quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A TEMPO E FORA DE TEMPO


II Tm. 4: 2 a 5 - "... prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério."

O tempo é uma variável que decorre de movimento, portanto, o homem não pode controlá-lo. Há basicamente três categorias de tempo: o tempo cronológico, o tempo como um momento exato de um evento, e o tempo psicológico. Como substantivo masculino é a duração relativa das coisas que cria no homem a noção de passado, presente e futuro, sendo, portanto, um período contínuo no qual os fatos se sucedem. O homem está relativizado ao tempo nesta dimensão da sua existência, e disto, não tem controle, ou como escapar. Esta é uma das razões porque o conceito de "livre arbítrio" não encontra fundamentação. Deus, contrariamente, não está relativizado ao tempo, tendo perfeito controle sobre ele.
O apóstolo Paulo está instruindo o seu discípulo na fé, Timóteo, acerca dos princípios e práticas do ministério. É dito a Timóteo, primeiramente, que ele pregue a palavra, sendo esta a tarefa precípua de um evangelista. Há muitos pregadores que estão substituindo o anúncio do evangelho pelos manuais de atuo-ajuda, por programação neurolinguística, por sessões de regressão hipnótica, por sessões de espiritismo, por superstições e misticismos, por ocultismo, por engodo de prosperidade, curas, sinais, e maravilhas. Estas coisas não servem para conduzir o homem à Cristo. No máximo, levam incrédulos para dentro das igrejas, e neste caso, elas se tornam cada vez mais agências do inferno. A cada dia as igrejas institucionais mais se assemelham a empresas, agremiações, sociedades limitadas, bancos, supermercados, e escolas de fazer desajustados. Isto porque, o indivíduo, que, ouvindo as Escrituras, e, não podendo crer que nasceu de Deus, entra em profundo conflito de consciência. Não é atoa que pesquisas indicaram que 80% dos que buscam ajuda psiquiátrica são crentes. Viver em contradição é muito perigoso!
Por todas estas razões é que o evangelista deve pregar apenas a Palavra de Deus, e não a sua palavra, a sua tese, o seu ponto de vista sobre Deus, Cristo, a vida e a eternidade. Doutrinas não salvam, mas quando oriundas da Palavra, são para os que já são salvos. Há, na verdade, uma inversão do processo pelos religiosos: doutrinam incrédulos, e evangelizam os crentes. Os pregadores estão mais preocupados em trazer conforto material aos seus ouvintes; porém, o que lhes causa desconforto é exatamente a incredulidade, a saber o pecado. Primeiro é necessário pregar-lhes a palavra da verdade, para que creiam e tenham as escamas dos olhos retiradas e sejam convertidos. Depois deve-se intar a tempo e fora de tempo para o seu progresso espiritual.
Na sequência, o apóstolo Paulo ordena a Timóteo que "insta a tempo e fora de tempo". Instar é um verbo que possui regência múltipla, portanto, pode ser: pedir com instância, com insistência; solicitar reiteradamente; insistir. Estas significações não se referem à pregação do evangelho, mas ao ensino doutrinário aos que já creem. É necessário o amadurecimento no conhecimento de Deus após o novo nascimento. É imperioso que haja muita insistência, porque o ranço das práticas e dos hábitos pecaminosos são fortemente arraigados na natureza humana. É nestas circunstâncias que penetram na Igreja os lobos, os mercenários os falsos profetas cujas práticas confundem e desviam do caminho de Cristo a muitos. É necessário admoestar, repreeder, e exortar, porém com longanimidade e ensino. A ausência destes processos não permite aos evangelizados amadurecer e ganhar a revelação da vida de Cristo. O resultado desta falha é trágico para as Igrejas, pois se tornam verdadeiras sucursais do gnosticismo, do ateismo, do misticismo e da incredulidade.
Por estas falhas no ministério é que já estamos no tempo em que os próprios crentes não suportam a sã doutrina, e acabam por tê-la por herética, e tomam a mentira por verdade, e a verdade por mentira. Desejam ouvir apenas o que lhes agrada e, para tanto, procuram contratar pregadores que lhes sejam aceitáveis, que possuam títulos, fama, sucesso material e inteligência emocional. O resultado disto tudo é o desvio da verdade, a saber, de Cristo. Voltam às fábulas, ou seja, às lendas e experiências sobrenaturais como forma de sublimar suas mentes cauterizadas pelo príncipe deste mundo, o qual cega-lhes o entendimento. Neste sentido se tornam mais incrédulos do que os incrédulos que não estão em suas igrejas. Inventam doutrinas e teologias para encobrir a ausência de Cristo, tornando-se cada vez mais cínicos espiritualmente.
Então, a primeira sentença é: "prega a palavra", porque é desta atitude que se manifestam os eleitos de Deus. Uma vez tocados pela graça por meio da fé, deve-se instar em todas as ocasiões para que cresçam no conhecimento de Cristo, e manifestem a Sua vida, levando o Seu morrer diário. A cruz não é apenas um símbolo é um caminho a ser trilhado ao longo do deserto da vida até que seja dia perfeito e o eleito de Deus seja, não só à imagem, mas também à semelhança do Filho de Deus.
Maranata!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

