sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O QUE É E O QUE NÃO É A IGREJA VIII

Igrejas em prédios, com nomes pomposos não existiam, ou pelo menos, não há razoáveis evidências que tenham existido até aproximadamente o século IV ou V d.C. Os textos que mencionam a palavra Igreja colocam-na declinada de modo a significar união de pessoas ou congregação de santos, ou ainda grupo de piedosos servos de Deus que se reúnem para adorá-lo. Estas congregações ou grupos de crentes se reuniam em casas uns dos outros, em catacumbas, em grutas, e em locais escondidos. Até o século III, o império romano baniu a igreja, perseguindo-a e tirando a fé cristã de circulação por julgar ser ela uma ameaça à integridade e unidade do império. Todavia, quanto mais se perseguia os discípulos de Jesus, mais eles se multiplicavam por conta do testemunho e fidelidade a que serviam ao seu Senhor.
Foi o imperador Constantino que percebeu a possibilidade de adotar o cristianismo a fim de dar unidade e coesão ao império romano. Por isso, ele "se converteu" ao cristianismo, tornando-se apenas um religioso. O imperador, por assim dizer, legalizou ou institucionalizou o cristianismo pelo Edito de Milão em 313 d.C. Em 325 d. C. convocou o Concílio de Nicéia em um esforço para unificar o cristianismo que se achava dividido por conta de heresias que se havia instalado, como por exemplo, o Nestorianismo. Este foi, portanto, o princípio da operação do erro que pretendeu transformar a pureza do "Caminho" em uma religião humanizada. Roma usou politicamente o cristianismo para se perpetuar no poder.
Como consequência desse movimento político, ocorreu a cristianização do paganismo romano. O culto a deusa Isis do Egito, a qual era adorada como "Rainha dos céus", "Mãe de Deus" e era representada em esculturas com uma criancinha nos braços, foi substituído pela imagem de Maria mãe de Jesus. É o que se denominava de "Teotokos", isto é, aquela que carregou a Deus. Outro aspecto era a prática de uma espécie de religião oficial chamada Mitraísmo, na qual ocorria a refeição sacrificial, isto é, comia-se a carne e bebia-se o sangue dos touros sacrificados aos diversos deuses. O Mitraísmo foi substituído pelo cristianismo, porém mantiveram a eucaristia que é a crença de que o pão é o corpo de Cristo e o vinho o Seu sangue. Isto é denominado de "Teofagia", isto é, comer o próprio deus. No Mitraísmo também haviam sete sacramentos, tais como no cristianismo católico ainda hoje há.
De modo geral, tanto imperadores, como o povo romano eram "henoteístas", ou seja, criam em uma grande quantidade de deuses ou dividades. Estas divindades eram responsáveis por famílias, cidades e regiões do império. Isto muito se assemelha a adoção do culto aos santos padroeiros que perdura ainda hoje em todo o mundo católico.
Em outras denominações tidas como cristãs, não ocorrem estes mesmos fenômenos, mas ocorrem outras formas de idolatria, seja de pessoas, líderes, formas de cultos, doutrinas, templos.
Observa-se que na verdadeira Igreja os fiéis estavam sempre reunidos em casa de alguém, como por exemplo Rm. 16:5 - "Saudai também a igreja que está na casa deles. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Ásia para Cristo."
No início das sete cartas dirigidas aos mensageiros das Igrejas, no Apocalipse há sempre a mesma expressão: "E ao anjo da igreja que está em ..." Faz grande diferença dizer, "ao anjo da igreja que está em" e dizer, "...ao anjo da igreja de..." No primeiro caso dá clara ideia de uma igreja universal, enquanto no segundo caso dá ideia de uma igreja local e limitada a um determinado lugar.

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