sexta-feira, 24 de julho de 2009

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS IV


At. 20: 24 e 32 - "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados." A graça dá a devida dimensão do que o homem regenerado é, e de quem Deus de fato é. Este, absolutamente soberano, enquanto aquele, absolutamente dependente. O evangelho é a expressão concreta da graça de Deus, porque Ele mesmo se doou na cruz para conceder a maior doação ao pecador, a saber, a salvação. A palavra de Deus, ou seja, as Escrituras são a verbalização eloquente da Sua graça. É Deus quem santifica o homem decaído e o faz herança Sua na construção da semelhança de Cristo em sua vida.
O pecado é ausência de fé na Palavra de Deus, tendo sido inciado no Éden quando o primeiro homem não deu crédito a ela. Preferiu, outrossim, dar crédito à palavra do maligno, porque desenvolveu o desejo de ser independente de Deus. Neste ponto o seu espírito foi desligado do Espírito de Deus, causando-lhe a morte espiritual, a qual não significa destruição do espírito. A partir da sua expulsão do Paraíso, foram sendo desenvolvidos os atos pecaminosos com base na natureza destituída da glória de Deus. A graça concretizada historicamente na morte de Cristo e decidida antes dos tempos eternos pelo próprio Deus que imolou o Cordeiro antes da fundação do mundo. Por isso, a doutrina bíblica afirma: "...e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz." O pecado original foi cravado na cruz, e, para tanto, o pecador também foi incluído na morte de Cristo, para com Ele também ressuscitar e ganhar a Sua vida eterna. Isto se apropria por fé conforme a definição de fé escriturística e não mística.
Esta é, portanto, a mais alta instância da graça de Deus, executando a sentença contra o pecado em Seu Filho Unigênito para justificar o pecador sem méritos e sem justiça própria. Este é, portanto, o verdadeiro ensino das Escrituras sobre dependência plena da graça de Deus. Não é ensino religioso, o qual coloca o homem portador da natureza pecaminosa como cooperador na obra da redenção. Enquanto graça é dádiva de Deus ao que nada merece, misericórdia é Ele não dando ao desgraçado, exatamente o que ele merece como tal, a saber, a condenação eterna. São termos intercambiáveis, pois ambos conduzem à plena dependência do pecador em relação a Deus. Por esta razão, a melhor significação para misericórdia é compaixão para com a miséria dos outros. Neste sentido, Deus olha para os seus eleitos conforme a impossibilidade deles em se redimir, e segundo a Sua superabundante graça, a qual cobre todo pecado, exceto o pecado da incredulidade que é o pecado contra o Espírito Santo.
A graça é ambígua, pois causa profunda decepção ao homem cheio de sua falsa autonomia edificada sobre a falsa doutrina do livre arbítrio, porém é a mais elevada expressão da bandade de Deus. Como ser absoluto e soberano que é, Deus poderia simplesmente não salvar ninguém, e isto, não Lhe causaria qualquer diminuição ou injustiça. O inusitado e maravilhoso é Ele usar de misericórdia e graça para com os que quer conforme Rm. 9:18 - "Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer."
A Ele, pois, honra, força e majestade eternamente!

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