EVANGELHO COM MAIS EXATIDÃO


At. 18:24 a 26 - "Ora, chegou a Éfeso certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus, conhecendo entretanto somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga: mas quando Priscila e Áquila o ouviram, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais precisão o caminho de Deus."
Nos últimos tempos de Cristo fisicamente entre os homens, ele incluiu acerca do evangelho uma ordenança que deveria ser o princípio norteador de todo regenerado. É dito em Mt. 28:19 e 20 - "Portanto indo, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." Esta ordem não fora dada apenas aos discípulos daquele tempo, e aos doze apóstolos, mas a todos os nascidos do alto em todos os tempos. Entretanto, o verbo ir no texto grego original não está no imperativo, mas no gerúndio, logo, é "... indo, fazei discípulos de todas as nações...", e não "ide", como traduzido em língua portuguesa propositadamente. Isto se explica porque nem todos os eleitos e regenerados deixam os afazeres para sair pregando o evangelho nos moldes que se faz comumente entre alguns religiosos que se auto-intitulam missionários. O verbo no gerúndio quer dizer que é uma exigência adimensional no espaço e no tempo, ou seja, na medida em que os eleitos forem caminhando pela vida, em sucessivas gerações, deverão anunciar o evangelho, e não apenas em certas ocasiões, lugares e circunstâncias. Também o texto não autoriza afirmar que todos os homens, de todas as etnias seriam convertidos pela pregação do evangelho. O sentido de todos, na quase totalidade das vezes em que aparece no novo testamento, é no sentido de haver escolhidos entre todos os povos, nações, tribos e etnias. Esta visão universalista de que a salvação é para todos é um tanto humanista e distorcida do ensino das Escrituras. Verifica-se, ainda, que a ordem é bem mais abrangente do que a simples pregação do evangelho. Ela inclui também, o ensino, a fim de que os alcançados pela graça sejam instruídos na observação de tudo quanto é ordenado nas Escrituras, no tocante ao evangelho de Cristo. A experiência cristã verdadeira exige pregação da palavra da cruz aos que não conhecem e ensino da doutrina aos que já foram alcançados pela graça.
Mt. 13:44 - "O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem, ao descobri-lo, esconde; então, movido de gozo, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo." O ensino deste texto é muito simples, exatamente por esta razão o Cristo se utilizava das parábolas, para simplificar ao nível do homem a comunicação da verdade. O texto não ensina que o homem comprou todo o campo pelo valor dele todo, mas apenas pelo valor de um tesouro que nele havia. Os pecadores eleitos que estão no campo, a saber, nas tribos, nações e povos representam este grande tesouro. O homem que o comprou é Cristo, e Ele o faz para garimpar este tesouro escondido no campo que é o mundo. Cristo abriu mão da sua deidade, e de todos os privilégios dela ao lado do Pai no céus para pagar o resgate do tesouro, a saber, os eleitos que seriam atraídos a Ele na cruz, e com Ele ressuscitariam ao terceiro dia para a vida eterna.
O evangelista Apolo foi grandemente elogiado no texto de Atos. Acerca dele fora dito que era poderoso nas Escrituras, eloquente, e fervoroso no espírito. Diz, ainda, que no tocante as coisas concernentes a Jesus, ele era preciso. Isto não é pouca coisa, considerando as limitações humanas, especialmente de quem conhecia apenas o ensino de João, o batista. Entretanto, ao tomar da palavra para pregar, Priscila e Aquila, fiéis servos do Senhor Jesus Cristo, se aperceberam que lhe faltava mais exatidão na doutrina. Percebeu-se que ele era apenas instruído no caminho do Senhor, e que pregava apenas com base no ensino de João, o batista. Priscila e Aquila instruíram Apolo no "Caminho de Deus", isto é, em Cristo como o caminho, e este é o caminho da cruz, pois em Jo. 14:6, Jesus se declara como sendo "o caminho, a verdade, e a vida". Saber acerca de Jesus, não é o suficiente, necessário é andar n'Ele, a saber, ganhar a Sua vida nos moldes de Gl. 2: 19 e 20 - "Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." É fundamental dizer que, uma coisa é saber acerca de Jesus, e afirmar que Ele é o caminho, outra coisa é andar n'Ele por consequência de ter sido n'Ele incluído. Acerca de Cristo, Deus, evangelho, doutrinas, religião, até um ateu pode discursar com eloquência. Isto não lhe acrescenta nada, além é óbvio, do mero saber intelectivo. Há pregadores que são exímios teólogos, conhecedores profundos do Cristianismo histórico, mas não estão incluídos em Cristo. Vivem suas próprias vidas almáticas e religiosas sem a vida de Cristo.
Este é um grave problema hoje, basta alguém saber falar em público, ler a Bíblia, e ter coragem para falar acerca de Jesus, é imediatamente consagrado e elevado ao grau de grande virtuose de Deus na Terra. Em muitos casos não possuem sequer exatidão em nada, quanto mais, "mais exatidão no Caminho de Deus". Priscila e Aquila, ao ouvir Apolo, logo constataram a falta de mais exatidão, e, ao invés de criticá-lo, escorraçá-lo da sinagoga, expô-lo à execração pública, o tomou à parte e levando-o com eles em amor, o instrui mais exatamente no ensino do evangelho da cruz. Isto prova que eloquência, conhecimento bíblico, e teológico, não são suficientes para ser mais exato no ensino da verdade. É necessário passar pela experiência do "novo nascimento", ou "nascimento do alto" conforme o ensino de Jesus em Jo. 3: 3, 5 e 6 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." Quem não nascer do alto, não vê, e não entra no reino de Deus.
Maranata!

domingo, 26 de setembro de 2010

A LINGUAGEM INCOMPREENSÍVEL


Jo. 8:43 - "Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra."
No processo de assimilação de qualquer conhecimento é imprescindível que se façam as devidas análises semânticas, a saber, o estudo sincrônico ou diacrônico das significações em relação aos seus significantes.
Em um sistema linguístico a semântica é o componente do sentido das palavras e da interpretação das sentenças e dos enunciados. Desta forma é fundamental e urgente que se vejam alguns significantes e seus significados. O verbo compreender é transitivo direto e intransitivo, trazendo a ideia de apreender algo intelectualmente, utilizando a capacidade de compreensão, de entendimento; perceber, atinar para algo, alguém, ou alguma coisa.

Jesus lança uma questão aos líderes e principais de Israel em seu tempo. Ele os inquire retoricamente sobre o fato de os mesmos não compreender a sua linguagem. Ora, linguagem é qualquer meio sistemático de comunicar ideias ou sentimentos através de signos convencionais, sonoros, gráficos, gestuais. Então, o que Jesus, o Cristo estava a lhes comunicar não era absolutamente nada surrealista ou incompreensível intelectualmente. A questão é que há uma linguagem aceita e praticada em um dado momento, e outra, recebida e percebida apenas pelo espírito. A esta última dá-se o nome de revelação. Destarte, de nada adianta ao homem conhecer, ou mesmo, compreender intelectualmente, logicamente, ou emocionalmente, se não receber o dom da compreensão espiritual. É quando se vai além da mera letra, ocorrendo uma profunda vivificação para uma verdade espiritual. Nos dizeres do apóstolo Paulo, isto é colocado assim: "...não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica." II Co. 3: 5 e 6. Este é um dos principais problemas do cristianismo nominal e histórico, pensar por si mesmo e não receber a inspiração que do alto vem.


