segunda-feira, 25 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XV

Jo. 16: 8 a 11 - "E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado."
A realidade do pecado e dos atos pecaminosos na humanidade é perfeitamente perceptível por causa do mal moral e da degenerescência do gênero humano. Ainda que forças humanistas de cunho gnóstico prometam uma sociedade mais justa, mais igualitária e uma ciência que tudo resolve, o mal moral se avoluma exponencialmente. Não há dúvidas, o diagnóstico é um só, a humanidade está pecaminosamente doente. Os males podem até não se manifestar nesta ou naquela pessoa especificamente, mas estão latentes lá e podem aparecer a qualquer momento, ou mesmo nunca ser perceptível. Desde os mais radicais e agitados até os mais pacatos e discretos se pode esperar qualquer reação, porque a pecaminosidade é por natureza e não somente por atos. A 'mass media' noticia todos os dias, sendo que 90% das informações são sobre aspectos ruins ou maléficos que afetam a sociedade e a humanidade. Raramente ouvimos uma notícia que engrandece o homem e a sociedade em geral.
Por todas razões retromencionadas, as Escrituras dizem que a injustiça é pecado conforme I Jo. 5:17 - "
Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para a morte
." No contraponto desta assertiva pode-se afirmar inversamente que também todo pecado é injustiça aos olhos de Deus. Sendo o pecado uma injustiça torna-se necessário que se faça a justiça contra ele. O pecado como natureza ou princípio é para morte, porque causou a separação entre a criatura e o Criador. A palavra morte utilizada no texto original desta passagem é 'thanathos', o que indica uma separação espiritual e não apenas a morte física. Entretanto, os atos pecaminosos não para a morte, porque são eles consequências naturais da natureza pecaminosa dominante no homem depois da queda. Esta situação de injustiça requer um justificador que não seja contaminado pelo pecado, pois do contrário a injustiça teria o poder de justificar o injusto.
II Co. 5: 14 e 15 - "Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." Esta é, portanto, a contabilidade de Deus: um morre por todos, logo, todos morrem nele. Ao morrer pelos todos eleitos e predestinados, eles já não estão mais mortos para Deus. Agora têm vida abundante, a saber, vida eterna. Este todos do texto não se refere a todos os homens, pois se assim fosse, todos os homens seriam salvos. De fato Jesus morreu pelos eleitos para que estes recebam a Sua vida, e assim, sejam apresentados justificados perante o Pai conforme Rm. 5:1 e 2 - "Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus."
A justificação do pecador em Cristo o torna habilitado diante do Pai conforme Cl. 1:22 - "gora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..." Tolo é o homem que imagina que Jesus Cristo foi sozinho para a cruz, fazendo disto um espetáculo triste e sombrio. Na verdade a cruz é a maior glória dos eleitos, pois nela estes foram incluídos na morte de Cristo, para que Ele, matasse a morte dos pecadores e os regenerasse para a vida eterna conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Obviamente que tudo isto se apropria e se recebe pela fé, pois do lado dos eleitos é um ato de fé, enquanto do lado de Cristo foi um ato de fé que se concretizou materialmente e historicamente.
Este é o projeto de Deus oculto nos séculos: Cristo morrendo a morte dos eleitos, para, na ressurreição, dar-hes a Sua vida. Este é, portanto, o processo da justificação do pecador, o qual aniquila o seu pecado, e dá tratamento permanente aos seus atos pecaminosos até ser dia perfeito e atingir a estatura de varão perfeito à semelhança de Cristo.
Soli Deo Gloria!

