domingo, 27 de setembro de 2009

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XX


I Jo. 2:18 - "Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora." O substantivo anticristo possui o sentido de tudo o que se opõe a Cristo, aos cristãos e ao Cristianismo. Todavia, também significa aquele ou aquilo que presume tomar o lugar de Cristo. O vocábulo utilizado no texto que abre esta instância, é no grego neotestamentário, 'antichkristós', resultando da junção do prefixo 'anti' que é uma preposição, podendo significar: "face a face, oposto a, em frente de, no lugar de". Acrescido do título "Christós" que significa: Ungido, Escolhido, Enviado. Assim, a expressão 'anticristo' significa "que supõe tomar o lugar de Cristo, em substituição a Cristo, no lugar de Cristo."
Cumpridas as devidas exigências semânticas, passemos às considerações ao texto. O apóstolo João está mostrando que há uma profecia do advento do anticristo, mas que muitos homens já havia se levantado nesta condição, pois em suas heresias pretendiam tomar o lugar de Cristo na primazia do evangelho e da justificação do pecador. O ensino joanino é que estes acontecimentos e comportamentos na Igreja eram indicações de que o tempo do fim havia começado desde o primeiro século da era cristã.
Estes anticristos, os quais têm surgido e insurgido ao longo dos séculos desta última hora são doutrinadores, pregadores, professores de teologia, missionários, líderes religiosos. Os tais pretendem quebrar toda a revelação compendiada nas Escrituras para inserir seus métodos para a salvação do homem decaído. As Escrituras mostram que o homem decaído e absolutamente depravado, não possui capacidade alguma para crer no evangelho e para cumprir a lei moral; que a eleição divina é por graça e não por mérito, sendo, portanto, soberana, irresistível e incondicional. Os pecadores achados pela graça recebem fé para crer e para serem justificados mediante esta fé; que a obra remidora de Cristo teve como alvo a salvação dos eleitos e não de todos os homens; que a obra do Espírito Santo é a de conduzir os pecadores à fé por meio do convencimento da justiça, do juízo e do pecado; e que os eleitos regenerados são guardados nesta fé recebida e na graça pelo poder de Deus até que cheguem a glória eterna.
Desta forma uma das primeiras manifestações dos anticristos protótipos do anticristo final é a da negação destas verdades. Eles não conseguem alcançá-las por conta própria, porque as tais resultam da misericórdia e da graça livre de Deus, por isso, se rebelam contra elas criando uma religião paralela e de segunda mão.
Rm. 9:16 - "Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia." Então, a salvação não depende do querer do homem, nem tão pouco do esforço humano, mas de Deus que usa de misericórdia. Isto é considerado pelos espíritos enganados pelos espíritos enganadores como uma humilhação e uma injustiça de Deus. O espírito do engano religioso age sempre desta forma: se não podem crer, então não é verdadeiro.
Pelágio foi um desses, que, não podendo compreender a real existência da natureza pecaminosa, anterior e determinante dos atos pecaminosos, preferiu negar que houvesse o pecado original. Depois dele, tantos outros assim também procederam em suas crenças em arrepio às Escrituras. Dentre eles, um merece destaque pela importância a que a ele foi atribuída como grande virtuose, grande avivalista e grande pregador. Trata-se de Charles G. Finney. As Escrituras afirmam que o pecado original de Adão passou a todos os seus descendentes, porque ele era não apenas o pai ancestral, mas também o representante da raça humana. Por isso, no texto original hebraico ele é chamado de "cabeça federal de raça". Estava Adão em uma relação de pacto com Deus e com os seus descendentes. Como Adão pecou, transmitiu por culpa legal as consequências do pecado a todos os seus representados. Por isso, Deus encerrou tudo e todos debaixo do pecado para usar de misericórdia para com todos conforme Gl. 3:22 - "Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos que crêem." Finney afirmou que tais ensinos das Escrituras eram absurdos e que o pecado, tal como ele o entendia, era resultado da livre escolha do homem. Assim, nasceu a falsa doutrina do "livre arbítrio". Finney estava baseado no sistema filosófico de Imanuel Kant, o qual afirma: "se eu devo, eu posso." Para Finney a doutrina do pecado original era uma subversão do evangelho e repulsiva à inteligência humana. Pelágio negava a graça como necessária à salvação, enquanto Finney admitia a ajuda do Espírito Santo para tanto, porém com a cooperação do homem pecador. Atropelou capítulos inteiros das Escrituras para sustentar isso apenas com base em cogitações filosóficas, lógica forense e senso de justiça própria para um pecador destituído da glória de Deus. Este Charles Finney foi um pobre enganado e um tolo enganador. Como a religião enganada aprecia o engano, ele é tido como grande avivalista ainda hoje.
Assim, de fato, muitos anticristos se têm levantado e se levantarão outros tantos ainda. Cada nova geração de anticristos será mais enganada e mais enganadora que a anterior. Isto ocorrerá até que venha o Anticristo final, o qual o Senhor dos Senhores e o Rei dos Reis destruirá como o sopro da sua boca.
Então fica o que reza I Tm. 1:17 - "Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém."