Os religiosos e políticos de Israel, bem como os dos dias atuais, invariavelmente pretendem encontrar uma solução para os dilemas do homem a partir de si mesmos e de suas meras concepções acerca de Deus e da verdade. Por esta razão houve, e ainda há enorme incompatibilidade natural na compreensão da linguagem de Cristo. Tal incongruência acaba por jogar lama sobre a verdade evangélica, que de resto, é absolutamente desprezada e escamoteada pelos próprios cristãos. Desta maneira o cristianismo que aí está não passa de mais uma lenda histórica construída sobre doutrinas sofismáticas e conflituosas entre si.


Se um cristão não vê Cristo em sua vida, ele não pode ser considerado cristão, pois as Escrituras sentenciam claramente: "Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Gl. 2: 19 a 20. Aqueles religiosos, e a grande maioria dos cristãos nominais de hoje, querem um Cristo desenhado a partir dos seus sistemas de crenças, e não Aquele que é revelado no evangelho da graça. Não compreendem a linguagem da morte por inclusão na cruz, como também da ressurreição juntamente com Cristo para ganhar a Sua vida eterna. Tudo isto se apropria por fé no Filho Unigênito e Primogênito de Deus. Não é a doutrina maior que o que a criou! Este tem sido o maior erro entre o homem pecador e a revelação de Deus em Cristo, ou seja, a inversão da verdade. Substituem o doador pela doação; o conteúdo pelo continente; o doutrinador pela doutrina. Querem colocar o barro no vaso de ouro, sendo o ensino, exatamente o oposto: o vaso é de barro, mas o seu conteúdo que é de ouro conforme II Co. 4:7 - "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte." Assim, o que importa é o Cristo que habita nos regenerados e não o que o mundo imagina e afirma sobre eles e seus comportamentos morais. A questão comportamental é da competência e da esfera de Cristo somente. É Ele quem disciplina e corrige os que são d'Ele.














Desta forma, Jesus, o Cristo arremata a questão inicial e responde à Sua própria pergunta retórica: 'vocês não podem ouvir a minha palavra'. Fica demonstrado que não é uma questão de querer, de exercício intelectivo, ou mesmo de usar do famigerado "livre arbítrio", mas de não poder mesmo. Aqueles cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro, não podem ouvir a palavra de Deus. Ainda que ouçam-na com os ouvidos físicos, não a internalizam por meio dos ouvidos do espírito. Isto só acontece quando recebem a graça da vivificação para crer.
Maranata!

sábado, 25 de setembro de 2010

O MISTÉRIO DA INIQUIDADE JÁ OPERA V


Mt. 23:28 - "Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade." A operação da iniquidade é um fenômeno ambíguo aos olhos dos homens. No aspecto exterior possui aparência de justiça, entretanto, no aspecto interior possui a real dimensão do pecado. Os homens veem uns aos outros pelo lado errado, ou seja, avaliam-se apenas pelo que se pode ver exteriormente. O verdadeiro ser humano não é o que se apresenta na exterioridade, mas o que vive em seu interior. Segundo o texto, este homem interior é repleto de hipocrisia e iniquidade. É neste sentido que a iniquidade se torna um mistério operacional no mundo, pois é como um inimigo sem rosto. Age sob o disfarce da hipocrisia latente na alma do pecador religioso. O problema da sociedade não é o ateu ou a pessoa que pratica toda sorte de males. Estes são declarados e visíveis aos olhos de todos. O maior inimigo da sociedade é o que apresenta-se como justos exteriormente, mas por dentro são sepulcros caiados, nos dizeres do Mestre Jesus, o Cristo.
Há uma grande corrente humanista que pretende conferir ao homem um alto grau de dignidade, justiça e ética, entretanto, em sua natureza, este não é nem um pouco digno, justo e ético. Toda a concepção de justiça, dignidade e ética no homem é apenas circunstancial, pois quando surge uma situação adversa, estas virtudes desaparecem rapidamente. Assim, fica evidente que a questão do mistério da iniquidade operante é por natureza adâmica, e não, uma mera questão moral, relacional ou social. As religiões, apesar de todo o alarde em pretender reformar o homem moralmente, não conseguem grandes resultados. Este é um mal que se extirpa na raiz, a saber, aniquilando a culpa do pecado, por fé que o pecador morre em Cristo na cruz, e com Ele ressuscita para a vida eterna. Tudo é uma questão de receber graça e fé para ser vivificado. Isto nada tem a ver com religião exterior, ética e posturas comportamentais. Um ateu, em muitos casos, possui um comportamento ético-moral melhor do que muitos religiosos. Logo, não é uma questão de cunho moral, mas de caráter espiritual. Sem o caráter de Cristo no novo nascimento, todo homem é, em si mesmo, uma farsa!
Hipocrisia é um substantivo feminino que pode significar: ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade. Então, por um lado, o homem não regenerado apresenta-se exteriormente como quem é justo, mas pelo seu lado verdadeiro, é dissimulado, fingido, falso em suas intenções e sentimentos. Este, é, portanto, o lado verdadeiro do homem. Nisto não há nenhuma dignidade, justiça, ou ética. É preferível um violento, desbocado, agressivo e grosseiro, a um dissimulado. Por que deste não se sabe exatamente o que é, mas daquele, se sabe logo o que de fato é. A iniquidade consiste em ausência de equidade, que, por extensão de sentido é a falta do que é equânime. O pior tido de hipócrita é aquele que é hipócrita consigo mesmo.
O mistério da iniquidade opera no homem desde a sua queda no Éden, e continuou ao longo da história se aperfeiçoando de acordo com os requintes dos métodos e permissões de cada época história. Entretanto, o pior tipo de iniquidade é a religiosa, pois se ufana de ser verdadeira, quando de fato o sujeito dela é falso. Isto porque a religião é uma invenção humana para tentar ser "deus" sem Cristo, sem a cruz, sem a morte, e sem a ressurreição. Logo, sem regeneração ninguém verá o Reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Nascer de novo no texto original é "nascer do alto", posto que toda ação de regeneração é monérgica. Já nascer da água é uma referência à fé obtida pela pregação e pelo ouvir da Palavra de Deus; o nascer do Espírito é perder o espírito corrompido pelo pecado, e ganhar um novo espírito conforme Ez. 36:26 - "Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne." Estas palavras foram ditas por Deus ao profeta, portanto, não se tratam de ilações e conjecturas humanistas e piegas. O texto ezequeliano é claro ao demonstrar que, quem dá o coração novo, e coloca o espírito novo no regenerado é Deus. Este é o mistério da fé que esteve oculto nos séculos, mas que agora está revelado e efetivado em Cristo Jesus, Senhor de toda a glória.
Maranata!

