sábado, 2 de agosto de 2008

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA IV

Rm. 4: 13 a 16 - "Porque não foi pela lei que veio a Abraão, ou à sua descendência, a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé. Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é anulada. Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão. Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós." A grande dificuldade do homem em receber a graça como verdade absoluta e não como muleta para dar solução aos seus dilemas consiste no fato dele ter na lei uma forma de auto-justificação. Acontece que, nem o homem consegue cumprir toda a lei, isto é, o corpo de normas indicadas por Deus, nem consegue receber por si mesmo, a graça como método de Deus em Cristo para justificá-lo. A lei, de fato, veio para mostrar a natureza pecaminosa no homem e provar o quão débil é a sua noção de justiça própria. Nenhum homem, sem a graça de Deus, pode passar incólume pelo primeiro mandamento da lei de Moisés. Caso isto fosse possível anularia completamente o texto de Rm. 3.
Há uma lei maior e principiológica que antecede à lei mosaica, sendo a sua base estabelecida em Gn. 2:17 - "... mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." A sentença é muito clara e sem recurso a qualquer tribunal. A morte a que alude o texto não é apenas a morte física, mas também a morte espiritual, ou seja, a perda total da comunhão com Deus. Esta lei é ratificada em Ez. 18:4 - "Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá." Como se sabe por abundância de textos que todos os homens são pecadores, logo, todos os homens são mortos aos olhos de Deus. A natureza pecaminosa foi transmitida a todos os homens por meio de um só homem, a saber, Adão 'o cabeça federal da raça'. Isto é confirmado em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Desta forma é essencial saber que todos os homens são pecadores, não apenas porque cometem pecados, mas porque possuem natureza pecaminosa. A natureza pecaminosa é a causa, enquanto os atos pecaminosos são os efeitos.
A lei moral e a lei cerimonial são insuficientes para justificar e redimir o homem, mas como elas estabelecem esforços, este se aferra à elas para tentar produzir sua própria salvação. Há uma ignorância espiritual do fato que a lei foi para a humanidade, apenas um professor, isto é, um manual que indica o que o homem deveria ser aos olhos de Deus. Entretanto ela é impossível de ser obedecida por alguém que porta uma natureza decaída e absolutamente depravada. A lei, sendo divina, se torna impraticável por alguém que é apenas humano, carnal e morto espiritualmente.
Então, a graça veio precisamente para superar a lei, pois, sem nada exigir, ela superabunda, onde abunda o pecado. Logo, os herdeiros do reino de Deus, recebem o dom gratuito de Deus mediante a justificação em Cristo. Sabe-se por princípio, que herdeiro simplesmente não tem de fazer nada para ter direito à sua herança. Ele simplesmente foi nomeado herdeiro por nascimento. Semelhantemente, os eleitos de Deus foram inscritos no 'livro da vida do Cordeiro' para herdarem a vida eterna por graça e não pela lei conforme o texto que abre a primeira seção. A lei não contém a fé, pois se baseia em atos e atitudes. A fé é o firme fundamento do que se espera e a substância do que não se pode ver. Logo, onde está o ato ou a atitude do pecador? As Escrituras coroam a graça como superior a lei da seguinte forma: "É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: O justo viverá da fé."
Entretanto, a graça mediante a fé que o pecador foi incluído na morte com Cristo e com Ele ressuscitou é o processo que redime e justifica o pecador.

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