domingo, 29 de junho de 2008

HERESIAS VI

Dando continuidade a análise do artigo anterior sobre os ideólogos das versões bíblicas modernas, acrescentam-se alguns outros elementos para o efeito de compreensão. O Hort, por exemplo, era darwinista, ou seja, acreditava na teoria geral da evolução de Charles Darwin, sendo que a obra "A Origem das Espécies" foi lançada 22 anos antes da publicação da suposta edição revisada da Bíblia King James. Isto pode ser confirmado na obra "The Teories, Thinking and Theology of Drs. Westcott and Hort".
Também perdura uma grosseira acusação de "racismo" contra Hort conforme registro de seu próprio punho: "Eles têm demonstrado ser uma raça imensuravelmente inferior, só humanos e nada mais, sua religião, primitiva e sensual, suas mais altas virtudes são as mesmas de um bom cão." Isto foi dito acerca dos negros em "Life & Letters, FJA Hort, Vol. 1 pág. 458." Primeiramente, o conceito de raça não se aplica aos seres humanos, porque exige uma filogenia ininterrupta, sendo portanto, um conceito de cunho puramente biológico. Secundariamente, um homem de Deus não poderia dar-se ao desvario de emitir tais opiniões por amor às Suas criaturas.
Tanto Westcott, quanto Hort eram simpatizantes de Maria, criam no purgatório e em outros dogmas heréticos romanistas. Por isso, escolheram os manuscritos "Sinaiticus" que, aliás, foram achados pelo evolucionista Friederich Tischendoff em uma lixeira em um monastério no Egito conforme registrado em "An Understandable History of the Bible",  do Dr. Samuel Gipp.
Há igualmente uma outra questão obscura contra, tanto contra Westcott, como contra Hort sobre crenças místicas. Eles praticavam a chamada oração pelos mortos e buscavam comunicação com os mortos por meio de uma sociedade por eles organizada chamada de "The Ghostly Guild", isto é, "Grêmio ou Associação Fantasmagórica. Isto está registrado na obra "The Society For Psychical Research." Isto corresponde ao que se chama no Brasil de centro espírita. Então, à luz destas colocações fica evidente que estes "pais" das versões modernas da Bíblia adulteraram os textos com base em códices da igreja católica com a finalidade de dissimular a mentira em verdade e introduzir heresias sorrateiramente no coração dos religiosos. Desta forma abriram caminhos para uma espécie de sincretismo cristão, facilitando o trabalho de Satanás nas mentes não nascidas do alto.
Por estas razões é que a Palavra de Deus diz: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas." [II Tm. 4: 3 e 4]. Então, entendemos pela Palavra que esse tempo é chegado e que aos eleitos cabe imergir cada vez mais na dependência de Deus, viver da fé, andar no espírito, além de descansar na graça d'Ele.

HERESIAS V

Uma heresia é e será sempre um padrão de verdade relativizada que satisfaz apenas ao interesse do homem decaído. Ela se expressa por meio de doutrinas elaboradas a partir de uma base verdadeira, porém adequada aos ditames do homem morto em seus delitos e pecados. Uma das formas mais comuns de produzir o anátema é através do próprio texto bíblico. As Escrituras, de fato, são o poder de Deus para salvação de todo o que crê, mas também é a perdição de todos os que não foram ordenados para a vida. A Palavra de Deus é como a Rocha de Sião, na qual muitos são sustentados e outros tantos se despedaçam conforme I Pd. 2: 6 a 8 - "Por isso, na Escritura se diz: eis que ponho em Sião uma principal pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é a preciosidade; mas para os descrentes, a pedra que os edificadores rejeitaram, esta foi posta como a principal da esquina, e, como uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; porque tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados."
Neste artigo vamos abordar alguns aspectos de traduções do texto sagrado, a fim de mostrar como se faz uma "boa e aceitável" heresia virar uma "verdade" humana.
Em 1881, dois incrédulos religiosos publicaram um texto pretensamente para revisar a Bíblia utilizada no mundo dominado pela língua inglesa. Estes, embora não cressem em Deus eram líderes da igreja anglicana e professores da Universidade de Cambridge. Eram eles, Brook Foss Westcott e Fenton John Anthony Hort. Na Europa, tanto quanto em diversos outros lugares do mundo, há inúmeros ministros do evangelho que não sabem o que é o evangelho. Eles defendiam a filosofia alexandrina, a qual defende a tese que a Bíblia está completamente adulterada e contaminada, não sendo, portanto um livro de bases espirituais. Eles eram apenas religiosos, mas não eram crentes no sentido restrito do termo. Não criam na existência do céu, afirmando que o céu era apenas uma questão subjacente à ideologia. Hort chegou a afirmar sobre a Bíblia, o seguinte: "Nenhuma consideração especial deve ser feita concernente às suas declarações de inspiração e preservação" [Modern Bible, The Dark Secrets, Jack Moorman]. Este indivíduo acreditava na possibilidade de o próprio homem produzir uma espécie de paraíso paralelo aqui mesmo no mundo, o que ele chamava de 'coenobium'. Um tipo de comunismo cristão em uma sociedade harmônica e pacífica.
Eles negavam o texto mais puro e consistente em termos de códices bíblicos - o 'Textus Receptus' - no qual se baseou João Ferreira de Almeida para compilar a Bíblia em língua portuguesa. O 'Textus Receptus' foi usado como base do Novo Testamento grego para a versão King James da Bíblia desde 1611. Até 1881, não surgiu ninguém contestando ou apontando qualquer erro nesta versão. Entretanto, Westcott e Hort, se apresentaram como conservadores e muito preocupados com a verdade. Editaram, então o texto Westcott-Hort ou mais comumente citado como 'Texto WH'. Este texto difere em 9.970 palavras do "Textus Receptus". Isto corresponde a aproximadamente 7% dele, o qual tem sido utilizado por cristãos por 19 séculos.
Para o efeito de raciocínio, o 'Textus Receptus' concorda em 99% dos 5.255 manuscritos gregos do Novo Testamento que foram preservados até o dia de hoje. Apenas 45 destes manuscritos concordam com o texto de Westcott e Hort. Assim, se conseguiu introduzir sorrateiramente mudanças em versões novas da Bíblia para centrar o foco no homem e no humanismo e não em Cristo. O 'Texto WH' tomou por base o 'Codex B' e o 'Codex Sinaiticus', os quais apresentam divergências entre si da ordem de 3.000 vezes só nos quatro evangelhos.
O que a Palavra de Deus nos diz sobre inspiração e veracidade? Sl. 12: 6 a 7 - "As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada numa fornalha de barro, purificada sete vezes. Guarda-nos, ó Senhor; desta geração defende-nos para sempre. Os ímpios andam por toda parte, quando a vileza se exalta entre os filhos dos homens." O salmista tinha em mente, exatamente a questão de se manter a pura palavra de Deus e não se deixar levar pelas palavras vis dos homens. As versões publicadas pela Sociedade Bíblia Trinitariana do Brasil (corrigida e fiel) são baseados no 'Textus Receptus' e no 'Textus Massorético'.
Os referidos senhores prestaram um grande serviço ao humanismo decaído, mas um grande desserviço à verdade, pois intitularam a sua nefasta versão de "Revised Version", quando se sabe que a "Authorized Version" da King James não sofreu nenhuma revisão por eles. Simplesmente produziram uma nova versão bíblica de conformidade com suas posições alexandrinas, posto que baseadas no "Textus Alexandrian".

domingo, 15 de junho de 2008

HERESIAS IV

Mt 15:9 – “Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem.” Jesus está fazendo uma remissão ao texto do profeta Isaías. O contexto deste debate é aquele no qual Ele foi confrontado pelos escribas e fariseus acerca do comportamento nada ortodoxo dos seus discípulos. Procuravam ocasião para achar falha no Seu ensino, a partir de questões comportamentais, e, com isto, sobrepor os seus próprios ensinos da religião dominante. Condenavam o fato de os discípulos comerem sem lavar as suas mãos. Entretanto, esta era uma prática imposta pela tradição dos anciãos, com base nos costumes. Era, na verdade, uma prática comportamental e higiênica apenas, mas não uma doutrina espiritual como eles exigiam. É neste sentido que até o dia de hoje os religiosos se desentendem entre si, por conta de meras práticas, regras, normas e preceitos criados por homens. No contexto, Jesus chama atenção dos líderes religiosos do seu tempo acerca do que eles faziam, como sendo pior do que não lavar as mãos, visto que quebravam o mandamento da lei sobre honrar pai e mãe. Então, para o religioso é mais aceitável cumprir regras criadas pelas igrejas denominacionais, do que observar o que a Palavra de Deus diz. Exigem fidelidade à Igreja, ao pastor, à denominação, mas não à Palavra de Deus. Esta é outra dimensão de uma heresia destruidora dentro das igrejas institucionais, isto é, atentam para o que o homem quer, e não para o que as Escrituras dizem. Preocupam-se com aquilo que o homem faz e não com o que ele de fato é. Porque se Deus não fizer do pecador uma nova criatura em Cristo, de nada adianta o que o homem faz ou deixa de fazer.
Mt. 16:12 – “Então entenderam que não dissera que se guardassem, do fermento dos pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.” Na sequência dos discursos de Jesus, Ele alerta os seus discípulos quanto aos ensinos puramente religiosos dos fariseus e dos saduceus. O Senhor lhes falou por parábolas, mas eles entenderam ao pé-da-letra. É esse um dos maiores entraves ao ensino da verdade, ainda nos dias atuais, espiritualizam o que é letra e textualizam o que é espiritual. Este texto dentro do seu contexto mostra a grande e urgente necessidade de resgate da verdade e do ensino da sã doutrina pelos regenerados. O ensino falho é uma das razões porque surgem inumeráveis seitas ou heresias intrínsecas e até mesmo extrínsecas.
I Tm 4:1 – “Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade.” Este texto, como todo o seu contexto, trata exatamente dos desvios e das atitudes do homem fora de Cristo. Paulo está doutrinando Timóteo seu filho na fé, acerca dos cuidados e da forma do ensino e de como se conduzir no pastorado. Verifica-se que os heresiarcas apostatam-se da fé, mas não da igreja ou da religião. Este é um aspecto a ser considerado, pois, geralmente eles penetram sorrateiramente com suas dissimulações e, o que é pior, com a diluição da graça de Deus, para ressaltar e exaltar apenas o homem.