domingo, 12 de setembro de 2010

O MISTÉRIO DA INIQUIDADE JÁ OPERA IV


I Co. 5: 9 a 13 - "Já por carta vos escrevi que não vos comunicásseis com os que se prostituem; com isso não me referia à comunicação em geral com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos comuniqueis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem sequer comais. Pois, que me importa julgar os que estão de fora? Não julgais vós os que estão de dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai esse iníquo do meio de vós."
O mistério da iniquidade é tão antigo, como antigo é o mundo. Observa-se pelo texto paulino, que a Igreja, já se encontrava infiltrada pelos tais mistérios da iniquidade em Corinto. Vê-se também que a ordem de Paulo é clara: não se trata de separar-se do mundo, ou de não se comunicar com os pecadores não regenerados, trata-se, outrossim, de não agir como os tais pecadores. A oração de Cristo, como o sacerdote eterno, é que os seus não fossem retirados do mundo, mas que fossem libertos do maligno. Percebe-se no texto de abertura, que o problema é com os que se dizem "irmãos", os quais, na verdade, são escravos da iniquidade. Estes são como uma contradição, porque negam a regeneração por meio das suas práticas. Cristo afirma no evangelho de João, capítulo 8, que todo aquele que vive na prática do pecado é escravo do pecado. Estes a que se refere o apóstolo Paulo, não são pecadores sem a iluminação do evangelho, mas são os que, portando a iniquidade permanecem como se nascidos do alto fossem. Não há ponto de conciliação entre o nascimento do alto e a operação da iniquidade.
O mistério da iniquidade esteve, está e estará em ação no sentido em que algumas pessoas que se auto-intitulam cristãs, continuam com suas naturezas pecaminosas dentro das igrejas, sendo aclamadas como grandes virtuoses de Deus. Eles estão cristãos, mas não são cristãos, por que não ganharam a vida de Cristo. Isto se constitui em matéria de mistério iníquo, porque estas tais pessoas estão participando do corpo de Cristo sem ter morrido e ressuscitado com Ele, assim, negam a eficácia da morte e da ressurreição d'Ele em suas vidas conforme II Tm. 3: 5 e 7 - "... tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses... sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade." Na fé cristã genuína, não basta ter aparência! Há muitos casos em que a aparente superficialidade comportamental é apenas para obter a aceitação das outras pessoas e não porque houve, de fato, regeneração. O joio é, em quase tudo, semelhante ao trigo, entretanto, continua joio.
O nascido de Deus não sente prazer na iniquidade, e, portanto, esta não encontra nele permanente morada. O fato de alguém conhecer teologia, seguir regras comportamentais, preceitos cerimoniais e práticas de religião exterior, não o habilita e o promove a regenerado e filho de Deus. Aprender é uma capacidade apenas intelectual, porém poder chegar ao pleno conhecimento da verdade é dom de Deus. Uma coisa é a regeneração comportamental, outra é a regeneração espiritual. Aquela é possível até a um ateu, mas está é obra soberana, misericordiosa e graciosa de Deus. Quando alguém abandona o vício das drogas houve regeneração apenas social, mas quando alguém tem experiência de nascimento do alto houve regeneração espiritual. Não é a mudança moral o fator determinante da experiência espiritual, mas aquela é apenas decorrente desta.
Há uma série de práticas em "igrejas" ditas cristãs que mostram o quanto a religião é uma habilidade puramente humana. Entre elas se pode afirmar que há uma forte tendência à condenação das pessoas que não professam a crença defendida por tais "igrejas". Assim, os membros de uma determinada denominação não recebem e não consideram outros de outras denominações, porque acreditam que somente a sua "igreja" é autêntica. Fecham-se hermeticamente dentro dos limites da sua religião, considerando todas as demais como heréticas. Mal sabem que a heresia existe dentro de todas as religiões, considerando que a diversidade delas é causada por discordâncias nas interpretações das Escrituras. Desta forma consideram a adivinhação de uma cartomante, quiromante, necromante ou vidente como prática diabólica, entretanto se tais práticas forem de uma "irmã fulana de tal" são aceitas como dons e revelações de Deus. Ora, a origem do fenômeno é a mesma, a saber, o poder latente da alma. Deus não se utiliza destes métodos e expedientes para comunicar a verdade ao homem. As Escrituras são a revelação compendiada d'Ele, não sendo necessário mais nada a acrescentar, ou a retirar como fazem nas religiões. Hb. 1:1 - "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho..." O Filho Unigênito de Deus é Cristo, o qual fala, porque é Ele mesmo a Palavra, ou o Logos Eterno. Por ele, dele e para ele convergem todas as coisas no universo.
Há profunda diferença entre cometer erros por contingencialidades e circunstâncias externas, e ser devasso, avarento, idólatra, maldizente, beberrão, ou roubador. Aquele que é assim, o é por princípio e por natureza. Aquele que recai em alguns atos pecaminosos por fraqueza, por interferência de terceiros, porém contra os seus princípios e desejos, não é pecador por hábito. E ainda que o justificado cometa tais atos, Deus o levanta, porque Ele sabe que tais fatos ocorrem por razões contrárias ao espírito do regenerado. Enquanto o não regenerado comete a iniquidade por prazer, o regenerado comete atos pecaminosos, por viver em um meio tentador e contaminado pelo pecado. Os eleitos e regenerados têm arrependimento, os não regenerados têm apenas remorso. É como doutrina, genericamente, o apóstolo Paulo na carta aos Romanos, que, segundo De Vern Fromke: "fui liberto da culpa do pecado, estou sendo liberto da influência do pecado, e serei liberto da presença do pecado." Isto significa que, Cristo é o Cordeiro de Deus que retira o pecado do mundo, a saber, está purificando a natureza pecaminosa dos eleitos, afastando-os das influências externas do pecado, e os libertará definitivamente da presença da iniquidade, quando restaurar todas as coisas na Seu glorioso retorno.
Maranata!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O MISTÉRIO DA INIQUIDADE JÁ OPERA III


