem tudo existe, em trazendo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelos sofrimentos o autor da salvação deles." O texto mostra com clareza que Cristo ainda não tem o pleno domínio sobre toda a criação de Deus. Tal domínio só será possível por meio da restauração final executada por Ele. Por isto, Cristo também foi reduzido à condição humana na encarnação em Jesus, o homem histórico, para resgatar os eleitos de Deus e redimir a criação. Vê-se que a própria sujeição de Cristo à morte, na pessoa de Jesus, foi uma dimensão da graça de Deus. Ele veio resgatar o que era seu, porque todas as coisas foram feitas por Ele, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez. Ao realizar esta graciosa obra, resgatou o homem decaído e o fez filho de Deus por adoção. Não há neste ponto qualquer ensino que separa Cristo de Jesus, como faziam as heresias do primeiro século, apenas identifica-se Cristo como pré-existente e Jesus como seu receptáculo humano nascido de mulher. São duas naturezas, a divina e a humana, em uma só pessoa. 
Também as Escrituras não sustentam a afirmação que o homem foi feito à imagem e à semelhança de Deus no momento da sua formação. Sustenta, outrossim, que ele foi feito apenas à imagem, pois a semelhança é realizada em Cristo. De fato a afirmação inicial de Deus era fazer o homem à sua imagem e à sua semelhança, mas não necessariamente no mesmo instante. Ele o fez à sua imagem inicialmente conforme Gn. 1:26 - "E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança." Entretanto, quando o fato foi concretizado, vê-se que foi feito apenas à imagem conforme o texto de Gn. 1:27 - "Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Ainda que no capítulo cinco do livro das gerações fala-se apenas em semelhança e não em imagem conforme Gn. 5:1 - "Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez."  Este livro das gerações de Adão era chamado Taledoth, e, ao que tudo indica era uma espécie de resumo dos relatos orais dos tempos primitivos. Vê-se no texto que são utilizados os verbos "criou" e "fez" novamente. Isto significa, que, quando o texto  se refere ao processo da construção do homem a partir do barro é um processo criativo mecânico, mas quando se fala da inspiração das vidas da alma e do espírito, é um processo formativo. Até este momento, antes da queda, o homem possuía plena comunhão com Deus, pois o via face a face e o seu espírito não era corrompido. Possuía, de fato, plena liberdade para decidir pecar ou não pecar. Neste sentido se assemelhava a Deus, ou seja, tinha livre opção de escolha. Não significa que o homem era um "deus", mas apenas que possuía algo à semelhança de Deus. Após a queda, pela incredulidade, o homem perdeu completamente esta semelhança específica, ficando apenas a imagem nele forjada. A semelhança é desenvolvida por meio de Cristo na regeneração. Este processo é uma nova geração ou um nascimento do alto conforme o que está doutrinado em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer do alto, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." O processo da regeneração ou da nova geração é em Cristo por meio da inclusão na sua morte e da sua consequente ressurreição conforme Rm. 6: 3 a 5 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição." O verbo batizar no texto original grego é 'baptizó', ou seja, 'imergir em'. O sentido desta imagem é a nossa imersão no corpo de Cristo na cruz para a nossa ressurreição em uma nova vida redimida por Ele. Nada tem a ver com batismos realizados nas igrejas, pois estes são apenas figuras ou símbolos da morte e da ressurreição dos pecadores regenerados. Os pecadores eleitos foram sepultados com Cristo na sua morte, para que tivessem suas naturezas mortas para Deus retiradas, e, na ressurreição ganhassem a sua vida 'zoé', ou seja, vida eterna. É óbvio e redundante dizer que tal processo se dá pela fé que Cristo incluiu os pecadores eleitos em sua morte e que os trouxe de volta na sua ressurreição. Não houve nada físico, pois a maioria dos pecadores não estavam presentes fisicamente na crucificação. O método de Deus tratar com o pecador se dá sempre pela fé, pois só se pode aproximar de Deus e adorá-lo por fé. O Cristo eterno substituiu  o pecador espiritualmente, enquanto o homem Jesus no qual o Cristo estava encarnado, o substituiu fisicamente. É este o projeto que ficou oculto das hostes malignas pelos séculos e séculos conforme Ef. 3: 9 a 12 - "... e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou, para que agora seja manifestada, por meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, no qual temos ousadia e acesso em confiança, pela nossa fé nele." É a Igreja verdadeira que revela, tanto aos demônios, como aos homens o plano de Deus para redimir os eleitos. 
Acrescenta-se ainda, que, no homem não há absolutamente nada que se aproveite espiritualmente. Está tudo contaminado pela natureza pecaminosa conforme Rm.  3: 9 a 11 - "Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus." Estas, pois, não são as credenciais do homem apresentado e exaltado nas igrejas e religiões dos homens em todos os tempos e lugares. As Escrituras não pactuam com a natureza pecaminosa, ao contrário, demonstram claramente o que de fato é o homem decaído e aponta o modo de Deus para regenerá-lo e libertá-lo plenamente conforme Jo. 8: 32 e 36 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." Vê-se pelo texto que a verdade não é uma concepção, mas uma pessoa. É esta pessoa, a saber, Cristo quem liberta plenamente. Não são nossas obras de justiça própria, pois estas justiças estão contaminadas pela natureza pecaminosa. Não há qualquer mérito no homem que o possa redimi-lo. Todas as escolhas do homem estão circunvaladas pela natureza pecaminosa nele residente e persistente. De modo que, não há livre arbítrio, pois quem é escravo do pecado, não é livre como pretendem correntes gnósticas e espiritistas. O próprio Jesus ensinou isto aos religiosos do seu tempo em Jo. 8: 34 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado."
O texto que abre este estudo fala destas mesmas e esplendentes verdades. Também demonstra, que, se o homem tentar promover a salvação da sua vida almática 'psiken', perdê-lá-á para sempre. Mas se render-se à cruz crendo que foi incluído na morte de Cristo, terá a sua vida almática 'psiken' salva. Embora o texto tenha sido traduzido como "por amor de mim", o original não diz isso, até porque ninguém pode amar a Cristo sem que Ele realize este processo primeiro conforme I Jo. 4:19 - "Nós amamos, porque ele nos amou primeiro." O texto usa a preposição 'eneken', que, neste contexto, admite apenas a tradução: 'por minha causa'. O agente causador da redenção do pecador é Cristo e não o pecador em si mesmo. Obviamente, que, se o homem decaído pudesse promover sua própria salvação, como querem os defensores da evolução gnóstica, Cristo seria apenas uma farsa. Entre as opiniões dos homens e o ensino de Cristo, prefere-se este àqueles.
Finalmente, há muitos que ensoberbeceram e foram ofuscados pelo Diabo, preferindo ver neste ensino uma espécie de "aniquilação do eu". Primeiramente, ignoram que é impossível aniquilar o "eu" visto que é a essência do homem. O verbo aniquilar significa, entre outros, o seguinte: 'reduzir a nada, destruir completamente; exterminar.' A teoria gnóstica da aniquilação do eu é tratada em outra esfera, nada tendo a ver com questões bíblicas. O que o ensino das Escrituras afirma é outro sentido de aniquilação, a saber, aniquilação da natureza pecaminosa conforme Hb. 9:26 a 28 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." Vê-se, com clareza meridiana, que não há reencarnação ou evolução espiritual e moral, mas sim uma nova geração, aniquilando na cruz, o pecado de cada um dos muitos eleitos e não de todos os homens. 
Sola Scriptura!