HERESIAS III

Obviamente,que, nem todo grupo denominado como sendo herético, o é de fato. Também a existência de uma religião ou doutrina dominante não implica em que a mesma seja verdadeira e que todos os discordantes sejam falsos. Há em todos os tempos doutrinas, religiões e movimentos filosóficos prevalecentes que abrigam ensinos errôneos e heréticos quando comparados às Sagradas Escrituras. Também, há de se dizer que, uma pessoa, em um dado momento é considerada herege, mas, em outro momento poderá ser considerada crente genuíno ou até herói da fé. Não foi este o caso de Jan Huss, John Wycliffe, Martinho Lutero, João Calvino, John Knox considerados hereges pela igreja oficial e dominante? No entanto, ainda hoje são tidos como os responsáveis pela fé evangélica reformada. Deus é quem tem os seus escolhidos e os busca onde quer, quando quer e como quer. Deus tem os seus eleitos desde os mais fétidos prostíbulos, presídios, ou mesmo nos centros acadêmicos e até nos palácios onde estão os reis, príncipes e governantes. Ele é soberano e todo-poderoso para fazer todas estas coisas sem a aprovação do homem decaído. Ainda que alguns religiosos presumem poder inquiri-lo, o Seu propósito supremo não se abala e não se altera.
Heresia no pensamento contemporâneo e com as mais recentes formulações sobre o conceito de heresia se devem a Frithjof Schuon, uma das maiores autoridades mundiais em religião comparada. Partindo de uma descrição dos pressupostos metafísicos comuns a todas as religiões, Schuon procura dar um conteúdo objetivo ao conceito de heresia, distinguindo entre heresias "extrínsecas" e "intrínsecas". As primeiras são variações de doutrina e método que, por motivos de oportunidade histórica, vêm a ser condenadas por uma autoridade religiosa dominante, mas que, numa outra época, podem vir a ser aceitas, se não como ortodoxas, ao menos como espiritualmente legítimas.
Heresia "intrínseca", ao contrário, é a doutrina religiosa que atenta contra o próprio núcleo da metafísica universal e que, por isso, não encontra abrigo no seio de nenhuma das grandes religiões universais. O protestantismo é um exemplo de heresia "extrínseca" (em relação ao catolicismo). O maniqueísmo, ao contrário, por seu dualismo irredutível, não pode conciliar-se com nenhuma das grandes religiões
.”
Centro Apologético Cristão de Pesquisas, citando a Enciclopédia Britânica.
At. 28:22 – “No entanto bem quiséramos ouvir de ti o que pensas; porque, quanto a esta seita, notório nos é que em toda parte é impugnada.” Aqui encontramos Paulo as voltas com o pensamento dominante da sua época. O cristianismo estava sendo denominado pelos judeus de seita impugnada em todas as partes por onde era difundido. Isto era natural, pois aos olhos da religião oficial, o Cristianismo poderia por em risco os interesses financeiros e políticos dos seus líderes e discípulos. A fé cristão divergia em todos os sentidos dos objetivos da religião oficial de então.
At. 24: 5 e 14 – “Temos achado que este homem é uma peste, e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo, e chefe da seita dos nazarenos;(...) Mas confesso-te isto: que, seguindo o caminho a que eles chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas.” Neste outro texto, Paulo é chamado de chefe da seita, isto é, da heresia dos nazarenos. Isto porque Jesus, enquanto homem era de Nazaré da Galileia. Paulo, no entanto, afirma que está servindo a Deus em conformidade as Escrituras e que os judeus é que chamavam o cristianismo de seita.

HERESIAS II

As heresias, seitas ou facções sempre existiram ao longo da história da Igreja. Muitos doutrinadores, professores de seminários ou de escolas dominicais, quando se referem às tais colocam-nas quase sempre como novidades do mundo moderno ou mesmo como subproduto do liberalismo teológico ou da ortodoxia religiosa. Basta fazer uma pesquisa da história da Igreja, tanto das institucionais, como da Igreja do Senhor, que se veem as heresias presentes e ativas em todos os tempos e lugares.
Por volta dos primeiros séculos da Igreja, a Palestina sofreu forte influência do Império Greco-Macedônico e, posteriormente, do Império Romano. A genialidade da língua grega e a Pax Romana facilitaram a produção de literatura e divulgação de ideias muito rapidamente. Além disso, o contato com ensinamentos orientais, notadamente do Maniqueísmo, do Zoroastrismo e do Hermetismo Egípcio levaram ao surgimento de seitas, facções ou heresias denominadas de religiões de mistérios. Na essência, estes ensinos afirmavam que o homem poderia alcançar por si mesmo a vida eterna a partir de determinadas práticas, iniciações e ritos secretos. São os chamados ritos esotéricos ou religiões de mistérios.
Na atualidade, estas heresias, seitas e facções florescem como uma espécie de sincretismo religioso com forte apelo emocional, místico, gnóstico ou filosófico. Isto se dá em função da fragilidade das pregações e do ensino da Palavra de Deus, como também pelas carências materiais e espirituais da sociedade moderna corrompida pelo pecado ou natureza decaída.
2 Pe. 2:1 – “Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.” O apóstolo Pedro não está em contradição ao afirmar que estes falsos mestres estão negando o próprio Senhor Jesus que os resgatou. Não poderiam terem sido resgatados e depois condenados pelo próprio resgatador. O que está no fundamento deste texto, é que os tais falsos mestres fizeram uma profissão de fé declarando-se crentes no Senhor Jesus, mas as suas práticas os conduziu à negação da verdade. Logo, eles trouxeram destruição a si mesmos, no sentido em que mentiram e penetraram furtivamente na Igreja sem passar pelo novo nascimento. Os tais falsos mestres introduziram encobertamente ensinos heréticos, porque ressaltavam outras escolhas fundadas no próprio homem como maneira de ganhar a salvação. Isto fica claro na expressão, "negando até o Senhor..." Se houve a negação do Senhor Jesus Cristo como suficiente e eficiente justificador, logo sobressai a justiça própria do homem.
O próprio cristianismo, o qual era chamado no primeiro século de "O Caminho" foi designado como uma seita ou heresia, pelos gregos e romanos, visto que os cristãos não se encurvaram ao paganismo e a idolatria destes povos. As Escrituras afirmam que é fundamental a ocorrência de heresias ou seitas a fim de refinar os verdadeiros eleitos de Deus conforme I Co.11:19 – “E até importa que haja entre vós facções, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós.”

HERESIAS I

Há uma forte e permanente tendência no ser humano em deixar-se guiar por conceitos, clichês, valores e princípios aceitos e praticados como validados pelo senso comum. Em todos os campos do conhecimento e da experiência vivencial, tais conceitos aparecem e se manifestam de acordo com os impulsores recebidos da família, da religião, da cultura dominante e da sociedade em geral. No tocante aos desvios da fé e das verdades bíblicas, muito se tem dito, mas pouco se tem acertado. Isto se dá porque o homem não regenerado, age com base apenas no que apreendeu da sua religião. A religião não é uma criação de Deus, mas do homem, no sentido e na extensão em que tudo o que parte da ação humana é sinergismo. Isto equivale dizer que é apenas o subproduto do desempenho e do esforço humano para encontrar o caminho de volta para Deus, porém a seu modo. O homem deseja Deus, o bem, a integridade, a ética e boa moral, desde que sob os auspícios do que a sua própria mente concebe como verdade. Assim, se torna um produtor de regras, preceitos, ritos e normas, as quais consagra como corretas e os meios únicos para se achegar a Deus. Neste ponto isto se transforma em um mecanismo de auto salvação por meio de justiça própria e méritos em si mesmo.
Heresia é um vocábulo procedente da palavra grega 'haíresis' que, no latim, se tornou 'haeresis'. Esta palavra significa simplesmente 'escolha'! Por si só, a palavra carrega uma significação problemática, pois o grande dilema do homem foi a escolha errada no Éden. Optou por ser, como Deus, conhecedor do bem e do mal. Isto é bem mais profundo do que se imagina comumente. Envolveu e envolve muitas forças! A maioria das pessoas religiosas ou não toma os relatos das Escrituras apenas como mitos, lendas ou manual de religião. Desconhecem que há nelas um texto aberto e outro texto fechado e oculto que só se revela pela ação sobrenatural de Deus. 
Considera-se heresia qualquer escolha contrária ou diferente de um credo ou sistema religioso que pressuponha um sistema doutrinal organizado, ortodoxo, aceito e praticado por uma ou diversas pessoas. Então, neste sentido, ser taxado de herético não é em si grande coisas, nem para mal, nem para bem. Visto que a religião é por si mesma uma questão subjacente no coração e na mente humana decaída, portanto ser herético não fará grande diferença. Nem sempre um sistema teológico ou religioso é verdadeiro, apenas porque é dominante ou predominante. O que conta não é a prática aceita e continuada, mas a veracidade e a validade dos seus ensinos na conformidade da Palavra de Deus. Entretanto, o pre-requisito fundamental é receber a graça para crer que as Escrituras são a Palavra de Deus e não um manual ou catecismo.
O ensino da verdade desde Cristo até os dias atuais é a busca de uma unidade no Cristianismo. Todavia, tal unidade jamais ocorrerá no cristianismo nominal ou institucional, justamente porque ele resulta da ação sinérgica do homem e não da soberania monérgistica de Deus. Jo. 17:21 - "... para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." Vê-se que o Senhor Jesus estabeleceu o padrão de unidade, não em doutrinas, preceitos, regras, ritos ou igrejas, mas n'Ele e no Pai. Isto implica em receber o novo nascimento por meio da inclusão na morte e na ressurreição de Cristo.
Assim, há um só Deus, que se revelou em Seu Filho Unigênito e fundou uma única Igreja conforme Mt. 16:18 - "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." No texto grego original, Pedro é 'Petros', enquanto Cristo é designado como 'Petra', tendo isto grande diferença, pois 'petros' é pedregulho ou pedrinha, enquanto 'petra' é rocha. Além do mais, o pronome demonstrativo 'esta' não deixa dúvidas, quanto a base sobre a qual a Igreja seria edificada. Desta forma, Jesus afirma que a Sua Igreja seria constituída sobre Si mesmo e não sobre Pedro consoante alguns assim o quer.