Mt. 24: 9 a 12 - "Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará."
O contexto do qual foi retirada esta porção das Escrituras é escatológico, ou seja, é uma referência ao tempo da tribulação. Todavia, este tempo começou imediatamente após a morte, a ressurreição e a ascensão de Cristo. Por esta razão o apóstolo João diz: "Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora." Então, a expressão "última hora" é marcada pelos acontecimentos descritos, e não pelo seu conteúdo cronológico. Assim, desde o tempo de João, o mistério da iniquidade já opera. Tais anticristos são pessoas que surgiram ao longo da história, cujas ideias e ações, não apenas são opostas a Cristo, mas elas mesmas desejam se colocar no lugar d'Ele. Este é o grande mistério da iniquidade: pretender substituir a justiça pela injustiça, visto que iniquidade é injustiça e pecado. É a tendência do homem, na atualidade, dizer que Deus não é soberano, que o homem é senhor do seu próprio destino, que não há inferno, que não há pecado, que não há condenação e, sobretudo, que Cristo não é quem as Escrituras dizem que Ele é. Tais posturas são em si mesmas iníquas, além de supor que não as admitindo, o homem pode reivindicá-las para si. Muitos se fazem de anticristos, potencializando e preparando a vinda do verdadeiro Anticristo cujo poder e a eficácia das suas ações serão segundo Satanás conforme II Ts. 2: 9 e 10 - "... a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos."
Poder, sinais e prodígios é o que buscam os homens desde tempos imemoráveis. Sendo estes atributos exclusivos de Cristo, logo, o homem apenas os obtém mediante a mentira, a fraude, e o engano. Tais pessoas que são objeto da eficácia de Satanás, são os que perecem, e não receberam o amor da verdade para serem redimidos da natureza pecaminosa. Veja, eles não receberam o amor da justiça, não é o amor à justiça. A justiça é que ama o homem e realiza nele a obra redentora por inclusão na morte de Cristo, e na Sua consequente ressurreição. A ação é de Deus, em Cristo, e não do homem de si para consigo. Receber é passivo, fazer ou aceitar é ativo, ficando, portanto, na competência do homem. O mistério da iniquidade pretende atribuir ao homem a sua própria redenção, dispensando, a obra de Cristo. Basta ler obras de Dan Brown, Richard Dowkins e outros para ver o quanto o homem vem trazendo para si o seu próprio endeusamento.
I Jo. 3:4 - "Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na iniquidade, pois o pecado é iniquidade." Isto implica dizer que aquele que permanece em sua natureza pecaminosa, vive na iniquidade, ou seja na injustiça, porque o pecado se expressa por meio dela. A palavra iniquidade no texto grego original é 'anomían', estando esta, no caso acusativo singular. Isto significa que a iniquidade é um estado de natureza do homem decaído e não uma anomalia causada por distúrbios psicológicos, ou mesmo, por alguma falha, ou desvio de caráter eventual. É algo constante da personalidade, no DNA espiritual do homem após a queda. Uma pessoa vive habitualmente, a saber, por hábito no pecado, não está pecador, antes, é por natureza pecador. O antídoto para esta natureza decaída, morta, ou separada de Deus é Cristo conforme I Jo. 3:5 e 6 - "E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados; e nele não há pecado. Todo o que permanece nele não vive pecando; todo o que vive pecando não o viu nem o conhece." Jesus, o Cristo é o único que pode retirar definitiva e para sempre o pecado, ou seja, a iniquidade. É a justiça do Justo de Deus, tornando os injustos à sua semelhança. Por esta razão é que os regenerados não sentem prazer em praticar o pecado como um hábito. Cometem atos pecaminosos por contingencialidade e circunstancialidade, e, isto, não os faz melhores do que ninguém neste mundo. A iniquidade é própria dos que não foram conhecidos por Cristo, e, consequentemente, não o conhecem.
Maranata!

O MISTÉRIO DA INIQUIDADE JÁ OPERA II


Ez. 28:15 - "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade."
Este versículo dá início a uma das raras descrições de Satanás na Bíblia. Assim, ficamos sabendo que Lúcifer era perfeito nos seus caminhos desde a sua criação até o momento em que, nele, foi encontrada a iniquidade. Desta maneira, Lúcifer, o arcanjo querubim, passou a ser Satanás, ou Diabo, porque se tornou auto-pecador, e, portanto, pai do pecado. Ele não teve nenhum fator externo que o induzisse ao pecado. Por isto, enquanto o homem é heteropecador, Lúcifer é auto-pecador. Muitos desavisados pregadores continuam chamando-o de Lúcifer, porém, este foi o nome de Satanás antes da sua queda. Era um ser excepcional entre todas as criaturas de Deus. Ele desenvolveu o pecado por livre escolha e não porque tenha sido tentado ou induzido a ele.
A iniquidade foi uma escolha livre de Lúcifer, a qual ele se esforçou em contaminar o homem no Éden. Como Adão, o cabeça da raça humana se contaminou pelo pecado, este, foi repassado a todos os seus descendentes conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Alguns seguimentos do cristianismo histórico e nominal defendem que as crianças são invariavelmente salvas se morrem ainda crianças, porque não têm pecado. Ora, os textos bíblicos não autorizam este dogma. Filho de pecador, é pecador! Está no DNA de todos os filhos de Adão. Obviamente, que, a criança não desenvolveu ainda consciência da iniquidade que carrega potencialmente dentro de si. Todavia, o pecado é nela residente por natureza, e não por práticas iníquas. Assim que esta desenvolver as habilidades que expõem a sua iniquidade, ela se manifestará claramente. Estes "cristãos" julgam que pecado é apenas o que uma pessoa pratica de ruim. Todavia, o pecado é a natureza morta, ou separada de Deus. Os atos pecaminosos são consequência desta natureza morta para Deus. As Escrituras afirmam claramente que a iniquidade é pecado. A natureza do abacateiro é produzir abacates, ele jamais produzirá laranjas. Semelhantemente, pecadores produzem pecados e reproduzem pecadores. É uma questão de natureza ou de princípio e não apenas de prática e de comportamento.
O mistério que opera a iniquidade é um fato quase imperceptível, porque esta não vem com o invólucro de maldade. Ao contrário, apresenta-se sempre como solução à miséria, a dor, o sofrimento dos homens. São propostas humanistas, em cujo escopo está o endeusamento do homem sem a destruição da sua natureza pecaminosa. Ela vai destruindo todas as reservas e resistências, porque o homem é engodado por suas próprias cobiças, e estas o induz ao que é iníquo conforme no-lo informa Tg. 1:14 - "Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência." De fato foi o desejo, ou a concupiscência da mulher que a induziu a tomar, comer, e dar ao marido do fruto, o qual Deus ordenara que não comesse. Eles foram seduzidos pela possibilidade de conhecerem o bem e o mal da mesma forma que Deus o conhece. Buscaram uma autonomia apostatada da vontade de Deus. O resultado foi a separação do espírito do homem e do Espírito Santo.
A iniquidade se faz notória e abominável aos olhos de Deus, e não aos olhos do homem, posto que este é seduzido por ela, e, portanto, não lha percebe. Por isso, muitas ações humanistas, caritativas, do bem e aceitáveis não são aceitas como iníquas pelos homens. Isto fica demonstrado por Cristo em Mt. 7:22 e 23 - "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." Desta forma é mesmo inaceitável pelo homem natural que profetizar, fazer milagres e expulsar demônios em nome de Jesus seriam iniquidades. Todavia, e apesar das opiniões dos homens, Cristo afirma que são iniquidades, e ordena que os mesmos se afastem d'Ele, afirmando nunca os ter conhecido. O verbo conhecer neste texto neotestamentário, indica um conhecimento íntimo, espiritual e afetuoso. Este ensino mostra que obras, sejam boas, ou ruins não salvam. O que salva é o ter sido conhecido por Cristo e recebido graça mediante a fé.
Há um projeto diabólico para induzir o homem à ideia de que este é senhor e salvador de si mesmo. Isto se vê claramente no texto de Gn. 3:5 - "... e sereis, como Deus, conhecendo o bem e o mal." É a mesma proposta ainda hoje! Seja por meio da religião, seja por meio da ciência, seja por meio da superação dos dilemas e misérias pelo esforço do labor e da justiça própria. A política, tal como praticada nos diferentes cantos do mundo é o principal instrumento disseminador das iniquidades humanas.
Maranata!