domingo, 28 de outubro de 2012

PREGADORES DO ANÁTEMA

Gl. 1: 6 a 12 - "Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo."
Anátema é um substantivo masculino procedente do latim eclesial 'anathèma' e significa literalmente 'excomunhão' ou a pessoa 'excomungada'. Excomungar é retirar alguém da comunhão, ou seja, da comum união. É óbvio que ninguém pode anatematizar outra pessoa por bel prazer, simplesmente por julgar o outro um incrédulo ou indígno. Este processo foi largamente utilizado pela religião romanista, especialmente durante a vigência do Tribunal do Santo Ofício ou Inquisição. No texto grego neotestamentário, anátema significa praguejar, entregar à maldição ou jurar sob pena de maldição. 
O apóstolo Paulo utiliza o expediente do anátema no texto de abertura em relação aos falsos ensinos e não em relação aos cristãos da Galácia. Os gálatas estavam sendo fascinados pelos pregadores de um evangelho híbrido, a saber, queriam misturar a lei à graça de Cristo, entretanto são aspectos opostos. Tal doutrina esdrúxula contrapunha-se ao evangelho verdadeiro já anunciado aos gálatas. Por esta razão Paulo está afirmando que estava admirado que estivessem deserdando da graça para as obras. Informou aos gálatas que este ensino híbrido nada mais era que outro evangelho pervertido. Tal evangelho causou espanto em Paulo naquela época, entretanto, hoje é o evangelho predominante nas religiões e igrejas comuns. Observando o corpo de doutrina que prevalece nas religiões institucionais, verifica-se maior ensino da lei que o ensino da salvação pela graça conforme Ef. 2: 8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Veja que é pela graça e não pelas obras que o pecador é regenerado e redimido. A fé é o meio e não o fim em si mesma. Tanto graça quanto fé não são originados no homem, mas em Deus e concretizados por meio de Cristo. Graça e fé são dons de Deus, precisamente para que não haja glória no pecador, pois senão dar-se-ia que do imundo poder-se-ia produzir o puro, negando Jó 14:4 - "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém."
O ensino de Paulo é muito duro sobre este falso evangelho que tenta misturar obras de justiça própria à graça de Cristo. Ele afirma, que, ainda que um anjo do céu desça e pregue outro evangelho que não seja o da graça, seja tal evangelho anátema. Neste sentido o anátema é uma sentença de maldição que refuta tal pregação. Anátema, ainda pode ser reprovação enérgica; condenação, repreensão, maldição, execração. Nos tempos de hoje qualquer um que pregue aquilo que agrada e satisfaz a carência humana é recebido como grande virtude de Deus. Imagine se tais pessoas pudessem receber um anjo vindo do céu pregando a graça de Cristo, mas também as obras de justiça para merecer a salvação? Certamente se encurvariam para adorar tal criatura. Há grupos que pregam exatamente isto! Ensinam como base da doutrina que não há inferno, não há pecado e não há condenação eterna. Contrariamente, Cristo ensina que há todas estas coisas conforme Mt. 25:46 - "E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna." Vê-se que, tanto o castigo, como a vida são eternos.
O mais inusitado nestes ensinos errôneos é que os doutrinadores querem refundar o cristianismo por uma teologia própria, o que os tornam mais anatematizantes e anatematizáveis. Produzem e reproduzem outros evangelhos mais lógicos e mais aceitáveis, porém absolutamente apostatados da verdade. Eles tomam apenas as porções que lhes interessam para justificar suas falsas doutrinas, negando todo restante que lhes condena. Ora, as Escrituras são una, ou seja, ensinam a mesma verdade do início ao fim. Não há partes aceitáveis e partes refutáveis. Este é um típico ensino humanista e errôneo típico dos anatematizantes inspirados por espíritos enganadores que se passam por anjos de luz e ministradores da justiça conforme II Co. 11: 14 e 15 - "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." Tais ensinos estão centralizados no inimigo das almas dos homens disfarçado de guias, espíritos ministradores e no próprio homem. O verdadeiro evangelho está centralizado em Cristo, na graça e não nas obras de justiça humana. A graça é extremamente ofensiva ao homem cuja natureza é contaminada pelo pecado. A graça retira do homem a possibilidade de salvar-se a si mesmo numa espécie de evolução e sublimação pela prática de boas obras. O texto de Efésios 2 demonstra que as boas obras são de Deus e que foram preparadas antes que houvesse o mundo e os homens para que estes andassem nelas depois de regenerados pelo verdadeiro evangelho. Muitos religiosos se comportam exatamente em oposição a este ensino, invertendo e transformando a verdade em mentira conforme previsto em Rm. 1:25 - "... pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente." É claro que analisadas humanisticamente, tais doutrinas são boas, pois ensinam a caridade, o amor ao próximo, a resignação diante das vicissitudes da vida. Entretanto, estas coisas não retiram a natureza decaída do homem. Tal remoção só é possível pela inclusão do pecador na morte de Cristo para destruição da sua natureza adâmica conforme Rm. 6: 6 a 8 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos..." O velho homem é a velha natureza contaminada pelo pecado e o corpo do pecado é exatamente a natureza pecaminosa inoculada no homem por Satanás. Observe que o texto se refere ao "velho homem" e não ao "homem velho." Não é uma questão de idade, mas de natureza!
Estes ensinos anatemáticos tentam convencer os incautos levantando dúvidas sobre as Escrituras. Entretanto, eles mesmos lançam mão de partes dela para justificar seus erros e desvios. Desconhecem diversos princípios da Palavra de Deus e entram em contradição em seus dogmas. Não sabem, por exemplo, que os códices da Bíblia são sempre os mesmos, o que tem erros e desvios são as traduções que os religiosos fazem destes códices. Cada um traduz os textos originais com base no seu sistema de crença, logo desvirtuam as Escrituras para que elas se curvem às suas crendices erroneamente chamadas de cristãs.
Finalmente em Jo. 12: 24 e 25 - "Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna." O grão de trigo a que alude o texto é, em princípio, o próprio Jesus, o Cristo que teria de morrer para regenerar os eleitos. É, ainda, uma alusão à morte e à ressurreição de Cristo como o meio de destruição do corpo do pecado, ou seja, da natureza pecaminosa do homem. Quem é o que ama a sua vida? O que crê que sua redenção depende das suas ações e não da graça de Cristo. O ensino de Cristo neste texto de João é que, aquele que tenta promover a sua própria redenção perderá a sua vida eternamente, mas aquele que, rendendo-se à cruz e crendo que foi crucificado com Cristo ganhará a vida eterna. A vida a que alude o texto de João é 'psiken', ou seja, a vida almática e não a vida do espírito. Isto porque a salvação é da alma e não do espírito. Este veio de Deus pelo sopro da vida e a Deus retornará quando for separado do corpo e da alma.
Sola Gratia!