sábado, 14 de junho de 2008

LEIS QUE REGEM O HOMEM X

Já foi visto o caso de uma interpretação com base na lei do pecado e da morte por parte dos escribas e com base na lei do espírito e da vida por parte de Jesus, no episódio do paralítico que foi curado. Alguém, de má fé, poderia ponderar não ter validade, porque se trata do Filho de Deus. Então neste último artigo será tratado um caso que ocorre pelas duas leis em uma única pessoa. A primeira situação acha-se registrada em Mt. 16:15 a 17 - "Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus." Observa-se que Pedro, discípulo de Jesus, foi categórico em sua resposta. Não fez análise ou confrontação filosófica alguma, simplesmente recebeu em seu espírito a verdade que Jesus era, de fato, o Filho de Deus. O próprio Cristo afirma que tal revelação não fora fruto da carne, isto é, da mente almática e, muito menos do sangue, ou seja, de paradigmas sensoriais ou experimentais.
Então, o Pai que está nos céus é o revelador da verdade absoluta a quem Lhe apraz. Não é por força de práticas e ritos cerimoniais, tão pouco por esforços sacrificiais que alguém recebe revelação. Muitos têm se perdido neste assunto, por julgar que podem fazer Deus se curvar a eles por meio de barganhismo. Fazem longos e programados jejuns; oram por horas e dias sistematicamente, sobem aos montes, julgando encontrar paz e conforto espiritual para abrir os seus corações a Deus, receber revelação, etc. Nada destas coisas movem o coração de Deus, pois Ele não é movido por coisas ou sinais. O ouvido d'Ele não está agravado e, tão pouco, o seu braço encolhido para que não ouça e se manifeste ao homem. Entretanto, é a natureza pecaminosa que faz separação entre Ele e o homem decaído, porque nesta natureza há uma constante inimizade contra Deus. Não é pelos atos praticados por alguém que Deus se aproxima ou deixa de aproximar, mas pela eleição da Sua própria graça a quem lhe aprouver aproximar, posto que soberano e absoluto. Caso Deus levasse apenas em conta os atos pecaminosos dos homens, jamais teria tornado Jó uma nova criatura ressurreta; jamais teria tirado Ló de Sodoma antes da destruição; jamais teria mudado a sorte de Jacó, jamais teria purificado Paulo no caminho de Damasco e assim por diante. Eram homens como qualquer outro, e em certos aspectos, até piores que muitos outros. A questão não é o que o homem faz, mas o que ele é em essência. Isto se dá desta forma, para que o homem entenda que a ação de Deus é invariavelmente monérgica, ou seja, única e soberanamente oriunda no Seu conselho santo. O homem não é o centro do universo, ou mesmo, o único ser com quem Deus se preocupa.
Depois que Deus age sobre o que o homem é, Ele vai operar e operacionalizar sobre o que o homem faz. Os religiosos tentam ingloriamente conduzir suas vidas almáticas com base primeiramente no que fazem ou deixam de fazer. Entretanto, continuam com suas almas viventes contaminadas pela natureza decaída. São religiosamente corretos, porém almaticamente pecaminosos. Por isso há tanta discórdia dentro das igrejas institucionais. A Igreja verdadeira é formada por mortificados em Cristo, por isso, não pretendem ser nada, e também, nada reivindicam para si, senão para o Cordeiro de Deus que lhes concedeu vida eterna.
A outra situação em que Pedro atuou na lei do pecado e da morte foi em Mt. 16: 21 a 23 - "Desde então começou Jesus Cristo a mostrar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse a Jerusalém, que padecesse muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes, e dos escribas, que fosse morto, e que ao terceiro dia ressuscitasse. E Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: tenha Deus compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens." A reação de Pedro foi com base na lei do pecado e da morte, porque raciocinou em sua mente lógica. Quereria ele, como qualquer ser humano, que Jesus fosse apenas um libertador político, curandeiro, realizador de milagres e maravilhas. Jesus era visto, ora como libertador, ora como alguém que ousava confrontar o sistema dominante e ora como alguém cheio de misericórdia para com os sofrimentos humanos. Os discípulos, em geral, não tinham a revelação da real presença de Cristo no mundo. Eles O olhavam como homem dotado de poderes, mas não como alguém que foi destinado a morrer na cruz. Os seguidores de Jesus estavam interessados em cogitar apenas das coisas horizontais, porque suas mentes capturadas pelo engano do pecado lhes condicionavam a isto. Se fosse hoje, os homens reagiriam da mesma forma, porque esta é uma questão de natureza decaída e de racionalização na carne.

LEIS QUE REGEM O HOMEM IX

"Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus." Este texto de Rm. 8: 6 a 8 é a base para que se possa receber luz sobre a questão gravíssima da confusão entre as leis espirituais. Já se sabe que inimizade no texto original neotestamentário é 'ódio arraigado'. Com isso se conclui que a lei da nossa mente estruturada e ludibriada pela lei do pecado e da morte age invariavelmente contra a natureza santa de Deus. Seja consciente ou inconscientemente, a alma dominada pela carne, desenvolve atividades que sempre colocam o homem em estado de rebelião contra Deus. Isto inclui, tanto as coisas boas, como as coisas ruins, porque, mesmo o bem puramente social que o homem decaído realiza tem suas bases na natureza pecaminosa adquirida no fruto do conhecimento do bem e do mal. Por isso, Deus, por meio do profeta Isaías já adianta que as justiças próprias do homem decaído são como panos podres de menstruação aos olhos d'Ele. A palavra 'arraigado' tem por significados, os seguintes: 'enraizado', 'aferrado'. Logo, é uma questão de natureza e não necessariamente de atos, visto que atos e atitudes seguem invariavelmente o que a natureza carnal determina. É a constante relação entre causa e efeito, sendo este invariavelmente o que aquela determina.
Olhando para o texto de Mc. 2: 5 a 9 verifica-se como o processo do engano engendrado pela alma na carnalidade, captura a lei da mente e engana o homem para que não sirva a Deus na lei do espírito da vida em Cristo Jesus. "Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: filho, os teus pecados estão perdoados. Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: por que fala ele desse modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: estão perdoados os teus pecados, ou dizer: levanta-te, toma o teu leito e anda?"
Há neste texto, uma profunda diferença entre a percepção espiritual de Jesus e o raciocínio carnal dos escribas. Os escribas raciocinaram em seus corações, portanto, em suas almas, visto que os seus espíritos eram mortos para Deus. Jesus, ao contrário, percebeu em seu espírito como o próprio texto afirma. A única fonte do conhecimento dos escribas eram as informações recebidas pelo conhecimento chegado às suas mentes pelos sentidos naturais ou almáticos.
A palavra grega para raciocínio neste texto é 'dialogizomai', sendo ela formada por dois vocábulos: 'dià' que é uma preposição significando o canal pelo qual se realiza um ato. Enquanto, 'logizomai' é um verbo cujo significado é 'avaliar', 'concluir', 'raciocinar', 'considerar', 'supor', ou 'calcular'. É deste verbo que sai a palavra portuguesa 'lógica', isto é, raciocinar e calcular na mente pela lógica. Assim, 'dialogizomai' é a capacidade de tirar conclusões avaliativas com base apenas na apreensão da realidade exterior pela mente humana. A mente considera os prós e os contras e chega a um veredito que, via de regra, é falso do ponto de vista espiritual. Assim, o homem torna-se produtor de suas próprias verdades relativizadas e não absolutas.
Por outro lado a palavra grega traduzida no mesmo texto para 'perceber' é 'epiginosko'. Esta palavra é formada igualmente por dois vocábulos: 'epi' que é uma preposição que indica 'sobreposição de' e 'ginosko' que é o verbo 'saber', 'estar consciente de', ou 'conhecer'. Neste caso a ideia central é conhecer por revelação, uma vez que a verdade é sobreposta à mente humana. A conclusão não é proveniente da apreensão do homem, mas da revelação espiritual divina. É uma relação monérgica e vertical!
Então, enquanto os escribas 'dialogizomai' acerca dos atos de Jesus em suas mentes carnais, Jesus 'epiginosko' no seu espírito sobre a questão do paralítico, e também, sobre o que os religiosos estavam arrazoando sobre Ele. Assim, o conhecimento revelado e procedente de Deus é sobreposto ao espírito, enquanto verdades lógicas e relativas do homem são originadas da mente humana contaminada pelo pecado. Por isso, o Senhor Jesus afirma que, se a luz que há no homem é a sua luz própria, quão grandes trevas são. A luz humana, aos olhos de Deus são trevas e não luz!
Logo, o regenerado que está na lei do espírito da vida em Cristo Jesus tira conclusões verdadeiras sobre Deus, sobre si mesmo e sobre os outros homens. Enquanto, o homem que está na lei do pecado e da morte, conclui mal, porque com base em sua própria percepção carnal de Deus, de si mesmo e dos outros homens.
Muitos religiosos agem como os escribas, concluindo e julgando mal os outros como hereges, incrédulos e blasfemadores, enquanto eles é que o são.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

