domingo, 15 de junho de 2008

HERESIAS I

Há uma forte e permanente tendência no ser humano em deixar-se guiar por conceitos, clichês, valores e princípios aceitos e praticados como validados pelo senso comum. Em todos os campos do conhecimento e da experiência vivencial, tais conceitos aparecem e se manifestam de acordo com os impulsores recebidos da família, da religião, da cultura dominante e da sociedade em geral. No tocante aos desvios da fé e das verdades bíblicas, muito se tem dito, mas pouco se tem acertado. Isto se dá porque o homem não regenerado, age com base apenas no que apreendeu da sua religião. A religião não é uma criação de Deus, mas do homem, no sentido e na extensão em que tudo o que parte da ação humana é sinergismo. Isto equivale dizer que é apenas o subproduto do desempenho e do esforço humano para encontrar o caminho de volta para Deus, porém a seu modo. O homem deseja Deus, o bem, a integridade, a ética e boa moral, desde que sob os auspícios do que a sua própria mente concebe como verdade. Assim, se torna um produtor de regras, preceitos, ritos e normas, as quais consagra como corretas e os meios únicos para se achegar a Deus. Neste ponto isto se transforma em um mecanismo de auto salvação por meio de justiça própria e méritos em si mesmo.
Heresia é um vocábulo procedente da palavra grega 'haíresis' que, no latim, se tornou 'haeresis'. Esta palavra significa simplesmente 'escolha'! Por si só, a palavra carrega uma significação problemática, pois o grande dilema do homem foi a escolha errada no Éden. Optou por ser, como Deus, conhecedor do bem e do mal. Isto é bem mais profundo do que se imagina comumente. Envolveu e envolve muitas forças! A maioria das pessoas religiosas ou não toma os relatos das Escrituras apenas como mitos, lendas ou manual de religião. Desconhecem que há nelas um texto aberto e outro texto fechado e oculto que só se revela pela ação sobrenatural de Deus. 
Considera-se heresia qualquer escolha contrária ou diferente de um credo ou sistema religioso que pressuponha um sistema doutrinal organizado, ortodoxo, aceito e praticado por uma ou diversas pessoas. Então, neste sentido, ser taxado de herético não é em si grande coisas, nem para mal, nem para bem. Visto que a religião é por si mesma uma questão subjacente no coração e na mente humana decaída, portanto ser herético não fará grande diferença. Nem sempre um sistema teológico ou religioso é verdadeiro, apenas porque é dominante ou predominante. O que conta não é a prática aceita e continuada, mas a veracidade e a validade dos seus ensinos na conformidade da Palavra de Deus. Entretanto, o pre-requisito fundamental é receber a graça para crer que as Escrituras são a Palavra de Deus e não um manual ou catecismo.
O ensino da verdade desde Cristo até os dias atuais é a busca de uma unidade no Cristianismo. Todavia, tal unidade jamais ocorrerá no cristianismo nominal ou institucional, justamente porque ele resulta da ação sinérgica do homem e não da soberania monérgistica de Deus. Jo. 17:21 - "... para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." Vê-se que o Senhor Jesus estabeleceu o padrão de unidade, não em doutrinas, preceitos, regras, ritos ou igrejas, mas n'Ele e no Pai. Isto implica em receber o novo nascimento por meio da inclusão na morte e na ressurreição de Cristo.
Assim, há um só Deus, que se revelou em Seu Filho Unigênito e fundou uma única Igreja conforme Mt. 16:18 - "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." No texto grego original, Pedro é 'Petros', enquanto Cristo é designado como 'Petra', tendo isto grande diferença, pois 'petros' é pedregulho ou pedrinha, enquanto 'petra' é rocha. Além do mais, o pronome demonstrativo 'esta' não deixa dúvidas, quanto a base sobre a qual a Igreja seria edificada. Desta forma, Jesus afirma que a Sua Igreja seria constituída sobre Si mesmo e não sobre Pedro consoante alguns assim o quer.

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