segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A GRAÇA É PARA OS DESGRAÇADOS I

Comumente as pessoas em geral, e os religiosos por excelência, supõem que Deus está aberto e disposto a conferir e auferir ricas bênçãos apenas aos que o obedecem, o servem e o cultuam em seus sistemas de crenças e de religião. Quando sucede um mal qualquer a uma pessoa que não pratica nenhuma religião, ou que é negligente com as "coisas de Deus", ou ainda, que não é "fiel" aos dogmas da igreja ou da fé a qual professa, geralmente os murmuradores dizem: 'está pagando pelo que fez!' Ou mesmo, afirmam que os males sobrevêm, porque não seguem os preceitos, as normas, as regras, a lei. Um dos aspectos mais levantados é em relação à fidelidade da contribuição financeira. Basta acontecer uma perda ou um problema da saúde, o qual envolva gastos, logo aparecem as cassandras da maledicência para colocar no banco dos réus o "irmão" desafortunado. Muitos "crentes" são colocados sob disciplina, desdenhados ou mesmo excluído dos rol dos excelentes e elegíveis, porque não são fiéis nos termos dos dogmas e preceitos estabelecidos pelos homens. Infelizmente, para estes juízes das mentes dos outros arranjam até textos bíblicos para justificar seus erros. Alguns dizem: 'está na bíblia que o devorador se levanta para destruir os bens de quem não é fiel.' Mal sabem ler, e já se acham doutores da lei e professores de Deus.
Ao ler as Escrituras mais detidamente, percebe-se com clareza que o padrão de Deus para o homem é a Sua justiça e não as justiças forenses e humanas resultantes das questões comportamentais. Deus não segue a prática moral do homem para estabelecer os seus juízos ou estender as suas bênçãos. Fosse assim, ninguém estaria apto a receber qualquer graça da parte d'Ele, visto que não há um justo, nenhum sequer! A questão é que o religioso se torna uma criatura insuportável, porque toda a sua vida e seus atos giram em torno apenas do que ele considera sobre si mesmo, sobre Deus e sobre os outros homens. Ele se estabelece como instância última da verdade, da justiça e da fé, sem considerar o que a Palavra de Deus declara acerca de Deus, dele mesmo e dos outros homens. É uma espécie de verdade unilateral, na qual o homem é salvador e senhor de si mesmo. 
Entretanto, a graça de Deus passa por outras veredas que não estas predefinidas pelo homem. Os pensamentos, os caminhos e as ações d'Ele são além da compreensão e da aceitação decaída do homem. Deus não se curva aos interesses, integridade, retidão, culto, justiça e méritos dos homens. São os homens que devem se curvar diante da Sua soberana vontade, ainda que esta lhes seja por desagradável.
Lc. 18:10 a 14 - "Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado." Neste episódio, percebem-se os dois tipos de homens: o que ajunta para si um grande acervo de qualidades presumidamente para influenciar Deus a seu favor e o, que, não se achando justo ou merecedor de qualquer coisa, se assume de fato como realmente é.
O fariseu fez uma oração a si mesmo e não a Deus, ainda que tenha interposto a graça como fator intermediador entre ele e Deus. Este fariseu relatou um memorial diante de Deus apenas sobre suas qualidades e sobre os defeitos e pecados dos outros. Ele estava mais sensibilizado com o que ele era do que com que Deus é. Este tipo de homem é aquele que, deseja produzir tão profundamente a sua própria santidade que se esquece que esta é originada em Deus por intermédio de Cristo. Assim, ele busca santificar-se por suas próprias forças e ama mais isso do que ao próprio Deus.
O publicano, ao contrário, se vê na sua real condição e não se põe na perspectiva de ao menos olhar para cima, mas abre o seu coração sujo, imundo e pecador diante de Deus. A única declaração e confissão que tinha para dizer a Deus, era o seu pecado, ou seja, a sua inalterável condição de produtor de pecado. O texto mostra que Deus foi gracioso para com o publicano, porque a graça só encontra guarida no coração do que se vê como desgraaçado e crê que apenas Deus é suficiente para justificá-lo em Cristo.

Um comentário:

Ricardo disse...

Muitoo bom mano, tenho voltado aqui para ler o que de fato tenho perdido na caminhada, abraço meu amigo de longe :)