LEIS QUE REGEM O HOMEM VIII

O que acontece ao nascido de Deus é que no espírito quer sempre fazer a vontade d'Ele, mas a sua carne deseja sempre gratificar-se a si mesma. Por isso há uma luta entre o espírito e a carne por meio da lei do espírito da vida em Cristo Jesus e a lei do pecado e da morte. O espírito domina nas áreas espirituais, mas a carne domina esfera da alma. Santo Augustinho afirma que antes de cair, o homem tinha duas condições: poderia pecar ou não pecar; após a queda ele passou a ter apenas uma condição: apenas pecar. Alguém alega, com base nisso, que após o nascimento do alto, o homem volta a ter as duas condições iniciais. Entretanto, as Escrituras não ensinam dessa forma, pois o pecado que Cristo veio retirar,e, de fato, retirou, pois do contrário ter-se-ia de admitir que Ele falhou. O que permanece é apenas a possibilidade de o regenerado cometer atos pecaminosos por meio da carne.
O apóstolo Paulo afirma que não há necessidade de o homem regenerado querer viver sob o domínio da carne conforme Rm. 6:12 a 14 - "Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniquidade, mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça." O apóstolo não dá simplesmente uma ordem, mas mostra o porquê de o pecado não precisar reinar na vida dos regenerados. O texto mostra com clareza uma relação de causa e efeito entre a lei e o pecado, sendo assim, quando se está debaixo da lei o pecado reina, mas quando debaixo da graça ele não tem domínio sobre o regenerado. Entendendo que domínio é um permanente estado e não momentos ou fases críticas.
Rm. 4:14 afirma que andar com base na lei, anula a fé e impede o regenerado de andar no espírito - "Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é anulada." Isto é corroborado em Gl. 5:4 - "De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes." Sabe-se que o poder do pecado está na lei, pois ela é letra, mas a graça é que produz vida justificada n'Aquele que é a própria vida, a saber Cristo. Na graça, o pecado perde a força e a vida de Cristo se manifesta e se revela.
Porque o poder do pecado está na lei, se acerca dela foi declarado por Paulo que ela é santa e boa? A lei atua para gerar a morte, no sentido em que foi dada por Deus para evidenciar o quanto o pecado é real e mau. Assim, o homem é enganado pelo pecado, porque imagina em sua mente que pode cumprir a lei e justificar-se a si mesmo por meio de ritos cerimoniais, sacrifícios, obras, preceitos, regras. Isto ocorre porque Satanás não possui poder real, visto que poder é um atributo exclusivo de Deus. Logo, ele necessita do engano que o pecado gera para levar cativo o homem. Como ele perdeu o controle do espírito dos que foram regenerados, tenta agora desenvolver a lei do pecado e da morte nos membros mortais do nascido de Deus por meio da alma.
Em conformidade com Rm. 7: 22 e 23, Satanás arma um embuste, envolvendo a alma e a letra da lei para iludir o homem no sentido em que ele é capaz de produzir justiça por si mesmo. "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros." Por isso, a lei é pura e santa, quando vista pela dimensão do espírito regenerado, entretanto é uma armadilha para a carne, visto que esta é ludibriada pela lei do pecado e da morte. Parece confuso, mas é simples: há a lei de Deus, a qual o espírito regenerado está submisso; há a lei do pecado e da morte que domina a carne por meio da alma; e finalmente há a lei da mente que é capturada e enganada pela alma, levando o regenerado a dar ocasião aos pecados. Sendo que a lei de Deus é a vida de Cristo com a qual o espírito dos eleitos já foi reconciliado na cruz. Isto é irreversível e não foi produzido pelo próprio homem, mas pela soberana vontade de Deus em Cristo Jesus.

LEIS QUE REGEM O HOMEM VII

As Escrituras fazem menção do espírito e da alma como um ente coletivo e utiliza a palavra coração para designá-los. A salvação que Deus realiza é plena, envolvendo espírito, alma e corpo. No nascimento do alto ou novo nascimento como foi traduzido, a salvação é para o espírito que é vivificado em Cristo. A alma é tratada ao longo da vida, pois ela está contaminada por atos pecaminosos adquiridos e desenvolvidos em função da antiga natureza pecaminosa. Observa-se, que, em todo o tempo a Bíblia fala de salvação e purificação de almas. O corpo será transformado e receberá uma natureza glorificada quando da ressurreição e restauração final no retorno do Grande Rei.
"Digo, porém, andai no espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o espírito, e o espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer." Este texto de Gl. 5:16 e 17 mostra há uma permanente batalha interior mesmo no regenerado. Embora algumas traduções bíblicas coloquem a palavra espírito com inicial maiúscula, como se fosse o Espírito Santo, todavia, o texto se refere ao espírito do homem. Haja visto que o Espírito de Deus não entra em luta contra a carne do homem, e, pelo contexto, se percebe que a questão é no homem e não em Deus. Então, o ensino é que, se o homem for guiado ou controlado pelo Espírito Santo em seu espírito, não ocorrerá a satisfação dos desejos carnais como um hábito ou um princípio. Nenhum regenerado anda todo tempo e ao mesmo tempo, em todas as áreas da vida, sob o controle da carne e do espírito, ou está em um, ou está em outro. Portanto, a carnalidade sob o engano da lei da mente capturada pela lei do pecado e da morte, impede o regenerado de andar na lei do espírito e da vida em Cristo Jesus. Por isso, Deus realiza uma obra, operando o querer e o efetuar em seus eleitos a fim de lhes construir a vida de Cristo até o dia final. Embora haja os que defendem a dicotomia humana apenas com corpo e alma, as Escrituras, porém definem o homem como um ser tripartite conforme, por exemplo, I Ts. 5:23 - "O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo."
Quando as Escrituras se referem à carne, não é uma mera referência à dimensão física do homem, mas ao conjunto das ações, operações e volições morais que controlam a alma. Esta carnalidade prende a mente do homem em suas emoções, desejos e volições, fazendo que este faça coisas, as quais já havia decidido não fazê-las em seu espírito. Paulo demonstra esta luta interior em Rm. 7: 18 e 19 - " Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico."
O espírito inoculado no homem é a parte que lhe permite conhecer a natureza Santa de Deus, pois Ele "... é Espírito e importa que os que o adorem, o adorem em espírito e em verdade" conforme Jo. 4:24. Portanto, o homem jamais poderá em vida conhecer Deus pela mente e pela carne, mas, tão somente pelo espírito e, este, regenerado.
A alma do homem foi igualmente inspirada por Deus conforme Gn. 2:7, sendo esta também imaterial e eterna. A alma, porém, possui profunda habilidade para capturar informações, tanto do mundo natural, como do mundo espiritual. Antes da regeneração, a alma recebe informações apenas do mundo natural por meio dos sentidos. Por isso, Cristo afirma em Mc. 8:18 - "Tendo olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis?" Por outras letras Ele disse: 'vocês estão vendo apenas com os olhos e ouvidos carnais, mas não com os olhos e ouvidos espirituais.' É como se o Senhor Jesus lhes estivesse ironizando: 'vocês não conseguem ver pelo espírito?'
A lei do pecado e da morte busca apenas a autossatisfação e o egoísmo, enquanto a lei do espírito da vida em Cristo Jesus busca apenas a glorificação de Cristo. É por esta mesma razão que as Escrituras afirmam que 'a carne é fraca, mas o espírito está sempre pronto'. Com o novo nascimento acontece um processo sobrenatural, o qual faz o homem ser transferido do domínio da lei do pecado e da morte, para a lei da vida em Cristo Jesus.
O grande engano que tortura até mesmo alguns nascidos do alto é não saber discernir que o novo nascimento foi tão somente no espírito que se achava corrompido pela natureza do pecado. A alma e o corpo físico não passam pelo novo nascimento instantaneamente. A alma será tratada ao longo da vida e o corpo será ressuscitado incorruptível na restauração final. Por esta razão é que muitos nascidos de novo passam por crises ao perceber que ainda persistem nele pensamentos e atos pecaminosos. Há uma profunda diferença entre o pecado que Jesus veio destruir na cruz, e os atos pecaminosos que vão sendo purificados pela vida de Cristo no regenerado. A lei da mente vai sendo renovada para a verdade pela operação do querer e do efetuar de Deus conforme Rm. 12:2 - "E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."