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XIV

Rm. 5: 8 a 13 - "Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação. Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta."
Muito se tem debruçado sobre a questão do pecado original, a saber, o pecado de origem. Muitos foram os cismas, heresias e divisões no seio do cristianismo nominal por causa da doutrina do pecado. Tais desacertos ocorrem, porque todos eles partem da perspectiva do homem portador do pecado. Logicamente, a visão de um pecador está comprometida com a própria natureza do pecado. Para Augustinho de Hipona, o pecado original é a culpa herdada de Adão por causa da queda. Para ele, o pecado original é uma questão congênita e hereditária. O texto de abertura deste artigo indica esta realidade, pois se o primeiro homem pecou, consequentemente, todos os seus descendentes herdaram esta falha. A evidência de que o pecado foi transmitido é a realidade da morte em todos os homens. Evidentemente que a morte a que alude os textos bíblicos não é apenas a morte física, mas também a morte espiritual, ou seja, a separação entre o homem decaído e Deus.
No Pelagianismo, porque originado nos ensinos de Pelágio (360 - 435), o homem nasce sem pecado e puro, porém por imitação adquire o pecado e todos os atos dele decorrentes. Isto põe a salvação absolutamente na dependência do homem e não na de Deus. Tal posição direta ou indiretamente desqualifica a morte substitutiva e inclusiva de Cristo na cruz. Vê-se, portanto, que é um princípio gnóstico e que transfere para o homem a falsa noção do livre arbítrio. Neste caso, o homem seria o autor da sua própria salvação, o que retira de Cristo a posição de Salvador enviando por Deus para retirar o pecado do mundo conforme Jo. 1: 29 - "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo."
No judaísmo e no islamismo prevalece a visão pelagiana do pecado, embora no islamismo acredita-se que, ao nascer, o homem é tocado pelo Diabo. Nada mais natural que se conceba desta forma, porque postulam sem considerar as Escrituras como Palavra de Deus. As religiões tomam, em geral, a Bíblia apenas como um manual do qual derivam seus sistemas, preceitos, regras e normas. Também na psicanálise, admite-se que, o que a religião chama de pecado, foi apenas o ato sexual entre Adão e Eva. Entretanto, esta posição não encontra respaldo nas Escrituras, pois, ao contrário, nelas se vê Deus ordenando ao primeiro casal a procriação.
Na Antropologia a questão é colocado como sendo a transição da fase animal, quando o homem vivia no estado de natureza para a fase hominal, quando então, adquiriu consciência de sua morte e finitude. O pecado seria, então, apenas a ruptura entre o estado de comunhão do homem com a natureza e o estado de cultura e auto-consciência de si mesmo e do seu destino.
Antes de Moisés instituir a lei moral, o pecado já estava na natureza humana, porém por ausência de sinalização do que era ou não pecado, não havia a culpa. Porém, vindo a lei moral, o pecador já não é mais inocente sobre o pecado. A lei tornou-se como uma espécie de professor do homem, mostrando-lhe o que de fato é o pecado e quais as prescrições para não cometê-lo. Entretanto, nenhum homem é capaz de cumprir toda a lei, porque a natureza pecaminosa não o inclina para isto. Ao estabelecer a lei, Deus quis exatamente encerrar a todos debaixo da desobediência para usar de misericórdia e graça conforme Rm. 11:32 - "Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos." Por esta razão aos anjos não foi permitido pregar o evangelho da graça, porque eles não experimentaram o pecado conforme I Pd. 1:12 - "Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos bem desejam atentar."
No século XX surgiu uma nova doutrina sob a responsabilidade de William Marrion Branham denominada de "a semente da serpente". Segundo ele, a primeira mulher teria mantido relações sexuais com a serpente, encarnação de Satanás, e, por isso, Caim e seus descendentes teriam nascido contaminados pelo DNA diabólico, gerando o pecado. Todavia, é uma questão de revelação particular e não das Escrituras.
Sola Gratia!

