domingo, 31 de agosto de 2008

A GRAÇA DE SER ENSINADO POR DEUS

É da natureza humana o falar, o opinar, o ensinar e o doutrinar os outros. O homem possui uma inclinação inerente a querer ser celebridade, por isso, gosta muito de ser consultado pelos outros homens. No tocante ao ensino da doutrina sagrada, então, esta inclinação magnifica-se intensamente, pois de modo geral, os pregadores imaginam que o sucesso e a compreensão do evangelho é obra do esforço humano. Entretanto, as Escrituras mostram com letras garrafais e em diversas instâncias que é obra da exclusiva competência de Deus.
Is. 48:17 - "Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar." A tarefa sublime de ensinar a verdade deve ser mesmo da alçada de Deus, porque só Ele é o Redentor, Senhor e o Santo. Como poderia o homem decaído, ensinar a verdade a outro homem decaído? Deus ensina apenas o que é útil à salvação e à produção da semelhança de Cristo no homem regenerado. Esta é uma obra da graça d'Ele, sendo, portanto, intransferível! Só Ele conhece o caminho em que o homem deve andar, este caminho definido como, sendo o Cristo conforme Jo. 14: 6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."
Sl. 25: 9 a 14 - "Guia os mansos no que é reto, e lhes ensina o seu caminho. Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para aqueles que guardam o seu pacto e os seus testemunhos. Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande. Qual é o homem que teme ao Senhor? Este lhe ensinará o caminho que deve escolher. Ele permanecerá em prosperidade, e a sua descendência herdará a Terra. O conselho do Senhor é para aqueles que o temem, e ele lhes faz saber o seu pacto." Os mansos, os que guardam os pactos e os testemunhos do Senhor são aqueles que receberam misericórdia e graça para conhecê-lo em Cristo. Eles recebem o ensino de Deus, porque Ele os redimiu e não para serem redimidos. Por isso, o texto fala em perdão da iniquidade e do homem que teme ao Senhor. As obras de Deus são sempre consequência da misericórdia e da graça d'Ele mesmo. Nunca de méritos e justiça própria do homem, por mais reto, íntegro, temente e que desvie-se do mal.
Por isso, Jó indagou absorto, o seguinte: "Acaso se ensinará ciência a Deus, a ele que julga os excelsos?" Há muitos religiosos que supõem ser professores de Deus neste mundo. Hb. 8: 10 e 11 - "Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo; e não ensinará cada um ao seu concidadão, nem cada um ao seu irmão, dizendo: conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior." Deus fez um novo pacto em Cristo e, por meio dele, mudou a disposição para com o pecador, pois na Sua morte de cruz, destrói o pecado que separa o homem decaído d'Ele. O ensino é direto do Espírito de Deus para o espírito do homem. Todos os eleitos O conhecerão, porque Ele mesmo escreverá as Suas leis nos seus corações. Esta casa de Israel a que alude o texto é a Igreja e não a nação israelense como alguns supõem.

A GRAÇA DO QUARTO ELEMENTO

Há sempre os que recebem a graça da eleição pela eleição da graça conforme Rm. 11:5 - "Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça." A estes é dada a graça da dependência do "Quarto Elemento", o qual é invisível e imortal, estando sempre presente seja na alegria, seja na tristeza. Ele é o Cristo de Deus que está assentado nos lugares celestiais, e n'Ele, estão incluídos todos os que foram atraídos à cruz conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." É promessa do próprio Cristo que estaria com os eleitos todos os dias até a consumação dos séculos. Esta graça só se recebe por misericordiosa graça determinada por Deus antes dos tempos eternos conforme II Ts. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O "Quarto Elemento" é o mistério de Deus oculto nos séculos conforme Rm. 16:25 - "Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos..." Ele é o doador e a doação da graça plena, a qual destruiu a morte do homem em sua morte, trouxe a luz da vida e a imortalidade pelo evangelho da graça conforme II Tm. 1:10 - "... e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho..."
O "Quarto Elemento" não é um fato circunstancial e circunstanciado pela vontade humana decaída, mas é uma realidade preordenada por Deus desde antes dos tempos eternos. Os religiosos agem invariavelmente pelas circunstâncias que os rodeiam e, por isso, sua falsa espiritualidade oscila como uma espécie de termômetro, ora esfuziantes e agradecidos, ora deprimidos, decepcionados e magoados com Deus. Recebem os benefícios da graça geral, mas não recebem o doador da mesma graça, porque Ele só se recebe por misericordiosa ação monérgica de Deus.
Dn. 3:23 a 26 - "E estes três, Sadraque, Mesaque e Abednego, caíram atados dentro da fornalha de fogo ardente. Então o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa; falou, e disse aos seus conselheiros: não lançamos nós dentro do fogo três homens atados? Responderam ao rei: é verdade, ó rei. Disse ele: eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, e nenhum dano sofrem; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses. Então chegando-se Nabucodonosor à porta da fornalha de fogo ardente, falou, dizendo: Sadraque, Mesaque e Abednego, servos do Deus Altíssimo, saí e vinde! Logo Sadraque, Mesaque e Abednego saíram do meio do fogo."
A fornalha ardente é a imagem da queda do homem na condenação eterna e da sua redenção pelo "Quarto Elemento". Atado pelas cordas de amor de Deus é atraído em Cristo, para, na sua morte de cruz, perder a vida almática na purificação do fogo do cálice que o Senhor bebeu e, n'Ele, ganhar a luz da vida e a imortalidade perdidas na queda. Sem o "Quarto Elemento" nada disso é possível, pois o homem não é autosauvável.

