terça-feira, 19 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XII

Mt. 9: 1 a 13 - "E entrando Jesus num barco, passou para o outro lado, e chegou à sua própria cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Jesus, pois, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Tem ânimo, filho; perdoados são os teus pecados. E alguns dos escribas disseram consigo: este homem blasfema. Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: por que pensais o mal em vossos corações? Pois qual é mais fácil? dizer: perdoados são os teus pecados, ou dizer: levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados, disse então ao paralítico: levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. E este, levantando-se, foi para sua casa. E as multidões, vendo isso, temeram, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens. Partindo Jesus dali, viu sentado na coletoria um homem chamado Mateus, e disse-lhe: segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. Ora, estando ele à mesa em casa, eis que chegaram muitos publicanos e pecadores, e se reclinaram à mesa juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isso, perguntavam aos discípulos: por que come o vosso Mestre com publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores."
Há um comportamento recorrente entre os religiosos das diferentes crenças ditas cristãs: tomam o bom comportamento moral como base da espiritualidade. Tanto lá isto é verdade, que, quando algum "irmão" cai em desgraça, comentendo erros morais, a maioria dos demais "irmãos" vira-lhe as costas. Isto quando não o recrimina, exclui e expulsa do convívio da "igreja". A mentalidade religiosa não mudou muito nos últimos 2.000 anos, pois os escribas, saduceus e fariseus do tempo de Jesus agiam da mesma forma.
Vê-se no texto que dá início a este artigo um típico caso de confronto entre religiosos e a verdade, posto que ela é uma pessoa conforme Jo. 14:6. Jesus é apanhado concedendo perdão de pecados a um paralítico. A fé dos que o levaram até Jesus em muito contribuiu para tal perdão. Eles, como também, o paralítico creram que Jesus tinha autoridade para curá-lo, não apenas fisicamente, porque o tormento físico direta, ou indiretamente é o resultado da ação pecaminosa no homem decaído. Isto fica evidente pelo fato de Jesus ter realizado a cura pela concessão do perdão aos pecados daquele paralítico. A questão
é intercambiada, pois respondendo às críticas dos religiosos, o Senhor Jesus mostrou que não faria diferença dizer:
"perdoados
são os teus pecados" ou "levanta-te toma o teu leito e anda." Com o perdão dos pecados o paralítico foi curado! Assim, o texto coloca em epígrafe, o pecado, os pecados e o pecador diante do Senhor de todas as coisas.
O texto retrata duas situações convergentes para a mesma verdade: a soberana vontade de Deus sobre o homem pecador. A ação da verdade é sempre monérgica, pois a iniciativa parte sempre e invariavelmente de Deus. Tanto no caso do paralítico, como no caso do publicano Mateus, quem agiu foi Cristo. Ambos não possuíam qualquer mérito que lhes conferisse direitos a uma cura, ou mesmo ao chamado para compor o colegiado de discípulos pelos quais o evangelho seria pregado ao mundo.
Jesus foi censurado pelos escribas, que eram copistas da lei, porque tomava refeições com publicanos e pecadores. A atitude dos religiosos é, no mínimo cínica, visto que o texto sagrado afirma em I Rs. 8:46 - "Quando pecarem contra ti, pois não há homem que não peque..." Diante da reprimenda dos legalistas hipócritas, Jesus demonstra em palavras e em atitudes que é o pecador e desgraçado que necessita da graça. Jesus indica que veio buscar os pecadores por meio da misericórdia, que, segundo Phillip Yancey é "Deus não dando aos pecadores o que eles de fato merecem, qual seja, o inferno." Jesus sinaliza aos religiosos legalistas que eles não recebiam a misericórdia, porque já possuíam suas próprias justiças. Eles fundamentavam a sua espiritualidade em si mesmos, a saber, nos seus próprios sacrifícios. Dispensavam a graça e a misericórdia de Deus para buscar sua própria salvação com base em preceitos, regras e normas religiosos.
Sola Gratia!

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