domingo, 24 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XIII

Lc. 15:1 a 10 - "Ora, chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: este recebe pecadores, e come com eles. Então ele lhes propôs esta parábola: qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre? E achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo; e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido. Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma dracma, não acende a candeia, e não varre a casa, buscando com diligência até encontrá-la? E achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido. Assim, digo-vos, há alegria na presença dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende."
A visão do homem sobre o certo e o errado adquirida errôneamente no Éden cria a falsa dicotomia acerca da relação entre a criatura e o Criador e vice-versa. O religioso imagina em seu ideário de doutrinas, regras, normas e preceitos que o pecador não tem a menor chance de tornar-se aceitável a Deus. Os escribas e fariseus são o protótipo dos demais homens que se acham mais justos e merecedores da exclusiva atenção de Deus. Eles imaginavam, com base em seus sistemas de justiça própria, que tinham o monopólio da verdade e que somente eles deveriam ser aceitos e bajulados por Jesus. Assim, em seus raciocínios, se Jesus não lhes dava a devida reverência, não poderia ser autêntico e enviado de Deus. Neste sentido os tais religiosos se colocavam como uma espécie de farol de Alexandria em termos de espiritualidade. Entretanto, e, contrariamente, Cristo não só permitia, como também se permitia aproximar de publicanos e pecadores. Ora, já vimos em outra instância que todos os homens são por natureza, antes do que por atos, pecadores. Logo, publicanos, escribas, fariseus, saduceus, e outros eram todos portadores da natureza pecaminosa, tanto quanto todos os homens existentes em todos os tempos. A questão está na matriz e não nos terminais! Os terminais reproduzem o que a matriz determina, nunca o contrário.
Deus é o dono das cem ovelhas, entretanto, Ele larga noventa e nove delas que se acham na suposição de segurança, para buscar apenas uma que se desviou e se perdeu. É a ovelha perdida que necessita ser procurada e não as que se acham em sua normalidade. Veja que a ovelha perdida foi achada e não descoberta, pois só se acha o que se havia extraviado! Então, tal ovelha sempre pertenceu ao pastor, apenas estava fora do redil. O fato de a ovelha ter se perdido não lhe retira a possibilidade do retorno ao abrigo do proprietário. Por comparação, os noventa e nove que se põe na perspectiva de justos aos seus próprios olhos, não necessitam da justificação de Cristo. Por isso, há maior júbilo no céu pelo arrependimento produzido pela ação graciosa de Deus sobre um pecador, do que pelos noventa e nove pecadores que se apoiam em seus atos de justiça e de méritos prórios.
Jo. 8: 23 e 24 - "Disse-lhes ele: vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Por isso vos disse que morreríeis em vossos pecados; porque, se não credes que, eu sou, morrereis em vossos pecados." A primeira questão a ser considerada na relação entre criatura e Criador é que aquela é de baixo e este é de cima. Para que a criatura tenha acesso ao Criador precisa, primeiramente, crer que Ele é. Entretanto, até mesmo para ter fé depende d'Ele, pois tanto, a graça, como a fé, vêm de Deus, sendo portanto, dom e não virtude do homem. Não havendo a ação monérgica do Pai que leva o pecador até a cruz, a criatura pecadora morre em seu pecado. Aqueles religiosos, e tantos outros do nosso tempo, correm este risco, porque amam mais a doutrina do que Aquele que ensina a doutrina; amam mais a religião que a verdade que é Cristo; amam mais preceitos e rituais que o Senhor que pode justificá-los.
Sola Fidei!

terça-feira, 19 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XII

Mt. 9: 1 a 13 - "E entrando Jesus num barco, passou para o outro lado, e chegou à sua própria cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Jesus, pois, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Tem ânimo, filho; perdoados são os teus pecados. E alguns dos escribas disseram consigo: este homem blasfema. Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: por que pensais o mal em vossos corações? Pois qual é mais fácil? dizer: perdoados são os teus pecados, ou dizer: levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados, disse então ao paralítico: levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. E este, levantando-se, foi para sua casa. E as multidões, vendo isso, temeram, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens. Partindo Jesus dali, viu sentado na coletoria um homem chamado Mateus, e disse-lhe: segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. Ora, estando ele à mesa em casa, eis que chegaram muitos publicanos e pecadores, e se reclinaram à mesa juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isso, perguntavam aos discípulos: por que come o vosso Mestre com publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores."
Há um comportamento recorrente entre os religiosos das diferentes crenças ditas cristãs: tomam o bom comportamento moral como base da espiritualidade. Tanto lá isto é verdade, que, quando algum "irmão" cai em desgraça, comentendo erros morais, a maioria dos demais "irmãos" vira-lhe as costas. Isto quando não o recrimina, exclui e expulsa do convívio da "igreja". A mentalidade religiosa não mudou muito nos últimos 2.000 anos, pois os escribas, saduceus e fariseus do tempo de Jesus agiam da mesma forma.
Vê-se no texto que dá início a este artigo um típico caso de confronto entre religiosos e a verdade, posto que ela é uma pessoa conforme Jo. 14:6. Jesus é apanhado concedendo perdão de pecados a um paralítico. A fé dos que o levaram até Jesus em muito contribuiu para tal perdão. Eles, como também, o paralítico creram que Jesus tinha autoridade para curá-lo, não apenas fisicamente, porque o tormento físico direta, ou indiretamente é o resultado da ação pecaminosa no homem decaído. Isto fica evidente pelo fato de Jesus ter realizado a cura pela concessão do perdão aos pecados daquele paralítico. A questão
é intercambiada, pois respondendo às críticas dos religiosos, o Senhor Jesus mostrou que não faria diferença dizer:
"perdoados
são os teus pecados" ou "levanta-te toma o teu leito e anda." Com o perdão dos pecados o paralítico foi curado! Assim, o texto coloca em epígrafe, o pecado, os pecados e o pecador diante do Senhor de todas as coisas.
O texto retrata duas situações convergentes para a mesma verdade: a soberana vontade de Deus sobre o homem pecador. A ação da verdade é sempre monérgica, pois a iniciativa parte sempre e invariavelmente de Deus. Tanto no caso do paralítico, como no caso do publicano Mateus, quem agiu foi Cristo. Ambos não possuíam qualquer mérito que lhes conferisse direitos a uma cura, ou mesmo ao chamado para compor o colegiado de discípulos pelos quais o evangelho seria pregado ao mundo.
Jesus foi censurado pelos escribas, que eram copistas da lei, porque tomava refeições com publicanos e pecadores. A atitude dos religiosos é, no mínimo cínica, visto que o texto sagrado afirma em I Rs. 8:46 - "Quando pecarem contra ti, pois não há homem que não peque..." Diante da reprimenda dos legalistas hipócritas, Jesus demonstra em palavras e em atitudes que é o pecador e desgraçado que necessita da graça. Jesus indica que veio buscar os pecadores por meio da misericórdia, que, segundo Phillip Yancey é "Deus não dando aos pecadores o que eles de fato merecem, qual seja, o inferno." Jesus sinaliza aos religiosos legalistas que eles não recebiam a misericórdia, porque já possuíam suas próprias justiças. Eles fundamentavam a sua espiritualidade em si mesmos, a saber, nos seus próprios sacrifícios. Dispensavam a graça e a misericórdia de Deus para buscar sua própria salvação com base em preceitos, regras e normas religiosos.
Sola Gratia!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XI