terça-feira, 10 de junho de 2008

LEIS QUE REGEM O HOMEM VI

"Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semeia, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o espírito do Espírito colherá vida eterna." A chamada de Paulo aos gálatas é no sentido em que eles não poderiam se deixar guiar pelo engano. Assim sendo fica evidente, que, até mesmo os nascidos de Deus podem ser envolvidos pela lei do pecado e da morte. Entretanto, o incrédulo que é guiado por esta lei, está em permanente zombaria de Deus, porque é guiado pelo que a sua natureza é. Reflete a sua realidade espiritual decaída e alijada da vida de Cristo. Quando um regenerado admite ser guiado pela carne, estará zombando de Deus, precisamente porque ele conhece a vida de Cristo. É uma opção responsabilizável moralmente, posto que consciente e passível de ser superada pela lei do espírito da vida em Cristo Jesus. O homem colhe de acordo com a finalidade da sua semeadura: se para a carne, colhe corrupção, se para o espírito colhe vida eterna.
Sabe-se com base em Rm. 7:11 que o pecado agindo na carne, é responsável pelo engano, gerando como resultado, a morte. Isto pode acontecer apenas em uma área da vida, ou mesmo em diversas áreas. Neste sentido, o homem se torna enganado e enganador de si mesmo e dos outros. A definição de engano é: "não saber sobre algo ou estar inconsciente do engano." Quando alguém sabe que está sendo enganado, não há mais o engano, porém quando se deixa reger pela lei do pecado e da morte, o resultado é a colheita das obras da carne, ou seja, corrupção.
A primeira evidência que alguém está sendo regido pela lei do pecado e da morte é uma incomensurável sensação de injustiça e autocomiseração. O homem, nesta situação, não aceita colher os frutos da lei do pecado e da morte. Por isso, gera um enorme sentimento de mágoa contra Deus, pois em sua mente enganada, imagina estar no espírito, quando de fato está na carne. O resultado disto é o estado de rebelião, mágoa e condenação a tudo e a todos.
O homem é o que imagina e imagina o que é conforme Pv. 23:7 - "Porque, como ele pensa consigo mesmo, assim é." Então, nesta perspectiva o homem pode estar sendo conduzido apenas pela lei da sua mente fundamentada na carne e não no espírito. O raciocínio da mente humana é no grego neotestamentário 'dialogizomai'. Deste vocábulo provém o termo diálogo, o que expressa a interpretação do raciocínio capturado pelos sentidos naturais acerca das informações externas, acerca de Deus e dos outros homens. Entretanto, a lei do espírito da vida em Cristo Jesus nos dá a percepção correta, a luz, ou o conhecimento, sendo na língua do novo testamento a palavra 'epiginosko'. Assim, toda vez que o Espírito Santo dá a revelação de que alguém está na lei do pecado e da morte, este deve confessar que foi justificado em Cristo Jesus e, assim, reconhecer que está na lei do espírito da vida em Cristo Jesus.
Rm. 8:1 - "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." Todo o tempo a lei do pecado e da morte conduz o homem para não crer que foi liberto da condenação do pecado. A mente humana enganada pela sensorialidade captura as informações dos sentidos naturais e faz com que tais sinais sejam interpretados como manifestações espirituais, quando de fato são carnais.
Portanto, a todo tempo o homem regenerado está sendo operado por Deus na lei do espírito da vida em Cristo Jesus conforme I Co. 1:30 - "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção." Verifica-se que toda ação é monérgica, a saber unicamente dirigida, operada e operacionalizada por Deus. O homem é ser passivo neste processo, pois pertence a Deus, em Cristo Jesus, posto que Ele é sabedoria, justiça, santificação e redenção para o pecador. É a mais contundente manifestação da graça de Deus.
É Deus quem opera as leis espirituais por meio de Cristo como o reparador da falta de competência humana para promover a própria redenção conforme Rm. 3:25 - "... a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância deixado impunes os pecados anteriormente cometidos." A apropriação do favor de Cristo se dá por meio da fé e, esta é dom de Deus. O pecado original, a natureza adâmica, o velho homem ou a pecaminosidade é extirpado na cruz pela inclusão do pecador na morte de Cristo. Mas, os pecados ou atos pecaminosos anteriores a este fato são esquecidos. Deste momento em diante, o homem nascido de Deus passa a ter a sua disposição as leis espirituais e o Espírito Santo o conduzirá a viver da lei da vida em Cristo Jesus. É um tratamento permanente e gradativo, pois o pecado ainda está na carne conforme Rm. 7:17 - "Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim." Ora, se não é o 'eu' que pratica o pecado, pois está crucificado com Cristo, quem ou o que o coloca em marcha? É a carnalidade, ou seja, o conjunto das ações morais regidas pela lei do pecado e da morte.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

LEIS QUE REGEM O HOMEM V

Há uma forte dicotomia na regência das leis espirituais que controlam o homem. O correto seria, compreender no espírito e racionalizar na mente. Todavia, o pecado o engana e o conduz à interpretação das percepções captadas pelos sentidos naturais, como sendo revelações espirituais, levando-o à uma compreensão a nível puramente almático. Por isso, as sagradas Escrituras ensinam o seguinte: "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." O apóstolo Tiago está doutrinando comparativamente sobre a sabedoria humana e natural e a sabedoria adquirida por graça e procedente do alto. É notório que as palavras 'animal' e 'diabólica', no grego koiné são, na verdade, 'psichiké' e 'daimoniôdes'. Então, a sabedoria humana em estado de depravação, isto é, contaminação pela natureza pecaminosa, tem sua origem na sabedoria terrena, psíquica e demoníaca, ou seja, a alma humana influenciada por demônios.
O grande mal nas religiões ditas cristãs é que os seus líderes sonegam a verdade aos seguidores, se por má fé, ou se por ignorância, não importa, pois, pelo menos intelectualmente, deveriam conhecer e discernir os textos. Assim procedem para manter cativos os incautos, e, deles tirar proveito psicológico, econômico e político. Sabe-se pelo bom senso que é melhor governar mil tolos do que um sábio, visto que este a tudo questiona, enquanto aqueles nada sabem e nada cobram.
"O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." Esta é a afirmação solene de Paulo em I Co. 2:14. O raciocínio e as emoções humanas não podem mostrar a verdade do que o homem decaído é, precisamente porque ninguém advoga contra si mesmo. Também não o permite conhecer Deus como de fato Ele é, e consequentemente, não permite discernir os outros homens tal como são. Por isso, perdura nas igrejas denominacionais desentendimentos, facções, discórdias, disputas, fofocas, inimizades, julgamentos temerários, etc. Tais religiosos estão racionalizando com base nos seus sentidos e entendendo com suas mentes dominadas pelos poderes latentes da alma influenciados pelo demônio. Desta forma, Deus, e, somente Deus, resolveu agir monergísticamente na solução do pecado do homem conforme I Co. 1:21 - "Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação."
A lei do pecado e da morte em contraposição à lei do espírito e da vida em Cristo Jesus produz uma radical inimizade entre o pecador e Deus conforme Rm. 8: 6 e 8 - "Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeita à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus." É notável que a palavra inimizade no texto grego original é 'ódio arraigado', mas olhando para os homens, não fica tão perceptível este tipo de ódio. Isto porque, o homem em estado pecaminoso aprende a dissimular a sua real condição. Também, no sentido em que expressam as Escrituras, ódio não se percebe apenas por expressões vocais, ou atitudes e atos maléficos, mas sobretudo por atitudes, atos e palavras aparentemente benévolas. Quem quer ser muito bom, justo e merecedor, se constitui em uma verdadeira afronta a Deus, visto que tais procedimentos são contaminados pela natureza pecaminosa adquirida no fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A questão toda é que os religiosos categorizam as coisas da seguinte maneira: o bem é invariavelmente procedente de Deus e o mal é incontestavelmente proveniente do Diabo. Todavia, uma leitura pelas lentes da misericórdia, da graça e da soberania de Deus mostra que, bem e mal são meros conceitos morais e antropológicos. Para Deus eles têm valores diferentes e diferenciados no tocante aos Seus eternos propósitos.  A visão maniqueísta do homem decaído é que classifica e categoriza tudo com base no bem e no mal.
Não se pode empregar o raciocínio natural para interpretar o conhecimento dos sentidos e chegar a conclusões espirituais. Eles não permitem ao homem conhecer a identidade de Deus, a identidade das pessoas e a real situação das relações entre estas partes. Comumente, quem entra por este caminho tortuoso, acaba por gerar ódio a Deus, maltratar as outras pessoas e tornaar-se amargo interiormente. A isto, as Escrituras chamam de cauterização da mente. Nicodemos foi um caso destes, que não conheceu ao Senhor Jesus pelo espírito, mas pela carne, visto que o identificou apenas com base apenas nos sinais que Ele fazia. Foi energicamente recriminado e disciplinado pelo Senhor Jesus. É neste sentido que muitos religiosos chegam ao falso ensino do "livre arbítrio", confundindo escolhas naturais e encerradas na vala da natureza pecaminosa, com escolhas espirituais originadas no soberano trono de Deus.
Quando se compara Mt. 16: 13 a 17 com Mt. 16: 21 a 23, percebe-se que Pedro navegava entre a lei do espírito da vida em Cristo Jesus e a lei do pecado e da morte. Ora, ele recebeu em seu espírito a revelação inequívoca de que Jesus era o Filho de Deus, algo depois tentou dissuadir o Senhor Jesus da sua morte de cruz. Jesus faz a seguinte observação a Pedro: "Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens." No primeiro caso, Pedro recebeu revelação no seu espírito, no segundo a sua mente racionalista tomou o controle e o fez tirar conclusões puramente terrenas, psíquicas e demoníacas. Pelo texto, em seu contexto, Jesus declara a Pedro que ele estava sendo operado e operacionalizado por Satanás no caso da tentativa de dissuadi-lo da cruz. Desta forma há milhões de milhares de "crentes" claudicando entre a lei do espírito da vida em Cristo Jesus e a lei do pecado e da morte.