O MISTÉRIO DA INIQUIDADE JÁ OPERA I


II Ts. 2: 7 - "Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora."
Iniquidade é um substantivo feminino em língua portuguesa, trazendo, como significações as seguintes: "caráter daquilo ou daquele que é iníquo, que é contrário à equidade". Ela é a expressão recorrente de uma natureza dada ao que é mau, e ao que é do mal. Recai em perversidade, maldade, oposição ao que é justo, à equanimidade e à moral. O adjetivo relativo à iniquidade é "iníquo", a saber, mau, perverso, malévolo, contrário à equidade.
Feitas as considerações gramaticais para o efeito de analogia e compreensão em sua extensão e profundidade no ser humano, poder-se-á analisar textos escriturísticos que permitem desenvolver a clara convicção que, de fato, os tempos são penosos, ou difíceis como previsto em II Tm. 3:1 - "Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos."
O texto de abertura deste artigo afirma que "o mistério da iniquidade já opera". Considerando que o apóstolo Paulo escreveu estas palavras por volta do final do século primeiro depois da ascensão de Cristo, o advérbio de tempo "" não está em anacronia. Pode-se dizer, portanto, que o tal mistério sempre operou. Um mistério se define por ser algo secreto, oculto, ou não ostensivo. É algo reservado a um pequeno grupo de pessoas, as quais se comprometem a não revelá-lo. É algo que pressupõe a participação apenas dos que são iniciados. Assim, a iniquidade está associada às coisas ocultas, secretas e guardadas em segredo por uns poucos iniciados, esclarecidos, iluminados no caminho da iniquidade. Portanto, é algo velado e não aparente.
Iniquidade é o antônimo de equidade, e esta, se define como um julgamento justo de algo ou alguém. Recai em correção, lisura na maneira de proceder, julgar e opinar. É retidão equanimidade, imparcialidade, ou virtude de quem manifesta respeito à igualdade de direitos.
Os tempos foram, são e serão cada vez mais penosos, porque os homens são por natureza iníquos. A evidência desta realidade é o inequívoco mal moral que se manifesta em todos os tempos e lugares. Paulo esclarece esta realidade na continuidade do texto de II Tm. 3: 3 a 5 - "...pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios,sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder."



Então, os homens do século I d. C. não diferiam muito dos homens do século XXI. A iniquidade deles, em nada diferia da dos de hoje. Esta falta de equidade, ou a iniquidade não é considerada apenas pelo que as pessoas fazem, ou externam em comportamentos e palavras, mas, sobretudo, na capacidade potencial para praticar qualquer falha de conduta descrita no texto paulino. Comumente, quando se levantam estas questões de natureza, ou principiológicas, sempre alguém se levanta para adotar uma postura excludente, ou aparentemente amorosa, cheia de compaixão pelos seus semelhantes. Entretanto, a realidade mostrada nos noticiários indicam que as Escrituras têm razão. Mesmo a criatura mais mansa, compreensiva, fleumática e cordata é capaz de agir com iniquidade, porque é da sua natureza. Muitos não se dão à prática constante da iniquidade, porque temem ser apanhados pela lei, e se tornarem objetos da justiça, e finalmente do juízo e da condenação social. Observa-se um fato simples, e até mesmo, corriqueiro que evidencia o que o homem possui de tendência iníqua: quando um caminhão cheio de uma certa carga valiosa, ou consumível sofre um acidente, em questões de minutos a carga desaparece, sendo levada por moradores próximos. Também, quando alguém acha no chão algum dinheiro, a primeira coisa que faz é olhar para todas as direções para ver se não há testemunhas. Será porque?



No texto de Gênesis 6, o próprio Deus declara: "...viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente."
O mistério da iniquidade está operante no meio da sociedade moderna, a despeito dos valores consagrados e aceitos como padrão para a paz social.
Maranata!

