segunda-feira, 22 de junho de 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XV


Ez. 34: 11 a 20 - "Assim diz o Senhor Deus: eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e não lhes servirão mais de pasto. Porque assim diz o Senhor Deus: eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão. E tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos países, e as trarei à sua própria terra, e as apascentarei nos montes de Israel, junto aos rios, e em todas as habitações da terra. Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus. A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com juízo. E quanto a vós, ó ovelhas minhas, assim diz o Senhor Deus: eis que eu julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes. Acaso não vos basta pastar os bons pastos, senão que pisais o resto de vossos pastos aos vossos pés? E não vos basta beber as águas claras, senão que sujais o resto com os vossos pés?E quanto às minhas ovelhas elas pastarão o que haveis pisado com os vossos pés, e beberão o que haveis sujado com os vossos pés. Por isso o Senhor Deus assim lhes diz: eis que eu, eu mesmo, julgarei entre a ovelha gorda e a ovelha magra."
O grande e significativo diferencial entre a Teologia Reformada e a Teologia Deformada é precisamente as Escrituras. Enquanto a Teologia Reformada prima pela fidedignidade às Escrituras, a Teologia Deformada elabora uma doutrina mesclada de humanismos. Isto fica evidenciado e comprovado pela qualidade das traduções dos códices sagrados. O tradutor sempre tende a optar pela tradução mais próxima ao que se constitui a base da sua crença, e não opta pelo que de fato diz o texto. Sabe-se que a verdade deve ser crida como verdade, pois meias verdades são mentiras. As Escrituras foram compendiadas para serem cridas e não para serem discutidas. Este tem sido o erro fundamental que leva muitos ao engano, ou seja, tomar as Escrituras como mero manual de religião e não como a Palavra de Deus. Entretanto, sabe-se, que, até para crer nas Escrituras o pecador carece da graça e da misericórdia de Deus. O homem decaído em sua natureza contaminada pelo pecado não pode crer, e, mesmo quando demonstra alguma forma de querer, este só lhe acontece, porque é Deus quem opera, tanto o querer, como o efetuar. Somos incapazes de crer, buscar, querer, fazer e entender sem a graça conforme Rm. 3.
No texto que abre este artigo vê-se com clareza meridiana a diferença entre a sã doutrina e a falsa doutrina; entre a teologia estritamente bíblica e a teologia da praxis típica do religioso deformata. É como diz Jó 14:4 - "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém." Esta é uma tarefa impossível ao homem, mas o que é impossível ao homem é possível a Deus.
No contexto, vê-se a ação monergística de Deus agindo em favor dos seus eleitos e em detrimento da religião falseada. Pastores que se apascentam a si mesmos são aqueles que guiam os cegos para o abismo e se alimenta do rebanho ao invés de alimentá-lo. Eles sonegam a verdade, porque são faltosos desta mesma verdade. Por isso Cristo afirma que são como cegos guiando cegos.
Porque Deus está a procura das ovelhas fracas, quebradas, magras? Porque esta é a real condição do homem que foi atingido pela graça de Deus. Ele não se fia em si mesmo, mas procura estar na plena dependência do Pai. Elas são apascentadas por Deus e também por Ele são alimentadas. Contrariamente, as ovelhas gordas tipificam o homem que se basta a si mesmo. É o pecador enfatuado em sua justiça própria e reclamante de direitos e bênçãos diante de Deus com base apenas em seus méritos e não nos méritos de Cristo. Não se aproximam de Deus com base no substituto, mas com base em suas justiças próprias adquiridas pela teologia deformada, pela religião humana, visto que Deus não criou nenhum sistema religioso.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XIV


II Rs. 4: 38 a 41 - "E, voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra, e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença; e disse ao seu servo: põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas. Então um deles saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela enchendo a sua capa de colocíntidas; e veio, e as cortou na panela do caldo; porque não as conheciam. Assim deram de comer para os homens. E sucedeu que, comendo eles daquele caldo, clamaram e disseram: homem de Deus, há morte na panela. Não puderam comer. Porém ele disse: trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: dai de comer ao povo. E já não havia mal nenhum na panela." A mensagem é muito clara: o que é impossível ao homem é possível a Deus. A situação descrita mostra que a soberania de Deus se estende a todos igualmente. Não é pelo fato de ser profeta ou filho de profeta que Deus está obrigado a ser favorável e fazer que as benesses estejam asseguradas.
Esta passagem encerra em si mesma uma mensagem bem mais profunda do que uma simples história veterotestamentária para ser contada em classes de escola dominical. Ela mostra de um lado a fome espiritual, e de outro lado, a busca pelo alimento falseado. A tal parra brava é biologicamente conhecida como colocíntida, ou coloquíntida, uma espécie de trepadeira ornamental, da família das cucurbitáceas - Cucurbita pepo -, de flores com corola amarela e monopétala e frutos com manchas amarelas e verde-escuras, de várias formas. Assemelha-se muito aos pepinos comestíveis desses que se vendem nos mercados.
O jovem filho de profeta que saiu ao campo a recolher os falsos pepinos não tinha discernimento entre o verdadeiro e o falso. Ele simplesmente recolheu das iguarias e as cortou na panela do caldo sem critério algum. Esta é uma tipificação do homem que sedento da verdade acolhe qualquer mensagem como se verdadeira fosse.
Constatado que o caldo era venenoso houve clamor e reconhecimento de que a iguaria continha a morte e já não podiam comê-la. Assim, são os religiosos que vivem à cata de verdades e doutrinas para satisfação da sede almática do homem decaído. Tomam qualquer mensagem como verdadeira, por falta do critério da revelação. Nota-se que o falso é sempre fácil de ser achado, geralmente abundante e belo em seu aspecto exterior. As coloquíntidas são muito bonitas, coloridas e sempre à mostra. A falta de critério consiste em que o homem portador da natureza pecaminosa nunca busca a verdade pensando que pode encontrar a mentira. Desconhece que a mentira nunca vem com cara de mentira.
A diferença entre a teologia deformada e a teologia reformada é precisamente a mesma: a primeira é fácil de ser encontrada e de aspecto atraente, a segunda, entretanto, é escassa, feia em sua apresentação e repulsiva em seu conteúdo. A primeira só se deixa descobrir depois que foi experimentada, a segunda se põe à mostra desde o início.
O critério essencial para diferir entre o falso e o verdadeiro é a centralidade. Estando a centralidade no homem e seus pressupostos, é falso. Estando nas Escrituras e seu conteúdo, é verdadeiro. Tudo o que retira o foco da cruz é falso, pois desfoca a solução de Deus para o pecado. A morte compartilhada na cruz é a única forma de reconciliar-se com Deus. Todavia, esta é uma obra monérgica e jamais sinérgica.
Os pomares repletos de colocíntidas são as livrarias evangélicas e os púlpitos cujo centro não é Cristo e, muito menos, a cruz. Não basta mencionar o nome de Jesus! É necessário que Cristo seja visível, pois quem não nascer do alto, não vê e não entra no reino dos céus. Isto foi dito a um príncipe de Israel, quando da sua inusitada visita noturna ao Mestre da Galiléia. Há muitos pepinos bravos no rádio, na televisão e na enxurrada de literatura que apresenta autoajuda ao invés de Cristo e sua cruz inclusiva. Haja vista neste acervo da mentira e da vaidade o fato que muitos pregadores contradizem uns aos outros. Todos pleiteiam o serem donos da verdade, enquanto esta está distante de todos, porque distantes da cruz.
A atitude do profeta Eliseu foi de atirar à panela do sinistro caldo, um punhado de farinha. A farinha, ou flor de farinha de trigo, representa o pão que desceu do céu, a saber Cristo. A panela com o caldo representa o homem portador da natureza pecaminosa. Então, o caldo que antes era venenoso, agora se tornara comestível. Isto evidencia que tudo o que o homem busca por conta própria é falso por sua própria natureza e essencialidade. Todavia, Cristo pode tornar o falso em verdadeiro, desde que Ele seja recebido como a verdade, o caminho e a vida. É necessário aniquilar a natureza pecaminosa e a culpa do pecado que matou o homem para Deus conforme Hb. 9:26 - "... 
doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
"
Os deformatas sempre oferecerão seus pepinos venenosos aos que buscam encontrar apenas solução imediata para seus dramas horizontais. Enquanto o pecador não se rende incondicionalmente ante a potente mão de Deus, pepinos bravos ou colocíntidas é o que encontrará.