Sl. 51:2 a 7 - "Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares. Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concedeu minha mãe. Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma. Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve."
O Novo Testamento afirma em I Jo. 5:17 que a injustiça ou a iniquidade é pecado. Por iniquidade se pode entender como um estado de falta de equidade ou ausência de equilíbrio. Isto implica em que o homem decaído vive de instabilidades em diferentes esferas da sua existência. Tudo é motivo de falta de equilíbrio, porque produz, ora excessos, ora escassez. Isto afeta, não apenas a própria pessoa, mas todas as pessoas, especialmente as que convivem mais próximas. Um pregador da mensagem da cruz afirmou certa vez que "se olharmos para nós mesmo nos deprimimos, se olharmos para os outros nos decepcionamos." Em grande parte e na maioria das vezes acontece isso mesmo. Ha casos em que a pessoa sente prazer em olhar apenas para si mesma, indicando isto também desequilíbrio, visto que ninguém pode viver só para si, ou de si para consigo. Outros, entretanto, projetam toda a sua felicidade em outra pessoa, quando esta pessoa falha, desmorona a vida do emocionalmente dependente. Logo, o que se vê, tanto em um caso, como no outro, é uma permanente falta de equidade.
O salmista Davi, no auge do seu desespero pela consciência do pecado implora a Deus que o lave das iniquidades e que o purifique do seu pecado. Esta condição de súplica é resultante, não de um coração bom e reto, mas da ação misericordiosa e graciosa do próprio Deus, agindo sobre os seus eleitos a fim de conduzi-los ao arrependimento e à fé que produz salvação. Nenhum homem pede isso, se não for movido pelo Espírito de Deus. Davi não pede para ser purificado primeiramente dos seus pecados, mas do seu pecado. Isto indica que é da incredulidade, a qual separa o homem decaído de Deus, sendo isto chamado de morte espiritual. Logo, um morto não pode pedir, e muito menos desejar absolutamente nada, salvo se ele for vivificado. É Deus quem vivifica o morto espiritualmente a fim de conduzi-lo ao arrependimento mediante a fé.
Outra questão relativamente ao pecador é que ele tem plena consciência do que de fato é. Conhece as suas transgressões, ou seja, a ruptura dos limites do que é posto como norma, preceito e regra. Por esta razão a consciência do pecado está permanentemente diante dele. E o pecador sabe que, antes de pecar contra si mesmo e contra os outros homens, peca é contra Deus. Logo, o mau procedimento em relação aos outros e às coisas, resulta do pecado contra Deus. Assim, tem-se que o pecado é a matriz dos atos pecaminosos. É esta matriz pecaminosa transmitida a todos os homens por meio do primeiro Adão, que Jesus, o último Adão veio aniquilar na cruz conforme I Co. 15:45 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante." Sendo o primeiro Adão alma vivente, implica que o mesmo tinha apenas vida almática, porém o último Adão, Cristo, espírito vivificante. A diferença é que o primeiro era conduzido pela alma impregnada de iniquidade, transgressões por causa do pecado, enquanto o segundo, transmitiu vida eterna ao espírito do homem regenerado. Jesus é o último Adão, porque, na cruz, ele aniquila o pecado que condenava o primeiro Adão e seus descendentes diante de Deus. Ao morrer na cruz, Jesus, destruiu a raça adâmica e gerou uma nova criação em si mesmo conforme II Co. 5:17. A evidência desta verdade está na sua ressurreição como triunfo sobre a morte e o inferno. Nem a morte, nem o inferno puderam deter a vida de Cristo. Por isso, Cl. 3:4 diz: "Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória."
Sola Gratia!