domingo, 5 de setembro de 2010

NÃO SUPORTARÃO A SÃ DOUTRINA V


Gl. 1: 9 a 11 - "Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens."
A sã doutrina é, essencialmente, o evangelho e não crenças, doutrinas humanas, rituais, sofismas, filosofias, códigos de moralidade, dogmas, e peças de retórica elaboradas segundo a mente humana. Toda mensagem que vá além do evangelho é maldita, enganosa e mentirosa. Não procede de Deus, e em nada poderá agradá-Lo. Quem se preocupa em pregar o que agrada aos homens, não é servo de Cristo. É, antes, servo de si mesmo e de homens decaídos. Acrescenta-se o fato que a Bíblia afirma o seguinte: quem cogita das coisas dos homens é o Diabo conforme Mc. 8:33 - "Para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens."
Do lado dos homens decaídos há, invariavelmente, a tendência e a inclinação para não receber o evangelho de Cristo, porque em suas naturezas estão corrompidos, ou mortos para Deus. Porém, do lado dos que são chamados a anunciar o evangelho deve haver o seguinte ânimo: "...porque não é aprovado aquele que se recomenda a si mesmo, mas sim aquele a quem o Senhor recomenda." II Co. 10:18. Muitos pregadores se empolgam pela aceitação que recebem dos homens, não sabendo que isto não é um bom sinal. O mensageiro do evangelho deve estar preocupado é se a sua mensagem é aceita por parte de Cristo. Na verdade, os homens em seu estado de degenerescência, não suportam a sã doutrina, porque ela é contrária às suas práticas e pensamentos contaminados pelo pecado. Eles dizem que aceitaram a Cristo, e o evangelho, porém nenhum pecador pode aceitar nada. O que acontece é que Ele é que aceita o pecador! No máximo o homem decaído aceita religião, porque esta é subproduto do próprio homem.
Para receber a honra dos homens e a aceitação social, muitos se têm naufragado no anúncio do evangelho de Cristo, pregando, assim, outro evangelho. Alguns estão construindo outro fundamento sobre Cristo, a Rocha Eterna. A obra destes será provada no fogo e o que for anátema não permanecerá. Será totalmente queimado.
I Tm. 1: 9 a 11 - "...reconhecendo que a lei não é feita para o justo, mas para os transgressores e insubordinados, os irreverentes e pecadores, os ímpios e profanos, para os patricidas, matricidas e homicidas, para os devassos, os sodomitas, os roubadores de homens, os mentirosos, os perjuros, e para tudo que for contrário à sã doutrina, segundo o evangelho da glória do Deus bendito, que me foi confiado." Esta é uma questão fundamental, pois os que não suportam a sã doutrina se fiam no cumprimento de preceitos legais e cerimoniais como tábua de salvação. Todavia, a lei não é para os eleitos e regenerados, mas sim para os que ainda não tiveram os seus ouvidos abertos e as escamas dos olhos retiradas. A lei é um freio, um aio, ou parâmetro para estabelecer os limites do que é certo, e do que é errado. Tal postura legal não visava salvar o homem, mas mostrar-lhe o quanto o pecado é hediondo aos olhos de Deus. Todas as práticas que se opõem, por princípio, à sã doutrina são próprias dos incrédulos, pois eles não podem alcançar a misericórdia e a graça de Deus em Cristo por conta própria. Tal sã doutrina é a expressão concreta do evangelho da glória de Deus e não outro evangelho para agradar a homens dissolutos, contaminados, e degenerados pelo pecado original.
II Pd. 2: 2 e 3 - "E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita." Exatamente porque estes mensageiros dissolutos pregam para satisfazer os desejos dos homens decaído é que muitos os seguirão, pois isto é o que satisfaz as vontades não-regeneradas. Eles são movidos pela ganância, utilizando-se de palavras fingidas farão dos seus seguidores mercadoria de barganha, ou negócio. Iludem os pecadores com solução de problemas, curas, prosperidade, fama e sucesso em tudo. Prometem o que não podem oferecer, mas sabem criar emocionalmente o ambiente para iludir os que possuem as mentes cauterizadas pelo pecado conforme I Tm. 4: 1 e 2 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada..." Tanto os que pregam, como os que ouvem tais mensagens estão iludidos pelos espíritos enganadores e seguem doutrinas de demônios, os quais usam homens mentirosos cuja mente está petrificada para o que procede de Deus.
Em Cristo.

sábado, 4 de setembro de 2010

NÃO SUPORTARÃO A SÃ DOUTRINA IV


Tt. 1: 5 a 12 - "Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem o que ainda não o está, e que em cada cidade estabelecesses anciãos, como já te mandei; alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, tendo filhos crentes que não sejam acusados de dissolução, nem sejam desobedientes. Pois é necessário que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro de Deus, não soberbo, nem irascível, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, temperante; retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes. Porque há muitos insubordinados, faladores vãos, e enganadores, especialmente os da circuncisão, aos quais é preciso tapar a boca; porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância."
Inversamente ao que supõem os religiosos, a sã doutrina esvazia igrejas. Ela não é um atrativo às pessoas, porque a natureza do homem portador do pecado, não o inclina para Deus. O evangelicalismo é originário do avivalismo, especialmente de Charles G. Finney. Ao longo da história da igreja confundiram, a ordem para pregar o evangelho a toda criatura, e a denominada 'ordo salutis', a saber, ordem de salvação. A ordem para anunciar o evangelho a todos, não implica, necessariamente, na salvação de todos, mas apenas para que todos saibam dele. A massificação do evangelho, igualmente, não é garantia de que a mensagem das Escrituras esteja sendo anunciada como sã doutrina. Além do mais, o texto em que tal ordem é dada, não diz "ide e anunciai...", mas, "indo, anunciai..." Isto faz grande diferença, pois, no primeiro caso, impõe esforço e centralidade humana, no segundo, é consequencia da condição de novo nascido. Os tradutores preferem o imperativo, porque este aparentemente coloca o poder no homem. Não se iluda, Deus não necessita em absolutamente nada do homem para realizar o Seu supremo propósito.
O evangelho são boas novas e não um conjunto de preceitos, regras e normas morais, ou cerimoniais impostas para produzir salvação. A salvação é um ato monérgico, isto é, da absoluta e soberana competência de Deus conforme Sl. 3:8 - "A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção." Em nenhuma instância bíblica se afirma que a salvação é uma ação da iniciativa humana. Sendo o evangelho as boas novas, obrigatoriamente deve ser novidade ao que o recebe, posto que é uma verdade desconhecida pela natureza humana decaída. Entretanto, o que se anuncia como evangelho não são boas, e, muito menos, novas. Há milênios que se anunciam apenas dogmas, preceitos morais, regras religiosas, e doutrinas humanistas como se boas novas fossem. É imperioso saber que Deus não realiza apenas uma reforma moral no homem, Ele faz uma nova criatura em Cristo Jesus. Reformar o homem é típico das ações filantrópicas, das instituições jurídicas, e dos ritos e crendices religiosos. Um homem pode ser curado de uma grave enfermidade, de vícios, de maus hábitos e, ainda assim, não conhecer Deus.
Sucintamente sabe-se, que, aos que ainda não têm experiência de nascimento do alto, prega-se a doutrina da inclusão na cruz, e da ressurreição com Cristo. Porém, aos que já experimentaram o novo nascimento, ensinam-se doutrinas para produzir a santidade de Cristo neles. Por meio do ensino da sã doutrina, estes vão ganhando a vida d'Ele para que se cumpra o supremo propósito de Deus em fazer o homem à Sua imagem, e à Sua semelhança. Estes objetivos foram interrompidos no Éden, por ocasião da incredulidade de Adão, o "cabeça federal de raça". Entretanto, na religião querem dar 'filet mignon' a quem não largou ainda a 'papinha'. Não se dá alimento sólido a quem ainda não possui dentes, ou seja, é jogar pérolas aos porcos e as coisas santas aos cães o ensino da sã doutrina, a quem não conhece experimentalmente ao Senhor Jesus em processo de regeneração.
Muitos pregadores agem como quem aprisiona um urubu, e, após pintá-lo de amarelo, coloca diante dele uma vasilha com alpistes diz: agora come e canta canário! Chamar urubu de canário é anti-natural e anti-racional. O mesmo se dá ao chamar toda criatura que adere a uma, ou a outra religião, de 'irmão fulano'. Alguém só é irmão quando possui a mesma paternidade, e, esta, acontece apenas quando alguém é feito filho de Deus por meio do novo nascimento conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."
Conforme o texto, é problema escolher qualquer um para ser bispo, ancião, mestre, pastor, presbítero, líder. Paulo, aconselha a Tito, no texto de abertura, a escolher para tal função alguém com determinadas características: marido de uma só mulher, irrepreensível, bom pai, não-irascível, não-espancador, nem beberrão, nem explorador de torpe ganância. Estas exigências não são fundadas meramente no comportamento moral, mas é o comportamento moral deste naipe que é para os que têm a vida de Cristo já cristalizada. Ninguém consegue ter um elevado nível de caráter, se não estiver n'Ele. Ao que parece, salvo as raríssimas exceções, hoje os líderes são exatamente os que preenchem todas estas mazelas e defeitos de conduta. Por isto, a mentira religiosa destroi casas inteiras e joga a fé na vala comum do mundanismo por similitude ao mundo sem Cristo.
A torpe ganância é o desejo de ser e ter além do que convém, quer seja no conhecimento, quer seja no acúmulo de bens, fama, prestígio e no campo espiritual.
Em Cristo!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