domingo, 8 de junho de 2008

LEIS QUE REGEM O HOMEM IV

"Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro."A lei que se refere o texto de Gl. 3:13 é uma alusão a um dos decretos eternos de Deus: "...a alma que pecar, esta morrerá." Tal situação é originada do primeiro decreto eterno de Deus em Gn. 2: 17 - "...certamente morrerás." O homem não creu que morreria caso comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Assim, o primeiro pecado foi a incredulidade, sendo isto confirmado por Cristo em Jo. 16:9 - "...do pecado, porque não creem em mim." Assim, o homem não é salvo pela lei da sua mente ou do seu entendimento, pois  está contaminado pela natureza pecaminosa. Por tal razão é que Cristo foi pendurado no madeiro para extirpar a maldição do pecado. Para tanto, Ele foi feito pecado por Deus conforme II Co. 5:21 - "Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." Como Cristo foi feito pecado pelo homem? Atraindo-o para dentro d'Ele na cruz conforme Jo. 12: 32 e 33, já mencionados no primeiro artigo. Então, na atração e inclusão do pecador na Sua morte, Ele matou a morte do homem que é a sua separação de Deus, sendo isto denominado de justificação. Cristo pagou o preço do pecado, dando a Sua vida humana e doando a Sua vida divina para nos tornar justificados diante do Pai. Este é o grande mistério guardado nos séculos: Cristo no homem e o homem renascido em Cristo .
Desta forma, Deus elimina a lei do pecado e da morte por meio da lei da vida em Cristo Jesus. Este é o verdadeiro evangelho ensinado nas Escrituras, o que passa disto é anátema. Então, se verdade é, há mais anátemas do que verdade nas religiões que dominam o cenário do mundo moderno. Em Jo. 10:10 é instruído que a lei da vida em Cristo Jesus comunica vida, não a vida biológica, não a vida almática, mas a vida eterna e abundante. Todavia, não se deve confundir, imaginando que os regenerados ou nascidos do alto, estão imunes às coisas ruins, aos problemas ou dificuldades. Estas coisas podem acontecer, a única diferença é que eles não estão mais debaixo da lei do pecado e da morte como uma prática habitual ou natural conforme I Jo. 3: 9 - "Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus." Não pecar habitualmente é uma forma de dizer que o nascido de Deus não sente imenso prazer em continuar no pecado, especialmente o pecado da incredulidade. A sua natureza foi cambiada pela natureza de Cristo e, portanto, ele não possui mais o pendor para o pecado como um princípio. O regenerado foi liberto da condenação e da culpa do pecado, mas ainda está sob a influência do pecado que há no mundo. Na restauração final será liberto da presença do pecado eternamente.
Por não estarem mais debaixo da lei do pecado e da morte, os nascidos de Deus não têm o pecado como uma lei contínua e, portanto, o Diabo não lhes pode tocar conforme I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." A maioria dos religiosos desconhece esta experiência de descanso na graça superabundante de Deus e, portanto, vivem constantemente no medo, negando assim a verdade. Jesus utilizou 365 vezes a expressão não tenha medo em suas diferentes formas. E as Escrituras afirmam que o perfeito amor lança fora o medo, justamente, porque o amor é o próprio Cristo vivendo no regenerado conforme Gl. 2. Os religiosos atribuem tanto poder ao Diabo, que acabam se transformando em cultuadores de Satanás, reconhecendo-lhe e conferindo-lhe poderes e atributos que somente a Deus são devidos.
Na verdade o homem colhe e recolhe apenas daquilo que ele mesmo semeou conforme Gl. 6: 7 e 8 - "Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna." Ai estão estampadas as duas leis: a lei do pecado e da morte e a lei do espírito de vida em Cristo Jesus.

LEIS QUE REGEM O HOMEM III

"Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros." Verifica-se que não é uma questão de querer fazer ou não querer fazer o mal, ele é inerente à natureza humana. O homem interior, quando regenerado, invariavelmente tem prazer na lei de Deus, porque é regido pela lei da vida em Cristo Jesus. Entretanto, os membros, isto é, a carnalidade, tem prazer na lei do pecado e da morte. Deste conflito surge uma outra lei, a lei do entendimento. Pela mente ou entendimento, o homem é capturado e levado cativo à lei do pecado, porque o entendimento humano está sob a nefasta influência dos atos pecaminosos na carne. Isto faz que muitas pessoas criem sistemas de crenças ou teológicos próprios em arrepio aos ensinos bíblicos.
Uma lei natural é algo como que um padrão repetitivo e constante. Semelhantemente, as leis espirituais que operam no homem são também constantes e repetitivas. Não é o fato de alguém ignorar as leis naturais que estas são anuladas. No caso das leis espirituais dá-se o mesmo, portanto, o homem é responsável moralmente por seus atos pecaminosos. De modo nenhum a graça anula as consequências destes atos pecaminosos. O religioso, geralmente, quando sofre as consequências dos seus próprios pecados atribuem culpa ao Diabo. Assim, dão sequência às suas crendices e enganos sem compreenderem as leis espirituais ensinadas nas Escrituras. Na maior parte dos casos, o inimigo entra apenas como treinador. O homem é o culpado e responsável por seus atos pecaminosos, e o Diabo, se aproveita disso para controlar cada vez mais a mente humana, levando-a cativa à lei do pecado e da morte.
O homem é ludibriado pela lei do pecado e da morte em seu entendimento, quando tenta resolver as questões de ordem espiritual, utilizando armas do entendimento carnal. Quando alguém está na dependência das suas habilidades e forças, está sendo regido pela lei do pecado e da morte. Isto ocorre, porque tal pessoa não recebeu graça para crer e depender absoluta e plenamente de Deus. A total e absoluta dependência gerada pela fé, faz que o homem seja guiado e regido pela lei da vida em Cristo Jesus, mesmo na derrota e no sofrimento.
Os. 4:6 - "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento." Sabe-se que conhecimento nos termos escriturísticos é luz, portanto, a destruição pela lei do pecado e da morte é por falta da luz que do alto vem. O conhecimento verdadeiro é resultante da graça mediante a fé, a qual permite ao eleito conhecer e prosseguir conhecendo Deus pela lei da vida em Cristo Jesus. Tal conhecimento não se obtém por títulos, teologia, anos de igreja ou por declarar-se crente, batizado, obreiro, reformado, arminiano, missionário, etc. Resulta, outrossim, da vida de Cristo adquirida no nascimento do alto e, este, só é possível, após a inclusão do pecador na morte de Cristo, para com Ele ressuscitar. Esta verdade se apropria pela fé, visto que ninguém estava fisicamente na cruz, tendo sido substituído por Jesus. Entretanto, ao receber graça para crer que Cristo o substituiu espiritualmente e Jesus o substituiu fisicamente, obtém-se a fé para ganhar a vida d'Ele e viver da fé genuína. Tal é possível, porque o Salvador é absolutamente Deus em Cristo e absolutamente homem em Jesus, o Filho do Homem. O ensino aqui colocado nada tem a ver com as heresias do primeiro século: adocianismo e modalismo, as quais dicotomizavam a pessoa de Cristo, como se fossem duas pessoas distintas. Neste texto estamos apenas referenciando que Cristo é anterior ao homem histórico Jesus nascido de mulher. Entretanto, Jesus, o Cristo é uma única pessoa totalmente divino-humana.
Viver pela lei do pecado e da morte é bem mais estimulante e emocionante, pois esta lei satisfaz os desejos da alma e dá ao homem a falsa noção de que ele é o centro do processo. Para isso, Satanás, por meio de alguns dos seus auxiliares humanos, incutiu nas mentes decaídas algumas mentiras disfarçadas de verdade. Uma delas é o "livre arbítrio"! Outra é achar que a fé é natural no homem e que ao cumprir rituais, preceitos e regras, o pecador obtém justificação e santificação. Estas mentiras, visam desqualificar a morte de Cristo e colocar Deus como um ser dependente da vontade humana escravizada pelo pecado. Logo, não passam de heresias e anátemas criados pelo Diabo e administrado por religiosos arminianos e incrédulos por natureza e não somente por atos.