domingo, 10 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR X

Jr. 13:23 - "...pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? então podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal."
O contexto do capítulo 23 do livro do profeta Jeremias trata das muitas faltas e erros do povo de Judá. Deus está dizendo qual será o procedimento disciplinar contra eles. Há muitos religiosos que imaginam que, pelo fato de Israel ter sido eleito para trazer ao mundo o Messias, Jesus Cristo, isto lhe traz alguma diferenciação espiritual. Não traz, pois todos os homens estão debaixo do pecado conforme Rm. 11:32 - "
Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos
." Tanto judeu, quanto não-judeu possuem a mesma natureza pecaminosa. A única vantagem dos israelitas é que receberam a revelação do evangelho primeiro. Porém, negaram Jesus como o Salvador, e isto foi providencial para que os não-judeus pudessem receber o evangelho da graça.
O texto de Jeremias mostra que há aspectos imutáveis na natureza das coisas, tais como a cor da pele de um etíope, e as rajas dos pelos de um leopardo. São caracteres genéticos neles colocados para que tenham características inconfundíveis. Por símile, Deus está mostrando que a natureza pecaminosa no homem decaído é a mesma coisa, ou seja, sempre e invariavelmente o conduzirá a fazer o que é mal. Neste sentido, o mal, não é apenas cometer atos bárbaros, brutais, crimes, erros morais, etc. É o mal como um princípio latente, isto é, algo arraigado na natureza humana. Pode se manifestar em momentos distintos, em intensidades diferenciadas e de modo diverso. O fato é que a inclinação do coração do homem é para o que é mal, por princípio e não por escolhas. Muitos religiosos cultuam o falso ensino do livre arbítrio, imaginando que o poder de fazer ou deixar de fazer certas coisas está com eles. Na verdade, o fato de alguém não cometer determinados delitos, não quer dizer que por princípio eles foram cometidos. A partir do momento em que a pessoa concebe a ideia e tem o desejo, já cometeu o erro em seu coração.
Rm. 7: 24 e 25 - "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado." Verifica-se que mesmo os regenerados, como o apóstolo Paulo, tinha consciência desta realidade. O seu espírito foi reconciliado com Deus por meio de Jesus Cristo, mas na sua carnalidade ainda havia atos pecaminosos. A diferença é que no nascido de Deus estas coisas causam tristeza, nos decaídos e iníquos causam prazer e satisfação.
A salvação é plena: corpo, alma e espírito. O espírito é reconciliado com Deus por meio do nascimento do alto; a alma vai sendo tratada ao longo da vida cristã normal até ser purificada; e o corpo será devolvido ao pó de onde foi formado. Na restauração final o homem retornará com seu espírito revestido da glória de Deus, sua alma limpa e o corpo glorificado e imortalizado. Assim, o pecador eleito e regenerado foi liberto da culpa do pecado; está sendo liberto da influência do pecado; e será liberto da presença do pecado.
Muitos religiosos cuja mente é conduzida apenas por regras, preceitos, normas, rituais, doutrinas e fé institucionalizada, dizem que este ensino é herético, porque prega a impecabilidade. Muito pelo contrário, o verdadeiro ensino das Escrituras mostra que Jesus veio destruir a natureza pecaminosa na cruz, esmagando a cabeça da serpente conforme previsto em Gn. 3:15; que comunicou vida eterna na ressurreição; e que está construindo um edifício do qual Ele mesmo é a pedra angular e a cabeça. Porém, o evangelho da verdade não minimiza a realidade do pecado, dos atos pecaminosos e da ação monérgica de Deus em relação ao pecador. Os que advogam que o regenerado nasce de novo e continua com a natureza pecaminosa é que estão pregando pecabilidade permanente, o que desqualifica total e absolutamente a justificação em Cristo por meio da inclusão do pecador na Sua morte de cruz. É como se a morte de Cristo não fosse nem eficiente, e muito menos, eficaz para reconciliar o eleito e regenerado a Deus. Há muitos religiosos que pregam a libertação do pecado, mas vive com medo dele.
Hb. 9:26 - "...mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Uma única vez é eficiente e suficiente para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo na cruz. A palavra pecado no texto de Hebreus é acerca do pecado da incredulidade e não dos atos pecaminosos. Entretanto, mesmo considerando que o homem continua a cometer pecados, ou atos pecaminosos, as Escrituras afirmam claramente em Rm. 5:20 - "...onde o pecado abundou, superabundou a graça." E é óbvio que é assim mesmo, pois como a graça poderia anular o pecado, se ela não for superior a ele?
Sola Fidei!