sábado, 30 de agosto de 2008

A GRAÇA DA VERDADEIRA FÉ

As Escrituras, na porção neotestamentária afirmam com veemência que "... a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem." Por estas palavras sagradas se entende que fé genuína é 'pisar sobre o invisível e tocar o que não está diante dos olhos'. Difere substancialmente do padrão aceito e consagrado da fé religiosa, na qual muitos navegam ingloriamente ao longo dos anos até naufragarem em seus delitos e pecados. A fé do tipo arrimo da desesperança é a aquela cujo princípio é ver para crer e não crer para ver como ensinam as Escrituras.
No capítulo 3 do livro da profecia de Daniel está registrada uma das mais eloquentes páginas da verdadeira fé dada por Deus aos seus eleitos e santificados. Transcrevem-se as tais palavras proféticas no espaço que se segue para o efeito de análise e meditação no ensino da sã doutrina.
"O rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, a altura da qual era de sessenta côvados, e a sua largura de seis côvados; levantou-a no campo de Dura, na província de Babilônia. Então o rei Nabucodonosor mandou ajuntar os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juízes, os magistrados, e todos os oficiais das províncias, para que viessem à dedicação da estátua que ele fizera levantar. Então se ajuntaram os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juízes, os magistrados, e todos os oficiais das províncias, para a dedicação da estátua que o rei Nabucodonosor fizera levantar; e estavam todos em pé diante da imagem. E o pregoeiro clamou em alta voz: ordena-se a vós, ó povos, nações e gentes de todas as línguas: logo que ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles, e de toda a sorte de música, prostrar-vos-eis, e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor tem levantado. E qualquer que não se prostrar e não a adorar, será na mesma hora lançado dentro duma fornalha de fogo ardente. Portanto, no mesmo instante em que todos os povos ouviram o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, do saltério, e de toda a sorte de música, se prostraram todos os povos, nações e línguas, e adoraram a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado. Ora, nesse tempo se chegaram alguns homens caldeus, e acusaram os judeus. E disseram ao rei Nabucodonosor: ó rei, vive eternamente. Tu, ó rei, fizeste um decreto, pelo qual todo homem que ouvisse o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles, e de toda a sorte de música, se prostraria e adoraria a estátua de ouro; e qualquer que não se prostrasse e adorasse seria lançado numa fornalha de fogo ardente. Há uns homens judeus, que tu constituíste sobre os negócios da província de Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abednego; estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem, nem adoram a estátua de ouro que levantaste. Então Nabucodonosor, na sua ira e fúria, mandou chamar Sadraque, Mesaque e Abednego. Logo estes homens foram trazidos perante o rei. Falou Nabucodonosor, e lhes disse: e verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abednego, que vós não servis a meus deuses nem adorais a estátua de ouro que levantei? Agora, pois, se estais prontos, quando ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles, e de toda a sorte de música, para vos prostrardes e adorardes a estátua que fiz, bom é; mas, se não a adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro duma fornalha de fogo ardente; e quem é esse deus que vos poderá livrar das minhas mãos? Responderam Sadraque, Mesaque e Abednego, e disseram ao rei: ó Nabucodonosor, não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus a quem nós servimos pode nos livrar da fornalha de fogo ardente; e ele nos livrará da tua mão, ó rei. Mas se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. Então Nabucodonosor se encheu de raiva, e se lhe mudou o aspecto do semblante contra Sadraque, Mesaque e Abednego; e deu ordem para que a fornalha se aquecesse sete vezes mais do que se costumava aquecer; e ordenou a uns homens valentes do seu exército, que atassem a Sadraque, Mesaque e Abednego, e os lançassem na fornalha de fogo ardente. Então estes homens foram atados, vestidos de seus mantos, suas túnicas, seus turbantes e demais roupas, e foram lançados na fornalha de fogo ardente. Ora, tão urgente era a ordem do rei e a fornalha estava tão quente, que a chama do fogo matou os homens que carregaram a Sadraque, Mesaque e Abednego. E estes três, Sadraque, Mesaque e Abednego, caíram atados dentro da fornalha de fogo ardente. Então o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa; falou, e disse aos seus conselheiros: não lançamos nós dentro do fogo três homens atados? Responderam ao rei: é verdade, ó rei. Disse ele: eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, e nenhum dano sofrem; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses. Então chegando-se Nabucodonosor à porta da fornalha de fogo ardente, falou, dizendo: Sadraque, Mesaque e Abednego, servos do Deus Altíssimo, saí e vinde! Logo Sadraque, Mesaque e Abednego saíram do meio do fogo. E os sátrapas, os prefeitos, os governadores, e os conselheiros do rei, estando reunidos, viram que o fogo não tinha tido poder algum sobre os corpos destes homens, nem foram chamuscados os cabelos da sua cabeça, nem sofreram mudança os seus mantos, nem sobre eles tinha passado o cheiro de fogo. Falou Nabucodonosor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, o qual enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele e frustraram a ordem do rei, escolhendo antes entregar os seus corpos, do que servir ou adorar a deus algum, senão o seu Deus. Por mim, pois, é feito um decreto, que todo o povo, nação e língua que proferir blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro deus que possa livrar desta maneira. Então o rei fez prosperar a Sadraque, Mesaque e Abednego na província de Babilônia."
O texto fala por si só, portanto, dispensa qualquer exegese ou hermenêutica.