LEIS QUE REGEM O HOMEM II

"Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte." Estas duas leis espirituais operam no homem de modo simultâneo, dependendo do que interessa a Deus querer e efetuar nos seus eleitos. O fiel da balança neste caso é a nossa mente, ou seja, a alma. Pois, esta é um fator enganador na vigência da lei que opera no homem decaído. Por isso, as Escrituras declaram o seguinte: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?" Coração neste contexto não é uma referência ao órgão que bombeia o sangue, mas à sede da alma e do espírito. O espírito do homem pode ser morto para Deus, se este não foi regenerado pela inclusão na morte de Cristo, ou pode ser vivificado para Deus em Cristo Jesus. A alma, independentemente da regeneração será sempre uma dimensão perigosa, porque ela é impregnada de desejos, volições e decisões. É nesta situação que muitos naufragam na mentira religiosa, pois confiam em suas almas decaídas e sujas de pecados e delitos. Ela é a origem de muitos mitos, crendices, falsa fé, falsas experiências e realizações de falsos milagres. Por exemplo, a feitiçaria é uma ação almática e não realizada pelo Diabo como se supõe. Portanto, é perfeitamente possível a uma pessoa realizar curas, fazer previsões do futuro, conseguir vitória em uma determinada situação pela operação da alma. Assim, o homem é enganado e apanhado em seu próprio engano conforme Tg. 1: 13 e 14 - "Ninguém, sendo tentado, diga: sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência." A alma, a qual é a sede dos desejos, atrai e engoda o homem na suposição de estar sendo objeto de uma ação divina e espiritual. Foi pelo desejo da alma que Eva foi enganado por Satanás na questão do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A concupiscência é o desejo e a vontade contaminada.
A 'lei do espírito de vida em Cristo Jesus' está disponível a todo momento, assim como a lei da atração gravitacional está operando em todo tempo. Entretanto, aquela só se faz real quando o homem recebe a graça para crer. A 'lei do pecado e da morte' igualmente opera todo o tempo, no sentido de manter o homem preso aos ditames da sua carne. A 'lei do pecado e da morte' só pode ser anulada pela 'lei do espírito da vida em Cristo Jesus'. Assim, qualquer pessoa pode operar nas duas leis ao mesmo tempo, porém jamais na mesma esfera da vida, porque a carne não tem comunhão com o espírito e este não comunga com aquela. O apóstolo Paulo coloca isso de modo muito simples e claro em Rm. 7: 22 a 24 - "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" O homem interior é o espírito, enquanto a outra lei é a 'lei do pecado e da morte'.
Por símile, Deus é como o piloto de um avião que, estando no comando, tem o manche do destino nas mãos. A lei da gravidade puxa o avião para o centro da Terra, enquanto a lei da aerodinâmica puxa a aeronave para cima. As duas leis estão ativas e operando, todavia, quem decide e comanda é o piloto, a saber, Deus. O maior perigo ocorre quando o homem cisma de ser o seu próprio piloto e tenta brincar com as duas leis espirituais: 'a lei do pecado e da morte' e a 'lei do espírito da vida em Cristo Jesus'. A diferença é que na operação sinérgica, isto é, dos esforços humanos, o homem não consegue permanecer apenas na lei do espírito da vida. Entretanto, quando Deus é o piloto, Ele mantém o homem na lei do espírito da vida em Cristo Jesus, apesar da lei do pecado e da morte continuar operando também. Isto só se consegue por misericordiosa graça de Deus em Cristo. O religioso sempre imagina que pode conduzir o processo da vida e da salvação com base apenas no cumprimento de regras, preceitos e normas. Deus, neste caso, aparece apenas como coadjuvante no processo. Ledo engano!

LEIS QUE REGEM O HOMEM I

Há duas leis que regem o homem neste mundo, circunstanciadas pela contingencialidade humana, ou seja, pela natureza decaída no pecado. Uma é a 'lei do espírito da vida' e a outra é a 'lei do pecado e da morte'. A linha que separa estas duas leis é, aos olhos humanos, muito tênue, pois sob o domínio da natureza decaída, o homem interpreta qualquer sinal sensorial como procedente de Deus. Qualquer experiência que envolve sentimento, emoção e manifestações visíveis que ultrapassam o habitual ou o natural é tida como divina e imediatamente a pessoa se põe na perspectiva de grande portador de poderes divinos. Nestes casos, quase sempre, o indivíduo já requer para si algum dom superior e uma posição privilegiada em relação às outras pessoas. Os religiosos e os aflitos buscam tais experiências como se fossem dons espirituais, supondo que sejam o que foi ensinado no novo testamento. Tomam o texto ao pé da letra,e, por vezes, fora do contexto se afirmam como enviados de Deus ao mundo, portadores de uma nova mensagem e, as vezes, acabam inventando um novo evangelho. Não há novo evangelho! As boas novas, não são novas no conteúdo externo, mas tão somente, no momento e na forma que Deus escolhe para revelá-las aos que deseja segundo a Sua soberana vontade. O evangelho puro consiste no seguinte: "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras." É morte substitutiva e inclusiva, seguida de ressurreição vivificante e eterna. O que passa disso é anátema e esperteza almática decaída! A adoração, portanto, só é verdadeira se for ressurrecta.
Rm. 8:1 - "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." A construção gramatical e a sintaxe da oração mostra que após a operação monérgica de Deus, a condenação do pecado já não existe mais para os que estão em Cristo Jesus. Mas, como alguém pode estar em Cristo Jesus? Só existe uma forma de algo ou alguém estar em outro, ainda que contrariando a lei da física, a qual afirma que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. O fato é que espiritualmente falando, a morte de Cristo não foi um fato isolado na forma, pois quando Ele foi levantado na cruz, atraiu os eleitos de Deus conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Os religiosos incrédulos, leem apenas o verso 32, porque suas mentes escravizadas pela natureza pecaminosa não consegue dissernir o verso 33. É justamente da revelação completa destes e de tantos outros textos bíblicos que se abstrai a verdade inteira da substituição e da inclusão do pecador na morte e na ressurreição com Cristo.
A morte e a ressurreição de Cristo é uma operação sobrenatural no tempo e no espaço com repercussões eternas. É uma questão matemática em que um está em todos e todos estão em um conforme Rm. 5: 14 e 15 - "Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." Este é o jogo da vida e da morte que estabelece em que lei o homem se encontra. Esta verdade é como a lei matemática da teoria dos conjuntos: um contem todos, e todos estão contidos em um. Estes todos não são todos os homens, mas todos os que foram incluídos em Cristo, a saber, na Sua morte de cruz. Apenas nestas circunstâncias é que se pode falar em novo nascimento, ou nascimento do alto conforme Jo. 3:3 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." O novo nascimento não é um ritual religioso que se possa pregá-lo e apregoá-lo apenas como discurso de persuasão. É antes a ação real e única monergisticamente direcionada por Deus a fim de justificar e redimir os pecadores eleitos antes da fundação do mundo, ou antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1: 9 - "...que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." Então, salvou, chamou segundo a santa vontade d'Ele e não segundo o que o homem faz ou deixa de fazer. Esta é mais uma pá de cal que o evangelho da verdade joga sobre os iludidos arminianos, os quais colocam as obras e o comportamento do homem como prioridade no processo de salvação. Coitados, se depender da moral humana, ninguém verá a face de Deus.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O QUERER E O EFETUAR VII