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR IX

Jo. 8: 43 a 46 - "Por que não compreendeis a minha linguagem? é porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira. Mas porque eu digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado? Se digo a verdade, por que não me credes? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus."
O texto que abre este artigo é parte contextual de um intenso debate entre os judeus, especialmente líderes religiosos e Jesus Cristo. Eles o instigavam tentando desqualificá-lo como Messias e Salvador. Eles não podiam compreendê-Lo, e portanto, não podiam crer em sua pregação, porque estavam com os olhos cobertos por escamas e os ouvidos fechados por cera. Eles tinha religião demais e fé de menos. Assim acontece até o dia de hoje: por não poder crer, as pessoas preferem satanizar o que não lhes agrada ou satisfaz.
O pecador não compreende a linguagem da verdade, porque não possui fé. Visto que fé é dom de Deus e que é por ela que a graça é revelada e o pecador é vivificado. Portanto, enquanto Deus não age no coração do homem ele não pode crer naturalmente. Pode até ter religião, ser um bom cidadão, ser uma pessoa correta em termos morais, mas no tocante à salvação ainda é incrédulo.
Jesus foi direto e claro ao afirmar que aqueles religiosos tinham por pai o Diabo e que os seus corações estavam inclinados a satisfazê-lo, pois ele sempre foi homicida e incrédulo desde o princípio. Por esta afirmação, sem a necessidade de qualquer interpretação, conclui-se que Lúcifer já possuía a incredulidade em seu coração desde o princípio. Veja, não é que o Diabo teve a verdade e depois a perdeu. O texto diz que ele nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Obviamente que é assim mesmo, visto que a verdade não é um conceito, mas antes, é uma pessoa conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Este tem sido um dos maiores erros dos religiosos cegos: procurar a verdade em ritos, preceitos, regras e normas humanas. A verdade é uma pessoa e não um ritual ou uma doutrina.
Assim, quando em um homem prevalece o princípio da mentira ele é filho do Diabo e não de Deus. O único filho de Deus é Jesus, o Cristo. Os eleitos e regenerados foram feitos filhos de Deus por adoção conforme Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Então, a todos quantos o receberam foi-lhes dado o título de filhos de Deus. Não foi dispensado a quem afirma que aceitou Jesus, porque nenhum pecador pode aceitá-Lo, antes, é Ele quem aceita o pecador. O nascimento regenerador é produto da vontade de Deus e não das ações humanas. Este é outro erro grosseiro que as igrejas incutem na mente dos seus seguidores, entretanto, as Escrituras ensinam exatamente o oposto. O homem não se faz filho de Deus, ao contrário, eles são feitos filhos de Deus pela graça mediante a fé, e tudo isto, é dom de d'Ele. Nada tem a ver com méritos e justiça própria, pois não há nenhum justo entre os homens decaídos.
Jesus termina mostrando que os pecadores jamais poderiam convencê-Lo do pecado, mas contrariamente, eles não podiam crer no que Ele estava pregando, exatamente por causa das suas naturezas pecaminosas. A palavra pecado no texto é uma referência ao pecado como incredulidade. Verdade e pecado são naturezas opostas em essência, logo, para que Cristo seja o Senhor, é necessário que o pecador seja reduzido a nada. Este processo se dá pela inclusão do pecador na morte de Cristo na cruz conforme Gl. 2: 19 e 20 - "Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
Finalmente, e sem medo de errar, fica evidente que o pecado separa o homem de Deus, tornando-o filho do Diabo. Também é claro que os que foram eleitos ouvem a verdade, a saber, ouvem Jesus Cristo. Quem é d'Ele ouve, quem não é não ouve. Simples assim!
Os religiosos, que são cegos de nascença, sempre reagem a este ensino, dizendo que é falta de amor afirmar estas coisas. Entretanto, falta de amor é pregar a mentira que conduzirá o pecador ao inferno!
Sola Gratia!