sábado, 20 de outubro de 2012

O PECADO É A INCREDULIDADE

Jo. 8: 24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados."
Ao longo da história do cristianismo sempre se debateu exaustivamente sobre o pecado. Entretanto, pouquíssimas pessoas recebem graça para conhecer de fato o que é o pecado. Primeiramente é mister que se faça a diferenciação entre o pecado e os atos pecaminosos. Enquanto o pecado é um princípio inerente ao homem, os atos pecaminosos são suas consequências visíveis ou perceptíveis direta ou indiretamente. Assim, as pessoas cometem atos pecaminosos, porque têm a natureza pecaminosa inata. As Escrituras mostram que o pecado entrou no mundo por meio de um homem conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo..." À luz desta palavra, pergunta-se: como o pecado entrou no homem? Em Gn. 2: 9, 16 e 17 - "E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." O pecado entrou em Adão, o primeiro homem, porque este não creu na Palavra de Deus, a saber, na sua ordem para não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A sentença da ordem de Deus indica que foi uma ordem pessoal: "... não comerás (...) certamente morrerás." Os verbos nestas expressões indicam pessoalidade e individualidade, pois requerem o pronome singular "tu" e não o pronome plural "vós". Desta forma fica evidente que a responsabilidade para crer e obedecer a Palavra de Deus cabia apenas a Adão. Por isso, Eva foi apenas enganada, enquanto Adão foi incrédulo e desobediente.
No verso 24 do evangelho de João capítulo 8 a palavra pecado está no texto original como [αμαρτίαίς] 'hamartiais', a saber, errar o alvo. Isto indica a incredulidade na sentença afirmativa de Deus, a qual foi substituída por uma sentença negativa de Satanás. Há cerca de seis palavras-chaves no texto do novo testamento para pecado, mas apenas uma se refere ao pecado como um princípio. Todas as demais palavras e suas correlatas fazem referência ao pecado como atos consequentes da incredulidade. Em Rm. 10:17 - "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo." O que, de fato, o texto está afirmando é que a fé só aparece no coração do homem como consequência do ouvir a Palavra de Deus. Logo, é aquilo que Deus diz que determina a formação da fé no homem. Quando o homem não crê, a saber, não tem fé, oportuniza a manifestação do pecado conforme Rm. 14:23 - "... e tudo o que não provém da fé é pecado." Assim, o pecado é a ausência da fé, e, tal ausência oportuniza os atos pecaminosos, a saber, atos falhos, atitudes ruins, transgressões, maldade, desobediência, imoralidade, etc.
O texto de abertura de Jo. 8:24 - "... porque se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados." Esta afirmação de Jesus, o Cristo conclui claramente que o pecado, enquanto natureza ou princípio é a incredulidade. Esta afirmação é bem maior do que a sua mera letra mostra aos olhos físicos. O que Jesus, o Cristo está afirmando, é que, se o homem decaído não puder crer que Ele é o próprio Deus Salvador, permanecerá no pecado original até a morte física. A expressão original de "eu sou" é 'ego eimi', fazendo referência a Ex. 3:14 - "Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós." Esta forma verbal na língua hebraica forma os tempos pretérito, presente e futuro ao mesmo tempo. Além disso, tal expressão forma o tetragrama do nome de Deus: 'Yahweh', 'Javé', 'Jeová' ou 'Iavé'. Então, tal expressão indica a natureza eternal e imutável de Deus. Logo, o que Cristo está dizendo no texto de João é que Ele mesmo era, é e será eternamente Deus. Então, se o pecador não pode crer nisso como Palavra de Deus, morrerá sem a fé, ou seja, morrerá no pecado  original. Exatamente o que aconteceu com Adão no Éden,  que, ouviu primeiramente a Palavra de Deus, todavia deu ouvidos e credulidade a uma segunda opinião, preferindo esta àquela.
O mesmo se verifica em Dt. 32:39 - "Vede agora que eu, eu o sou, e não há outro deus além de mim; eu faço morrer e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar da minha mão." Então, Deus é. Aquele que é, sempre foi e sempre o será indefinidamente. Então, o que Jesus está afirmando é que Ele é  o mesmo Deus que sempre foi conforme  Jo. 6:20 - "Mas ele lhes disse: sou eu; não temais." Também em Jo. 13: 19 - "Desde já vo-lo digo, antes que suceda, para que, quando suceder, creiais que eu sou." Ainda em Jo. 18:6 - "Quando Jesus lhes disse: sou eu, recuaram, e caíram por terra." Neste sentido há mais incredulidade que fé nas religiões exteriores e institucionais, pois a maioria delas não ensinam a verdade que Jesus, é a encarnação de Deus Elohim Yhaweh. Muitas religiões espiritualistas apresentam Jesus, o Cristo apenas como um espírito evoluído e não como Deus. Isto é o que realiza o Diabo no coração do homem portador da natureza pecaminosa original, ou seja, a incredulidade. O problema da humanidade é o pecado, e, este, é a incredulidade no que Jesus afirma que é. O problema do homem decaído pela natureza pecaminosa é querer transformar Jesus, o Cristo no que Ele não é. É fundamental entender, que, apenas declarar que Jesus é o Salvador, Filho de Deus e o Redentor, não é credulidade ou fé na Palavra de Deus. Por isto Cristo afirma em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Isto implica dizer que não creem no que Ele é e em quem Ele é.
Sola Scriptura!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

COMO SERÁ O DIA DO SENHOR?