No livro de Deuteronômio, em seu trigésimo capítulo, nos três primeiros versículos afirma-se: "Quando te sobrevierem todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que pus diante de ti, e te recordares delas entre todas as nações para onde o Senhor teu Deus te houver lançado, e te converteres ao Senhor teu Deus, e obedeceres à sua voz conforme tudo o que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua alma, o Senhor teu Deus te fará voltar do teu cativeiro, e se compadecerá de ti, e tornará a ajuntar-te dentre todos os povos entre os quais te houver espalhado o senhor teu Deus." Estas palavras sobressaem de um contexto de pacto, o qual o Senhor Deus revelara a Moisés na terra de Moabe. Tal pacto consistia em regras e preceitos de sobrevivência por meio da obediência com juramentos. Era um pacto de preservação do povo a fim de que se cumprissem as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. Tais asseverações são destinadas a uma nação e não a um indivíduo, por isso, quando se refere a conversão é apenas no sentido de conversão a preceitos, regras e normas da lei cerimonial a fim de preservar os hebreus dos quais viria nascer Jesus, o Cristo. Não se refere, neste contexto, à conversão individual do pecador à luz do evangelho da verdade.
Além do pacto feito em Horebe, Deus falara a Moisés sobre a necessidade de o povo obedecer a lei, como meio de não se promiscuir com outros deuses pagãos, com os costumes e tradições controlados por Satanás. Isto garantiria paz política, paz social e prosperidade econômica, para testemunho da ação de Deus na história. Por meio destes pactos, o povo hebreu seria uma espécie de nação separada para trazer a lume os oráculos de Deus acerca da redenção dos eleitos por meio da justificação pela graça em Cristo, o Messias prometido.
Desde o capítulo 28 do retromencionado livro, Deus vem tratando o povo hebreu por meio de pactos, tendo Moisés como interlocutor. Ao tempo em que Deus fala de benignidade, preservação e promessas de progressos, indica, profeticamente que o povo seria desobediente e, que, por isso, seria castigado severamente. Parece estranho que Deus tenha utilizado da Sua onisciência para prever tudo, inclusive a desobediência do povo que Ele mesmo escolhera. Esta é a mais contundente evidência da soberania d'Ele, visto que, mesmo sabendo o que sucederia não alterou os Seus desígnios eternos. Esta é uma questão da qual o religioso não se apercebe. Apercebê-la-á apenas os que o Pai conceder graça da revelação na Palavra.
Então, a questão do conteúdo de Deuteronômio 30, não está focado no que o homem faz ou deixa de fazer, mas naquilo que Deus se propôs a fazer em Seu conselho Santo. Os arminianos, os quais são apenas religiosos, buscam ingloriamente subsídios neste e em outros textos correlatos, a fim de justificar suas posições centradas nas possibilidades do homem e não no evangelho gracioso de Deus. O Soberano Rei do Universo não age por meio de possibilidades, mas por decretos eternos e irrevogáveis, visto que, para Ele tudo é possível.
O verso 3 do capítulo 29 dá o tom da soberania de Deus, assim: "... as grandes provas que os vossos olhos viram, os sinais e grandes maravilhas; porém o Senhor não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até o dia de hoje." Esta é a crucial diferença entre letra e espírito: enquanto os princípios pactuados eram meras letras aos corações, olhos e ouvidos do povo, o Espírito de Deus preparava a vinda de Cristo na história humana. É a isto que Paulo se refere quando diz: "...quando aprouve a Deus revelar Cristo em mim..." A questão não é a desobediência do povo, pois com esta Deus já contava segundo, "...porque desprezaram a aliança que o Senhor, Deus de seus pais, fez com eles, quando os tirou do Egito. E se foram e serviram a outros deuses, e os adoraram; deuses que não conheceram e que ele não lhes havia designado." Deus fala pela boca de Moisés em tese acerca do que de fato iria acontecer, como já acontecido. Assim, Deus nunca é apanhado de surpresa acerca do homem, porque Ele mesmo conhece os seus pensamentos, corações e intenções antes mesmo de cometerem seus desatinos. Entretanto, Ele não muda e não altera o Seu supremo propósito. A questão, então, fica centrada na soberana vontade de Deus e não nas tendências e inclinações dos homens, sejam boas, ou más.
As Escrituras revelam um Deus que tudo pode, tudo sabe e que não Lhe escapa um átomo sequer em todo universo. Para Deus não há início, meio ou fim, Ele vê atemporalmente conforme Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
O religioso, por alguma razão misteriosa, sempre imagina que possui "livre arbítrio" e que, este pode restringir a onisciência e a onipotência de Deus. Ora, se assim fora, Ele não seria Deus! Nada é absolutamente livre fora de Deus, e nada pode estabelecer arbitrariedade fora de Deus. O querer e o efetuar desde a mais singela criatura até os anjos celestes estão debaixo da soberana vontade de Deus. Quer sejam suas ações certas ou erradas, Deus está no controle e reverte tudo ao Seu supremo propósito. Até o mal que Satanás empreende contra Deus e o seu povo, é transformado em plano divino e libertação do pecado.
Em Deuteronômio 30, versos 4 a 6 afirma: "Ainda que os teus desterrados estejam para a extremidade dos céus, desde aí te ajuntará o Senhor, teu Deus, te introduzirá na terra que teus pais possuíram, e a possuirás; e te fará bem e te multiplicará mais do que a teus pais. O Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o Senhor, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas." Então, Deus faz a soberana vontade d'Ele apesar do homem, pois se o pecador pudesse prover os meios e realizar a sua própria salvação, Cristo seria absolutamente dispensável.
Nos versos 11 a 14, Deus deixa claro que o cumprimento da lei e do mandamento é perfeitamente possível ao homem, desde que este creia. Esta impossibilidade possível é operada e operacionalizada no nascimento do alto por inclusão na morte de Cristo e na Sua consequente ressurreição. A partir daí, o querer e o efetuar está totalmente sincronizado com a mente de Deus. A lei foi terminada na cruz e os que nela foram incluídos por misericórdia e graça de Deus, tem o cumprimento cabal, eficiente e eficaz dela em Cristo. Por isso, nos versos 15 e 16 as Escrituras dizem: "vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o Senhor, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas a possuí-la." A vida e o bem é Cristo, que derramou o sangue justificador e deu o espírito vivificante pelos eleitos; a morte e o mal é a natureza pecaminosa que não foi extirpada na cruz, levando o homem à segunda morte. O texto usa a partícula condicional "se", pois nem todos seriam incluídos na morte regeneradora de  Cristo.

domingo, 1 de junho de 2008

O QUERER E O EFETUAR VI

O homem, em cuja alma há contaminação pelo pecado original, isto é, a natureza pecaminosa herdada do ancestral comum, se assemelha ao boi atado a uma canga ou jugo. Continua sendo boi, tendo vontade, desejos e necessidades de boi, entretanto, se o seu dono não o soltar, ele não é livre para satisfazer todas as contingências bovinas. Não é o jugo que o impede apenas, é o seu condutor, o jugo apenas o aprisiona fisicamente. Com o homem debaixo da natureza pecaminosa dá-se o mesmo. Todavia, ainda que na suposição de ser livre, de exercer a sua volição e de tomar diversas decisões, continua atado ao seu jugo, a saber o pecado. As Escrituras demonstram esta verdade em diversas e diferentes instâncias. Paulo, mostra a realidade desse jugo em Rm. 7:18 - "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está." O homem é um ser tripartite, visto ser corpo, alma e espírito, por esta razão deve ser compreendido nestas dimensões. Quando o texto neotestamentário se refere à carne, nem sempre é uma referência à dimensão física do homem. As palavras do grego koiné, 'sarkinós' e 'sarkikós' falam da carnalidade como inclinações, desejos, volições e decisões morais. Estas ações se concretizam fisicamente como última consequência da natureza humana debaixo do pecado. Por esta razão, o apóstolo Paulo afirma o que consta do texto que vem de ser lido. O homem pode querer, tanto o bem, como o mal, entretanto, o efetuar ou o realizá-lo não está sob o seu controle ou livre agência. Por exemplo, qualquer homem pode planejar e delinear um plano para o bem ou para o mal, mas se ele vai mesmo ser executado, não lhe compete conforme Pv. 19:21 - "Muitos são os planos no coração do homem; mas o desígnio do Senhor, esse prevalecerá." É que, no geral, os homens têm o hábito de imaginar que o bem é invariavelmente procedente de Deus e o mal do Diabo. Este não é o ensino das Escrituras! Veja, por exemplo, o caso de Judas Iscariotes, que foi profetizado e preordenado para aquele fim sinistro.
A herança do querer o bem e mal está na origem da desobediência por causa do pecado original, isto é, a incredulidade conforme Gn. 2:9, 16 e 17 - "E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Embora o mundo da erudição e da intelectualidade reputem estas passagens como mitológicas, elas são revelações que só podem ser apreendidas e recebidas pelos eleitos de Deus. O conteúdo espiritual destes textos estão muito acima de relatos e estorinhas fantasiosas. Então, o homem tomou e comeu da "arvore do conhecimento do bem e do mal" após ter pecado. Logo, não foi o comer do fruto da referida árvore que o fez pecar, mas a incredulidade no que Deus lhe houvera decretado, "... não comerás." O fundamento que a incredulidade à palavra de Deus é o pecado está confirmado por Cristo em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim."
O maior engano utilizado por Satanás é levar o homem a crer que possui "livre arbítrio", pois, assim, a ilusão de que é, como Deus, conhecedor do bem e do mal, ou seja, possui capacidade de arbitrar livremente permanece. Este foi o mesmo erro cometido por Lúcifer, imaginou que, como Deus, subiria acima das estrelas mais altas e, ali estabeleceria o seu trono e seria semelhante ao Altíssimo. Como ele foi banido de suas funções e prerrogativas, tenta incutir esta mesma ideia no homem por meio do pecado, a fim de mantê-lo cativo e escravo deste mesmo pecado conforme Cristo no-lo ensina em Jo. 8:34 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." E, qual homem não comete pecado? Seja por atos, seja por pensamentos, seja por natureza? Então, se todo homem é escravizado pela natureza pecaminosa, como pode ser livre para fazer escolhas espirituais?
Desta forma, a alma ou psiquê engana o homem com seus desejos, volições e decisões contaminadas pelo pecado, induzindo à ideia que tais sentimentos são espirituais. Entretanto, o espírito do homem foi desligado de Deus, quando da queda por incredulidade. Ele está morto, sendo este o sentido de Ef. 2:1 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados..." A palavra morte neste textos, em seu original grego é 'nekrous', isto é, não apenas a morte física, mas também a existencial. Segundo Thayer, 'nekrós' é uma pessoa viva, que, no entanto, está destituída da vida que reconhece Deus, tal como Ele é. Por isso, no texto de Mt. 8:22 - "Jesus, porém, respondeu-lhe: segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos." A melhor tradução do grego koiné é: "...deixa os que estão indiferentes à salvação que lhes é oferecida no evangelho sepultar os corpos de seus próprios defuntos." Veja, são duas naturezas de mortos, porém a palavra neotestamentária, para eles é a mesma.
A melhor maneira de identificar se um ação ou reação é espiritual ou carnal é verificar o que a Palavra de Deus ensina. Visto que é o pecado, ou seja, a natureza pecaminosa do homem decaído que o engana conforme Rm. 7:11 - "Porque o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou." O pecado, ou seja, o velho homem, engana o homem usando, inclusive, as armas do próprio mandamento, pois o mandamento ou a lei foi revelada ao homem justamente para mostrar-lhe a realidade do pecado. Assim, muitos tentam ingloriamente usar o próprio mandamento de Deus para curar-se ou salvar-se do pecado. Entretanto, o pecado só pode ser extirpado ou erradicado da alma do homem decaído pela inclusão na morte de Cristo.
Assim, a verdadeira fé é, primeiramente, dom de Deus concedido aos que Ele quer por misericórdia e graça. Secundariamente, só se pode agradar ou se aproximar de Deus pela fé que Ele mesmo concede, e, assim, ganhar a vida de Cristo. Deus não se sente, mas apenas se crê! Tudo o que é sensoriável ou sensorial é pertinente e oriundo da alma e não do espírito. Por isso, muitos vivem no engano religioso de experimentar algum tipo de experiência espiritual, quando de fato é uma mera experiência almática, terrena e diabólica conforme Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica."