segunda-feira, 13 de abril de 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA IX

Tt. 1:9 - "Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes." É considerável o fato de a Palavra de Deus ser fiel a si mesma. É igualmente considerável que ela se mantenha firme, porque é conforme a doutrina. Não como se supõe comumente, que a doutrina é conforme a palavra, mas a palavra é conforme a doutrina. Obviamente não são as Escrituras derivadas do ensino, mas este derivado daquelas. Neste sentido harmoniza-se o ensino de Paulo a Tito. A doutrina é sã, quando é sujeito e não quando é apenas objeto. O pregador que recebe a graça de Deus para ver por tais lentes, torna-se de fato poderoso para admoestar e para convencer os que advogam a teologia deformada. Os contradizentes, geralmente combatem a doutrina, mas não podem combater as Escrituras.
Ao longo da história cristã, surgiram muitos contradizentes, falsos mestres e lobos devoradores. Pelágio foi um monge da Bretanha que mudou para Roma por volta de 405 d. C. Andou um tempo pelo Norte da África e depois se estabeleceu na Palestina, onde escreveu dois livros: "Da Natureza" e "Do Livre Arbítrio". Nestas obras abordou as questões do pecado, do "livre arbítrio" e da graça. Sua teologia foi refutada por Agostinho de Hipona e por Gerônimo, foi inocentado de heresia no "Sínodo de Dióspolis" em 415. Porém, condenado como herege pelo bispo de Roma em 417 e 418 e pelo "Concílio de Éfeso" em 431.
Suas ideias tornaram-se conhecidas como 'pelagianismo' e foram consideradas heréticas. Pouco se sabe a respeito das suas ideias, pois o material produzido foi queimado, como acontecia sempre aos que eram acusados de heresias. Sua vida era cheia de mistérios e o que se conhece de seu pensamento é através das citações e alusões feitas em livros que se opõem a ele e o condenam. São três os pontos condenados na doutrina pelagiana: a) negação do pecado original; b) negação que a graça de Deus é essencial à salvação; e c) pregar a impecabilidade operada pelo livre arbítrio sem a graça.
Pelágio afirmava que a queda de Adão afetara apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazê-lo. Mais adiante, Pelágio reivindicou que a graça divina era desnecessária para a salvação, embora facilitasse a obediência. Por outro lado, Agostinho sustentava que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não pode não pecar. Assim, a convicção dos pelagianos é a de que o homem é totalmente responsável pela sua própria salvação e portanto, minimizam o papel da graça divina. O maior erro de Pelágio foi não considerar que a vida perfeita exigida por Deus é vivida por meio de Cristo que habita o nascido de Deus. Não é uma questão a cargo do homem escravizado pelo pecado.
Qual a deformação do pelagianismo? Não considerar as Escrituras como Palavra de Deus. Ele não levou em conta o que é afirmado, por exemplo, em Rm. 5:12 - "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram." O texto, não apenas mostra a contaminação pelo pecado de todos os homens, mas também mostra que a morte, isto é, a separação entre o homem e Deus se dá por conta do pecado. Não importa o que concebemos em nossa mente carnal, mas o que as Escrituras afirmam.
Pelágio afirmou: "Nós, os que fomos instruídos pela graça de Cristo e nascidos de novo para uma humanidade melhor, (...) devemos ser melhores do que aqueles que existiram antes da lei, e melhores também do que aqueles que estiveram sob a lei." Lendo desprovido de um espírito de graça reveladora, parece não haver nada de errado no conteúdo do texto. Entretanto, as Escrituras não autorizam os regenerados afirmarem que são melhores do que ninguém. Elas tão somente afirmam que a eles é dada a graça da salvação para um futuro restaurado e perpétuo junto a Cristo. Também, o pelagianismo não consegue conciliar a verdade que Deus é soberano, necessariamente o homem não pode ser absolutamente livre. Não é uma questão antitética, mas monotética. É grosseiro afirmar que a soberania de Deus é limitada pela vontade do homem, pois como Ele seria soberano, se a vontade decaída e corrompida do homem o pode limitar? Mesmo que o homem não tivesses pecado e fosse um ser perfeito, ainda assim, Deus seria absoluto e soberano e o homem relativo e limitado por isto.
Assim, o que as Escrituras ensinam é que o homem é um ser moral e responsável por seus atos, assim como Deus é soberano, mas também é santo e justo. Portanto, qualquer posição que desconsidera a responsabilidade moral do homem é contrária à Palavra de Deus que é conforme a sã doutrina.

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