A GRAÇA QUE FAZ

Uma das mais costumeiras acusações contra os nascidos de Deus, os quais crêem na dependência plena d'Ele é que estes negam a necessidade de evangelizar, visto que reputam tudo à graça. Erram e, ainda por cima, incorrem em juízo temerário, os tais acusadores, por desconhecer o poder de Deus e as Escrituras. Ninguém que tenha experimentado o nascimento do alto e que recebeu a graça misericordiosa de Deus, prega contra o anúncio do evangelho. Não pderia retê-lo, nem por senso comum e, muito menos, por elucubrações teológicas. É ordem perene das Escrituras, o pregar o evangelho 'a tempo e fora de tempo'. O nascido de Deus prega, porque isto lhe é por nova natureza e não por preceito, norma ou lei institucionalizada pela religião humana. Ele mesmo é o portador das boas novas, visto que experimentou o nascimento do alto e a sua vida não lhe pertence mais. Agora ele vive uma nova disposição na vida de Cristo, sendo sua testemunha neste mundo.
I Co. 15:10 - "Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo." Verifica-se pelo testemunho do apóstolo Paulo, que até o ser uma nova criatura e viver circunstancialmente cada situação e momento, é resultante da graça. O trabalho de um regenerado não lhe é propriedade e, tão pouco, obra de justiça própria para fins meritórios. O seu trabalho não é seu, mas da operação da graça de Deus em seu homem espiritual. As operações da graça faz que o regenerado trabalhe e não o regenerado faz a graça um operacionalização de obras de justiça própria. Assim, é a graça que opera as boas obras de Deus, as quais foram preparadas de antemão para que os nascidos de Deus andem nelas conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." O regenerado é feitura das mãos de Deus por meio da obra inclusiva de Cristo na cruz para que ande nas obras d'Ele.
Antes que o próprio mundo viesse à lume, Deus já havia definido cada obra a ser realizada para honra e glória do Seu próprio nome. Entretanto, religiosos falseados, arrogantes e impostores, se assenhoram das boas obras e tomam-nas por suas afim de expor justiça própria diante do Deus de toda glória.
Tt. 2: 11 a 14 - "Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras." Então foi a graça de Deus que se manifestou e não a vontade do homem. Foi a graça de Deus que trouxe salvação a todos os seus eleitos. É a graça de Deus que ensina o caminho da renúncia da velha natureza por meio da destruição desta na morte de Cristo. É a graça de Deus que permite aos eleitos e regenerados viver sóbria, justa e piamente o presente momento. É a graça de Deus que opera nos filhos de Deus para que perseverem como a santificados em Cristo Jesus, aguardando a Sua manifestação para restaurar todas as coisas e se apossar definitiva e cabalmente do Seu reino sempiterno. Cristo mesmo é a graça de Deus que remiu a iniquidade e para purificar um povo específico todo Seu, zeloso de boas obras.
Em tudo isto, onde está a participação determinante do homem? Resta-lhe apenas o recebimento da graça e por ela viver e realizar as obras de Deus e não suas.

sábado, 23 de agosto de 2008

A DISSOLUÇÃO DA GRAÇA

Jd. 3 a 5 - "Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos. Porque se introduziram furtivamente certos homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo. Ora, quero lembrar-vos, se bem que já de uma vez para sempre soubestes tudo isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram." Percebe-se que os nascidos de Deus são, de fato, guiados pelo Espírito d'Ele, pois mesmo quando intencionam escrever acerca de um determinado assunto, o Senhor os conduz a outro assunto.
Hodiernamente se fala muito em fé, entretanto, é uma categoria de fé produzida pela vontade humana. É uma fé do tipo muleta, uma espécie de arrimo da desesperança. Isto porque, as pessoas se apegam a uma classe de fé que lhes agrada ou satisfaz apenas em determinado momento ou circunstância. Passado o problema ou resolvido o dilema, retornam ao lugar comum de uma religião de segunda mão. Alguns persistem neste modelo por anos a fio, por julgarem que necessitam de muitos sacrifícios a fim de convencer Deus a lhes ser favorável. Ora, Deus não age no universo com base na favorabilidade ou desfavorabilidade. Ele, tão somente, age com base em Sua soberania. Ou o homem recebe a soberania de Deus como justa e perfeita, mesmo quando lhe é desfavorável, ou não recebeu graça para conhecer quem é Deus em Cristo. Neste caso será apenas um religioso inveterado.
É muito comum, quando pessoas, nascidas de Deus ou não, passam por grandes aflições, dizerem que pedem a Deus para lhes tirar a vida. Isto é um testemunho de ausência de fé na graça d'Ele. Ora, então é muito simples cometermos as mais grosseiras torpezas contra a santidade de Cristo e depois queremos nos eximir da culpa morrendo? As Escrituras mostram que, nestes casos, devemos nos humilhar diante de Deus e confessar a Sua graça e pedir a Sua misericórdia. Não há ninguém que possa fugir dos olhos do Oleiro Eterno. Ele quebra e refaz o vaso, tantas quantas forem as vezes que a Sua soberana vontade quiser.
Então, pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos, nos termos do texto que vem de ser lido, é continuar recebendo tudo o que chega até nós como sendo da parte de Deus. Ainda neste contexto, significa continuar confessando a doutrina a qual foi entregue apenas aos nascidos do alto.
Haverá sempre homens ímpios que convertem a graça de Deus em dissolução. Isto porque eles foram destinados pela soberana vontade de Deus para este mesmo fim. Isto, no entanto, não os exime da culpa e da responsabilidade do pecado. Estes homens penetram furtivamente com suas dissimulações, entretanto, são utilizados para acrisolar e purificar os vasos do Senhor no cadinho. Por meio da tentativa de dissolução da graça acabam por evidenciar aos nascidos do alto que ela é mais forte que o pecado. Por isso, Paulo ensina: "... quando sou fraco, aí é que sou forte." Porque, ou o Senhor é ou o "eu" do homem é! Se alguém foi crucificado com Cristo, o que resta desse alguém? O espírito regenerado, a alma sendo tratada e o corpo que será ressuscitado.
O que o texto doutrina claramente é que, ao negar que a graça de Deus é suficiente e eficiente em Cristo, nega-se absolutamente tudo o que Deus realizou na cruz para redimir o pecador. Portanto, nega-se o próprio Cristo, porque Ele mesmo é a graça, visto que é, tanto a doação, como o doador da vida eterna.
Por dissolução subentende-se ato ou efeito de dissolver, desagregar, decompor. Por extensão de sentido é deterioração dos costumes, degradação, devassidão, imoralidade. Logo, os tais dissolutos estavam penetrando furtivamente para desagregar, decompor a verdade em mentira, desconfigurar as Escrituras, minimizar e banalizar a graça de Deus em Cristo. Eles tomam a liberdade da graça em libertinagem para corromper, pregando e disseminando costumes imorais que não agradam ao Deus de toda graça.
Esta é mais uma tentativa do inimigo das almas dos homens em negar o sacrifício de Cristo na cruz. Neste sentido, o Diabo nunca teve tanto sucesso como nos tempos que transcorrem, pois as igrejas institucionais estão repletas de púlpitos sem a cruz e de cruz sem crucificados com Cristo.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O ULTRAJE AO ESPÍRITO DA GRAÇA

