domingo, 27 de março de 2011

O PECADO, OS PECADOS E O PECADOR V

Is. 64: 5 a 8 - "Tu sais ao encontro daquele que, com alegria, pratica a justiça, daqueles que se lembram de ti nos teus caminhos. Eis que te iraste, porque pecamos; há muito tempo temos estado em pecados; acaso seremos salvos? Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como o vento, nos arrebatam. E não há quem invoque o teu nome, que desperte, e te detenha; pois escondeste de nós o teu rosto e nos consumiste, por causa das nossas iniqüidades. Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós somos o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós obra das tuas mãos."
Além do pecado como um princípio e como parte da natureza humana degenerada, decaída e depravada, há os pecados como atos e atitudes decorrentes do pecado. No texto do profeta Isaías é mostrado isto, quando ele se refere aos pecados de cada um e também às iniquidades deles. Ele afirma que, mesmo todas as suas justiças são como panos imundos de menstruação, porque esta é a tradução original da expressão: "... e todas as nossas justiças como trapo de imundícia." Por questões de pudores, os tradutores optaram por uma tradução mais suave. Entretanto, não há nenhuma necessidade de alterar a Palavra de Deus por causa de pudores, pois mais horrendo é o pecado que reside no homem.
Há no novo testamento as seguintes palavras para indicar tipos ou naturezas de atos pecaminosos: a) Adiquias que significa: injustiça, iniquidade, ou ausência de equidade. Por esta razão é que o homem portador da natureza pecaminosa desenvolve os desequilíbrios que acabam por levá-lo a fazer o que é mal. Este ato pecaminos torna o homem não-regenerado cada vez mais injusto perante Deus, a ponto de o profeta afirmar que as iniquidades de todos estavam impedindo-os de adorá-Lo. Este sentido de pecado está registrado em diversas passagens neotestamentárias, mas cita-se à guisa de exemplo, At. 1: 16 a 18 - "Irmãos, convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus; pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. Ora, ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade; e precipitando-se, caiu prostrado e arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram." Então, a iniquidade de Judas o fez suicidar-se, por isto, ela é a falta de equidade ou equilíbrio. A sua iniquidade o fez vender Jesus aos líderes judeus, traindo-lhe com um beijo; b) Ponerós significa o mal, ou o que é malígno. É uma referência aos atos pecaminosos que levam o homem a praticar o que é mal ou o que é da natureza do malígno. Esta palavra ocorre 518 vezes na Bíblia, sem contar as suas cognatas. É citada por exemplo em Mt. 5: 11 - "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa." Neste contexto significa malediscência falar coisas maléficas contra alguém e contra a pregação do evangelho; c) Anomia que significa ausência de lei ou sem lei, normas e regras. É a pessoa que não aceita nem as leis dos homens e, muito menos, a de Deus. É o comportamento caracterizado pelo estabelecimento de uma lei própria e animalesca. A natureza humana decaída é assim, em geral, só não se manifesta desta forma, porque as pessoas temem ser apanhadas pela justiça e levadas à excecração pública. Como elas amam manter as aparências, o prestígio e a fama preferem cometer suas ilegalidades e delitos às escondidas, ou reprimir esta tendência pecaminosa, mas apenas por medo. Este tipo de ato pecaminoso é citado em Rm. 2: 12 e 13 - "Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão justificados os que praticam a lei." O verso 12 ensina que todo homem é julgado segundo a luz que está posta diante dele no momento histórico em que vive, e não por um conjunto de regras pré-estabelecidas e seguidas. Mas o verso 13 mostra que, os que conhecendo a lei, não a leva em conta serão julgados segundo o rigor desta mesma lei; d) Parabasis que significa transgressão, isto é, ir para além dos limites pré-estabelecidos. Isto implica em comportamento desregrado típico dos que não tem domínio próprio. É a pessoa que não controla palavras, apetite, desejos e cobiças. Implica em uma compulsão ao desafio de quebrar regras e normas naturais, legais ou morais. Este ato pecaminoso é citado em I Tm. 2: 14 - "E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão." Adão pecou, porque conhecia a palavra de Deus sobre a questão do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas a mulher transgrediu, porque não levou em conta a proibição, mas apenas os seus desejos de ser semelhante a Deus na capacidade de julgar entre o bem e o mal.
Sola Sola Scripura!

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