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XIX


Ef. 2: 19 a 22 - "Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito." O texto indica que os eleitos e regenerados são edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, isto é, no ensino doutrinário pregado por eles. Jesus Cristo é a principal pedra da esquina, sendo esta uma analogia aos construtores de grandes estruturas da época, quando os edificadores encaixavam uma pedra em forma de cunha nos ângulos, a qual dava todo o equilíbrio à massa total do prédio. Retirando esta pedra angular, toda estrutura se desmoronava. Então é n'Ele, Cristo, que todo o edifício, ou seja, a Igreja devidamente ajustada, cresce para servir de templo santo no Senhor. Os eleitos e regenerados são partícipes neste edifício, sendo que o próprio Deus em Espírito neles habita.
A questão fundamental a ser colocada aqui e que se contrapõe à proposta escriturística do texto vertente é que as religiões institucionais optaram por um caminho de relevância com base na satisfação das necessidades e anseios do homem. Querem e buscam um conjunto de manifestações que possam atestar o poder, tanto espiritual, como temporal os quais coloquem a igreja em alto relevo. Querem retirar a igreja da obscuridade e da marginalidade a que foi submetida ao longo dos séculos a fim de torná-la notável, poderosa e importante. Neste sentido, buscam o método que toma por referência o homem, satisfazendo-lhe as carências e até mesmo os caprichos. Assim, permanece a idéia subjacente que pessoas satisfeitas permanecem na igreja e trazem outras pessoas a ela, criando aparência qualitativa, gerando recursos financeiros e tecnológicos, tornando assim estas igrejas importantizadas no contexto do mundo moderno. Mero engano que engana e dá bases aos enganadores! Estas igrejas são repletas de pessoas azedas, maledicentes, invejosas, contenciosas e cheias de veneno. Nelas não se vê o perfume de Cristo, mas o azedume da alma soberba.
Acontece que muitas das possíveis necessidades humanas são produzidas em seu inconsciente por meio de artifícios subliminares. Não são necessidades, mas apenas desejos. Por isso, o texto sagrado previne em Is. 55: 1 e 2 - "Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura." Enquanto Deus oferece a sua maravilhosa graça, os homens buscam satisfação almática.
Tomam desejo por necessidade e, com isso, as consideram legítimas apenas porque são sensoriais. Nunca se falou tanto em auto-estima, auto-confiança, auto-satisfação, felicidade, alegria, paz e vitória, como nos dias atuais. Há inumeráveis livros escritos para dar respostas a perguntas que jamais serão feitas. A necessidade de satisfação de desejos ou necessidades tem primazia sobre a necessidade de ser justificado da natureza pecaminosa. Não dão importância ao ato misericordioso da graça de Deus aceitando o pecador em Cristo, mas dão importância à cura, à vitória sobre questões financeiras, dentes de ouro, prosperidade, reconhecimento e consulta sobre assuntos do mundo.
Os meios de comunicação criam constantemente novas necessidades, gerando no subconsciente dos homens uma permanente insatisfação. Isto acontece para que se tornem presas fáceis às novas experiências de consumo. É este tipo de pessoas que vão buscar nas igrejas institucionais os mesmos estímulos e as mesmas respostas. Ingressam numa igreja sem evangelho, onde um Deus do tipo "resolve tudo" se inclina a eles para lhes satisfazer todas as suas exigências, sem extirpar-lhes a natureza pecaminosa. É uma religião sem justiça na cruz, sem pecado e sem inferno. Coitados! Morrerão em seus pecados conforme Jo. 8:24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados."
Nestes corações enganados pelos espíritos enganadores prevalecem os "cuidados deste mundo e a fascinação das riquezas."
A Cristo, pois glória e majestade eternamente!

