terça-feira, 6 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO IV


At. 25: 17 a 20 - "Quando então eles se haviam reunido aqui, sem me demorar, no dia seguinte sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem; contra o qual os acusadores, levantando-se, não apresentaram acusação alguma das coisas perversas que eu suspeitava; tinham, porém, contra ele algumas questões acerca da sua religião e de um tal Jesus defunto, que Paulo afirmava estar vivo. E, estando eu perplexo quanto ao modo de investigar estas coisas, perguntei se não queria ir a Jerusalém e ali ser julgado no tocante às mesmas." O contexto mostra os anciãos dos judeus e os principais sacerdotes, acusando o apóstolo Paulo de uma série de queixas infundadas. Armaram-lhe ciladas para o matarem, quando este fosse a Jerusalém. Perante Festo, autoridade romana na Palestina, foram apresentadas em tribunal graves acusações conforme os versos 7 e 8 - "Tendo ele comparecido, rodearam-no os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo contra ele muitas e graves acusações, que não podiam provar. Paulo, porém, respondeu em sua defesa: nem contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César, tenho pecado em coisa alguma."
Verificam-se diversos aspectos nesta questão: primeiramente os líderes religiosos eram pessoas inescrupulosas que não vacilavam em acusar fortuitamente alguém que não os agradassem; secundariamente eram capazes de tramar, inclusive, contra a vida de alguém que julgassem desafeto; e finalmente eram capazes de inventar mentiras e acusações levianas contra quem pregasse outra fé que não a deles. Ora, mutatis mutandis, as coisas não se alteraram muito nestes  últimos 2.000. O mundo atual, com toda a ilustração e humanismo continua presenciando tais manifestações almáticas de seres decaídos e entregues às suas próprias verdades. Uma das razões da multiplicação de igrejas, seitas e religiões, não é outra, senão os desentendimentos e disputas dentro destas instituições. Os inconformados vão saindo e formando novas religiões e seitas que satisfaçam seus interesses. E, tudo isto, em nome de Jesus, em honra do evangelho e pela glória de Deus. Nem Deus, nem Cristo, nem o evangelho estão nisto! Salvo, quando a razão é a veracidade das Escrituras, embora as dissensões e divisões não são causados por causa da verdade.
Verifica-se no texto que abre este estudo que a razão real do desejo de eliminar o apóstolo Paulo, não era outra, senão a pregação da verdade acerca de Jesus, o Cristo rejeitado pelos judeus. É neste contexto que o governador romano, Festo, menciona a palavra religião. Neste texto utilizou-se da palavra grega 'deisidaimonías' para expressar religião, culto, superstição a espíritos, forças sobrenaturais, divindades, deuses. Vê-se que na própria etimologia da palavra religião aparece o termo 'demônios' com a conotação de deuses. Este é o significado da palavra "religião" no sentido genérico que se utilizava entre os povos politeístas. No texto utilizado pelo apóstolo Tiago em sua epístola a palavra é 'threskéia' [θρησκεία
], trazendo sentido relacionado ao culto reverente e à observação de preceitos e ritos exteriores. Indica, neste caso, apenas um comportamento humanista em serviços caritativos resultantes de uma mente renovada e voltada para Deus.

O governador Festo se refere a Jesus, meramente como alguém morto e que era pregado ou cultuado por Paulo como estando vivo. Ele demonstra não ter conhecimento real sobre Jesus, o Cristo, mas apenas informações difusas sobre Ele. A autoridade romana sequer sabia como se proceder juridicamente no processo, visto ser este absolutamente desprovido de fundamentação. Como não sabia instruir o processo, sugeriu a Paulo ir a Jerusalém, a fim de ser interrogado lá, o que ele se recusa, por saber que certamente seria incriminado pelos sacerdotes, escribas, anciãos e fariseus. A questão em jogo não era o judaísmo, ou mesmo qualquer crime civil cometido por Paulo, mas a ira do sistema religioso vigente contra a pregação do evangelho das boas novas. Este evangelho ameaçava o ganha pão e o sistema engessado na lei mosaica. 
Por todas estas razões é que a religião é insuficiente para produzir uma nova criatura no homem decaído e absolutamente depravado aos olhos de Deus. Se a questão fosse de cunho meramente religioso, o mundo estaria bem melhor, pois o que não falta em todos os rincões da Terra é religião. É como afirma A. W. Tozzer, "...os cristãos estão com a Palavra de Deus nas mãos, mas sem o Deus da Palavra." Entretanto, designar o religioso de cristão é mera formalidade, ou pura retórica, porque pertencer a uma igreja ou instituição religiosa não faz de ninguém um cristão.  Para tanto é necessário o nascimento do alto na conformidade de Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."

Sola Gratia!

Sola Scriptura!

Solo Christus!

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