domingo, 28 de março de 2010

A SÍNDROME DE JÓ XXII



Jó 38: 1 a 3 - "Depois disso o Senhor respondeu a Jó dum redemoinho, dizendo: quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? Agora cinge os teus lombos, como homem; porque te perguntarei, e tu me responderás." Nos capítulos 36 e 37, Eliú, o mais moço, além dos três pretensos amigos de Jó, após o início do processo de tratamento dispensado a este por Deus, prossegue aquele em sua avaliação correta em relação à Deus, mas equivocada em relação a Jó. Ele teceu uma série de considerações moralmente corretas acerca de Deus e do seu eterno poder, mas não conseguiu ver que todas as ações d'Ele não eram causadas por conta de alguma má conduta de Jó, pois todo homem nasce pecador e Deus não trata os pecadores com base no que fazem, mas com base no que são por natureza. Ainda hoje os religiosos, especialmente os arminianos, confundem a natureza pecaminosa com os atos pecaminosos dela decorrentes.
A partir do capítulo 38, do livro de Jó, Deus interrompe os discursos humanos e toma a palavra para si, realizando o processo final de comunicação da verdade. Por extensão, tal processo é o mesmo a todos os eleitos ao longo dos tempos. O máximo que o homem decaído consegue com seus discursos, suas doutrinas, seus preceitos, suas normas e suas regras religiosas é obscurecer o conselho de Deus. Quando mais falam, menos entendem e conhecem. As palavras originadas em uma mente corrompida pelo pecado são, no mínimo, sem conhecimento. Não possuem luz do alto, mas apenas o saber humano ofuscado pela natureza pecaminosa que limita e escraviza a inteligência, a mente e o coração humano. Por isso, Paulo afirma em Rm. 1:22 - "Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos..." Também em I Co. 1:25 - "Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens." Entretanto, o orgulho e a soberba, especialmente a religiosa não permitem ao homem perceber estas verdades simples e cristalinas.
No capítulo 38, Deus tece uma série de indagações a Jó, para evidenciar o quanto ele estava distante de conhecer o verdadeiro soberano Senhor e dominador dos céus e da Terra. Mostra-lhe as leis naturais que foram postas para dar termo as coisas e fazê-las obedecer a vontade de Deus.
Nos versos 22 e 23 Deus faz profecia de acontecimentos reservados para o tempo do fim. Nos versos seguintes Ele transfere as indagações para o espaço sideral acerca das ordenanças do céu. Tudo isto para mostrar a Jó a sua infinita pequenez diante da grandiosidade da criação e das leis que a rege. A soberba humana decaída e separada da glória de Deus, não permite ao homem reconhecer, confessando estas verdades. Quando as reconhecem são meras declarações sem fé. Por esta razão é que Paulo mostra em Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." A única maneira de ser restituído à glória de Deus é por meio do nascimento do alto conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Entretanto, para nascer do alto, como está no original grego, é necessário crer que foi crucificado com Cristo e que com Ele ressuscitou. Quando cremos que morremos em Cristo, na Sua morte de cruz, significa que nosso pecado original foi destruído conforme Rm. 6:6 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." Igualmente, quando cremos que ressuscitamos juntamente com Ele, significa que ganhamos a sua vida eterna e abundante conforme Cl. 2: 13 - "... e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos."
A Cristo, pois, honra, força e majestade eternamente.
Sola Fide!

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