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XVIII


Mt. 13:18 a 23 - "Escutai vós, pois, a parábola do semeador. Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho. O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende; E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera; Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta." Uma parábola é por força da sua natureza estilístico-literária uma 'narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior'. Provém do gênio da língua grega 'parabolé', isto é, falar por curvas, ou por meio de sobreposição de imagens e idéias. O fato de alguém falar por parábolas não retira a verdade do conteúdo daquilo que se diz. É apenas um recurso de comunicação e de retórica.
A parábola de Jesus, objeto deste estudo, coloca em epígrafe quatro categorias de ouvintes da Palavra do reino: a) os que ouvem, mas não entendem; b) os que ouvem, mas não se aprofundam; c) os que ouvem, mas têm outras prioridades neste mundo; d) e os que ouvem e compreendem, resultando em reprodução geometricamente progressiva.
Observa-se que a semente semeada é a mesma, porém os tipos de solos são diferentes. A ordem à proclamação do evangelho é fato incontestável, porém a recepção do mesmo não é comum a todos. Se a semente que cai em boa terra germina e se multiplica, é por conta da excelsa qualidade da terra, ou porque o agricultor eterno a preparou para receber a semente? Jo. 15:1 - "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador." Primeiramente a semente deve proceder de uma matriz verdadeira, a saber, Cristo, do qual se obtém as sementes. o Pai é o viticultor ou agricultor, pois é Ele quem prepara tanto a terra, como a semente. Assim, o fato de religiosos e igrejas denominacionais andarem semeando pelo mundo não implica necessariamente em que a semeadura e a colheita sejam garantidas. Depende da semente que está sendo semeada e da terra que recebe a semente. Se ambas não forem na centralidade de Cristo na cruz, é semear em rochedos espalhados em meio à terra árida.
Ez. 36: 26 e 27 - "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis." Quem dá o coração novo e o espírito novo é Deus e não a postura comportamental e moral do homem. Assim, o Agricultor Eterno é quem prepara a terra para receber a divina semente. É Deus quem retira o coração esclerosado pelo pecado e coloca um coração maleável pela Palavra. É Deus quem retira o espírito morto nos delitos e pecados e coloca o Seu próprio Espírito. É Deus quem faz que os eleitos e regenerados andem nos estatutos, a saber, nos ensinos. Onde está a participação voluntária e livre do homem neste ensino? Por que enganadores, continuam enganando os enganáveis sobres estas questões? Porque os tais estão à beira da estrada, em pedregais e em espinheiros cheios de si mesmos e porque não acharam a graça diante de Deus para serem regenerados. Nestas condições é que espíritos enganadores semeiam as suas abominações em nome de Cristo, porém ele continua a lhes afirmar: "nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade."

