domingo, 1 de agosto de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO IX


Ez. 33: 30 a 33 - "Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das casas; e fala um com o outro, cada qual a seu irmão, dizendo: vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do Senhor. E eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois com a sua boca professam muito amor, mas o seu coração vai após o lucro. E eis que tu és para eles como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra." A religião, enquanto processo subjetivo é o subproduto do desespero humano sobre si mesmo, sobre a realidade, e sobre a eternidade. Todavia, enquanto fenômeno sociológico é uma criação humana como meio de vida, como manutenção de status quo, e como produção da aceitação social de um indivíduo ou de um grupo. A primeira manifestação religiosa ocorreu ainda no Éden, quando os ancestrais primeiros se viram nus física e espiritualmente. Fizeram para si vestes de folhas de figueira para se cobrirem, e, assim, se sentirem aceitáveis perante Deus. O ato religioso consistiu em que por si próprios providenciaram a solução para o pecado, tentando criar uma aparência aceitável à Deus. Na relação verdadeira é Deus quem busca a solução ao pecado no homem, cobrindo-o com as vestes espirituais em Cristo. Por esta razão é que Deus os cobriu com peles de animais, indicando que um substituto tivera de morrer para que a nudez deles fosse encoberta. Isto indicou por tipificação a futura morte de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
O texto que dá início a este artigo mostra a prática religiosa como o disfarce legalista no qual se esconde o homem a fim de iludir-se a si mesmo e, por ela, tentar ser aceitável à sociedade e à Deus. O ato de ir a uma igreja, assentar-se para ouvir, falar aos outros do que têm visto e ouvido são meras atitudes religiosas que podem não indicar nenhuma essência de espiritualidade. É religião exterior e não adoração ressurrecta. Muita gente procura uma ou outra religião, igreja ou seita até mesmo para ouvir coisas duras e difíceis de serem praticadas. Isto porque, quanto maior o sacrifício de si mesmo, mais a mente religiosa contabiliza-se a si mesma méritos. Julgam que os esforços e as realizações em nome de um "ser supremo" lhes garantirão algum benefício nesta e na outra vida. Veem Deus como um banco financeiro onde se depositam obras de justiça própria, que, no tempo oportuno serão cobradas com juros e correção monetária.
Ap. 3:17 - "Porquanto dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu." A noção de bem-estar e de sucesso material está intimamente ligada à falsa crença de bem-estar espiritual. A primeira evidência do erro e do engano consiste na noção errônea de que o homem se basta a si mesmo. Deus, entretanto, mostra que o homem que pensa e age desta maneira é coitado, miserável, pobre, cego e nu. Lembrando-se que coitado é aquele que sofre o coito! A miséria está viceralmente ligada à pobreza de coração causada pela cegueira e pela nudez espirituais. Por esta razão Jesus, o Cristo aconselha no verso 18 do texto apocalíptico o seguinte: "... aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas." O ouro é, nas Escrituras, símbolo de justiça e a justiça pode ser distributiva ou retributiva. Assim, a justiça de Deus consiste em que Cristo morreu na cruz para destruir o corpo do pecado, o velho homem, a natureza adâmica ou a natureza pecaminosa. Por isto, a morte do Cristo foi, de um lado, inclusiva, e, de outro lado, substitutiva. O refinamento do ouro é que o torna bonito aos olhos; as vestes brancas simbolizam a purificação dos atos pecaminosos na formação da santidade de Cristo em cada eleito e regenerado; a nudez física e espiritual é coberta por ação monérigica e não por providências sinérgicas; o colírio para curar os olhos da alma, afim de que o regenerado veja e entre no reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5.
O texto de abertura mostra que os religiosos vão às suas agregações e, ouvem a falação de um pregador apenas como quem fala canção de ninar. São palavras suaves e agradáveis às suas carências e medos. Elegem aquilo que querem ouvir ao contratar os pregadores que lhes agradem e oferecem aos ouvintes um falso conforto e um ilusório consolo. A consequência disto é que não há ponto de conciliação entre o que se ouve e o que se faz. Muitos destes viciados em religião, têm um procedimento nas comunidades a que pertencem, e outro no dia-a-dia em relação à família, ao ambiente de trabalho e nos negócios. Isto acontece, porque há uma contradição entre o que se afirma crer e a natureza pecaminosa persistente no coração.
Sola Gratia!

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