terça-feira, 5 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR VIII

Sl. 58: 1 a 5 - "Falais deveras o que é reto, vós os poderosos? Julgais retamente, ó filhos dos homens? Não, antes no coração forjais iniqüidade; sobre a terra fazeis pesar a violência das vossas mãos. Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras. Têm veneno semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os seus ouvidos, de sorte que não ouve a voz dos encantadores, nem mesmo do encantador perito em encantamento."
O salmista inicia a sua prédica indagando aos poderosos e aos filhos dos homens sobre a retidão do que falam, e do julgamento que fazem. Só nestes dois quesitos verificam-se falhas, portanto, homem algum passaria desta fase em matéria de pecado e pecados. Na sequência, o salmista responde às suas próprias indagações com uma negativa e dá o motivo de não falarem o que é direito e julgar segundo o reto juízo. A questão toda se circunscreve à presença da iniquidade nos corações. Sabe-se, que, coração no texto bíblico, não se refere ao órgão que bombeia o sangue pelas veias, mas à sede da alma e do espírito do homem. Portanto, a questão do pecado está enraizada no coração, a saber, no homem interior. Ele corrompeu o espírito, separando-o da comunhão com Deus, e contaminou a alma humana, deixando-a impregnada de manchas de tudo o que decorre da natureza pecaminosa. São sinais desta contaminação: inveja, ciúmes, lascívia, contendas, disputas, maledicência, etc. Daí, a distinção entre o pecado como um princípio natural, e os pecados como atos decorrentes dele. Uma das principais evidências da iniquidade, a qual é pecado, é a violência das mãos dos poderosos sobre a Terra e dos juízos executados por qualquer filho do homem.
O verbo alienar possui diversas funções gramaticais, entretanto, nenhuma delas é relativa ao que é bom, justo e perfeito. Sempre trás uma conotação ruim. Assim, quando o orador do texto sacro afirmar: "alienam-se os ímpios desde a madre", não é uma afirmação insignificante ou meramente retórica como muitos preferem às suas próprias expensas. Os religiosos, por não receberem a graça da revelação dos textos sagrados, preferem reputá-los como mera retórica, como poesia, como estilo semita. Enquanto verbo transitivo e pronominal, alienar significa tornar-se louco, ou alucinar-se. Então, a iniquidade, a saber, a falta de equilíbiro do homem, o torna um insensato desde a útero materno. Depois que nasce a situação só piora, porque inicia-se uma longa jornada de mentiras, ou seja, afirmar o que não é a verdade. Estes desequilibrados ou iníquos por natureza possuem veneno da serpente lá do Éden, pois ela que inoculou o veneno do pecado no homem, incutindo nele o desejo de fazer o que não era reto. O desejo o levou à incredulidade, e esta, é que é o pecado conforme Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Da mesma natureza é o texto paulino em Rm. 14:23 - "... e tudo o que não provém da fé é pecado." Sabendo-se que a fé é dom de Deus, como rezam as Escrituras, deduz-se que todos os homens estão debaixo do pecado em primeira instância. Tal situação só se altera quando o pecador recebe graça para crer e ser regenerado. Neste ponto ele é liberto da culpa do pecado, depois vem o processo de produzir a semelhança de Cristo nele, estando sendo liberto da influência do pecado, e finalmente, quando da restauração final, ele será liberto da presença do pecado eternamente.
O pecado cria uma situação de absoluta alienação do pecador em relação a Deus, de sorte que tal veneno o torna surdo. Mesmo o encantador perito, figura de Cristo, não consegue abrir-lhe os ouvidos para ouvir a verdade. Neste ponto aparecem os desvios do evangelho dizendo que o homem possui livre arbítrio, e, portanto, pode escolher entre "aceitar" ou "não-aceitar" o dom de Deus. Primeiro, a cobra surda sequer ouve para decidir se "aceita" ou "não-aceita"; segundo, quem leva o pecador a Jesus é Deus conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Veja, o texto não diz que ninguém quer, ou deixa de querer ir a Jesus. Afirma, outrossim, que ninguém pode ir a Ele, salvo se o Pai o levar. A ação da salvação do pecador é absolutamente monérgica, nunca, jamais em ocasião alguma é sinérgica.
Sola Scriputra"

