segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ESCATOLOGIA VII


Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
Embora, ao longo do tempo, o entendimento sobre profecia tenha sofrido muitas alterações por conta de interpretações gnósticas e humanistas no seio das igrejas institucionais, a doutrina bíblica continua inalterada. Profecia não é prescrutar o futuro por meio de artifícios místicos e, muito menos, vaticinar acerca de quaisquer coisas futuras, ou proclamar aspectos particulares das vidas das pessoas. O texto de abertura deste artigo mostra com clareza meridiana que a profecia no sentido escatológico já foi absoluta e totalmente predefinida antes dos fatos acontecerem. É óbvio que tudo quanto está escrito nos livros eternos se cumpre, independentemente das concepções científicas, filosóficas, políticas e religiosas dos homens.
Há nos tempos que transcorrem profundo imediatismo. As pessoas querem soluções rápidas para problemas complexos. Querem encontrar as respostas para os seus dramas a qualquer custo. Por esta razão buscam desvendar o amanhã, valendo-se dos mais diferentes expedientes. Um deles é a consulta aos astros, às cartas, aos búzios, aos magos, aos sinais da natureza, aos quiromantes, aos necromantes, e por aí vai. Entre alguns grupos religiosos ditos cristãos, só muda a maneira de tornar isto exteriorizado, mas o conteúdo é basicamente o mesmo. Eles imaginam, que, ao invocarem o nome de Jesus, do Espírito Santo, ou mesmo de Deus os seus feitos são mais puros e mais santificados do que os dos adivinhadores de outros crenças. Não o são, pois o princípio que opera por trás da cortina do enígma é o mesmo conforme I Tm. 4: 1 e 2 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada." Observa-se que os tais apóstatas não deram as costas à igreja, ou ao cristianismo, mas à fé. Sabe-se, todavia, que sem fé é impossível agradar a Deus.
A operação do erro é uma realidade desde o primeiro século da Igreja no mundo, entretanto, a cada dia ela se revela mais e mais forte, porque os homens resolveram dar ouvidos à mentira, às doutrinas de demônios e às fábulas antigas. Pessoas que não creem em nada, não seguem nenhuma religião formal, não tem uma opinião própria e formada sobre Cristo, Deus, inferno, salvação, etc são atraídas às mitologias e lendas místicas da Babilônia, do Egito, da Grécia, da Irlanda, etc.
A Escatologia trata do desvendamento dos fatos relativos à implantação do Reino Eterno e da ação do Grande Rei no processo da redenção. Por isto, ela lança mão de uma escrita e de uma retórica própria e apropriada. Neste sentido aparecem diversas figuras, metáforas, parábolas, linguagens. Além da linguagem profética ou figurada já retratada, destacam-se como igualmente importante:
1. Linguagem Literal: é a escritura ou predição ao pé da letra, sendo subdividida em duas formas:
1.1) Coisas Terrestres: explica os acontecimentos na Terra e requer muita atenção, pois os profetas buscaram elementos do seu tempo para descrever fatos, ou eventos futuros de uma realidade a eles desconhecida.
1.2) Coisas Celestes: explica as ações vistas pelos profetas no céu, porém com palavras terrestres. Assim, os cavaleiros vistos pelo apóstolo João na visão de Patmos, não são simbólicos, mas para ele era a maneira de indicar o meio de locomoção conhecido à época.
2. Regras de Interpretação: na linguagem simbólica a ação é sempre literal, mas o sujeito da ação é simbólico. Neste caso o leitor das Escrituras deve descobrir o significado do símbolo, e posteriormente aplicá-lo à ação literal. É o caso de Mt. 13:33 - "Outra parábola lhes disse: o reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar tudo levedado." O reino dos céus é literal, mas o fermento e a mulher são símbolos, que, discernidos, significam a pregação do evangelho pela Igreja e o seu crescimento pelo mundo.
3. Modelos Literários Especiais: são recursos hermenêuticos específicos aplicados a gêneros específicos:
3.1) Símile: é uma comparação expressa por termos que indicam semelhança entre as partes, como por exemplo, em "o reino dos céus é semelhante..."
3.2) Metáfora: é uma comparação não-expressa e não se utiliza de termos que indicam semelhanças entre as partes, como por exemplo, em "eu sou o pão da vida, e vós sois a luz do mundo."
3.3) Parábola: é uma ampliação da símile em que o sujeito e a coisa comparada veem mais bem explicados, porém se mantêm separados, como por exemplo, em "Perguntaram-lhe então seus discípulos o que significava essa parábola. Respondeu ele: a vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos outros se fala por parábolas; para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam."
3.4) Alegoria:é uma ampliação da metáfora, pois a comparação não é expressa, e o sujeito e a coisa comparada estão entrelaçados. A alegoria é uma história que se explica por si mesma, como por exemplo, em - "Então vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade." Um homem natural, orgulhoso, arrogante e poderoso, comandando uma união de reinos e governos com características de governantes dos reinos passados.
3.5) Provérbio: são parábolas ou alegorias condensadas, assim, o foco geral do livro de provérbios é o aspecto moral da lei. Aborda sabedoria, moralidade, castidade, indolência, justiça, relações interpessoais.
Da lucem, Domine!

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