Am. 5: 6 a 10 e 18 a 26  - "Buscai ao Senhor, e vivei; para que ele não irrompa na casa de José como fogo e a consuma, e não haja em Betel quem o apague. Vós que converteis o juízo em alosna, e deitais por terra a justiça, procurai aquele que fez as Plêiades e o Orion  e torna a sombra da noite em manhã, e transforma o dia em noite; o que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o Senhor é o seu nome. O que faz vir súbita destruição sobre o forte, de sorte que vem a ruína sobre a fortaleza. Eles odeiam ao que na porta os repreende, e abominam ao que fala a verdade.(...) Ai de vós que desejais o dia do Senhor! Para que quereis vós este dia do Senhor? Ele é trevas e não luz. E como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se, entrando em casa, encostasse a mão à parede, e o mordesse uma cobra. Não será, pois, o dia do Senhor trevas e não luz? não será completa escuridade, sem nenhum resplendor? Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. Corra, porém, a justiça como as águas, e a retidão como o ribeiro perene. Oferecestes-me vós sacrifícios e oblações no deserto por quarenta anos, ó casa de Israel? Sim, levastes Sicute, vosso rei, e Quium, vosso deus-estrela, imagens que fizestes para vos mesmos."
Os tempos são tempos de muita confusão: confusão econômica, confusão social, confusão política, e, principalmente, confusão religiosa. Fala-se muito contra esta ou aquela igreja, este ou aquele pregador, líderes lutam uns contra os outros, disputando quem é o mais importante. Um líder é tido como roubador do povo; outro líder é tido como explorador da crendice popular. Um grupo é acusado de ter cometido atrocidades ao longo da história em nome da  religião; outro grupo é apontado como herege, porque rompeu com a religião dominante. O poder econômico transforma símbolos e tipos religiosos em produtos do comércio. O poder político transforma as religiões institucionais em "currais eleitorais". A sociedade transforma a religião em centros de misticismo onde espera mitigar as dores da alma. Todavia, tudo está perfeitamente em conformidade a todas as previsões do Mestre Jesus, o Cristo e dos seus discípulos e apóstolos. Nem mais, nem menos!
O texto que abre esta instância é veterotestamentário, entretanto, a cada dia se torna mais e mais atualizado. Buscar ao Senhor para ganhar a vida verdadeira e abundante de Cristo só é possível pela misericórdia e pela graça de Deus, visto que o homem decaído não possui qualquer inclinação para buscá-lo conforme Rm. 3: 10 e 14 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; a sua boca está cheia de maldição e amargura." Alguém que é cumpridor de dogmas, regras e preceitos, pode protestar e dizer: 'eu não sou assim, logo, este texto não é para mim'. Como disse Caetano Veloso: "de perto todo mundo é louco." É isso mesmo! Olhando os textos bíblicos de perto, a saber, pelas lentes do Espírito de Deus, verificar-se-á que ninguém pode se eximir da incompetência para buscar ao Senhor espiritualmente. Não se pode confundir busca por religião exterior, experiências almáticas e ritos místicos com busca por Deus. São fatos absolutamente assimétricos no conteúdo e na extensão dos seus significados. Declarar fé, não é o mesmo que ganhar a fé, visto que ela é um dom. Mencionar o nome de Deus e de Cristo, não autoriza uma relação vivificada e ressurrecta. Declarar o nome de Jesus e conhecer porções das Escrituras não são passaportes para a redenção e a justificação espiritual.
Deus mesmo está dizendo: "Vós que converteis o juízo em alosna, e deitais por terra a justiça, procurai aquele que fez as Plêiades e o Orion  e torna a sombra da noite em manhã, e transforma o dia em noite; o que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o Senhor é o seu nome." Desta estirpe são os que Ele está intimidando a buscá-lo, logo, quais as credenciais destas pessoas? Deus está convocando homens que "... odeiam ao que na porta os repreende, e abominam ao que fala a verdade." Até aqui, novidade alguma, pois todos os homens são por natureza exatamente assim. O diferencial não está no que os homens fazem ou deixam de fazer, no que podem ou não podem fazer, mas no que Deus é e faz a quem nada merece. Isto é graça plena e irresistível, pois o pecador cuja natureza é avessa a Ele, será atraído até a cruz para ser redimido conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Não depende do homem e do seu sistema de crenças, mas de Deus conforme Rm. 9: 16 - "Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia." Deus é o único ser que, em todo o universo, ama os que o odeiam e os atrai pelas cordas do amor conforme Os. 11:4 -"Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e me inclinei para lhes dar de comer." É uma referência ao povo hebreu que estava cativo no Egito, e, por extensão de sentido, a todos os homens escravizados pela natureza pecaminosa.
Muitos religiosos imaginam em suas mentes cauterizadas pelos muitos rituais, sacrifícios  e sacramentos que praticam, que estão salvaguardados do inferno por praticarem esta ou aquela crença, religião ou rito. Resistem bravamente a qualquer que os repreende com amor e que lhes comunica a verdade bíblica. Julgam que seus sistemas de crenças já contêm a verdade suficiente para a sua segurança. Todavia, Deus mostra que, apesar de todos os ritos e práticas: "aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras." Deus rejeita a religião exterior que não passa pelo crivo da justiça e da retidão espiritual. Tal justiça exigida não é um padrão comportamental e a retidão não é uma tabela matricial de dogmas, preceitos e regras. A justiça é Cristo crucificado, atraindo os pecadores eleitos para destruição das suas naturezas pecaminosas conforme Rm. 6:6 e 7 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado." Igualmente, a retidão é o fruto da vivificação em Cristo conforme Cl. 2: 13b e 14 - "... vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz."
No texto de Amós, Deus está dizendo que os hebreus ofereceram sacrifícios e ofertas por quarenta anos no deserto, entretanto, fizeram deuses para adoração e culto exterior. Sacrificavam, cantavam, dançavam, ofereciam, porém fabricaram os deuses de ferro, Sicute e Quium. Logo, que valor têm tais ofertas, sacrifícios, cânticos, rezas, execução de rituais, catecismos, liturgias, crendices e práticas místicas?
Por todas estas razões é que o "dia do Senhor" virá como ladrão vem a noite, quando ninguém o espera conforme I Ts. 5:2 - "... porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite." Também  este dia será como afirma o texto de abertura: "... Ele é trevas e não luz. E como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se, entrando em casa, encostasse a mão à parede, e o mordesse uma cobra." Isto indica que tal desespero ocorrerá, porque não haverá mais esperança para os que ficaram na Terra após o arrebatamento da Igreja verdadeira que não cultua entre quatro paredes, não se define por um dogma, não se explica por comportamentos e não é visível ao mundo sem Cristo.
O dia do Senhor virá, não como um dia normal, pois não é um dia de vinte e quatro horas, mas será um período de tempo de grande angústia aos que permaneceram apenas nos seus sistemas de crenças de segunda mão sem se importar com a verdade conforme Is. 2:12 - "Pois o Senhor dos exércitos tem um dia contra todo soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido." O pior tipo de soberba e arrogância é a religiosa, pois deixa o tolo na presunção de salvação, quando, de fato, está indo pro inferno.
Sola Fide!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ANALFABETOS ESPIRITUAIS