domingo, 20 de setembro de 2009

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XVII


At. 1: 1 a 8 - "Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? E disse-lhes: não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra."
É inegável que há uma crise na humanidade. Entendendo crise como o contexto em tela exige, pode-se dizer que há um conflito e uma enorme tensão nas relações intrapessoais e interpessoais. O pecado gerou um permanente estado de crise, visto que este é iniquidade, a saber, uma falta de equidade. Ele causa permanente estado de desequilíbrio entre corpo, alma e espírito no homem. Além, obviamente, de ter causado profundo desequilíbrio nas relações entre os homens e destes para com o Criador.
A principal crise da igreja institucional é que ela está na contramão do evangelho. Há uma ideia generalizada que a igreja tornou-se irrelevante e entediante, porque não oferece os atrativos desejados pela alma humana. Neste ponto, a situação se agrava, uma vez que, ao invés de o homem pecador se curvar à verdade, quer que esta se lhe curve aos caprichos e desejos contaminados pela natureza pecaminosa.
Prevalece na igreja histórica e nominal uma forte cultura do sucesso como um estilo garantidor de bem-estar espiritual. Praticam um culto do tipo, obtenha os resultados que o mundo deseja, ou então, Deus não está aqui. Colocam em xeque, o poder de Deus diante dos apelos do mundo e vão construindo cada vez mais, uma religião de segunda mão. Exigem um Deus que satisfaça plenamente os desejos dos homens sem que estes tenham qualquer experiência nas Escrituras, na cruz, e em Cristo. Esta igreja capenga e soberba prega um evangelho de conveniências e não o evangelho da graça plena.
Assim, a crise por que passa a denominada cristandade é uma crise de poder. Não o poder tal como doutrinado em Atos 1. Mas, um poder que garanta a satisfação ao homem portador da natureza pecaminosa. Reagem ao mundo espiritual como se estivessem numa loja de departamentos cuja propaganda reza o seguinte: "sua satisfação garantida, ou vá para o concorrente." Neste sentido confundem poder material com poder espiritual. Enquanto aquele se apropria por meio de coisas e sinais sensoriais, este se recebe como dom de Deus. O que o texto de Atos ensina é que o poder do alto é para capacitar o crente ao testemunho e não para obter coisas como se vê nestes tempos difíceis. O que buscam estes religiosos não é o poder espiritual, mas capacidade para realizar sinais e maravilhas. Imaginam eles que isto é o suficiente para demonstrar Deus e obter d'Ele algo. No final acabam por estabelecer alianças com espíritos enganadores e se tornam igrejas enganadas e enganadoras. Deus é Espírito e recebe adoração em espírito. Sinais, prodígios e maravilhas são para incrédulos e não para crentes. Os nascidos de Deus são como o vento que sopra onde quer e ninguém vê. Não são norteados por sinais, mas pela fé dom de Deus.
O texto acima, mostra que o único poder conferido por Deus aos seus eleitos é para ser testemunhas em Jerusalém (igreja local), em Judéia e Samária (igreja regional) e nos confins do mundo (igreja universal). Lembrando-se que no grego neotestamentário, testemunha é o mesmo que mártir e não aproveitador e explorador do poder divino, como se Deus pudesse ser manipulado pelo pecador.

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XVI


II Pd. 1: 16 a 21 - "Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo; E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." Não há dúvida alguma que persiste um profundo engano no seio das igrejas institucionais. Prevalece nas religiões humanizadas uma profunda secularização e uma indefectível humanização.
Entende-se por secularização a crescente utilização da tecnologia disponibilizada pelo presente século para obter resultados espirituais. Também, e por extensão de sentidos, a secularização é uma conformação do religioso aos padrões aceitos e praticados pela sociedade. Por humanização se pode entender a crescente centralidade no homem e suas carências e necessidades. Tais critérios estão substituindo as Escrituras que devem ser o norte do que é  chamado de espiritual.
O texto do apóstolo Pedro afirma com profunda solenidade que o conhecimento de Cristo é com base na experiência vivenciada e por meio da Palavra de Deus audível e escrita. É esta essencialidade que a igreja secularizada e humanizada perdeu. Tais igrejas dão mais valor ao culto exterior, à estética do templo, aos preceitos definidos pelos líderes das denominações religiosas. Cristo está do lado de fora destas igrejas, porque ele não atrai os interesses de uma sociedade corrupta, corruptível e corrompida.
O apóstolo doutrina sobre a necessidade de estar atento à palavra dos santos profetas e mostra que a Palavra de Deus não é de particular interpretação e que a profecia nunca foi produzida por homem algum. É esta doutrina que falta nas igrejas humanistas e humanizadas. Elas estão amplamente e profundamente arraigadas aos princípios estranhos ao evangelho da graça apresentado por Jesus, o Cristo. Neste ponto é que se tornam igrejas enganadas e verdadeiros serpentários de espíritos enganadores. Isto porque dão ouvidos às fábulas judaizantes, valorizam a lei e não a graça, dão ouvidos às falsas profecias baseadas na lógica humana. São cristãos sem Cristo, regenerados sem novo nascimento, igrejas sem comunhão.
A conjuntura religiosa da atualidade é muito favorável às influências de enganos, enganados e enganadores. Há uma profunda crise de identidade na igreja institucional, pois os grupos chamados tradicionais se dilaceraram em sub-grupos com doutrinas esdrúxulas; profunda decepção com o que se convencionou chamar de evangélico; ausência de líderes de notável saber bíblico com revelação do alto; extremo pessimismo em relação ao futuro dos crentes; grande crescimento numérico e quantitativo, mas profundo impacto negativo e qualitativo na vida dos religiosos; isolamento cultural, porque a erudição intelectual definiu a atual era como sendo pós-cristã; e substituição do ensino da sã doutrina pelas soluções políticas e metodológicas. Estão, portanto, combatendo o que é espiritual com armas humanas e materiais, nunca encontrarão a vitória verdadeira sem Cristo.
As perspectivas apresentadas não são bíblico-escriturísticas e a ministração do evangelho se transformou em ativismo e evangelicalismo barato. Entretanto, Deus está no comando, porque nada Lhe escapa no universo. A Ele, pois honra, glória e majestade em Cristo.