NÃO SUPORTARÃO A SÃ DOUTRINA III


Tt. 2: 1 a 8 - "Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina. Exorta os velhos a que sejam temperantes, sérios, sóbrios, sãos na fé, no amor, e na constância; as mulheres idosas, semelhantemente, que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem aos seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja blasfemada. Exorta semelhantemente os moços a que sejam moderados. Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra integridade, sobriedade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se confunda, não tendo nenhum mal que dizer de nós."
Eis aí, no texto, algumas razões por que não suportaram, não suportam e não suportarão a sã doutrina. Falar o que convém à sã doutrina é a primeira exigência, portanto, desagradável, visto que, comumente, os pregadores querem falar aquilo que lhes convém, ou o que convém aos seus desavisados ouvintes. O maior dilema da religião é precisamente este: colocar o homem na centralidade do culto. Entroniza-o no lugar de Cristo, como se fora um "deus". Amam mais a criatura do que o Criador que é bendito eternamente, conforme texto escriturístico reza. Buscam aprovação na sociedade degenerada e a honra dos homens decaídos.
Feitas as devidas digressões, os conselhos de Paulo ao pastor Tito, e o comportamento religioso de hoje, vê-se que há extrema oposição e distância entre estes. Observam-se velhos maldizentes, mal humorados, queixosos de todos e de tudo. Não são, em regra, temperantes, sérios, sóbrios, sãos na fé, no amor e na constância. Quando muito, são murmuradores e extremados na conservação de preceitos, dogmas, regras, e normas de igrejas, denominações e de homens falhos, os quais tomam por líderes e grandes virtuoses na Terra.
No tocante às mulheres mais velhas, então, a coisa só piora, pois não são reverentes no modo de vivier, sendo que algumas até tentam se comportar como adolescentes. Não perdem a chance de caluniar, não são mestras do bem, porque não servem de modelo e de exemplo em quase nada. Se bebem muito, ou pouco vinho não se sabe, porque geralmente o faz às ocultas. Entretanto, um homem sábio já dizia parafraseando este verso que não sejam dadas a nenhum vinho.
As mulheres mais novas amam sim os seus maridos na razão direta das suas contas bancárias, e quando tudo está bem e funcionando bem. Qualquer oscilação entre as amabilidades e as dificuldades é o suficiente para vislumbrar o desmoronamento do matrimônio. Amam os filhos de modo assimétrico, permitindo-lhes a ausência de limites, de um lado, porém, de outro lado, deixam de exercer o pátrio-poder quando a disciplina é necessária e essencial.
Muitas mulheres, velhas ou novas, detestam o apóstolo Paulo, a ponto de algumas, acusarem-no de "machista", porque este fala em submissão delas aos seus maridos. Ora, elas não concordam em submeterem-se a eles, quando estes não correspondem aos seus anseios, caprichos e disputas por poder, prestígio, e exibicionismo social. Então, as relações conjugais são frágeis e dependentes às intempéries da vida em comum.
Os moços, estes neófitos, abandonam-se e são abandonados aos seus próprios anseios. Vivem, como narcisos, diante do espelho de uma sociedade falida e imediatista, posto não terem bons exemplos transmitidos em seus lares. Em nada são moderados, pois a ânsia da vida por si mesma, os leva a uma corrida desenfreada para serem admirados e bajulados, então acabam entregues aos vícios, à violência e ao cinismo moral. Como poderão falar conforme uma sã doutrina, a qual nunca receberam, e, portanto, não conhecem?
Quanto aos líderes, pastores, ministros, diáconos, oficiais e servos, em quase nada podem ser tomados por exemplos. Integridade, lhes é faltosa; sobriedade, lhes é escassa; boas obras, geralmente, inexistentes, salvo com o dinheiro e os esforços dos outros; linguagem, comumente pobre e chula; irrepreensibilidade, quase desconhecida, pois se metem em muitas astúcias e negócios deste mundo.
Assim, se cumpre o que está escrito em Ap. 22:11 - "Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda." Caso alguém imagine que estas palavras são muito duras e injustas, filie-se a uma igreja qualquer e fique por lá uns dois ou três anos. Aqueles que já são membros há muito, basta não ser parcial e olhar com os olhos das Escrituras.
Obviamente, qualquer pecador regenerado poderá até vir a cometer todas estas falhas de caráter, desvios comportamentais, deslizes, fraquezas, etc. Entretanto, estas não lhes poderão ser por princípio e por hábito contínuo. Sua nova natureza não lhas comportam mais.
Em Cristo