O substantivo ultraje deriva do verbo ultrajar que, em última análise, é ofensa muito grave, afronta, desacato, violação de leis, regras e princípios. Em sentidos, que tais, o ato exige um agente que, como tal, deve estar ciente, tanto do que é ofensivo, como da gravidade das possíveis violações e suas consequências. O homem, por mais ético, reto e íntegro que pareça ser incorrerá sempre no ultraje à graça e ao Senhor da graça, porque é da sua natureza ser recorrente neste aspecto e em outros tantos. A questão, portanto, se circunscreve, não ao que o homem faz ou deixa de fazer, mas sim, porque ele o faz ou deixa de fazê-lo. Fazer e não fazer têm diante de Deus o mesmo peso em se tratando do homem. A questão remonta à natureza dominante nele. Porquanto a natureza é determinante, todavia, os atos são consequentes, e isto acarreta responsabilidade moral e pessoal.
No caso do homem que foi regenerado, o uso legítimo da graça de Deus, a qual preconiza um modelo de liberdade plena em Cristo, lhe permite fazer tudo. Todavia, o ensino da sã doutrina harmonizada diz que "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas." A questão é principiológica, no sentido em que não convém aos nascidos do alto se deixar dominar por certas coisas que ultrajam a graça de Deus, precisamente, porque são apenas coisas. Assim, ferir-se-á o princípio da não conveniência, todas as vezes em que, conscientemente, alguém não observa o que diz I Co. 10:23 - "Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." O fundamento é: posso? Posso, mas convém Àquele que vive em mim? Posso? Posso, mas edifica o corpo de Cristo? Posso? Posso, mas a minha natureza é de serpente ou de nova criatura? Posso? Posso, mas haverá consequências?
Os princípios que estão em jogo são: a quem pertence o regenerado? A si mesmo, ou ao que o regenerou? O que domina ou reina no nascido de Deus? O que é conveniente a Cristo? O que edifica a si e aos outros? O que é apenas lícito? Desta forma chega-se ao que é próprio da graça e ao que é próprio do pecado. A liberdade em Cristo possui duas vertentes: a da licitude e a da não conveniência. Não é pelo fato de o nascido do alto ser livre, que o tal possa optar apenas pelo que é lícito, visto que seus atos podem ferir e ultrajar o Senhor de toda a graça. Sendo assim, já não é mais liberdade, mas libertinagem e ultraje ao Espírito da graça. A licitude é da esfera da liberdade, mas a não conveniência é da esfera da responsabilidade.
Gl. 5: 13 a 21 - "Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros. Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais uns aos outros. Digo, porém: andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne. Porque a carne luta contra o espírito, e o espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus." Obviamente, herança não se conquista por mérito, mas por nascimento, sendo uma questão de origem paternal e não de conquista meritória.
O texto dispensa qualquer exegese e não lhe cabe muita hermenêutica, visto que é um texto literalmente contextualizado. Trata-se de instruções, ordenanças e orientações aos que já nasceram do alto. O arbítrio na questão da liberdade obtida pela graça é o amor. O amor a que alude o texto não possui natureza terrena, mas é uma referência ao modelo de amor divino, qual seja, que flui independentemente das qualidades do objeto amado. O amor terreno recai nas obras da carne, porque são coisas circunstanciais e manifestáveis. O amor agape, ou seja, divino não é observável e mensurável pelas circunstâncias.

sábado, 9 de agosto de 2008

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA X

Hb. 10:26 a 31 - "Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários. Havendo alguém rejeitado a lei de Moisés, morre sem misericórdia, pela palavra de duas ou três testemunhas; de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: o Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo."
Um dos riscos de se tomar a liberdade da graça por libertinagem é o que vem de ser tratado e retratado no texto acima. Assim, se após ter pleno conhecimento da verdade revelada nas Escrituras, houver permanência por escolha moral na prática contínua do pecado, não houve validação da justiça de Cristo na cruz. Isto equivale dizer que, ao invés de aniquilação do pecado pelo novo pacto, ocorreu, de fato, anulação da graça pela lei. Tal situação é a certeza de condenação, visto que se desprezou a justificação pela graça de Cristo, por causa da manutenção do pecado pelas obras da carne. Houve, neste caso, profanação do sangue do novo pacto na cruz e, isto, implica forçosamente no ultraje ao Espírito da graça. É o que o Espírito Santo doutrina, por instrumentação do apóstolo Paulo aos gálatas: "... da graça decaístes." O mero conhecimento do que é a graça, sem a consequente regeneração, a que ela se destina, de nada adianta. Não passa de flatus vocis! Neste abismo, muitos têm afundado! Por isso, as Escrituras dizem: "... corríeis bem, quem vos fascinou ..."
Deus sempre age por princípios e não por circunstâncias, assim, o princípio prevalecente é o da graça, ou seja, Ele age soberana e monergisticamente no processo da justificação e da redenção do pecador. O que está em jogo do lado de Deus não é o que o homem faz, mas o que ele é. O que o homem faz é consequência do que ele é, e não, o oposto. A deturpação da graça nestes termos ocorre, precisamente, quando o pecador, não só possui volição natural para o pecado, como também despreza e abomina conscientemente a graça de Deus manifesta em Cristo Jesus. O texto diz que Deus não poupa tal desprezo aos que pisam o Seu Filho, além de afirmar que é coisa horrenda cair em Suas mãos para ser corrigido.
A pessoa que, conhecendo qual seja a verdade, sente prazer no pecado, está fadada a trilhar um caminho tortuoso, e por vezes, sem volta conforme o texto de Hb. 12: 15 a 17 - "... tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem; e ninguém seja devasso, ou profano como Esaú, que por uma simples refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado; porque não achou lugar de arrependimento, ainda que o buscou diligentemente com lágrimas." A privação da graça de Deus é um processo, no qual, o homem tendo-a  prefere seguir os ditames do seu coração que, aliás, é enganoso e desesperadamente corrupto. A amargura traz perturbação, ou seja, oscilação entre a verdade e a mentira. A contaminação por tais atos pecaminosos faz que o homem se torne um imediatista se vendendo por qualquer preço, contanto que consiga alguma migalha de amor profano, satisfação sensual, reconhecimento e aplausos.
O resultado disto tudo é que, mesmo tendo arrependimento, não se pode herdar a bênção da graça, pois o seu arrependimento é, de fato, remorso. Arrependimento é resultante da graça e não dos sentimentos do homem.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA IX