domingo, 6 de setembro de 2009

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XV


Ef. 2: 1 a 3 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." Antes do nascimento espiritual, nascimento do alto, regeneração, ou finalmente novo nascimento, todos os homens são portadores da natureza pecaminosa. Esta é a base "legal" utilizada pelo Diabo para controlar e manter sob controle o homem decaído. Isto aconteceu, porque houve incredulidade do primeiro homem à Palavra de Deus no Éden, a qual o levou a supor que poderia viver absolutamente independente de Deus.

O curso deste mundo, o príncipe das potestades do ar e o espírito que opera nos filhos da desobediência são as conquistas diabólicas geradas pela natureza pecaminosa inoculada no homem. Satanás adquiriu direitos sobre o homem e sobre a Terra por causa do pecado que provocou a queda, isto é, a morte para Deus.
As consequências e as evidências de tal conquista de terreno dos espíritos enganadores são os desejos da carne, a vontade da carne e dos pensamentos e a natureza degenerada objeto da ira de Deus. Estas não são apenas consequências comportamentais, morais e éticas. Elas são parte da natureza humana por inseminação satânica por meio do pecado original. Os atos e atitudes antiéticos, imorais ou comportamentais são os reflexos externos e perceptíveis resultantes da natureza decaída.
A carne a que se refere o texto grego 'koiné' não é apenas o corpo físico. O termo utilizado é 'sarkikós', ou seja, a natureza não regenerada, a natureza animal, a fraqueza, a corruptibilidade e o perecimento físico e intelectual. Isto implica em um conjunto de sintomas que debilita e desabilita o homem diante da santidade de Deus. Neste sentido, ele está absolutamente sob o controle dos espíritos enganadores comandados pelo príncipe das trevas, a saber, Satanás.
Este estado de carnalidade inclui a natureza humana com a alma, o corpo e o espírito morto para Deus. É o homem em aparteísmo à natureza divina, e, portanto, inclinado naturalmente aos atos pecaminosos opostos a tudo o que se refere a Deus. Não quer dizer que o homem nesta condição seja malvado, grosseiro, bruto e agressivo todo o tempo e ostensivamente. Ele pode ser reto, íntegro, temente e que se desvia do mal moral. O que conta, neste caso, é a essência e não apenas a aparência exterior do homem decaído. Este é o domínio da natureza pecaminosa, da natureza adâmica, ou do velho homem enfocado por Paulo em Rm 6. Envolve, segundo Melanchthon, a inteira natureza humana, isto é, sensibilidade, razão e corpo sem a presença do Espírito de Cristo.
É neste ponto que muitos confundem obras de justiça própria, comportamentos éticos e morais com espiritualidade. Um homem pode ser um bom cidadão, uma boa pessoa, um excelente religioso e, ainda assim, não ser regenerado. A natureza pecaminosa busca o auto-endeusamento do homem. Para isso, desenvolve boas coisas, geralmente com base em códigos comportamentais e religiosos. Neste sentido é que Cristo recriminou aqueles religiosos de Mt. 7, os quais profetizavam, curavam e expulsavam demônios. Estas são boas coisas, porém feitas àparte da natureza santa e justa de Deus. Por isto, foi-lhes dito que Ele nunca os havia conhecido. Também foi-lhes declarado que se apartassem d'Ele, porque estavam praticando iniquidades.
É fundamental entender que o mal espiritual nunca se apresenta como o mal moral, pois desse modo, haveria uma enorme reação contra ele. Apresenta-se sempre como algo aceitável e recomendável como espiritual. Porém, cabe ao regenerado ter pleno conhecimento a qual espírito pertence segundo Lc. 9:55 - "Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: vós não sabeis de que espírito sois."
Afinal, de que espírito você é? do Espírito Santo, do espírito maligno, ou do espírito do homem apenas?