II Tm. 3: 7 a 9 - "Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade. E assim como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesta a sua insensatez, como também o foi a daqueles."
No contexto geral do capítulo 3, o apóstolo Paulo está descrevendo as tipologias de homens em geral, e de religiosos, em particular. Situa-os em tempos posteriores ao que ele se achava inserido. Está, outrossim, doutrinando a Timóteo seu discípulo e pastor de uma das igrejas primitivas. O apóstolo conclui a sua assertiva inicial com a afirmação que abre este artigo. Ele se refere aos que andam anunciando um evangelho ambulante, isto é, domiciliar. Arregimentam mulheres desqualificadas espiritualmente, porque não experimentaram a justificação dos seus pecados e são movidas por toda sorte de desejos. Néscio é um adjetivo ou um substantivo que  indica pessoas  desprovidas de conhecimento, discernimento, estúpidas, inéptas e ignorantes. 
Na essência, o apóstolo está revelando pelo Espírito de Deus que há no seio da própria igreja, pessoas que estão sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar a um ponto satisfatório de conhecimento da verdade. É notório que há profunda diferença entre aprender e apreender. O verbo aprender quer dizer adquirir conhecimento por meio de estudo, instruir-se, obter habilidade prática por meio de intuição, sensibilidade, exemplo observado. Já o verbo apreender expressa algo a mais, visto que é assimilar profundamente, internalizar, compreender, captar pelo espírito e tomar posse para si. 
Os religiosos a que alude Paulo, são da categoria dos que estão sempre procurando um conhecimento puramente intelectivo e de segunda mão. Estes apenas observam as tendências do momento ou o que é mais atrativo e embarcam nestes projetos cegamente. Em um momento estão convictos de um uma ação, em outro momento já estão convictos de outra ação. Assim, andam pulando de doutrina em doutrina, de ideia em ideia, porque os seus espírito estão corrompidos e não podem ter comunhão com Deus. Eles não passam por uma compreensão experimental e pessoal por meio do novo nascimento. Eles não recebem a revelação e a sabedoria que do alto vem, mas absorvem e reproduzem a sabedoria humana, que, segundo o apóstolo Tiago, é terrena, almática e diabólica. Nisto não há participação alguma do Espírito Santo. São meros reprodutores de modelos humanos e gnósticos.
Paulo compara estes falsos apóstolos a Janes e Jambres que foram os magos de Faraó rei do Egito, os quais operaram milagres diante de Moisés e Arão. O objetivo destes era demonstrar que os poderes de Deus não eram superiores aos poderes latentes das suas almas decaídas e dissociadas da verdade. Assim, ficou evidente no episódio das serpentes, que o homem pode também operar maravilhas tidas como milagres. Entretanto, a serpente transformada do cajado de Moisés, engoliu as serpentes produzidas por magia a partir dos poderes almáticos daqueles dois homens. A principal característica de uma pessoa que resiste a Deus é a reação diante da apresentação do evangelho bíblico. Quando elas tentam provar que a sua tese é verdadeira e não o que alguém está mostrando pelo evangelho são da categoria de Janes e Jambres, a saber, analfabetas espirituais. Tais pessoas são réprobas quanto a fé e não quanto a comportamentos e costumes. Podem até ser muito bem comportadas e cultivar bons costumes, mas estão longe da verdade.
O analfabeto espiritual é aquele que aprende por repetição os esquemas que satisfazem suas almas. Reproduzem modelos que os torna líderes, famosos e reconhecidos perante a religião institucionalizada. Estes falsos mestres não aprendem o conhecimento espiritual, porque não podem apreendê-lo, não é uma questão de incapacidade intelectiva. Eles não apreenderam o conhecimento do Altíssimo por meio de Cristo conforme Mt. 11: 29 - "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas." Sem morrer com Cristo, a saber, tomar sobre si o jugo d'Ele, não se pode aprender a mansidão e a humildade que d'Ele procede. É exatamente este aprendizado espiritual que torna  os eleitos e regenerados semelhantes a Cristo, conferindo-lhes o descanso na graça. Enquanto as almas dos homens não apreendem de Cristo, não encontram o descanso e o refrigério prometidos por Ele.
O analfabeto espiritual é aquele que obtém apenas instrução religiosa, compreende e reproduz preceito sobre preceito, regra sobre regra. É um legalista inveterado que, não podendo alcançar a soberana graça de Deus, cria sistemas teológicos próprios para satisfação das suas próprias almas. São arrogantes como aqueles magos de Faraó que imaginam poder enfrentar o conhecimento do alto. Suas confianças estão firmadas em sua ignorância de Deus e na presunção de que são eles mesmos os promotores das suas salvações. Confiam em suas normas e regras para fazer reforma moral nos homens, e, mentido, os enganam com uma falsa promessa de salvação.
Jo. 14:26 - "Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito." Ajudador no texto original é "Parakleto", a saber, o ensinador vindo de Deus que permanece com os eleitos e os ensina a ganhar a vida de Cristo e adquirir a sua semelhança que é o projeto de Deus para os que elegeu e predestinou antes dos tempos eternos conforme Rm. 8:29 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos."
Soli Deo Gloria"

terça-feira, 9 de outubro de 2012

OS DOIS LADOS DA HUMANIDADE

Lc. 23: 39 a 43 - "Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez. Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Respondeu-lhe Jesus: em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso."
No tocante aos homens são todos pecadores por natureza e não apenas por atos. O pecado que rompeu a comunhão da criatura humana com o seu Criador foi a incredulidade. Quem afirma isto é Cristo em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Isto faz todo sentido, pois no Éden a queda do homem no pecado original foi exatamente por incredulidade conforme Gn. 2:17 - "... mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Depois de ouvir de Satanás a pregação oposta, descreu da Palavra de Deus conforme Gn. 3:4 - "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis." Não só afirmou isto, mas também induziu, no verso seguinte, a ideia que Deus era egoísta e não queria que o homem experimentasse algo de bom que guardava só para si. Ainda hoje este tem sido um truque do inimigo das almas dos homens: levá-los à desconfiança em relação a retidão de Deus.
Muita gente pensa que a incredulidade é um estado de livre opção de alguém que não crê em Deus, não pertence a uma religião, não professa nenhum tipo de fé. Entretanto, incrédulos são todos os que não creem na Palavra de Deus como Palavra d'Ele dirigida ao homem. Creem-na apenas como manual de religião de onde retiram porções escolhidas, ora para ferir as outras pessoas, ora para tentar tirar algum proveito próprio na solução dos seus dramas. Estes são, além de incrédulos, barganhistas e absolutamente materialistas. Neste sentido há milhões e milhões de incrédulos dentro das próprias igrejas, catando, dançando, se iludindo e sendo iludidos por afirmar o que não conhecem e o que não receberam do alto. Suas crenças são de segunda mão, pois seguem um receituário vindos de outras pessoas!
Pois bem, no texto que abre este artigo vê-se a cena da crucificação de Jesus, o Cristo. Percebem-se os dois lados da humanidade: o que foi preordenado para crer e o que segue a sua natureza pecaminosa cegamente sem perceber o que está acontecendo. Um dos malfeitores, o que representa a humanidade incrédula, desafiava Jesus a salvar-se a si mesmo e aos dois companheiros de cruz. Como judeus ambos conheciam os textos proféticos e todos os ensinos religiosos da Torá ou do Pentateuco e do Talmude, os quais afirmavam desde Gênesis que o Cristo iria morrer para redimir os pecados dos eleitos. A lei e os profetas eram ensinados desde que o judeu era criança, e, aos treze anos, se fazia o 'bar mitzvah', ou seja, a iniciação na lei e no conhecimento das Escrituras. Entretanto, nada destes textos havia tocado o espírito daquele malfeitor. Ele era uma criatura puramente almática e sensível apenas aos seus interesses imediatistas pra se livrar daquilo que o colocava diante da morte. Não reconhecia o seu pecado original, e, muito menos os seus atos pecaminosos praticados pela vida. O outro malfeitor, por sua vez, não só reconhecia que estava ali porque merecia, mas ainda se dirigiu a Cristo, reconhecendo a sua divindade e a sua santidade. Confessou que era culpado e suplicou pelo perdão e pela lembrança misericordiosa do salvador quando entrasse no reino eterno. Este é o lado da humanidade que se vê como pecadora e se reconhece carente da graça de Deus. Só há salvação para quem se vê como perdido e culpado pela natureza pecaminosa. Não é uma questão de escolha ou opção livre como pensam os que recebem ensinos de demônios sutilmente pregados na literatura, na televisão, nos filmes, nas escolas, na filosofia e até mesmo nas igrejas.
Em igrejas institucionais onde ocorre um culto puramente exterior e emocional a coisa se circunscreve na esfera apenas almática. Eles sabem diversos dogmas, preceitos, regras, doutrinas e ritos. Entretanto, não conhecem e não reconhecem as Escrituras como palavra de Deus. Neste sentido mantêm as suas naturezas pecaminosas decaídas e apostatadas de Deus ainda que dentro de uma igreja. É como Cristo afirma: "do pecado, porque não creem em mim." As pessoas nesta situação afirmam crer em Deus, mas quando se trata de Jesus, o Cristo, a maioria não crê que Ele é o Filho Unigênito de Deus, que foi Deus quem o destinou à morte de cruz, que foi o Espírito Santo que o conduziu ao deserto para ser tentado por Satanás, e, que, Deus o ressuscitou dentre os mortos e por meio deste processo incluiu o pecador eleito em sua morte de cruz conforme Gl. 2: 20 e 21 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Não faço nula a graça de Deus; porque, se a justiça vem mediante a lei, logo Cristo morreu em vão." Tais pessoas anulam a graça de Deus, porque querem ser justificadas pelos seus próprios atos de justiça e de méritos, os quais nunca existiram, e, jamais existirão sem a morte com Cristo conforme Rm. 6: 6 e 11 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus." Veja que foi o "velho homem" quem foi crucificado com Cristo e não o "homem velho". Isto faz grande diferença e quase todos passam por este texto sem nenhuma revelação. O velho homem é a velha natureza adâmica, pecaminosa e incrédula; o homem velho é apenas um homem idoso que continua com o corpo do pecado. As pessoas incrédulas, ainda que religiosas, ou mesmo ateias são sempre cheias de si mesmas e não admitem qualquer outra base ou sistema que não seja o que lhes foi repassado de segunda mão. Elas fincam pé no que receberam por tradição e por desespero ou interesses pessoais como a única verdade. Têm, geralmente, respostas prontas para tudo o que destoa da sua crença. Se fecham como caramujos em torno da sua defesa e já têm todo o discurso agressivo e reativo pronto. Esta é a primeira característica da humanidade que não pode ver e não pode entrar no reino de Deus conforme Jo. 3:3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Como elas não recebem revelação, porque enxergam apenas o que Deus pode fazer por elas, passam batidas pelos textos, ou mesmo, inventam uma teologia pessoal para elas e fica tudo como os seus corações pecaminosos desejam. Elas já construíram o seu próprio reino com base apenas no seu sistema de crenças!
Sola Gratia!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