Ocorre clara deturpação da graça, quando o homem, a partir apenas de seus atos e atitudes, se ilude pela possibilidade de melhor servir ou oferecer o seu melhor a Deus. Neste ponto, ele fere incisivamente o texto de Ef. 2: 1 a 10 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas."
O texto mostra que o homem está incondicionalmente morto para Deus, no sentido e na forma em que o seu espírito decaído e depravado, não pode ter e manter comunhão com Ele. A iniciativa espiritual é invariavelmente de Deus, não só de vivificar, como também, de libertar o pecador da situação que o mantém debaixo da condenação. Antes, o homem decaído se achava absolutamente controlado pelos desejos e pensamentos oriundos na carnalidade, agora o regenerado é mantido pela misericordiosa graça no amor de Cristo. Será tratado em seus atos pecaminosos pela vida toda até o dia de Cristo.
Por instrumentalidade, primeiramente, da misericórdia através do amor verdadeiro, Deus concedeu a graça e ressuscitou o pecador que foi crucificado com Cristo. A graça é o elemento promotor da salvação e o canal é a fé, mas, tanto uma, como a outra, é dom de Deus. As obras do homem não podem ser confundidas com as boas obras de Deus, pois aquelas são fruto da justiça que há na lei e na carne, enquanto esta é resultante da soberana graça do Pai. Estas boas obras de Deus foram por Ele estabelecidas de antemão, ou seja, antes que o mundo existisse para que os seus eleitos andassem nelas. São os eleitos que andam nelas, e não, elas que andam neles, isto é, que determinam a sua justificação, santificação e glorificação como se presume comumente.
Hoje, o que se vê nas religiões prevalecentes são homens inchados dos seus títulos, dos seus feitos, dos anos de igreja, de pertencer por gerações inteiras a uma determinada denominação. Eles invertem a ordem e a centralidade da graça em obras de justiça própria e de merecimentos que só existem no ideário dos "Falsos, Metidos e Impostores" nos dizeres do título do novo livro de Brennan Meaning. Trata-se de um formidável alerta aos religiosamente corretos, porém espiritualmente podres e engessados em um sistema religioso humano.
O melhor do homem é abominação à santidade de Deus! Todavia, aos seus eleitos Ele concede misericórdia e graça para que vivam como se nada fossem, e, de fato, nada são aos olhos do mundo.

domingo, 3 de agosto de 2008

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA VIII

Gl. 5: 1 a 6 - "Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo testifico a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça decaístes. Nós, entretanto, pelo Espírito aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor." Se Cristo veio para libertar o pecador da escravidão do pecado, como pode alguém ainda persistir debaixo da lei, dos ritos, dos cerimoniais, dos dogmas e sacrifícios que foram criados pela lei? O homem que tem prazer em se submeter a tais preceitos e normas, ainda não experimentou, de fato, o que é a graça nos termos escriturísticos. Provavelmente, este homem ainda tem apenas um conceito puramente intelectual do que seja a graça, sendo, no máximo, um religioso.
A validação de qualquer norma da lei moral e/ou cerimonial nos termos das Escrituras determina, como consequência imediata, o desligamento de Cristo e a perda da Sua maravilhosa graça. Isto porque, ou Cristo é suficiente e eficiente para justificar, ou a lei o é. Nunca os dois ao mesmo tempo, pois Ele veio justamente para satisfazer os requisitos da lei, impossíveis de serem satisfeitos pelo homem sozinho. De modo nenhum, isto desqualifica a pureza e a sublimidade da lei. Ela é tão perfeita que nenhum homem a pode cumprir. Foi necessário que Cristo a cumprisse na cruz, afim de habilitar o pecador a ter acesso à graça plena de Deus. De sorte que a fé e a graça não anulam a lei, mas torna exequível por meio de Cristo.
O que depreende do texto é que nada pode substituir a justificação que procede da fé em Cristo e na Sua obra substitutiva e inclusiva na cruz. Ele não só é o justificador, como também e a própria justificação, posto que apenas Ele foi capaz de cumprir a lei, tornando o justificador dos injustos.
Ef. 1: 6 e 7 - "... para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça ..." Este é o aspecto que mais incomoda o homem que ainda persiste em sua natureza pecaminosa sem ser destruída na cruz: a gratuidade da justificação. É pela graça que nossos pecados são redimidos diante de Deus. Entretanto, o homem, possuidor da "Síndrome de Lúcifer" vive na suposição que pode traçar o seu próprio projeto de retorno ao paraíso perdido. Ledo engano, pois ninguém pode chegar ao Pai se não for por meio de Cristo, como também ninguém pode chegar a Cristo se o Pai não lho trouxer conforme Jo. 14: 6 e Jo. 6:44, respectivamente.

