quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ESCATOLOGIA XXV

II Pd. 1: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
Na economia de Deus tudo é profundamente sábio e tem sempre uma razão de ser. O próprio fato de o Novo Testamento ter sido escrito em grego koinê demonstra isto. A Grécia havia se expandido para o Oriente no processo de helenização com Alexandre, o Grande. A difusão da língua grega por diversos lugares facilitou a disseminação do evangelho mais rapidamente. Assim, muitos termos e expressões utilizados nas Escrituras neotestamentárias foram tomadas da língua grega popular. Isto foi positivo, porque expressava as realidades mais simplificadamente para povos e pessoas de outras culturas. Igreja é uma palavra oriunda do termo político 'ekklesia' (ek = para fora + kaleo =chamado, convocado) se tratava da assembleia escolhida para conduzir os destinos da polis, ou seja, da sociedade. Por símile, a noção de Igreja, traduz-se como o grupo de pessoas alcançadas pelo evangelho da redenção, as quais foram convocados para uma vida diferenciada dos demais. Não implicando em que fossem superiores aos demais. Apenas diferenciados por uma nova disposição de viver para Deus em Cristo.
Agora o Senhor Jesus envia a 3ª carta endereçada à Igreja em Pérgamo, uma cidade também da Ásia Menor. Como já foi dito, as Igrejas apocalípticas eram localizadas geograficamente nesta região, correspondente ao que é atualmente a Turquia. Eram Igrejas reais, como também foram tomadas como Igrejas-Tipos para caracterizar os fatos e comportamentos da Igreja ao longo da história do cristianismo.
A palavra redenção significa restaurar ao proprietário algo que ele perdeu. Neste sentido, a missão de Cristo é a de restaurar à comunhão com Deus, os seus eleitos por meio da sua morte substitutiva e inclusiva. Neste ato Jesus, o Cristo atraiu os pecadores a Si mesmo para incluí-los em Sua morte, e ao ressuscitar, restaurá-los à comunhão com o Pai. O espírito morto para Deus recebe a vida de Cristo; a alma contaminada pelo pecado é restaurada e purificada pelo processo de santificação; e o corpo será redimido na restauração final por meio da ressurreição dentre os mortos.
Ap. 2: 12 a 17 - "Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes: sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem. Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas. Arrepende-te, pois; ou se não, virei a ti em breve, e contra eles batalharei com a espada da minha boca. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe."
Esta Igreja era a mais problemática aos olhos do Juiz Eterno: localizava-se onde estava posto o trono de Satanás, nisto revelou-se que ele tem também um trono. Neste momento, o Grande Rei revela ao mundo que Satanás possui uma igreja e que, por ela, o inimigo reclama poder temporal. A Igreja verdadeira não reclama para si nenhum poder, pois sabe que todo o poder pertence a Cristo. Sabe-se que Satanás reivindica para si, desde o início, o poder de ser "deus", sendo esta a causa da sua queda conforme Ez. 28. Ao longo dos tempos o seu trono vem mudando de lugar de acordo com as suas conveniências, pois a história desloca constantemente os centros de poder econômico e político. Assim, em cada época da história ele altera o local do seu trono temporal e falso. Primeiramente surgiu na Babilônia, mas era muito fácil manter a sua igreja, pois Cristo ainda não havia se manifestado, portanto, não havia oposição. Depois foi estabelecido em Pérgamo próximo às primeiras comunidades cristãs, depois mudou-se para Roma junto ao poder político dominante, e, no futuro, voltará para o que é hoje o Irã.
Na Igreja de Pérgamo havia um grupo herético que sustentava a doutrina de Balaão. Este foi um profeta não-judeu e que, ao ser contratado para amaldiçoar Israel, Deus o fez abençoá-lo. Não podendo fazer nada contra o povo escolhido, resolveu treinar o seu discípulo para destruir o povo por meio da idolatria e da prostituição doutrinária. Balaão ensinou ao rei dos moabitas a corromper os israelitas pela estratégia da infiltração, ou seja, comer dos sacrifícios aos ídolos, e cometer prostituição com as mulheres dos povos vizinhos. Em termos de Igreja, isto quer dizer: adorar imagens e contaminar-se com as práticas mundanas. Prostituição no sentido espiritual é reivindicar e aceitar favores e acordos com os governos humanos, resultando na união entre Igreja e Estado.
Jesus reconhece que aquela Igreja reteve a fé e não negou o Seu nome, mesmo em meio às perseguições e mortes. Cita Antipas como mártir, porém não se sabe quem era esta pessoa. Não há registros sobre nenhum Antipas, porém poderá ser um tipo ou um cristão que foi morto por perseguição.
Veja que nesta Igreja, já estavam firmes os nicolaítas que surgiram na Igreja de Esmirna. Agora aparecem os da doutrina de Balaão e depois os seguidores da falsa profetiza Jeezabel. É exatamente assim, ao longo da Igreja, as heresias vão surgindo sorrateiramente até deformar completamente a simplicidade do evangelho de Cristo.
Jesus conclama à Igreja a que ouça o que o Espírito Santo diz, e promete ao vencedor, comer do maná escondido e receber um novo nome. Isto implica em alimentar-se da vida de Cristo e completar o processo da produção da Sua santidade nos eleitos e regenerados. A redenção é um processo completo: corpo, alma e espírito.
Gloria in excelsis Deo!

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