domingo, 23 de outubro de 2011

ESCATOLOGIA XV


Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
A compreensão das Escrituras ocorre de duas formas: compreensão apenas intelectual e a compreensão espiritual. Esta última se dá por meio de revelação no espírito e não por sensorialidade. No primeiro caso, qualquer pessoa crente ou descrente pode obter muitos conhecimentos lendo as Escrituras, e isto, não lhe torna um cristão. Tal conhecimento pode até mudar e transformar muitas pessoas em seus modos de ver a vida e o mundo, porém apenas como cultura e 'modus vivendi'. No segundo caso, tal revelação liberta muitos eleitos para uma real e nova posição e relação com Cristo, mudando-os para sempre, ou seja, alterando o 'modus operandi'.
Há teólogos, estudiosos, religiosos e fanáticos que usam as Escrituras para diversos fins: ganhar dinheiro, satisfazer suas carências, escrever e defender suas teses, escarnecer de Cristo e do Cristianismo. Entretanto, o pior tipo de leitor das Escrituras é aquele que tenta estabelecer um outro fundamento sobre o já estabelecido por Cristo e os apóstolos. Muitos destes falsos mestres, insistem em adivinhar o "fim do mundo", o retorno de Cristo, saber quem é o Anticristo, etc. Alguns desses desinformatas já foram desmascarados e envergonhados ao longo da história. Cristo afirma em Mt. 24:36 que o dia e a hora da Sua vinda, ninguém sabe, a não ser o Pai.
A profecia de Daniel, em seu capítulo 7 esclarece um pouco mais sobre o desenrolar da história humana. Demonstra como Deus age na história para cumprir todos os seus desígnios eternos. Para compreender, basta ler o texto com atenção.
Dn. 7: 1 a 28 - "No primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça. Então escreveu o sonho, e relatou a suma das coisas. Falou Daniel, e disse: eu estava olhando, numa visão noturna, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o Mar Grande. E quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiam do mar. O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da Terra, e posto em dois pés como um homem; e foi-lhe dado um coração de homem. Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: levanta-te, devora muita carne. Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças; e foi-lhe dado domínio. Depois disto, eu continuava olhando, em visões noturnas, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres. Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas. Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; o seu vestido era branco como a neve, e o cabelo da sua cabeça como lã puríssima; o seu trono era de chamas de fogo, e as rodas dele eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades assistiam diante dele. Assentou-se para o juízo, e os livros foram abertos. Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia; estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo destruído; pois ele foi entregue para ser queimado pelo fogo. Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia foi-lhes concedida prolongação de vida por um prazo e mais um tempo. Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me perturbavam. Cheguei-me a um dos que estavam perto, e perguntei-lhe a verdadeira significação de tudo isso. Ele me respondeu e me fez saber a interpretação das coisas. Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da Terra. Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, sim, para todo o sempre. Então tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, sobremodo terrível, com dentes de ferro e unhas de bronze; o qual devorava, fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobrava; e também a respeito dos dez chifres que ele tinha na cabeça, e do outro que subiu e diante do qual caíram três, isto é, daquele chifre que tinha olhos, e uma boca que falava grandes coisas, e parecia ser mais robusto do que os seus companheiros. Enquanto eu olhava, eis que o mesmo chifre fazia guerra contra os santos, e prevalecia contra eles, até que veio o ancião de dias, e foi executado o juízo a favor dos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino. Assim me disse ele: o quarto animal será um quarto reino na Terra, o qual será diferente de todos os reinos; devorará toda a Terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. Quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. Proferirá palavras contra o Altíssimo, e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei; os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo. Mas o tribunal se assentará em juízo, e lhe tirará o domínio, para o destruir e para o desfazer até o fim. O reino, e o domínio, e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo. O seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão. Aqui é o fim do assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram e o meu semblante se mudou; mas guardei estas coisas no coração."
Sucintamente tem-se que:
1) Império Babilônico conforme o versículo 4 - Leão com asas de águia. É uma referência alegórica à rapidez e astúcia que conquistavam outros povos.
2) Império Persa conforme o verso 5 - Urso com costelas na boca. É uma referência alegórica do modo feroz e devorador das suas conquistas.
3) Império Grego conforme o verso 6 - Leopardo com quatro asas. É uma referência alegórica de como os greco-macedônios expandiam e dominavam os povos.
4) Império Romano conforme o verso 7 - Animal diferente com dentes de ferro e dez chifres. Referência alegórica de como os romanos expandiam e dominavam os povos vencidos com suas leis e legiões.
5) Nações de ascendência ou origem romana conforme o verso 8 - Animal que surge dos dez. Referência alegórica dos povos de origem latina, ou seja, do povo romano.
6) Referência ao Anticristo conforme o verso 20 - referência ao Império Romano redivivo e formado por nações de origem latina, liderado por um poderoso político. Alguns dizem que é da União Europeia que surgirá esta organização econômico-política. O mais prudente é esperar os acontecimentos para que as revelações se mostrem claras.
A profecia mostra que o Anticristo prosperará por três anos e meio (um tempo, tempos, e metade de um tempo), que os eleitos serão entregues a ele e sofrerão muitas coisas. Entretanto, o texto termina mostrando como o Cristo virá ao mundo, julgará as nações, subjugará os domínios do Anticristo, e estabelecerá o seu Reino Sempiterno. É importante ressaltar que o profeta teve a visão, mas a interpretação foi-lhe dada por um anjo.
Gloria in excelsis Deo!

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