segunda-feira, 30 de maio de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XVIII

Rm. 3: 20 a 23 - "... porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que creem; pois não há distinção. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus."
O pecado não faz exceção, porque todos pecaram e estão separados da comunhão de Deus. É ponto passivo ouvir de religiosos colocações que os põem em vantagem em relação aos que não professam uma fé, ou que não pertencem as suas religiões, ou mesmo que se declaram ateus. Eles se colocam na perspectiva de quem têm privilégios a mais diante de Deus e que não estão sujeitos ao pecado, e, muito menos, aos atos pecaminosos. Entretanto, a maioria deles não sabe sequer distinguir o pecado que Cristo veio aniquilar, dos atos pecaminosos como consequentes da natureza pecaminosa. Tomam o assessório como o essencial e o essencial como o assessório, invertendo e inventando uma verdade particularizada. Imaginam que se não matam, não roubam, não prostituem, não desejam os bens do próximo, etc, logo, não são pecadores. Não conhecem o ensino bíblico, por isso, seguem doutrinas de homens e de igrejas humanas, as quais nada têm a ver com a verdade que procede de Deus. Tais pessoas se tornam insuportavelmente arrogantes, presunçosas e soberbas, pois não conhecendo a verdade, vivem na suposição dela. É preferível um ignorante, a um presunçoso que não conhece experimentalmente o que afirma. Eles, geralmente, se colocam acima do bem e do mal, reivindicando direitos perante Deus.
As Escrituras afirmam com profunda propriedade que todos já nascem portadores da natureza pecaminosa conforme Sl. 51:5 - "Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe." Não é uma questão do que o homem faz ou deixa de fazer que é o pecado, mas aquilo que ele é em sua natureza. A questão é que as religiões, o gnosticismo e a ciência banalizaram o pecado, transferindo-o para a esfera do campo biológico. Reputam-no apenas como um distúrbio endócrino, um desvio de conduta que pode ser perfeitamente corrigido e reorientado por meio de sessões psicológicas, por meio de medidas educativas e de ensinos doutrinários. Na verdade tais ações podem disfarçar apenas os atos pecaminosos, mas nada podem contra a natureza pecaminosa. Esta poderá se manifestar em diferentes momentos, circunstâncias e oportunidades. Independentemente do comportamento moral do homem, a natureza pecaminosa continua no seu íntimo. É ela que o separa, condena e julga diante da santidade de Deus. Assim, as religiões e doutrinas dos homens apenas reformam o pecador moralmente, mas não o liberta verdadeiramente do seu pecado que o matou para Deus. Esta é a mais triste verdade para um mundo que está doente e perdido.
Os atos pecaminosos, a saber, fraquezas, deslizes erros morais podem até ser suavizados por meio de terapias, disciplinas mentais, legalismos. Entretanto, a matriz que os gera, a saber, a natureza pecaminosa, só poderá ser extirpada na cruz. Isto está devidamente retratado em Mc. 3:28 e 29 - "Em verdade vos digo: todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, bem como todas as blasfêmias que proferirem; mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno." Então há um pecado pelo qual nem se deve orar, pois não há perdão para ele. A este dá-se as seguintes designações: pecado original, natureza adâmica, o pecado, natureza pecaminosa, natureza da serpente, etc. A respeito da blasfêmia contra o Espírito Santo, trataremos em outro artigo mais específico.
A arrogância religiosa deixa o homem absolutamente cego em relação ao seu próprio pecado conforme se vê em Mt. 11: 16 a 19 - "Mas, a quem compararei esta geração? É semelhante aos meninos que, sentados nas praças, clamam aos seus companheiros: tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não pranteastes. Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores." O religioso enfatuado com sua própria doutrina sempre vê em si a presença de Deus, e, nos outros, a do demônio. Tudo o que está fora da esfera de sua ação religiosa é demonizado. Assim, suas práticas espiritistas são tidas como divinas, mas as dos outros são tidas como demoníacas. Por isso, alguém, com propriedade irônica disse: existe a "boacumba" e a "macumba". Neologismos à parte é isso mesmo que pensam e demonstram em atos e em palavras os tais igrejificados e escravos de suas próprias crendices supostamente evangélicas.
O texto de abertura deixa mais do que claro que, a lei, a saber, a norma, os preceitos, as regras apenas serviram para demonstrar o quanto o homem pecador é frágil diante de si mesmo e de Deus. O legalismo é a mais contundente expressão da pecaminosidade humana, pois o pecador sempre tropeçará em algum preceito. A sua natureza pecaminosa não o dá suporte e competência para andar com retidão e perfeição diante de si, dos outros e de Deus. É a graça e a misericórdia de Deus que vem em socorro ao pecador e o liberta verdadeiramente em Cristo por meio da sua inclusão na Sua morte e na sua ressurreição juntamente com Ele.
Sola Gratia!
Sola Fidei!
Solus Christus!

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