domingo, 7 de junho de 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XIII


Jr. 23: 28 - "O profeta que tem um sonho conte o sonho; e aquele que tem a minha palavra, fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor." Há um conceito doutrinário neotestamentário que diz: "seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna." Cristo quando afirmou isto, segundo o registro de Mateus estava confirmando a seriedade da Palavra de Deus. Obviamente que o Mestre não estava em dúvidas em relação à seriedade dela; para Ele isto não se constituía em matéria de dúvida. Tinha Ele, em mente, a leviandade e a superficialidade do homem decaído, quando este toma da sua própria palavra, para dela, fazer como que sendo a de Deus. Os religiosos sempre conduzem a discussão da verdade para a centralidade daquilo que ele mesmo concebe e não para centralidade do que afirmam reiteradamente as Escrituras. É como em um jogo de faz de conta: usam das Escrituras apenas para aparentemente legitimar os seus próprios pensamentos obscurecidos pela natureza pecaminosa. Isto se dá, porque as mentes que não foram reconciliadas estão cegas pelo "deus deste século" e não podem receber a revelação de Cristo nas Escrituras. Quando alguém se levanta para ler, comentar, interpretar e pregar sobre as Escrituras e não consegue ver Cristo desenhado nelas, pode desistir.
Deus está dizendo claramente por intermediação do profeta Jeremias que, o profeta pode ter um sonho, entretanto, deve contá-lo apenas como sonho e não como revelação divina. Entretanto, se o profeta tiver a Palavra de Deus contá-la-á invariavelmente como é e não como quer que ela seja. Deus está estabelecendo um paradigma entre a palha que é leve, pouco substanciosa, frágil e facilmente destruída pelo fogo e o trigo que é substância perene, dotado de força e vida que pode produzir muitas outras vidas. Enquanto a palha é produto que termina em si mesma por não ser portadora da capacidade de gerar nova vida, o trigo é algo que se renova perpetuamente. A palha perece, o trigo permanece; a palha fenece, o trigo alimenta; a palha é levada pelo vento, o trigo multiplica-se e enraíza-se e se espalha.
O que a teologia reformada faz é exatamente tomar das Escrituras como trigo para alimentar-se da verdade que procede da boca de Deus. Contrariamente, a teologia deformada toma da palha para dar aparência de agradabilidade aos que perecem no pecado. Enquanto a teologia reformada desagrada por comunicar a verdade de Deus, a teologia deformada agrada aos ouvidos enfermos pela natureza pecaminosa, por cogitar dos interesses humanos. A teologia reformada oferece Deus, a teologia deformada oferece sonho. A teologia reformada oferece a palavra da verdade que produz vida, a teologia deformada oferece satisfação pessoal que produz carnalidade, vaidade e mentira agradável aos ouvidos da cobra surda.
Não são todos que têm e detêm a palavra da verdade. Estes são apenas os que receberam graça para tal. O texto mostra que só poderá falar com verdade, aquele que tem a palavra de Deus. Isto cria profunda distinção entre aquele que prega a palha e o que prega a verdade. Entre o que prega sonhos e o que prega vida divina, abundante e perpétua.
Assim, de fato, o que passa do sim e do não é procedente do maligno, pois na palavra da verdade ou é sim, ou é não. Ela não se dissimula para agradar ao pecador, mas cumpre o seu desiderato, qual seja, anunciar as boas novas, ou o evangelho da verdade. Este evangelho é Cristo, e este, crucificado, atraindo os pecadores a Ele para trazê-los reconciliados com Deus na ressurreição.
Os que foram eleitos antes dos tempos eternos e preordenados para vida ouvirão a palavra da verdade, ainda que esta lhes seja desagradável à prima facie. Entretanto, os que não foram inscritos no livro da vida do Cordeiro, ouvirão invariavelmente as fábulas tecidas nas fibras das palhas e dos sonhos produzidos pela alma no pecado. Deus não está nisto, mas sim o maligno!
A Cristo, pois, a honra, a glória e a majestade eternamente.