terça-feira, 4 de outubro de 2011

ESCATOLOGIA VIII


Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
Uma das tendências da natureza humana decaída é personificar Deus em coisas sensoreáveis. Isto é consequência da morte espiritual após a queda, que, por seu turno, fez o homem perder a comunhão espiritual com o Criador. Assim, não podendo alcançar a presença d'Ele, o homem em seu estado pecaminoso procura atraí-lo a si por meio de artifícios religiosos. A alma exerce papel preponderante neste processo de sensibilidade, emocionalidade e voluntariedade. Tudo o que é sensível, perceptível e palpável é subproduto da alma, pois o homem é um ser essencialmente almático. Após a "morte" do espírito, a alma assumiu o comando sensível dos desejos, vontades, e emoções sem passar pelo crivo do espírito. Então, a maior parte das sensações e impressões que as pessoas sentem são atribuídas a uma suposta comunicabilidade com Deus, todavia é algo absolutamente humano. Deus não se sente, apenas se crê ou não se crê! É fundamental entender que morte no sentido espiritual é afastamento, separação, isolamento ou incomunicabilidade. Após a queda o homem tornou-se morto para Deus, e a única maneira de restaurar a comunhão é por meio do novo nascimento. Este é a regeneração pela fé na sua inclusão na morte de Cristo, como também na ressurreição juntamente com Ele ao terceiro dia. Este é o processo decidido por Deus, antes dos tempos eternos, para restaurar o homem à comunhão. Entretanto, isto é por graça, e recebido por meio da fé, que resulta da vivificação do pecador por misericórdia do próprio Deus. Ora, se o homem decaído pudesse restaurar-se a si mesmo e voltar-se para Deus, Jesus, o Cristo seria absolutamente dispensável naquela cruz.
No tocante aos eventos preordenados por Deus acerca da história e do desenvolvimento do Seu "Supremo Propósito", a Escatologia é um indicador, e não uma probabilidade aberta aos desejos humanos. Não é o homem quem decide o que sucederá na História e seus acontecimentos. Tudo já foi determinado, de modo que o fim foi estabelecido desde o início como afirma o texto de abertura.
Por conta das decisões almáticas é que se veem tantas interpretações, originando inúmeras religiões, seitas, crenças, e descrenças. Muitas destas aventuras humanas produziram muitos erros ao fazer predições sobre o fim dos tempos. Fazem-no por conta e risco de suas sensorialidades almáticas! Deus não está nisto!
A Escatologia possui também uma maneira de evidenciar certas verdades por meio de números que são revestidos de significação própria. Tudo nas Escrituras aponta invariavelmente para Cristo, seja como imagens passadas que indicavam a Sua vinda humana, seja como sinais da Sua segunda vinda em glória. Assim, destacam-se alguns desses números para o efeito de um mínimo de compreensão de alguns textos.
1. Número 1 - é o número de Deus conforme Dt. 6:4 - "ouve, Israel o Senhor nosso Deus é o único Senhor." Indica a unicidade d'Ele, pois no texto hebraico original a palavra 'Ehad' indica que Ele é único, ou um só.
2. Número 3 - é o número que indica a triunidade ou o Deus triuno conforme Mt. 28:19 - "Portanto indo, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Esta forma de revelação de Deus já causou muitas divergências de opinião entre teólogos, pois alguns alegam que se trata de politeísmo e não de monoteísmo. Entretanto, Deus é um só, manifestando-se em três pessoas distintas entre si. É como um triângulo equilátero que possui três lados iguais, porém uma unicidade de forma.
3. Número 4 - é o número que indica tudo o que se refere ao mundo terreno. As quatro estações do ano, os quatro pontos cardeais, os quatro evangelhos sinóticos que se destinam ao mundo, os quatro impérios do livro de Ezequiel, indicando a história mundial desde Nabucodonosor até Cristo, os quatro seres viventes de Apocalipse, indicando as ações dos julgamentos contra o mundo terreno, os quatro querubins da profecia de Ezequiel, indicando os níveis de organização que julgarão a Terra.
4. Número 6 - é o número do mal, de Satanás, ou do homem em seu estado decaído e pecaminoso conforme Dn. 3:1 - "O rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, a altura da qual era de sessenta côvados, e a sua largura de seis côvados; levantou-a no campo de Dura, na província de Babilônia." Também em Ap. 13:18 - "Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis." Alguns intérpretes afirmam que o número 7 é o número da totalidade, e portanto, o número 6 é o número do homem que não chega à total satisfação e felicidade. Portanto, o número da besta é triplicado, pois ele é três vezes imperfeito.
5. Número 7 - é o número da totalidade e não da perfeição como pensam alguns. O dragão do Apocalipse mostra sete cabeças, indicando o seu domínio total da Terra por ocasião da grande tribulação. As sete igrejas apocalípticas representam a totalidade das igrejas ao longo da história. Os sete espíritos indicam a totalidade do Espírito Santo de Deus. Os sete selos, as sete taças e as sete trombetas indicam o cumprimento total dos juízos sobre a Terra.
6. Número 10 - é um número incompleto, arredondando ou indefinido, indicando que está sempre sujeito a alterações. Ap. 2:10 - "...e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida."
7. Número 12 - é o número dos redimidos, sendo representado no Velho Testamento pelas doze tribos de Israel, e no Novo Testamento pelos doze apóstolos. Na Nova Jerusalém, eles serão representados pelas doze portas e pelos doze fundamentos de pedras preciosas com os nomes dos eleitos e santificados em Cristo.
Gloria in excelsis Deo!

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