APENAS LISONJAS RELIGIOSAS

Mt. 15: 7 a 9 - "E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus. Hipócritas! bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem."
Os religiosos, independentemente, de que matiz fazem parte criam uma série de jargões, clichês, preceitos, regras e normas paralelas às Escrituras. Produzem e reproduzem teologias humanas para sustentar os seus sistemas de crenças, e, por vezes, de crendices mesmo. Refundam um outro evangelho mais aceitável às suas exigências, podendo ser estas desde as mais cruéis até as mais flexíveis.
Sacralizam coisas e coisificam Cristo que é digno de toda reverência, honra e glória. Humanizam Deus e deificam homens cínicos cujo objetivo é se locupletar às custas das igrejas e seus seguidores. São, por vezes, sequiosos por fama, prestígio e poder, pouco se importando com o destino das pessoas. Acerca destes o apóstolo Paulo já prevenia o pastor Timóteo no primeiro século da era cristã conforme II Tm. 3: 1 a 5 - "Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses."
Existe uma falsa teologia do "ungido do Senhor" apregoada em certos arraiais, a qual afirma que nenhuma membro da igreja pode levantar a mão contra o ungido do Senhor. Há diversos textos bíblicos com tal referência, especialmente em I e II Samuel. Entretanto, o ungido a que aludem os tais textos é o Senhor Jesus e não um homem, pastor, líder ou religioso. As referências são muito claras sobre quem é o ungido de Deus. Tal propositura visa proteger líderes inescrupulosos da ira de membros que se revoltam contra os seus atos. Entretanto desconhecem, que, é mais tremendo cair nas mãos do Deus vivo do que no desagrado de homens insanos. As Escrituras ensinam que Deus dá pastores e mestres segundo o coração d'Ele e não mimados e paparicados sequiosos por sucesso e fama.
Outra teologia resultante de invencionice é a do "casamento misto". Quando Deus proibiu o casamento entre hebreus e moças e rapazes de outras tribos habitantes da terra de Canaã, objetivava manter a unidade do povo hebreu, para que, dele pudesse vir o Messias da promessa sem mescla cultural de costumes pagãos. Este é um fato comprovável nas Escrituras em diversas instâncias. Não era por questões de maior ou menor pureza espiritual, pois esta homem nenhum possui. Deus estava forjando a identidade do povo de Israel como povo monoteísta e cujas esperanças repousassem sobre o Messias da promessa. Há nas igrejas ditas cristãs esse mito de que os jovens não devem se casar com outros de outras igrejas, ou de crenças diferentes e divergentes das suas. Alegam que isto traz maldição e gera filhos malditos por ser uma união mista ou jugo desigual. Ora, quantos são os inumeráveis casos de pessoas que se casam dentro da mesma denominação religiosa, da mesma igreja, defendendo os mesmo princípios e valores, e, no entanto, se separam, se traem ou vivem de modo truculento? Então, o casamento misto não tem nada a ver com religiões e crenças, mas ser ou não ser nascidos de Deus. Usam o texto paulino que diz: "Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz o Senhor; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso." O contexto nada tem a ver com matrimônio, mas sim com culto, adoração e comunhão. Há religiosos tremendamente incrédulos, como há incrédulos tremendamente honestos em sua maneira de viver moralmente.
Há ainda, aqueles que tomam o assessório pelo essencial e faz disso a base do seu sistema de crenças. O batismo em águas é um desses casos: para uns o batismo é essencial à salvação, para outros apenas um símbolo e para outros nem uma coisa e nem a outra. Ora, aquele malfeitor que estava crucificado ao lado de Jesus, o Cristo não foi batizado. Entretanto, Cristo disse-lhe que estaria com Ele no paraíso. Alguns argumentam, utilizando princípios de base forense, dizendo: enquanto o testador está vivo pode mudar o testamento. Todavia, o batismo não é um mandamento, mas apenas um rito de identificação do nascido de Deus com a morte e a ressurreição de Cristo. O verdadeiro batismo é na morte d'Ele conforme Rm. 6: 3 a 7 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado." O batismo simbólico de nada adianta se não representar visivelmente este batismo invisível e produzido pela fé genuína nos eleitos e predestinados.
Outro mito que se perpetua dentro das igrejas religiosas é o da adoração. Ora, creditam aos atos exteriores um imenso poder de convencimento de Deus a lhes ser favorável ou afável. Já se ouviu muito a seguinte expressão: "irmãos vamos adorar e louvar, porque quanto subir o louvor e adoração, mais bênçãos cairão." Isto é a coisa mais barganhistas e diabólica que se pode pregar e ensinar dentro de uma igreja. Nesta mesma linha estão os jejuns programados e forçados para convencer Deus a agir em favor deste ou daquele homem, desta ou daquela causa. Neste ponto recorda-se de uma posição piedosa de Madame Guiyon: "eu oro, não para convencer a Deus, mas até que Ele me convença."
A Bíblia é outro objeto de culto em muitas e diversas igrejas e seitas. Ela é utilizada absoluta e providencialmente fora de contexto a pretexto de culto e adoração. As traduções são absolutamente tendenciosas, e, em certos casos, perigosas. Cada tradutor toma dos códices e traduzem-nos de acordo apenas com a base de sustentação das suas crenças. Isto lembra do que confessou Watchmann Nee: "eu tenho inveja das lavadeiras da minha aldeia, porque enquanto eu tenho a palavra de Deus, elas têm o Deus da palavra." Simplesmente as lavadeiras não discutiam teologia e não sabiam doutrinas e textos de cor. Apenas criam no que as Escrituras declaram sobre Deus e o seu Filho Unigênito.
O texto de abertura deste artigo coloca em tábula rasa as tendências horizontalizadas e humanistas dos religiosos. Demonstra com absoluta clareza, que, aquilo que declaram acerca de Deus, Jesus e da verdade são meras lisonjas que invalidam as Escrituras. Sobrepõem as tradições, religiões exteriores e ritos extravagantes à verdade que é Cristo e não uma concepção filosófica, científica ou teológica. O que os lábios falam não provém do coração, ou seja, da sede da alma e do espírito. Proliferam as doutrinas e os preceitos de homens ao invés de adorar e honrar Cristo em espírito e em verdade.
Sola Scriptura!

