quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A TEMPO E FORA DE TEMPO


II Tm. 4: 2 a 5 - "... prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério."

O tempo é uma variável que decorre de movimento, portanto, o homem não pode controlá-lo. Há basicamente três categorias de tempo: o tempo cronológico, o tempo como um momento exato de um evento, e o tempo psicológico. Como substantivo masculino é a duração relativa das coisas que cria no homem a noção de passado, presente e futuro, sendo, portanto, um período contínuo no qual os fatos se sucedem. O homem está relativizado ao tempo nesta dimensão da sua existência, e disto, não tem controle, ou como escapar. Esta é uma das razões porque o conceito de "livre arbítrio" não encontra fundamentação. Deus, contrariamente, não está relativizado ao tempo, tendo perfeito controle sobre ele.
O apóstolo Paulo está instruindo o seu discípulo na fé, Timóteo, acerca dos princípios e práticas do ministério. É dito a Timóteo, primeiramente, que ele pregue a palavra, sendo esta a tarefa precípua de um evangelista. Há muitos pregadores que estão substituindo o anúncio do evangelho pelos manuais de atuo-ajuda, por programação neurolinguística, por sessões de regressão hipnótica, por sessões de espiritismo, por superstições e misticismos, por ocultismo, por engodo de prosperidade, curas, sinais, e maravilhas. Estas coisas não servem para conduzir o homem à Cristo. No máximo, levam incrédulos para dentro das igrejas, e neste caso, elas se tornam cada vez mais agências do inferno. A cada dia as igrejas institucionais mais se assemelham a empresas, agremiações, sociedades limitadas, bancos, supermercados, e escolas de fazer desajustados. Isto porque, o indivíduo, que, ouvindo as Escrituras, e, não podendo crer que nasceu de Deus, entra em profundo conflito de consciência. Não é atoa que pesquisas indicaram que 80% dos que buscam ajuda psiquiátrica são crentes. Viver em contradição é muito perigoso!
Por todas estas razões é que o evangelista deve pregar apenas a Palavra de Deus, e não a sua palavra, a sua tese, o seu ponto de vista sobre Deus, Cristo, a vida e a eternidade. Doutrinas não salvam, mas quando oriundas da Palavra, são para os que já são salvos. Há, na verdade, uma inversão do processo pelos religiosos: doutrinam incrédulos, e evangelizam os crentes. Os pregadores estão mais preocupados em trazer conforto material aos seus ouvintes; porém, o que lhes causa desconforto é exatamente a incredulidade, a saber o pecado. Primeiro é necessário pregar-lhes a palavra da verdade, para que creiam e tenham as escamas dos olhos retiradas e sejam convertidos. Depois deve-se intar a tempo e fora de tempo para o seu progresso espiritual.
Na sequência, o apóstolo Paulo ordena a Timóteo que "insta a tempo e fora de tempo". Instar é um verbo que possui regência múltipla, portanto, pode ser: pedir com instância, com insistência; solicitar reiteradamente; insistir. Estas significações não se referem à pregação do evangelho, mas ao ensino doutrinário aos que já creem. É necessário o amadurecimento no conhecimento de Deus após o novo nascimento. É imperioso que haja muita insistência, porque o ranço das práticas e dos hábitos pecaminosos são fortemente arraigados na natureza humana. É nestas circunstâncias que penetram na Igreja os lobos, os mercenários os falsos profetas cujas práticas confundem e desviam do caminho de Cristo a muitos. É necessário admoestar, repreeder, e exortar, porém com longanimidade e ensino. A ausência destes processos não permite aos evangelizados amadurecer e ganhar a revelação da vida de Cristo. O resultado desta falha é trágico para as Igrejas, pois se tornam verdadeiras sucursais do gnosticismo, do ateismo, do misticismo e da incredulidade.
Por estas falhas no ministério é que já estamos no tempo em que os próprios crentes não suportam a sã doutrina, e acabam por tê-la por herética, e tomam a mentira por verdade, e a verdade por mentira. Desejam ouvir apenas o que lhes agrada e, para tanto, procuram contratar pregadores que lhes sejam aceitáveis, que possuam títulos, fama, sucesso material e inteligência emocional. O resultado disto tudo é o desvio da verdade, a saber, de Cristo. Voltam às fábulas, ou seja, às lendas e experiências sobrenaturais como forma de sublimar suas mentes cauterizadas pelo príncipe deste mundo, o qual cega-lhes o entendimento. Neste sentido se tornam mais incrédulos do que os incrédulos que não estão em suas igrejas. Inventam doutrinas e teologias para encobrir a ausência de Cristo, tornando-se cada vez mais cínicos espiritualmente.
Então, a primeira sentença é: "prega a palavra", porque é desta atitude que se manifestam os eleitos de Deus. Uma vez tocados pela graça por meio da fé, deve-se instar em todas as ocasiões para que cresçam no conhecimento de Cristo, e manifestem a Sua vida, levando o Seu morrer diário. A cruz não é apenas um símbolo é um caminho a ser trilhado ao longo do deserto da vida até que seja dia perfeito e o eleito de Deus seja, não só à imagem, mas também à semelhança do Filho de Deus.
Maranata!

2 comentários:

Anônimo disse...

Obrigado por estes textos Santos..
fique na Graça meu amigo

Benhur

Anônimo disse...

Meu estimado, quem me dera eu tivesse mais luz para tratar das coisas concernentes ao Grande Rei e ser mais útil a causa maior, a saber, o estabelecimento do Reino d'Ele com maior rapidez. Entretanto, as minhas limitações, e o tempo certo de Deus me deixam apenas estas poucas palavras, as quais, escrevo na grandiosa esperança do retorno do Grande Rei.
Abraço em Aba