domingo, 2 de janeiro de 2011

O FALSEAMENTO DA VERDADE NA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


I Sm. 2: 6 a 9 - "O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer ao Seol e faz subir dali. O Senhor empobrece e enriquece; abate e também exalta. Levanta do pó o pobre, do monturo eleva o necessitado, para os fazer sentar entre os príncipes, para os fazer herdar um trono de glória; porque do Senhor são as colunas da terra, sobre elas pôs ele o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas, porque o homem não prevalecerá pela força."
De todas as falácias pseudo-teológicas, a cognominada "teologia da prosperidade" é a mais atraente, porque busca satisfazer os desejos 'do ter' inerente ao homem decaído. A natureza pecaminosa, após a queda, criou, desenvolveu e aperfeiçoou no homem uma imensa necessidade de ter coisas. A substituição da ausência de Deus pela presença do bem-estar artificializado e garantido pela posse de bens, engana a alma no sentido de reproduzir o paraíso perdido. A vida paradisíaca e sem a necessidade de ter, pois tudo lhe pertencia gratuitamente, deixou um imenso vazio na alma humana. Foi a substituição da graça pelo esforço! Entretanto, ao fim de tudo, não se tem nada, nem graça, nem riquezas.
O atual quadrante da história é caracterizado por muito humanismo e pouca humanidade; muita teologia e pouca verdade; muita religião e pouco evangelho. Neste cenário, os religiosos perdidos em suas postulações dogmáticas, constroem e reconstroem os fundamentos de uma teoria própria sobre Deus, a salvação, a vida, a morte, e a ética. Há superficialidade em quase tudo, exceto no tocante à exaltação de si mesmo como senhor do seu próprio destino. Desde a renascença que se insiste na tese de que o homem é a medida de todas as coisas. De modo sutil o cristianismo histórico e nominal foi se adequando às novas determinações, e, quando chamado à encruzilhada para tomar uma posição, prefere aderir aos modernismos. Reformula-se em suas bases doutrinárias, mas mantém os costumes antiquados. Entretanto, a adesão às novas propostas da ciência e da tecnologia levou a abrir mão do evangelho essencial. Isto é feito com a maior sinceridade e afirmando ser em nome da salvação do homem perdido. Nada mais mentiroso e falseado que estas teologias do conchavo e do politicamente correto.
A natimorta teologia da prosperidade é uma teoria humanista que vai de encontro aos mais altos valores da verdade divina, a saber, a soberania e a graça. No afã de se dar bem materialmente, o homem se afirma nesta linha de falseamento teológico, dizendo que os crentes podem e devem exigir progresso e prosperidade, porque, sendo Deus rico e dono de todas as coisas está obrigado a conceder bênçãos aos seus "filhos". Acrescentam ainda que, o progresso material é um sinal de vitória e de comunhão entre a criatura e o Criador. É como se, ao se tornar rico, automaticamente se torna mais próximo de Deus. Isto contraria totalmente o que Cristo afirma em Mt. 19: 23 e 24 - "Disse então Jesus aos seus discípulos: em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus." Há ricos no reino dos céus, obviamente que sim, porém são aqueles que a graça de Deus os fez amar mais a Deus que as riquezas.
O texto de abertura mostra com clareza meridiana que é Deus quem decide quem será pobre, e quem será rico, como também quando estas situações são invertidas. É Ele quem concede e quem retira a vida; quem exalta e quem humilha; quem levanta do pó da terra e quem derruba das alturas; quem guarda os pés dos seus eleitos e santificados e quem deixa o ímpio emudecido nas trevas do pecado. E, finalmente, fica evidente que a vontade do homem não prevalece sobre a vontade do Todo-Poderoso.
Ora, primeiramente é necessário acabar com essas posições generalizadas e sem nenhuma base escriturísticas, tais como afirmar que todos são filhos de Deus. O único filho d'Ele é Jesus, o Cristo conforme At. 13:33 - "... a qual Deus nos tem cumprido, a nós, filhos dele, levantando a Jesus, como também está escrito no salmo segundo: tu és meu Filho, hoje te gerei." Paulo está recordando que os regenerados são filhos, porque foram gerados de novo em Cristo que é o Filho Unigênito de Deus. Logo, não é qualquer um que pode reivindicar qualquer vantagem, porque se julga filho de Deus. Na verdade, nem mesmo os filhos podem exigir nada d'Ele, mas tão somente serem gratos por tudo o que foi realizado na cruz. Os eleitos e regenerados são feitos filhos de Deus conforme o registro de Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus."
Vê-se que a filiação é, primeiramente, pela fé no nome do Filho de Deus, e, secundariamente é recebida e não conquistada pela justiça própria, por merecimentos ou pelo esforço próprio. Aos que recebem pela fé o dom de Deus são feitos ou se tornam filhos d'Ele. Não resultando este processo da ascendência étnica, nem da vontade da alma, nem do ato sexual reprodutivo, mas apenas da vontade de Deus.
Logo, ninguém tem o direito e refundar qualquer teologia para exigir absolutamente nada de Deus.
A Ele, pois, honra, glória, força e poder para sempre!