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA VII

Uma das formas mais grosseiras de deturpação da graça de Deus é aquela na qual o homem decaído, ainda que religioso, se coloca na perspectiva de condutor do processo de sua salvação. Foi o que aconteceu ao doutor da lei que se aproximou de Cristo, formulando-Lhe uma das perguntas mais tolas conforme Lc. 10:25 - "E eis que se levantou certo doutor da lei e, para o experimentar, disse: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" Primeiramente, se de fato era doutor da lei deveria saber que pela lei não há salvação. Secundariamente, qualquer um deve saber que não se faz absolutamente nada para ser herdeiro. A herança é um fato gerado pelo nascimento natural. Logo, se é filho, é herdeiro! A herança é uma das expressões mais eloquentes da graça plena. No contexto, Jesus lhe perguntou sobre o que a lei de Moisés dispunha, e, ele, de pronto respondeu com o primeiro mandamento. Ao que lhe replicou, o Mestre, cumpra-o e terás vida! De fato, Jesus estava lhe respondendo na mesma proporção do que foi questionado, ou seja, assim como ninguém precisa fazer nada para ser herdeiro, igualmente, ninguém é capaz de cumprir o primeiro mandamento para ganhar a salvação. Se não for por misericórdia e graça, ninguém cumpre absoluta e cabalmente a lei. Ela só poderá ser cumprida em Cristo e, n'Ele, o eleito que foi incluído em Sua morte de cruz ganha a verdadeira vida.
Gl. 2:21 - "Não faço nula a graça de Deus; porque, se a justiça vem mediante a lei, logo Cristo morreu em vão." Tornar nula a graça de Deus ocorre quando alguém, por mais bem intencionado que seja, tenta cumprir a lei por seus próprios esforços e fora da cruz. Exatamente por causa da incompetência do homem pecador em cumprir a lei, que Cristo se manifestou em forma humana e abriu mão da Sua deidade. Ele desceu até as partes mais escuras e profundas para resgatar o que se havia perdido. O homem é o vaso que se quebrou nas mãos do oleiro e, dos cacos, se fez outro. O oleiro é Deus, o vaso é o homem decaído, o novo vaso é o pecador que foi eleito e pré-ordenado para a vida em Cristo. Logo, se algo ou alguém fosse capaz de substituir a solução de Deus para a justificação e redenção do pecador, tal  realidade se tornaria a morte de Cristo um fato banal e desnecessário.
I Co. 12: 9 - "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo." O apóstolo Paulo achava-se perturbado por algo que o importunava e orou por três vezes para que Deus o livrasse. Mas, a resposta de Deus foi essa constante do texto que vem de ser lido: "... A minha graça te basta..." A graça é algo tão abrangente e sublime que é capaz até de fazer um nascido de Deus conviver com espinhos na carne e fraquezas. Não se deve tomar dessa palavra para legitimar hábitos pecaminosos, pois a fraqueza a que alude Paulo aqui é a sua própria insuficiência e incompetência. Tal classe de fraqueza substitui os esforços, méritos, obras da carne e da lei pelo poder e méritos de Cristo. Justamente, quando o homem se vê esvaziado e incompetente é que fica clara e evidente a vida de Cristo nele.

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA VI

A reincidência persistente do homem em produzir sua própria salvação e santidade por meio do esforço e das obras da lei é um fator latente. A queda do homem ocorreu, precisamente, quando este buscou à revelia de Deus, a superação da condição de simples criatura à condição de conhecedor do bem e do mal conforme Gn. 2: 9, 16 e 17 - "E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Há duas ordens: uma que concedia plena liberdade de acesso e outra que restringia o acesso ao fruto de uma árvore especificamente. As sentenças são enunciados simples e diretos: "comerás livremente" e "não comerás". A conclusão é igualmente simples e direta: "certamente morrerás." Não há qualquer contradição, pois são duas ordens distintas relativas a objetos distintos. Poderia comer de todas as árvores, exceto de uma.
Gn. 3: 4 a 7 - "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais." Percebe-se que há uma segunda opinião, e, este tem sido o problema do homem: está sempre à cata de uma segunda opinião sobre tudo. Não há segunda opinião em termos espirituais! Ou se crê na Palavra de Deus, ou não se crê! A sedução da segunda opinião consiste em ouvir aquilo que o homem quer e não o que não gosta, a saber, a verdade simples. A segunda opinião sempre tem algo a mais, algo atrativo, algo exaltador e engrandecedor. A morte a que alude o texto, não é apenas a física, mas sobretudo, a espiritual. Igualmente a nudez a que se refere o texto, não é apenas a nudez física, mas principalmente a nudez espiritual, ou seja, a perda do revestimento do Espírito de Deus.
Rm. 11: 1 a 8 - "Pergunto, pois: acaso rejeitou Deus ao seu povo? De modo nenhum; por que eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou ao seu povo que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e procuraram tirar-me a vida? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça. Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Pois quê? O que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os outros foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu um espírito entorpecido, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje." A graça de Deus se manifesta ininterruptamente e irrevogavelmente, a despeito da incredulidade do homem. Isto acontece, porque àqueles aos quais Deus conheceu de antemão, Ele não rejeita. Nisto consiste a eleição da graça para os eleitos remanescentes entre povos, nações e tribos. É este o sentido de salvação para todos. Este todos, não são todos os homens, mas homens de todas as etnias, tribos e nações. O que o homem busca pelos seus próprios esforços e obras da lei, Deus concede gratuitamente em Cristo. O que o homem busca em seus rituais e cerimônias, não acha, porque não é pela graça, mas pela lei do esforço próprio.