domingo, 30 de setembro de 2012

A ANSIEDADE HUMANA E A GRAÇA DE DEUS

Mt. 6: 25 a 34 - "Por isso vos digo: não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura? E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: que havemos de comer? ou: que havemos de beber? ou: com que nos havemos de vestir? Pois a todas estas coisas os gentios procuram. Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal."
Ansiedade provém do latim 'anxietatis' e tem um grande espectro de significações, tais como: grande mal-estar físico e psíquico, aflição, agonia; Isto produz no homem desejos veementes e profunda falta de paciência, de tranquilidade e enorme receio ante os acontecimentos da vida. Também por ansiedade tem-se que é um estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso. Pode-se dizer que é um mal da alma humana, porque, por mais que a pessoa tenha bens, saúde, cultura, prestígio, continua tendo ansiedade. Uns têm-na por não possuir nada e desejarem tudo, outros têm-na por possuir muito e temerem perder o que tem.
A sociedade é imediatista e consumista, porque o homem procura preencher suas ânsias com coisas. Tudo é muito efêmero e incompleto à alma humana ansiosa. Há uma profunda necessidade de ser percebido, consultado, desejado, reverenciado e amado. Por isso, o homem natural busca no ter uma forma de compensar a ausência do ser. Imagina, em seu vazio, que, o ter, compensará o não ser. A perda é a pior sensação à alma humana, pois quanto mais se perde, menos se sente como um ser completo. Por esta necessidade de ter, muitas guerras foram travadas, muitas famílias destroçadas, muitas amizades destruídas, muitas dignidades corrompidas. Estas colocações não são meras lições de moralidade ou frases de efeito para comover alguém. São, de fato, a constatação permanente do estado natural do homem ao longo dos tempos.
O texto de abertura sentencia que o homem não deve estar ansioso. Isto porque o Mestre sabe que este é ansioso por natureza. Estar ansioso difere substancialmente de ser ansioso, e, aparentemente parece apresentar uma espécie de axioma. Quem é ansioso por natureza estará invariavelmente ansioso por hábito e necessidade. Entretanto, o Mestre está doutrinando a maneira como o homem pode se livrar da ansiedade natural. É um exercício de fé, e, consequentemente, de transferência de um estado de ansiedade para o estado de dependência da graça de Deus. 
A preocupação com o que comer, o que beber e o que vestir demonstra uma enorme insegurança quanto ao que Deus é. O homem natural não confia que Deus é quem o supre de todas as coisas. Ele se apega a Deus e pede proteção, bênçãos e ajuda, mas realiza a sua tarefa de acumular, porque tem dúvidas se Deus realmente operará em seu favor. Isto é exatamente ausência da fé verdadeira. É como alguém que pula de paraquedas, mas leva um de reserva. Cristo estabelece uma relação valorativa, afirmando que a vida e o corpo são maiores que o comer, o beber e o vestir. O que adiantaria ter o corpo sem ter a vida, ou ter o vestuário sem ter o corpo? Assim, o homem em seu estado vazio e insatisfeito, inverte a ordem natural das coisas.
Jesus, o Cristo mostra que a origem da ansiedade é a reduzida fé, pois não consegue confiar que o mesmo Deus que alimenta as aves dos céus e que veste os lírios do campo é o que pode alimentar e vestir o homem. É ele quem dá a vida ao corpo e que o reveste de roupas. Não apenas de vestuário que se deteriora, mas pode revesti-lo de Cristo para a eternidade conforme Gl. 3: 26 e 27 - "Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo." O homem natural o qual foi eleito e predestinado antes dos tempos eternos passa de criatura a filho de Deus por adoção por meio do batismo na morte de Cristo conforme Rm. 6:3 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?" A este processo que é originado na soberana vontade de Deus dá-se o nome de "novo nascimento", ou como está no texto original, "nascimento do alto". Tal mudança de mente - metanóia - é realizada pela ação monérgica de Deus por inclusão do pecador na morte de Cristo que o substituiu fisicamente na pessoa de Jesus, e espiritualmente na pessoa do Filho Unigênito de Deus, Cristo. Após a ressurreição, Cristo é, além de Filho Unigênito, também o Primogênito dentre os mortos. Veja que é "dentre os mortos" e não entre os mortos, visto que tal colocação jogaria a ressurreição d'Ele no absurdo contraditório. 
O texto que abre esta instância conclui mostrando que Deus sabe exatamente cada uma das necessidades do homem. Porém, o problema não está em Deus, mas na maneira em que o homem busca resolver sua escassez ou e o seu vazio espiritual.  Mostra ainda que cada dia é portador do seu próprio mal. Invariavelmente o homem natural busca primeiramente o reino deste mundo para preencher-se dele. O ensino de Cristo é o oposto, demonstrando que se deve buscar primeiramente o reino de Deus e a sua justiça. Após este ato de fé, todas as demais carências serão acrescentadas, ou seja, é uma questão de graça e não de esforço. É uma questão de dependência plena na misericórdia e na graça de Deus.
Sola Gratia.
Sola Fide.
Solus Christus.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PEDIR E NÃO RECEBER