sábado, 2 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS E O PECADOR VII

Rm. 14: 22 e 23 - "A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado."
Já se sabe que o pecado é o que o homem é em sua natureza decaída e corrompida, os pecados são os atos e atitudes decorrentes de uma natureza contaminada pelo pecado, e o pecador é qualquer homem existente no mundo, porque o pecado foi transmitido a todos sem exceção conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
Mais uma vez fica claro que o pecado é a incredulidade, pois "... tudo o que não provém da fé é pecado." A ausência de fé é a incredulidade, e esta, foi a ruína de Adão, quando deu crédito a uma outra palavra, que não a palavra de Deus. A palavra de Satanás era, sem dúvidas, a mais atraente, porque oferecia a possibilidade de o homem se assemelhar aos seres divinos, conhecendo o bem e o mal. A palavra de Deus era mais dura, mais seca e taxativa, pois apresentava a morte como consequência da descrença. O homem sempre lida com possibilidades, enquanto Deus executa a Sua vontade soberana.
As pessoas estão tão habituadas a ouvir o engano religioso e da cultura popular que, quando se põem as coisas como elas de fato são nas Escrituras, estas se lhes parecem absurdas. Em Jo. 16:9 diz claramente que o pecado é a incredulidade, mas as pessoas, em geral, continuam acreditando que o pecado é o conjunto de coisas ruins que alguém pratica. Entretanto, o pecado é o que o homem é em sua natureza decaída. Quanto aos erros e coisas ruins que alguém pratica, são os atos pecaminosos decorrentes da natureza pecaminosa. É como a parábola da árvore e dos seus frutos contada por Jesus: se a árvore é boa, os frutos são bons, mas se é má, os seus frutos são maus. Ora, se o homem é pecador por princípio e por natureza, logo, todos os seus atos são por si mesmos pecaminosos. Isto inclui também os bons atos, porque os tais procedem da mesma fonte, portanto, eles podem até serem bons, mas apenas sociologicamente, não espiritualmente.
Gn. 4:7 - "
Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar
." Este é um dos mais difíceis textos das Escrituras, justamente porque se lido literalmente pode dar a entender que a solução do pecado está com o pecador e não em Deus. Mas, o fato é que Deus está pondo diante de Caim a Sua solução para o pecado e não dando a Caim uma opção de solução do pecado por si mesmo. Quando se diz: "... se procederes bem..." quer dizer que se os atos forem bons, o pecado está sob controle. Igualmente quando diz: "... se não procederes bem..." significa que procedendo mal, o seu pecado por meio dos atos pecaminosos, está no controle. Neste último caso é apresentado o pecado como jazendo à porta, ou seja, no coração de Caim. Na sequência, Deus apresenta a solução para o pecado de Caim: ou a sua natureza pecaminosa continuaria dominando, ou seria extirpada pela oferta do substituto que representava Cristo, e este, crucificado. O texto hebraico original mostra a figura do pecado como uma fera prestes a pular sobre Caim, mas também a figura de um cordeiro deitado diante dele, sobre o qual poderia se apegar e oferecer para dominar o pecado. Caim, que era do maligno, preferiu oferecer o fruto do seu próprio trabalho, ou seja, ofereceu-se a si mesmo contaminado pelo pecado. É como a figura do homem que caiu numa fossa céptica, e ao sair, tenta oferecer pão aos amigos, mas suas mãos estão sujas do produto da fossa. Entretanto, quando Deus se agradou da oferta de Abel, que oferecera o subitituto, Caim se enfureceu e matou o seu irmão. Logo, ficou evidente que o pecado o dominou e controlou o seu desejo. Caim era o que o seu pecado era, ou seja, o que a sua natureza era. Ele não agiu por fé, mas por esforço!
Sola Gratia!