sábado, 2 de agosto de 2008

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA V

É recorrente e evidente o fato de o homem em seu devaneio pecaminoso procurar justificar-se a si mesmo em detrimento da graça de Deus revelada e ensinada nas Escrituras. O apóstolo Paulo doutrina, primeiramente, que o fato de os libertinos e helenistas terem penetrado na Igreja com seus ensinos errôneos, não justificava os nascidos de Deus andarem em licenciosidade. Rm. 6: 1 a 6 - "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição..." Alguns, não regenerados, estavam aproveitando a liberdade que a graça oferece, para viver de modo dissoluto. Esta percepção ocorre ainda hoje em algumas igrejas: já que a lei não tem mais domínio e que a graça é maior que o pecado, se pode viver dissolutamente, pois já não há nenhuma condenação para os que foram justificados em Cristo. Não há mesmo, entretanto, e igualmente, não há também natureza pecaminosa para que estes permaneçam chafurdados no pecado e seus atos pecaminosos decorrentes. O fato é que, ou o novo nascimento é uma verdade e a culpa do pecado foi retirada, ou Cristo não é quem diz ser, para aniquilar o pecado conforme Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Então, pela graça mediante a fé, o pecado original ou a culpa do pecado que separava o homem de Deus foi extirpado. Entretanto, há os atos pecaminosos que são tratados por toda a vida dos nascidos de Deus.
O batismo na morte de Cristo é a experiência de inclusão em Sua morte de cruz, pela fé que, de uma vez para sempre foi entregue aos santos. Semelhantemente, o fato de os eleitos terem sido incluídos na morte de Cristo, também foram trazidos da morte para uma nova vida na ressurreição juntamente com Ele. Desta forma, quando Cristo morre, os pecadores eleitos morrem n'Ele para perda de suas vidas almáticas e pecaminosas; entretanto, quando Cristo ressuscita, Ele vivifica os pecadores eleitos e regenerados comunicando-lhes a Sua vida eterna. A maioria da cristandade nominal, recebe apenas a ressurreição juntamente com Cristo, todavia, não recebe a verdade anterior a esta e que lhe dá legitimidade, qual seja, a morte com Cristo. Ora, como alguém pode pregar novo nascimento, sem pregar a morte com Cristo?
Rm. 6: 14 a 18 - "Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus que, embora tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça." O ensino paulino é redundante, entretanto, esta é uma estratégia para fixação da verdade na mente dos eleitos. O pecado, enquanto culpa que separava ou matava o homem perante Deus não tem mais domínio sobre os nascidos do alto. 
Aos que não nasceram do alto se prega a inclusão na morte com Cristo, bem como, a ressurreição juntamente com Ele, mas aos que já experimentaram o novo nascimento, se ensina a doutrina para a glória de Cristo. Deste modo, o nascido de Deus não permanece no pecado, porque a sua natureza pecaminosa foi destruída na cruz e os seus atos pecaminosos herdados dela, vão sendo tratados pela misericórdia e pela graça de Deus.

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA IV

Rm. 4: 13 a 16 - "Porque não foi pela lei que veio a Abraão, ou à sua descendência, a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé. Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é anulada. Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão. Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós." A grande dificuldade do homem em receber a graça como verdade absoluta e não como muleta para dar solução aos seus dilemas consiste no fato dele ter na lei uma forma de auto-justificação. Acontece que, nem o homem consegue cumprir toda a lei, isto é, o corpo de normas indicadas por Deus, nem consegue receber por si mesmo, a graça como método de Deus em Cristo para justificá-lo. A lei, de fato, veio para mostrar a natureza pecaminosa no homem e provar o quão débil é a sua noção de justiça própria. Nenhum homem, sem a graça de Deus, pode passar incólume pelo primeiro mandamento da lei de Moisés. Caso isto fosse possível anularia completamente o texto de Rm. 3.
Há uma lei maior e principiológica que antecede à lei mosaica, sendo a sua base estabelecida em Gn. 2:17 - "... mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." A sentença é muito clara e sem recurso a qualquer tribunal. A morte a que alude o texto não é apenas a morte física, mas também a morte espiritual, ou seja, a perda total da comunhão com Deus. Esta lei é ratificada em Ez. 18:4 - "Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá." Como se sabe por abundância de textos que todos os homens são pecadores, logo, todos os homens são mortos aos olhos de Deus. A natureza pecaminosa foi transmitida a todos os homens por meio de um só homem, a saber, Adão 'o cabeça federal da raça'. Isto é confirmado em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Desta forma é essencial saber que todos os homens são pecadores, não apenas porque cometem pecados, mas porque possuem natureza pecaminosa. A natureza pecaminosa é a causa, enquanto os atos pecaminosos são os efeitos.
A lei moral e a lei cerimonial são insuficientes para justificar e redimir o homem, mas como elas estabelecem esforços, este se aferra à elas para tentar produzir sua própria salvação. Há uma ignorância espiritual do fato que a lei foi para a humanidade, apenas um professor, isto é, um manual que indica o que o homem deveria ser aos olhos de Deus. Entretanto ela é impossível de ser obedecida por alguém que porta uma natureza decaída e absolutamente depravada. A lei, sendo divina, se torna impraticável por alguém que é apenas humano, carnal e morto espiritualmente.
Então, a graça veio precisamente para superar a lei, pois, sem nada exigir, ela superabunda, onde abunda o pecado. Logo, os herdeiros do reino de Deus, recebem o dom gratuito de Deus mediante a justificação em Cristo. Sabe-se por princípio, que herdeiro simplesmente não tem de fazer nada para ter direito à sua herança. Ele simplesmente foi nomeado herdeiro por nascimento. Semelhantemente, os eleitos de Deus foram inscritos no 'livro da vida do Cordeiro' para herdarem a vida eterna por graça e não pela lei conforme o texto que abre a primeira seção. A lei não contém a fé, pois se baseia em atos e atitudes. A fé é o firme fundamento do que se espera e a substância do que não se pode ver. Logo, onde está o ato ou a atitude do pecador? As Escrituras coroam a graça como superior a lei da seguinte forma: "É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: O justo viverá da fé."
Entretanto, a graça mediante a fé que o pecador foi incluído na morte com Cristo e com Ele ressuscitou é o processo que redime e justifica o pecador.