Tg. 4: 1 a 5 - "Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou pensais que em vão diz a escritura: o Espírito que ele fez habitar em nós anseia por nós até o ciúme?"
É verdade que as Escrituras autorizam ao homem apresentar suas petições perante Deus conforme Fl. 4:6 - "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças." A ansiedade é o fruto da desconfiança em Deus. Por não saber orar como convém, também não sabe suplicar e, muito menos, ser grato. Esta é a realidade do homem em relação a Deus em termos de oração. Tais relações são o resultado das posições, ou seja, por não ter uma posição vertical vivificada, não possui igualmente uma relação filial. O filho confia no pai, porque sabe que ele é o seu provedor amoroso e generoso. 
A questão das relações mal resolvidas para com Deus resultam de uma inversão de atitudes: o homem tenta se aproximar d'Ele por meio de religião exterior, enquanto Deus requer uma adoração em espírito e em verdade. O espírito não vivificado, não pode se comunicar com Deus e a verdade, não é uma mera concepção filosófica, mas uma pessoa, isto é, Cristo. Por isso, não há respaldo, como também não há resposta, visto que não há comunhão e comunicação. A relação correta é vertical e parte de Deus em relação ao homem. É portanto, uma relação monérgica e não sinérgica como pretende a religião humana. Por isto é que se trata de religião, ou seja, religação: o homem busca a Deus por seus próprios esforços e entendimento. Esta é a mentira apregoada nas religiões institucionais que o homem decaído coopera com Deus e que o faz, porque é portador de "livre arbítrio". De fato, o homem decaído é portador do "servo arbítrio", pois todos estão debaixo do pecado, logo, quem é escravo não é livre conforme Jo. 8: 32 a 35 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre." Por esta razão é que a relação monérgica exige uma relação filial.
A condição decaída produz no homem os desejos ou cobiças. A cobiça provém da necessidade de deleite, ou seja, dos prazeres almáticos. Quando cobiça e não consegue vem os ciúmes, e, com estes os assassínios, a violência, os conflitos. A inveja é o desejo de ter o que a outra pessoa tem para se igualar ou superá-la. Isto provoca o desejo de ser aceito, admirado, de ser consultado e prestigiado. Logo, o resultado disso são os conflitos interpessoais, os quais levam aos combates verbais, e, estes, às guerras. As Escrituras ensinam que, quando uma pessoa deseja o mal a alguém está cometendo assassinato conforme I Jo. 3:15 - "Todo o que odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele." Jesus, o Cristo ensina que o homem decaído é homicida, porque a natureza pecaminosa que está nele é procedente de Satanás que é homicida desde o princípio conforme Jo. 8:44 -  "Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio..."
Assim, a escassez e a falta de bens são o resultado de não peticionar corretamente, pois quando se pede algo a Deus é apenas por inveja, ciúmes e desejo de prazeres. Estas atitudes são ligadas ao mundo horizontal e não ao mundo vertical, ou seja, são em nível humano e pecaminoso e não em nível espiritual e vivificado. O desejo de ter e de ajuntar para si indica a infidelidade do homem, pois demonstra claramente que não confia na dependência plena da graça de Deus. Não confia que Deus é o provedor perfeito e que não faltará ao que tem a fé do Justo conforme Hb. 10:38 - "Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele." Pedir e não receber é a consequência de pedir mal, ou seja, pedir conforme aos desejos centrados em si mesmo e não em Cristo. As petições devem ser conhecidas diante de Deus com súplicas, porque ninguém tem direitos e méritos para obter nada. As petições com fé e dependência plena na graça e na misericórdia são sempre acompanhadas de ações de graça, porque ao agradecer antes de receber demonstra-se confiança plena na todo-suficiência de Deus como pai e não como resolvedor de problemas, dramas e carências. Deus não tem mensalão para dar ao homem, por meio de mamatas espirituais. Ele tem Cristo para doar, e, Cristo é tudo, tendo-o, tem-se tudo.
Soli Deo Glora!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

CONSCIÊNCIAS CAUTERIZADAS

I Tm. 4: 1 a 5 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas."
Consciência é proveniente do vocábulo latino 'conscientia' que significa 'conhecimento', 'consciência' e 'senso íntimo'. Em termos mais amplos consciência é "sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior. É o sentido ou a percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais." 
O homem natural possui a mente cauterizada porque dá ouvidos a espíritos enganadores, crê e prega doutrinas de demônios, ou seja, de anjos caídos que se passam por espíritos iluminados. Homens com as consciência cauterizadas são apostatados da fé e não da religião. Eles permanecem dentro dos sistemas de crenças por meio de igrejas institucionais cuja religião é apenas ritual ou cerimonial. Eles preferem a hipocrisia dos que pregam mentiras e se apegam a atos exteriores, mas não se importam e não suportam a sã doutrina que é a Palavra de Deus. Reputam-na como lenda, como algo duvidoso e manipulado. São em geral pessoas bondosas e têm atitudes humanitárias, caridosas e muito preocupadas com o próximo. Porém, é exatamente isto que os afasta da verdade, pois se apoiam em uma espécie de auto-salvação, por meio de desempenho meritório e de justiça própria. Creem no que eles mesmos podem fazer e não no que Deus faz por eles.
O verbo cauterizar provém de cautério, que, por sua vez, provém do grego 'kauterion', a saber, "ferro vermelho ou em brasa para queimar". No latim provém de 'cauterium' que quer dizer ferro de cauterizar. Assim, a ideia do texto paulino a seu filho espiritual Timóteo é que os homens cujas mentes estão cauterizadas são aqueles que queimaram as suas próprias consciências cicatrizando-as contra o ensino da verdade. Eles substituem a verdade por um sistema que os satisfaça almaticamente. Em medicina cautério é o uso de nitrato de prata, neve carbônica e de bisturi elétrico para cicatrizar lesões e estancar sangramentos. O resultado deste processo químico ou físico é a formação de uma crosta endurecida sobre o local lesionado a fim de criar uma regeneração dos tecidos por baixo. Analogamente, o homem que dá ouvidos a doutrinas de demônios e fala mentiras, cria sobre a sua consciência uma barreira protetora que não permite a penetração de outra verdade, ou de outro ensino que não seja o seu próprio. A cauterização produz um tampão como casca de pereba sobre o local onde há uma chaga. A religião é esta casca e a chaga é o pecado.
A cauterização é o ato pelo qual o homem natural aplica cautério à sua consciência. Este processo é, em suma, o total desaparecimento, destruição e extinção de algo que causava uma falha. Neste processo, há uma perda de sensibilidade ou neutralização daquilo que incomodava. Neste ponto o ser humano natural, fica anestesiado por suas próprias doutrinas e justiças próprias. Ora, sabe-se, que, no sentido do ensino bíblico o que incomoda o homem é o pecado. Visto que pecado é incredulidade conforme Jo. 16:9 - "...do pecado, porque não creem em mim." Como o pecador não pode estabelecer uma comunhão direta com Deus, ele cria o sistema religioso por meio de intermediários, ou seja, demônios e espíritos enganadores para formar um corpo doutrinário bonito e sensível que o satisfaça a alma. Como tal sistema religioso não resolve definitivamente o seu problema pecaminoso, ele, então, se cauteriza por meio de preceitos cerimoniais e morais. Tenta aplacar a dor e o sofrimento espiritual aplicando cautério à sua mente. Neste sentido é que as suas consciências ficam cauterizadas, ou seja, insensíveis, anestesiadas, indiferentes e neutralizadas da verdade. Eles criam um sistema de verdade relativizadas com base em concepções. Entretanto, a verdade não é uma concepção, mas uma pessoa, a saber, Cristo conforme o registro de Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Observa-se, que, Jesus é o caminho, ou seja, o método de Deus, porque caminho significa método. Ele é a verdade e não uma verdade qualquer. Como também é a vida e não apenas vida almática e biológica. E finalmente o texto em comento mostra que ninguém vai a Deus se não for por Cristo. Então, qualquer proposta de burlar este processo é cauterizador e nada tem a ver com Deus e sua verdade.
Solus Christus!