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA III

De todas as verdades contidas nas Escrituras a que mais incomoda é a graça. Embora, pareça absurda esta afirmação, entretanto, ela é verdadeira. Não, porque alguém queira que ela seja verdadeira, mas porque há comprovações na experiência dos eleitos de Deus ao longo da história da Igreja do Senhor Jesus, o Cristo. A graça é uma verdade inquietante, precisamente, porque coloca o pecador no seu devido lugar, ou seja, menos do que nada. O incômodo ocorre exatamente, porque nenhum homem, em seu estado degenerado, admite ser nada, quanto mais, menos do que nada. O pecado cria no homem uma espécie de "Síndrome de Lúcifer", isto é, ele quer ser semelhante a Deus por suas próprias expensas, sem perder a sua vida almática, afim de ganhar a semelhança de Cristo na plena dependência da graça. Assim, enquanto Deus oferece a salvação pela graça mediante a fé, o homem decaído quer forcejá-la por meio da justiça própria e dos méritos. A graça retira o tapete vermelho da soberba moral e religiosa do homem decaído. Ele se torna absolutamente dependente de Deus, e, isto, lhe incomoda muito.
Rm. 3: 23 a 26 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus." A destituição do homem em relação à glória de Deus, o reduziu a um ser morto espiritualmente, e, portanto, um morto nada é. Todas as suas vontades cessam! Todos os seus direitos cessam! Todo senso de justiça e retidão divinos cessa! A única maneira de o pecador ser restituído à glória de Deus novamente é mediante a justificação gratuita por meio da propiciação de Cristo. Esta fé é dada pelo próprio Deus, o pecador crê que o sangue vertido na cruz o justifica, ou seja, o torna justo diante d'Ele. Esta é a justiça de Deus, a saber, Ele pune o pecado conforme o Seu decreto eterno - "a alma que pecar esta morrerá" - desta forma, ou o homem morre eternamente com sua culpa do pecado, ou o homem morre em Cristo para sua justificação perante Deus. Destarte, Cristo é o Justo e também, o Justificador perfeito e eterno. Aquele que tem fé de Jesus, só a tem porque recebeu por graça conforme Ef. 2: 8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie." 
Por estas razões todas é que a graça incomoda tanto, pois ela retira toda a falsa glória do homem decaído e a coloca apenas em Cristo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA II

Normalmente após uma preleção, pregação ou homilia que aborda a graça do ponto de vista do homem, as pessoas expressam profundo sentimento de gratidão e alegria por ter ouvido a mensagem. Isto acontece, porque ela vem de encontro às carências próprias das almas viventes. A alma é a dimensão humana que controla as emoções, os desejos e as decisões. Ela encanta e seduz o homem por meio de experiências sensoriais, criando um ambiente falsamente espiritual. Na verdade, o espírito do homem que não nasceu do alto está morto, qual seja, desligado da comunhão com Deus. Quando se aborda este assunto de modo direto assim, os religiosos imediatamente se excluem do grupo em questão, por julgarem que sua religiosidade, seus méritos, seus feitos, suas experiências, suas vitórias nas lutas, seus anos de igreja, os faz espirituais e nascidos do alto. Entretanto, ninguém pode se auto-intitular nascido do alto, de Deus, ou de novo, por conta e risco da sua retidão, integridade, temor a Deus e à Sua Palavra, por desviar-se de coisas malévolas. Estas coisas são necessárias e exigidas de todos os homens. É uma questão moral e ética, não uma questão espiritual. O novo nascimento de acordo com a Bíblia não é produzido pela vontade do homem, nem pelo sangue, e, muito menos, pela vontade da carne. É um ato monérgico e sobrenatural que não depende do agir do homem. É ato soberano de Deus conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Vê-se que não é uma questão de vontade, mas de poder. O homem decaído não pode produzir seu novo nascimento.
Então, não é pelo fato de alguém sentir algo diferente da normalidade física que implica em espiritualidade. O nascimento do alto é resultante, primeiramente de outra experiência, a saber, da morte com Cristo conforme Cl. 3:3 - "... porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus." Ora, os cristãos de Colossos não estavam mortos, fisicamente, mas tinham recebido a sua inclusão na morte de Cristo por fé e como verdade evangélica. Logo, eles haviam ganhado a vida de Cristo por terem recebido a verdade da inclusão deles na cruz, bem como, a ressurreição juntamente com Cristo. Tudo isto é por fé e não por atos, atitudes e posturas religiosas.
Assim, a maioria das pessoas, toma por experiência espiritual aquela, que, de fato, é experiência almática e contaminada pela natureza pecaminosa residente e imanente. É uma questão de bom senso, pois só poderá ter nascido de novo, alguém que já tenha morrido. Em Jo. 12:32 e 33 é dado o modo pelo qual o pecador decaído é incluído na morte de Cristo, para, na Sua ressurreição ganhar d'Ele a vida eterna - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Este texto não é retórico, não é simbólico, não é parabólico! É literal e faz um enunciado claro acerca da inclusão do pecador na morte de Cristo, afim de que, aquele perca a sua morte para Deus e ganhe a vida verdadeira na ressurreição juntamente com Este. Sabe-se que Cristo foi levantado da Terra três vezes, na sua crucificação, na sua ressurreição e na sua assunção ao Pai. Em todas estas vezes o fato esteve relacionado à justificação, à vivificação e à glorificação dos eleitos e preordenados para a vida.
Lc. 4: 18 a 28 - "O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor. E fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta escritura aos vossos ouvidos. E todos lhe davam testemunho, e se admiravam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Este não é filho de José? Disse-lhes Jesus: sem dúvida me direis este provérbio: médico, cura-te a ti mesmo; Tudo o que ouvimos teres feito em Cafarnaum, faze-o também aqui na tua terra. E prosseguiu: em verdade vos digo que nenhum profeta é aceito na sua terra. Em verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel nos dias de Elias, quando céu se fechou por três anos e seis meses, de sorte que houve grande fome por toda a terra; e a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva em Serepta de Sidom. Também muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Elizeu, mas nenhum deles foi purificado senão Naamã, o sírio. Todos os que estavam na sinagoga, ao ouvirem estas coisas, ficaram cheios de ira."
O texto que vem de ser exposto mostra, que, a despeito de emanar dos lábios de Jesus palavras de graça, ele mostrou aos religiosos que seus conceitos sobre ele eram falsos. Se ele tivesse elogiado o culto e a lei cerimonial, afirmando que a verdade só era conhecida e recebida em Israel, teria fica tudo bem. Ele seria exaltado e recebido como grande profeta pelos líderes do seu tempo. Contrariamente, Jesus mostra que a graça é exatamente o oposto do que o homem pode oferecer, fazer e operar em seus sistema de crenças. Ela é estendida a quem Deus conheceu de antemão, predestinou, chamou, justificou e glorificou.